ARTIGO

Caso Canneto di Caronia: Um vilarejo italiano sob ataque

Por Umberto Visani | Edição 220 | 01 de Fevereiro de 2015

A área costeira de Canneto de Caronia, que foi cenário de fatos inusitados entre 2003 e 2004, possivelmente extraterrestres
Créditos: FELIPE DIDIER

Caso Canneto di Caronia: Um vilarejo italiano sob ataque

Se o leitor acompanha filmes ou séries de ficção científica, provavelmente já se pegou imaginando como seria se realmente acontecesse uma invasão alienígena. Contudo, tais pensamentos logo são abandonados e ignorados — pelo menos para a maior parte das pessoas —, já que tais ideias parecem apenas mera fantasia, com a qual não vale a pena perder tempo. No entanto, quando se registra uma quantidade de eventos inexplicáveis, cujas características intrigam não apenas um grupo de testemunhas, mas toda uma localidade, tendo também despertado um movimento de pesquisa por parte da comunidade científica, em cujo relatório final as autoridades se apoiam para revelar que tais fenômenos misteriosos não foram naturais e, portanto, poderiam ser de origem extraterrestre, provavelmente passaríamos a olhar o conjunto de incidentes de uma perspectiva diferente. Dependendo do caso, a ideia da invasão alienígena não soaria tão absurda.

Isso é justamente o que ocorreu de 2003 até final de 2004 em Canneto di Caronia, uma pequena cidade localizada na costa norte de Sicília, na Itália, incluindo inexplicáveis fenômenos testemunhados por inúmeras pessoas. O primeiro evento anormal aconteceu em agosto de 2003, quando alguns residentes relataram para a companhia de energia elétrica italiana que alguns cabos do lado de fora de um armazém à beira-mar haviam pegado fogo sem nenhum motivo aparente. A empresa tomou as providências e substituiu os cabos, mas eles pegaram fogo novamente. Esse foi o começo dos fatos enigmáticos, que aos poucos foram se acumulando.

Em novembro do mesmo ano, o carro de Antonino Spinnato, empregado do Parque Nacional Nebrodi, começou a soltar fumaça enquanto ele dirigia próximo a Canneto di Caronia, sem nenhuma razão aparente. Ele saiu do carro e abriu o capô — o problema era na bateria, que havia iniciado um pequeno incêndio. Então Spinnato a desconectou e conseguiu apagar as chamas. No dia seguinte, ele levou seu carro para um mecânico, que lhe disse que o cabo da bateria havia sido estranhamente queimado na parte externa, enquanto a parte interna ainda permanecia intacta. Como isso é possível?

As coisas se complicam

Assim, no mencionado período, o fenômeno dos incêndios misteriosos em cabos elétricos e veículos se espalhou enormemente pela região — houve até relatos de aparelhos eletrodomésticos que pegaram fogo espontaneamente, alguns que nem sequer estavam ligados na tomada. Celulares tocavam com ninguém no outro lado da linha, alarmes de carro disparavam e desligavam de repente, trancas de carro subiam e desciam sozinhas, sem intervenção humana etc. Enfim, uma quantidade de misteriosos e inexplicados fenômenos passou a rondar a pequena localidade, a ponto de a companhia de energia elétrica decidir suspender temporariamente o fornecimento ao município para determinar as causas.

Tecnologias militares avançadas, até mesmo não terrestres, poderiam ter sido responsáveis pelos fenômenos, como consequência de possíveis tentativas de estudar como a população reagiria a uma ameaça desconhecida

Mas, mesmo assim, assustadoramente, as tomadas de parede continuaram a pegar fogo em muitas residências, deixando a empresa perplexa e aterrorizando a população. Cientistas foram à cidade e fizeram diversos testes, que demonstraram inicialmente que campos magnéticos eram responsáveis por terem originado esses incêndios anormais. Entretanto, ninguém foi capaz de apontar com certeza ao que — ou a quem — atribuir a origem dos campos magnéticos. Alguns estudiosos ponderaram que essa estranha atividade magnética se devia a ondas extremamente fortes emitidas pelo magma da Terra, porém a explicação não foi particularmente aceita, pois magmas não produzem ondas daquele tipo. Alguns residentes chegaram a culpar os cabos elétricos da linha de trem local, mas, novamente, muitos testes descartaram essa hipótese.

Nesse meio tempo, uma nova série de estranhos eventos ocorreu novamente — e não apenas combustões espontâneas, mas também anomalias eletromagnéticas, como veículos ligando sozinhos, pen drives que perdiam seus arquivos, disfunções em navegadores por satélite e também desnorteamento de bússolas magnéticas. A situação se tornou tão perigosa que os habitantes de Canneto di Caronia foram ordenados a evacuar o vilarejo em 08 de fevereiro de 2004. Na ocasião, a Agência de Proteção Civil, em conjunto com a Marinha Italiana, monitorou a área e fez outros testes durante quatro meses, mas nenhuma anomalia foi detectada naquele instante, de modo que, em junho, os residentes foram permitidos a voltar para suas casas. O fenômeno pareceu diminuir por algum tempo, mas recomeçou novamente em outubro, seguindo o mesmo padrão: incêndios espontâneos incompreensíveis, anomalias eletromagnéticas, carros e caminhonetes que pegavam fogo e vazamentos atípicos em tubulações.

Investigação oficial

Os residentes estavam extremamente irritados e assustados, o que os levou a considerar forças sobrenaturais como causadores dos fenômenos. Suas crenças supersticiosas foram reforçadas pelas afirmações do padre Gabriele Amorth, chefe da equipe de exorcistas do Vaticano, que declarou: “Já vi coisas assim antes. São demônios q ocupam as casas e aparecem em aparelhos domésticos. Não esqueçamos que satã e seus seguidores possuem imensos poderes”. Isso causou ainda mais desconforto na já sofrida população.

Já que essas anomalias ainda estavam ocorrendo e ninguém parecia ser capaz de oferecer uma explicação plausível, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, emitiu um decreto — de número 3.428, datado de 29 de abril de 2005 — e formou um grupo institucional de observação e pesquisas dos fatos. Em conjunto com a Agência de Proteção Civil, este grupo “foi autorizado a utilizar-se de qualquer medida tecnológica necessária para varrer a área e investigar o fenômeno”, segundo consta do documento. Muitos pesquisadores de ponta faziam parte dessa força-tarefa, como Bruno Azzerboni, professor da Universidade de Messina; Giuseppe Maschio, diretor do Departamento de Química na Universidade de Padova; Clarbruno Vedruccio, professor na Universidade de Urbino e consultor da Marinha; Massimo Chiappini, diretor do Laboratório de Geomagnetismo do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia; e Francesco Mantegna Venerando; coordenador regional da Agência de Proteção Civil.

crédito: NOTIZIARIO UFO

O grupo ordenou diversos testes e uma campanha aérea fotográfica foi feita pela Força Aérea Italiana, além de testes físicos, químicos e geofísicos e uma inspeção oceanográfica, levada a cabo pelo Galatea, um navio da Marinha, usando radares geológicos e equipamentos de magnetometria. Fotos em infravermelho da área de Canneto di Caronia e muitas outras investigações foram conduzidas intensamente, sem sucesso. É fundamental ter em mente a preparação técnica daqueles que compunham o grupo institucional de observação e pesquisas, pois, depois de uma investigação de dois anos, o relatório final sugeriu uma hipótese nova e cativante, que causou perplexidade.


Como se pode ler no documento, causas naturais foram descartadas sem margem de erros, dando aos fenômenos uma conotação insólita — por exemplo, um trem que se incendiou sozinho e cabos de telefone que se romperam sem interferência humana foram tidos como “elementos de um conjunto de ações artificiais de origem não identificada”. O texto diz que os incêndios foram ocasionados por esporádicas e altamente poderosas emissões de pulsos eletromagnéticos de origem artificial, que geraram grande poder em um período muito curto de tempo. As emissões vieram de um local em particular, situado a alguns quilômetros de distância, no fundo do mar. O relatório segue dizendo que “tecnologias militares avançadas, até mesmo não terrestres, poderiam ter sido responsáveis pelos fenômenos, como consequência de possíveis tentativas de uma batalha militar com armas não convencionais ou testes destinados a estudar como a população reagiria a uma ameaça desconhecida”.

OSNIs e a hipótese alienígena

Considerando que a maioria dos membros do grupo institucional de observação e pesquisas criado por Berlusconi veio do meio científico, torna-se muito significativo o fato de terem se referido a uma possível origem extraterrestre do fenômeno. Este procedimento mostra que, graças ao trabalho de diversos ufólogos sérios e competentes, a presença alienígena na Terra e a inteligência extraterrestre não são mais vistos como falácias de ficção científica, mesmo em um país como a Itália, onde o ceticismo pareceu prevalecer por um longo tempo.


No entanto, alguém se perguntaria quais elementos conduziram o grupo institucional a mencionar explicitamente a possibilidade de atribuir os incidentes em Canneto di Caronia a uma tecnologia extraterrestre. O primeiro aspecto que deve ser levado em consideração é que a tecnologia requerida para produzir impulsos eletromagnéticos similares aos dos eventos registrados é muito avançada, e se algum país a tivesse alcançado, seria difícil encontrar um propósito plausível para testá-la diretamente em frente à região costeira de outra nação. Isso sem mencionar os riscos de uma pane mecânica e a subsequente posse do aparato por parte de outro país — que teria todo direito a isso, visto ter sido agredido antes em sua integridade territorial.

Desapareceram de repente

De qualquer forma, o elemento mais importante que fortalece a hipótese extraterrestre como causa dos fenômenos é o fato de que muitas pessoas vinham avistando UFOs nas proximidades de Canneto di Caronia até mesmo antes dos incêndios espontâneos. As primeiras observações de que se têm conhecimento ocorreram logo após o surgimento das estranhas combustões, em 10 de janeiro de 2004. O já citado Antonino Spinnato, residente no bairro Marina di Caronia, enquanto sentado na varanda de sua casa à noite, viu dois objetos luminosos de formato circular no céu, parados sobre o mar e a cerca de 200 m da costa. “Eles não eram aviões, pois não mudaram sua posição, e nem estrelas, visto que desapareceram de repente, como se tivessem se desmaterializado”, disse.


Em outubro, Antonio viu as luzes estranhas novamente, exatamente onde as havia observado nove meses antes. Em 16 de março daquele ano, às 23h30, outro habitante de Canneto di Caronia, que quis permanecer anônimo, observou uma estranha luminescência em forma de meia Lua saindo do mar — tinha as extremidades azuis e um centro claro, e voou para longe em alta velocidade. Em agosto seguinte, alguns jovens viram três pequenos seres estranhos pegando limões em um pomar próximo a Canneto di Caronia, mas eles fugiram rapidamente assim que perceberam que estavam sendo observados. Aparentemente, entraram em um objeto prateado, que decolou.

crédito: NOTIZIARIO UFO
Luzes não identificadas flagradas perto de Canneto di Caronia
Luzes não identificadas flagradas perto de Canneto di Caronia

Em 31 de julho de 2005, o hóspede de um hotel no centro de Canneto di Caronia decidiu fazer uma caminhada à beira-mar e depois sentou na areia para observar o céu. De repente, percebeu um objeto avermelhado no firmamento, que pensou que fosse um meteoro. No mesmo instante, longe dali, uma grande luz vermelha saiu das ondas. O senhor, um engenheiro em visita ao local, pensou que fosse uma erupção vulcânica, porém o artefato emergiu completamente e se moveu em direção às montanhas.

Ação extraterrestre

Como foi exposto aqui, UFOs estavam presentes e extremamente ativos na área próxima a Canneto di Caronia durante a fase de maior atividade das anomalias elétricas e magnéticas, o que é um dado muito significativo porque nos permite fazer algumas considerações finais. Tendo as explicações naturais sido descartadas pelo grupo institucional de observação e pesquisas, tais como as outras hipóteses relacionadas a fenômenos sísmicos, a ideia da ação extraterrestre naquela localidade nos chama a atenção. Guardadas as proporções e a diferença no formato da atividade, o que ocorreu naquela localidade siciliana tem semelhanças com os fatos registrados durante a onda ufológica intitulada “chupa-chupa”, no Pará, Brasil, em 1977, que levou à instalação da Operação Prato.


O Vaticano, como proclamou o padre Amorth, tendo provavelmente percebido os grandes paralelos entre o fenômeno poltergeist e os de Canneto di Caronia, emitiu parecer de que o diabo estava em ação, mas o que mais se poderia esperar da Santa Sé? No entanto, devemos ter em mente que cada cultura tende a nomear diferentemente o mesmo fenômeno, que, apesar de parecer distinto dependendo de onde se manifesta, é na verdade apenas o mesmo fato. Na realidade, como nos séculos passados pessoas falavam sobre sequestros por fadas e duendes e hoje falamos de abduções alienígenas, a mesma coisa acontece em relação ao fenômeno poltergeist, que hoje em dia, com nossos novos parâmetros, podemos conectar a uma mesma matrix ufológica e extraterrestre.


Seja como for, os eventos estranhos que ocorreram em Canneto di Caronia na década passada parecem ter diminuído, embora um teste mais preciso devesse ser feito — por exemplo, uma busca no fundo do mar para descobrir e apossar-se do suposto dispositivo responsável pelas emissões magnéticas, se é que isso já não foi feito pela Itália ou qualquer outro país em segredo. Objetos estranhos vistos no céu e emergindo do fundo do mar, pequenos humanoides registrados em inúmeras propriedades, muitas fotografias de legítimas anomalias e um relatório oficial que sugere amplamente a possibilidade de uma origem extraterrestre são fatos muito contundentes para serem ignorados.

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Umberto Visani

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