Edição 123
DESTAQUE

Atividade ufológica no interior paulista

Por
01 de Jun de 2006
Americana é uma das que apresenta maior registro casuístico do interior do Estado de São Paulo, com uma vasta quantidade e variedade de contatos com UFOs e ETs
Créditos: Prefeitura Municipal

Quando a noite cai no interior de São Paulo e os astros resplandecem no belo céu caipira, começam a aparecer aqui e ali lunetas, telescópios e binóculos. São muitos os apaixonados, curiosos e admiradores dos mistérios e belezas celestes. Em fins de 1988, quando mudei da capital paulista para o interior, me juntei a um grupo de pessoas que se reuniam regularmente à noite para olhar o céu. Sempre me interessei por astronomia, mas, obviamente, naquelas vigílias procurava observar muito mais que astros. Algum tempo depois, integrei uma equipe de monitores do Observatório Municipal de Americana, que, inclusive, documentou diversos eventos celestes, divulgados pela imprensa local. Apesar da minha dedicação pública à astronomia, estava desenvolvendo alguns trabalhos independentes na área da Ufologia. Mas, em abril de 1989, decidi me envolver mais nesse estudo e fundei o Grupo de Pesquisas Ufológicas (GPU). E Americana foi um ótimo local para isso, já que está situada em uma região de grande incidência ufológica.

Tudo começou com a ocupação de terras na região de Salto Grande. Em 1771, iniciou-se o cultivo de cana-de-açúcar e a fabricação de açúcar na Fazenda Salto Grande. Em 1799, surgiu o Solar, sede de uma das mais importantes fazendas de cana-de-açúcar da localidade, do morador Manoel Teixeira Vilela. Em 11 de junho de 1845, o fazendeiro Domingos da Costa Machado adquiriu a propriedade que passou a ser conhecida como Fazenda Machadinho, onde atualmente localiza-se a Praça Basílio Rangel. Em 1866, famílias confederadas de sulistas norte-americanos, derrotados na Guerra de Secessão (1861-1865), emigram para o Brasil, incentivadas pelo governo imperial brasileiro, que considerava o momento uma ótima oportunidade para impulsionar o desenvolvimento do interior do país. Núcleos de sulistas norte-americanos se instalaram em várias regiões do Sudeste brasileiro, mas Santa Bárbara d’Oeste, construída pelo coronel William Hutchiinson Norris, ex-combatente da Guerra Civil e ex-senador do Alabama, Estados Unidos, foi a que mais progrediu.

O núcleo de Norris fundou diversas propriedades agrícolas, que cultivavam e beneficiavam o algodão. Em 1868, famílias norte-americanas se instalaram nas terras da Fazenda Machadinho, onde também plantavam algodão. Com o ótimo desempenho nas lavouras, os agricultores estabeleceram um intenso comércio, que ficou ainda mais fortalecido com a instalação da via férrea pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro, construída a partir da mobilização dos produtores de café da região. A Estação de Santa Bárbara foi inaugurada em 27 de agosto de 1875 e contou com a presença de dom Pedro II e da comitiva real. À mesma época, o capitão Correa Pacheco loteou algumas glebas de terra da Fazenda Machadinho, que comprou de Basílio Bueno Rangel. Formou-se daí um núcleo urbano nas imediações da estação, que de início ficou conhecido como Villa dos Americanos. Mais tarde, o núcleo passaria a ser chamado de Villa Americana e, finalmente, Americana. O município foi oficialmente criado em 15 de janeiro de 1925.

Além do algodão, os lavradores confederados cultivavam melancias, que eram comercializadas em São Paulo e exportadas em vagões. Também em 1875, foi inaugurada a primeira fábrica de tecidos produzidos a partir do algodão, batizada de Fábrica de Tecidos Carioba, situada há uns três quilômetros da estação ferroviária. Instalada pelo engenheiro norte-americano Willian Pultney Ralston, associado a Antônio e Augusto de Souza Queiroz, essa indústria teve papel fundamental na criação e desenvolvimento de Americana.

crédito: Frâncio de Holanda
Foto de uma formação de objetos não identificados sobre Americana, obtida em 1997 pelo fotógrafo do jornal Todo Dia, Frâncio de Holanda
Foto de uma formação de objetos não identificados sobre Americana, obtida em 1997 pelo fotógrafo do jornal Todo Dia, Frâncio de Holanda

Em 08 de outubro de 1887, o italiano Joaquim Boer chegou ao Brasil chefiando uma grande comitiva de imigrantes da Itália. Ele foi morar na Fazenda Salto Grande, de propriedade de Francisco de Campos Andrade. Os italianos dedicavam-se ao cultivo de café, arroz e cana-de-açúcar, para a fabricação de aguardente. Além disso, criavam aves e plantavam hortaliças para o próprio consumo. Como pagamento de uma dívida, Andrade cedeu um pedaço de terra a esses imigrantes, sendo que cada família construiu seu sítio, dando início à lavoura e contribuindo para o progresso de Americana. Em 1896, os imigrantes italianos construíram a primeira igreja da cidade. Na mesma época, consta nos registros históricos a chegada de imigrantes espanhóis, portugueses e alemães à região. Estes últimos trouxeram mão-de-obra especializada e idealizaram a vila operária Carioba, que impulsionou a industrialização da região. Outra colaboração dos alemães deu-se na arquitetura de muitos edifícios, casas e fábricas da cidade, que foram construídos ao estilo europeu.

Casuística ufológica — A partir da década de 30, surgiram várias pequenas indústrias têxteis na localidade, transformando-a num dos mais importantes pólos do Brasil. O município é acolhedor e atrai muito turismo, proporcionando várias opções de lazer. Entre elas, mencionamos aqui o Parque Ecológico – um dos maiores e mais belos de São Paulo –, o Observatório Astronômico, a Praia dos Namorados, a Igreja Matriz de Santo Antonio, com arquitetura neoclássica e afrescos, o Museu de Salto Grande, o Aeroporto Municipal e a Estação Ferroviária, recentemente restaurada.

A rica casuística ufológica de Americana vem sendo investigada pelo Grupo de Pesquisas Ufológicas (GPU). O primeiro caso relevante registrado entre os anos de 1960 e 1970 foi destaque na imprensa e chamou à atenção de populares e autoridades da região. Num domingo, por volta das 20h45, o cabo Rangel, do posto da Polícia Rodoviária Federal localizado no km 127 da Via Anhangüera, observou um objeto no céu que caía velozmente. O tempo estava chuvoso. Julgando ser um avião, ele correu em direção às terras da Fazenda Mirandola, que margeiam a pista, onde o artefato aparentemente havia caído. Ao entrar na propriedade, observou um UFO que subitamente se deteve no ar, a cerca de 50 m do solo. Rangel descreveu assim a estranha experiência: “O negócio estava parado no ar, ali na minha frente. Não tinha asas e apresentava a forma de balão, semelhante aos que voavam antes da invenção do avião, só que tinha proporções gigantescas, com cerca de 15 m de comprimento por 8 m de circunferência, de forma oval. Era metálico, assim como aço inoxidável. No lugar onde se situam as cestas ligadas por cabos, nos balões comuns, havia um prolongamento em forma cilíndrica, que se destacava do resto pela existência do que me pareceram três janelas”.

Naquele momento, ele estava com muito medo, paralisado perante tão súbita aparição, quando “do bojo cilíndrico do aparelho jorrou uma luz fortíssima, só comparável a uns 10 refletores, desses usados pelos bombeiros, que clareavam o chão em forma circular, ao mesmo tempo em que iluminavam também as janelinhas. Fazia um zumbido ensurdecedor”. Apavorado, o cabo Rangel correu em direção ao posto de serviço. Apesar de ter deixado a luz acesa, essa havia se apagado. “Meu pavor aumentou ainda mais porque, ao tentar sair com a perua da Polícia Rodoviária, a mesma não pegou. Os faróis também não acenderam. Era uma escuridão total. Tudo isso se passou rapidamente. Voltando a olhar para o objeto, percebi que ele se inclinava perpendicularmente. Estava somente com as janelinhas iluminadas e se afastava a grande velocidade”.

O cabo Rangel correu para o Posto 7, que à época pertencia a Nicola Cerbasi, que confirmou o apagão das luzes. Juntos, foram até a Fazenda Mirandola, onde o UFO possivelmente teria aparecido, mas viram apenas uma luz distante no espaço, que indicava um objeto voando. Ao voltarem para o posto foram interpelados por um motorista interessado em saber o que estava acontecendo de anormal. Ele vinha com seu caminhão de Limeira para São Paulo quando, ao passar por aquele local, teve seu veículo parado inexplicavelmente na pista. Até mesmo seus faróis se apagaram. Além dele, um motorista de Campinas que vinha em sentido contrário procurou a oficina do Posto 7, reclamando do mesmo problema. Outros efeitos eletromagnéticos se deram no momento da aparição: uma lâmpada fluorescente da oficina mecânica do posto explodiu sem motivo aparente, e os aparelhos de televisão das casas situadas naquelas imediações sofreram grande interferência. A programação que estava sendo exibida saiu do ar e houve grande ruído. O GPU fez uma investigação de campo e conversou com Cerbasi e outras pessoas nas imediações do Posto 7, em 17 de fevereiro de 2002.

Quatro anos antes, em 1997, Americana foi destaque na mídia devido a uma onda de avistamentos ufológicos. Na lista de testemunhas constam jornalistas, guardas municipais, policiais militares, populares e até religiosos. O primeiro registro aconteceu em 31 de março e foi protagonizado pelo sargento da Polícia Militar Íris Alves de Souza e pelo soldado Wilton Franco. Eles faziam ronda no Bairro da Liberdade, quando, às 24h30, viram um UFO com luzes amarelas, azuis e vermelhas, que piscavam rápida e intermitentemente. Tinha a forma de duas bacias de cabeça para baixo, com 10 m de diâmetro. Enquanto Franco procurava uma filmadora, Souza acompanhava o objeto. Ele relatou ter se assustado quando o artefato passou perto de alguns fios de alta tensão. O UFO projetou um cone de luz branca no solo. Segundo Souza, quando um avião se aproximou do local, as luzes da nave foram apagadas e somente se acenderam após a passagem daquela aeronave. O sargento comentou ter ficado a apenas 150 m do objeto, que se movia muito rápido e parecia ser feito de borracha.

O Fenômeno UFO e a imprensa — Quando Franco retornou com a viatura, portando uma filmadora, o UFO estava se deslocando na direção de Piracicaba. Os PMs resolveram segui-lo pela rodovia SP-304, mas chegando próximo à cidade desistiram da perseguição, pois não conseguiam se aproximar do mesmo, que se movia em alta velocidade. Segundo se comentou à época, Souza e Franco tiveram seqüelas nos dias subseqüentes, apresentando um “peso na nuca” e irritação nos olhos. Outro acontecimento ufológico envolvendo autoridades ocorreu naquela mesma data, com os funcionários da Guarda Armada Municipal de Americana (GAMA) Moacir Pereira dos Santos e Anerilton Neves. Eles faziam o patrulhamento no Parque das Nações, quando, às 03h15, se depararam com um objeto oval e silencioso, que apresentava luzes amarelas, azuis e vermelhas. O UFO veio na direção dos guardas, sobrevoou uma residência e ficou imóvel 200 m acima de um terreno baldio. Moacir teve a idéia de acender o giroflex da viatura e, após fazê-lo, o UFO disparou em direção ao Tiro de Guerra, ficando ali parado e com as luzes apagadas. Os guardas se deslocaram para o local e observaram o objeto nas proximidades de uma caixa d’água, na Rua Pindaré, no bairro São Roque.

Fenômeno registrado — Outras pessoas também viram o UFO, que sumiu movendo-se rapidamente na direção de Sumaré. O fenômeno durou cerca de 15 minutos e foi registrado em Boletim de Ocorrência na polícia local. Após os relatos dos guardas, muitos moradores começaram a descrever outras aparições de naves nas proximidades de Americana. Até mesmo uma equipe do jornal Todo Dia, formada pelo fotógrafo Frâncio de Holanda e pela repórter Dedé Amaral, presenciou um fenômeno inusitado. Ao atender a solicitação da moradora Roseli Marino, que pedia o comparecimento dos mesmos na rua onde reside, afirmando estar vendo discos voadores, o grupo pôde visualizar os objetos e, inclusive, fotografá-los, sendo as imagens publicadas na edição de 03 de abril do periódico. E a história não parou por aí. Na noite de 12 de maio, numa atitude inédita, a Câmara de Vereadores de Americana promoveu um debate a fim de esclarecer a população sobre as aparições de UFOs que vinham acontecendo no município. A sessão especial, proposta pelo vereador Mathias Mariano, foi aprovada por todos os parlamentares e reuniu populares, astrônomos, ufólogos e testemunhas das aparições, como os patrulheiros Hamilton Neves e Moacir Pereira dos Santos, da GAMA. Tudo foi registrado em ata.

Apesar do ceticismo dos astrônomos e das tentativas de convencer os presentes de que os UFOs não passavam de algum fenômeno natural, as testemunhas afirmaram categoricamente continuar acreditando que o que viram eram naves alienígenas. Os seres extraterrestres vêm realizando suas misteriosas e intrigantes operações há muito tempo na localidade, tanto em áreas populosas quanto nas desabitadas. Muitos casos que estudamos sugerem um interesse particular dos tripulantes dos UFOs por tal território e seus recursos minerais. Na represa de Americana, por exemplo, é comum o avistamento de sondas, que chegam a invadir as propriedades de sitiantes e chacareiros. E, na descrição de certas ocorrências, vemos que alienígenas podem ter descido, andado em solo americanense e depois sido resgatados por naves.

Experiências dos moradores — Percebemos que a atuação dos UFOs foi semelhante nas ocorrências mais importantes, em que as naves estavam próximas do solo. Muitas testemunhas revelam interessantes coincidências, que nos incitam a questionar certos comportamentos dos objetos voadores não identificados, como a intensa projeção de luzes no solo terrestre. Ao longo dos anos, o GPU tem colhido muitos relatos interessantes entre os moradores de Americana. Dentre eles está o de Daniel Mateucci e de seu pai, que, entre os anos de 1976 e 1977, quando caçavam nos canaviais da Estação Ferroviária de Cillos, avistaram um UFO voando a baixa altura. Eram entre 19h00 e 20h00. O artefato tinha a forma de meia-lua e dois faróis vermelhos em sua dianteira. Em dado momento, parou, apagou os faróis e projetou um foco de luz branca para baixo. Logo depois recolheu o foco, reacendeu os faróis e retornou de onde havia vindo.

Outro testemunho interessante é o de Ismael Laizo, que, numa noite de 1990, por volta das 23h30, observou a passagem de um UFO sobre o Jardim Nossa Senhora Aparecida. A nave tinha o formato anelar, com várias luzes verdes, vermelhas e amarelas ao redor. Apresentava um diâmetro de cerca de 30 m e piscava as luzes verdes ininterruptamente. Em seguida, se deslocou na direção de São Paulo e desapareceu no céu cerca de um minuto depois. Naquele mesmo ano, um fazendeiro que não quis se identificar relatou ao GPU que numa noite, perto das 22h00, viu uma nave oval e translúcida. Ela pairava sobre uma mata localizada atrás do Colégio Politec. De repente, de sua parte inferior foi emitido um foco translúcido para o chão, que, segundo a testemunha, pareceu estar absorvendo uma energia luminosa que se desprendia da terra. Cerca de 30 segundos depois, o UFO desapareceu sem deixar vestígios.

crédito: Frâncio de Holanda
Não são raras as observações de luzes noturnas em Americana e arredores
Não são raras as observações de luzes noturnas em Americana e arredores

Em 06 de dezembro de 2001, o estudante Marcelo Faria testemunhou o avistamento de dois UFOs no céu do município. O primeiro foi notado às 21h15, movendo-se na direção sul, sumindo dois minutos depois por entre as nuvens. Já o segundo, surgiu subitamente às 21h17, sobre uma propriedade no Bairro Colina. Era esférico e apresentava luzes azuladas. Realizava uma trajetória retilínea ascendente e, então, começou a mover-se em ziguezague. Já na madrugada de 04 de abril de 2005, Henrique Silva, morador de um bairro próximo à região onde está localizada a Ferrovia Cillos, viu uma esquadrilha de UFOs sobrevoar Americana. Segundo ele, pelo menos 50 objetos voavam numa formação retangular, apresentando oito fileiras com seis aeronaves cada, sendo que na do meio havia quatro aeronaves.

Todos os UFOs eram idênticos. Tinham a cor predominantemente branca, a forma de pião e janelas no centro. Silva afirmou que antes dos UFOs sumirem no horizonte, dois deles cortaram o céu velozmente. Ele sentiu estar “fora do corpo” durante essa experiência. Mas o que os tripulantes de tais naves queriam ao focar o solo com aquela luz? Absorver energia da terra? Fazer prospecção de algum mineral? Analisar o subsolo à procura de algo? Recolher ou largar algo em terra, invisível aos nossos olhos? Como falamos anteriormente, é possível que seres extraterrestres estejam desembarcando na região e realizando operações em nosso meio, sem serem percebidos ou identificados. Quanto à hipótese da prospecção, quem sabe os alienígenas tenham encontrado no subsolo de Americana uma fonte de energia indispensável para o funcionamento de suas naves? Tudo isso está sendo investigado pelo GPU. Também estamos tomando outros depoimentos interessantes, que, em breve, serão apresentados à Comunidade Ufológica Brasileira. E o leitor já sabe: ao passar por Americana preste atenção no céu, lembrando que “há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”, como disse William Shakespeare.

Os ufólogos brasileiros continuam a campanha

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Jun de 2006

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