Edição 78
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Ashtar, um comandante que anuncia o Apocalipse

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01 de Jun de 2014
Se existir de fato, de que planeta viria Ashtar Sheran e quantas outras civilizações ele conheceria? Viria anunciando um Apocalipse apenas na Terra ou em termos cósmicos?
Créditos: StepheN Meranz

Quem é Ashtar Sheran? Mais uma fábula bem construída para minimizar o estresse pré-apocalíptico dos costumeiros finais do mundo e do célebre e tão temido terceiro milênio? Ou um tutor planetário muito eficiente, cujos ensinamentos canalizados por inúmeros “receptores” evidenciam a necessidade de um urgente despertar, baseado no autoconhecimento e na conscientização planetária, para que se possa minimizar os catastróficos acontecimentos e danos infringidos ao planeta, pela mão do próprio homem? Na verdade, Ashtar Sheran é um polemizado personagem, conhecido dentro e fora do cenário ufológico mundial. Muitas vezes criticado e ironizado, outras, adorado e cultuado como a última esperança de resgate e salvação da raça humana, na época dos grandes cataclismos, quando acontecerá a tão preconizada transição planetária.

Muito se tem escrito sobre esse grande comandante, que possui uma verdadeira frota de naves posicionadas em pontos estratégicos, na qual os “escolhidos” receberão a acolhida de irmãos do espaço, numa promessa de um desejoso recomeço em algum lugar desse grandioso universo, em outras paragens interdimensionais... De modo resumido, é assim que o referido personagem é retratado em diversos textos e livros, em inúmeros idiomas, diferentes raças e culturas, quase como uma ordem mística gerando uma filosofia popular em que cada um tem seu próprio fundamento e parecer, defendendo sua crença ou seu ceticismo em relação a tal instigante e simbólica figura.

O que dizer sobre essa imensa forma-pensamento coletiva, que vem angariando cada vez mais novas e producentes consciências, que anseiam por uma oportunidade de renovação dentro desse tsunamesco caos que está inundando de medo, violência, insegurança, corrupção, decepções, dores e frustrações nosso tão amado e sofrido Planeta Azul? Não é necessário dizer. Qualquer indivíduo com uma mínima dose de informação já pode perceber todo esse processo de transformação que o planeta e seus inquilinos vêm sofrendo. As alterações climáticas não precisam mais de testemunhas isoladas, já que evidenciam uma nova realidade em toda parte. No céu, na terra, no mar e principalmente no ar que respiramos. Alterando o ecossistema, mudamos nós, os habitantes de Shan, como o grande comandante Ashtar denomina a Terra. É inegável que em uma sociedade pusilânime como a nossa, que já pressente um desfecho nada favorável nessa história de agressões ao planeta — num misto de bombas, funk, nanotecnologia, clonagem, mapeamento genético, sondas espaciais, fome, miséria e luxúria — se anseie e se sinta uma necessidade de proteção, de segurança e, lógico, de esperança!

Um mundo visível

Através da física quântica descobrimos hoje que o que chamamos de realidade é algo tão relativo e quase imaterial que se torna um “por enquanto” em nosso atual estágio evolutivo. É uma tarefa difícil nos situarmos dentro dele. Estamos imersos nesse oceano de energia, em meio a fótons, nêutrons, neutrinos, raios-x, elétrons que somem e reaparecem, vindos de algum lugar desconhecido, onde tudo depende da nossa observação e principalmente de nossa consciência, inserida em várias teorias. Parece loucura, não? Cores, sons, vibrações, frequências diversas, formas-pensamento que transmutam e induzem os padrões moleculares da água, produzindo cristais diversos, de acordo com o nosso intuito e emoção. Enfim, um mundo visível dentro de outro que não conseguimos captar com os nossos sentidos primários. Primários? Será que existem outros, além dos cinco? Provavelmente, sim.

Estamos em uma fase na qual o antigo já não tem o mesmo significado e o novo ainda não se estabeleceu. Isso gera grande ansiedade, contribuindo para aumentar as mirabolantes associações inconscientes de nosso próprio psiquismo

E Ashtar Sheran, os extraterrestres, suas naves, os outros mundos habitados? Será que existem? Provavelmente, também. Vivemos em um mundo fantástico, onde a natureza é maravilhosamente megalomaníaca! Diversas espécies vegetais, minerais e animais vivem e compartilham os oceanos, o ar e a terra em perfeito equilíbrio. Terra que, através de uma pequena semente, faz o milagre da transformação e da multiplicação. Árvores, florestas, frutos, alimento. Assim é o nosso planeta, um globo flutuando no espaço, em uma solidão relativamente vigiada na imensidão do universo, banhada por um Sol provedor de vida. Globo azul em sua órbita constante, no ventre da Via Láctea, entre bilhões de estrelas e galáxias. E Ashtar Sheran? Será que é possível crer em um ser de tal envergadura que, além de perfeito, possui nobres valores e ainda como um pai zeloso, planejando nossa salvação? Era tudo que precisávamos, não? Como crianças, continuamos a repetir nossas inconsequências, danificando nossos brinquedos, não nos preocupando com nada, pois sabemos que nossos pais o farão por nós, consertando nossos estragos e bagunças e ainda nos tirando delas.

Em um universo social onde os valores se perdem a cada dia, num hip-hop psicodélico enaltecido por glúteos, seios e lábios, grandiosamente construídos pelas mãos de um cirurgião, cultuando e agradecendo o silicone de cada dia, é quase impossível supor que existe vida inteligente acima dos charmosos e metalizados piercings umbilicais. Valores novos, inseridos pelos poderosos capitalistas em suas guerras pessoais de poder em mentes desavisadas e vazias de grande parte dessa massa terrestre, para desviar a atenção, açoitar, roubar e alienar os incautos proprietários desse solo, que não conhecem os seus próprios direitos e nem estão interessados nessa realidade — pois muitos são capazes de rir de uma possibilidade extraterrestre, de outros mundos habitados, de naves etc —, estão cerceados em suas percepções dentro de uma prisão invisível, a instituída sociedade humana. E Ashtar Sheran? Pelo menos suas mensagens são do bem, clamando por consciência desperta, cuidados fundamentais, amor ao próximo e a si mesmo.

História fantástica

Esta opinião não está baseada em fatos e evidências de uma possível existência de Ashtar Sheran. Creio que chegamos a um patamar na grande escala existencial cujos paradigmas estão sendo desconstruídos numa velocidade proporcionalmente inversa à sua construção. Tudo está muito rápido: a tecnologia, as descobertas científicas, as reformulações constantes de teses e ensinamentos, o tempo, as crianças etc. Crianças que são frutos dessa grande fase de transição, que parecem já vir com uma capacidade cognitiva surpreendente. Crianças índigo? Estamos, sem dúvida, vivenciando uma fase, e como tal, essa grande crise precede significativas mudanças. Só não sabemos, ainda, em quais proporções elas se darão.

crédito: FOTOLIA
Nosso planeta é um globo flutuando no espaço, em uma solidão relativamente vigiada na imensidão do universo
Nosso planeta é um globo flutuando no espaço, em uma solidão relativamente vigiada na imensidão do universo

Estamos em uma fase na qual o antigo, o passado, já não tem o mesmo significado, e o novo, o porvir, ainda não se estabeleceu. Isso gera grande ansiedade, contribuindo para aumentar as mirabolantes associações inconscientes de nosso próprio psiquismo. Como questionar a realidade de um fato? Se parece ser uma história fantástica, digna de Spielberg, George Lucas, Dan Brown e outros mais que ousam usar a imaginação criativa, imaginação essa que talvez provenha do mundo das ideias de Platão...

Dizem que tudo que conseguimos imaginar e criar é um reflexo da própria criação. E daí? Literalmente, quem somos nós — tal como no filme homônimo — para julgar ou pleitear uma posição definida sobre qualquer questão da existência? Se tudo está em movimento, se nós mesmos somos um organizado movimento quântico que nos faz parecer sólidos, como dizer se Ashtar Sheran é uma verdade ou um mito criado e substanciado pelo inconsciente coletivo dessa tão esfarrapada sociedade humana? Impossível responder. Só sei que a realidade conhecida já é tão fantástica para quem consegue se desprender daquele vicioso ângulo de visão, para olhar através dos multifacetados lados desse grande prisma, que reflete as infinitas possibilidades dessa grande matrix chamada existência.

Um deus pessoal para cada um de nós

Nos dias de hoje, você tem a opção de dirigir-se a um supermercado e lá adquirir um pacote de leite que esteja de acordo com seu estilo de vida e suas necessidades. Leite desnatado, caramelado, com vitamina C, longa vida, de soja e outros tantos tipos diferentes. Um, com certeza, foi feito exatamente para você. Traçando um paralelo, é comum encontrar pessoas que já foram católicas, passaram pelo Kardecismo, frequentaram a umbanda e hoje estão na Igreja Mórmon. É moderno? Sim! Se você se fixou em uma única religião nos últimos anos, me desculpe, mas você está fora de moda. Mas o que está havendo? Essa multiplicidade de produtos ofertados está alterando os nossos conceitos e padrões, bem como o nosso próprio modo de viver? Ou somos nós que não paramos de buscar e experimentar o novo, sempre atrás de algo que nos faça sentir especiais?

Nesse sentido é que as pessoas acabaram transformando Ashtar Sheran em uma opção religiosa moderna como todas as demais. Uma maravilhosa fuga da realidade mundana. Senão, vejamos. Se na sua rua ninguém ainda está ligado nessa nova onda, você então seria o primeiro, o diferente, o que traz a moda. Não parece ser isso o que todos querem? O artigo quinto da Constituição Brasileira garante o livre exercício do culto religioso. Hoje é mais fácil — e bem mais lucrativo — abrir uma igreja do que uma empresa. Uma pesquisa feita recentemente por uma universidade no Rio de Janeiro apurou a existência de 10 mil denominações religiosas diferentes legalmente registradas. Esse movimento em torno da figura mítica de Ashtar Sheran — que já tem até comunidades a ele dedicadas no site de relacionamentos Facebook — é insosso. Por trás dele não há nada mais do que uma vontade de ser diferente dos demais e se destacar na multidão.

Salvação à vista

Ou, o que é pior, uma forma de se esconder, de fugir da dura realidade cotidiana. Eu até gostaria que milhares de naves estivessem de fato nos vigiando e prontas a nos salvar em caso de catástrofe. Assim, não teríamos 11 de Setembro, tsunamis ou pessoas passando fome. Invoco aqui o comandante Ashtar Sheran e o conclamo, caso exista de verdade, a mandar uma nave me buscar. Se isso ocorrer, disponho-me a ser seu devoto e a passar o resto de minha existência lavando pratos ou varrendo o chão de sua espaçonave. Não desejo mais permanecer em um planeta onde as pessoas, por qualquer motivo, se refugiam no primeiro deus que encontram, ou trocam esse deus por outro qualquer quando não são atendidas em seus pedidos. — João Oliveira

O que é lenda e o que é realidade sobre Ashtar?

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Jun de 2014

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