Edição 56
DESTAQUE

As fotos de Urandir de Oliveira

Por
01 de Jan de 1998
A foto que não passa de um filme velado
Créditos: urandir f. de oliveira

Em março deste ano recebi uma encomenda via Sedex do senhor Urandir Fernandes de Oliveira contendo o total de cinco fotografias de supostas naves extraterrestres para análise. O conjunto me foi encaminhado por já ter realizado inúmeros exames de material fotográfico de origem ufológica, cujos resultados têm sido amplamente publicados, inclusive em UFO.

Em seguida ao recebimento das fotos, uma associada ou amiga de Urandir, do Rio de Janeiro, ligou-me dizendo que havia sido ela quem enviara as fotos e que gostaria de meu parecer técnico a respeito das mesmas. Prometi que daria um retorno, depois que visse as mesmas. No entanto, assim que elas chegaram às minhas mãos, enviei formulários apropriados diretamente a Urandir, para serem preenchidos com informações técnicas sobre as mesmas e o método de sua obtenção. Igualmente, também pedi os respectivos negativos para poder realizar um exame mais detalhado. Infelizmente, até hoje não obtive resposta...

A data em que as fotos me foram encaminhadas, março de 1997, coincide com a época em que Gevaerd deu o flagrante em Urandir, em sua propriedade próxima de Campo Grande (MS), no episódio das tais luzinhas emitidas por canetas laser. Imagino que Urandir, depois disso, sabendo que sou co-editor da Revista UFO, achou por bem não mandar os negativos solicitados, limitando-se a encaminhar as fotos. Mesmo assim, um resultado parcial da análise pode ser apresentado nesta matéria.

Entrada de luz – A primeira foto apresentada não necessita de análise no negativo, pois sua origem está nítida. Ela mostra simplesmente que ocorreu entrada de luz no início do filme. No entanto, atrás da foto, Urandir escreveu que trata-se de “uma nave dimensional, com 80% de energia e 20% de matéria” (sic). Mesmo assim, o que aparece no fotograma é facilmente explicável. Anos atrás, enviei para revelação em laboratório vários inícios de filmes para estudo, com resultados idênticos aos obtidos por Urandir. É que quando pegamos um filme para instalar na máquina fotográfica, normalmente puxamos a ponta do mesmo e a travamos no carretel. Esta parte do filme que foi exposta à luz fica completamente velada (queimada). Assim, quando o filme é revelado, a foto fica na cor branca, ou seja, com excesso de luz.

Por isso, após travarmos o filme no carretel, logo que fechamos a máquina, normalmente batemos duas a três fotos com a lente fechada. Se isso for feito sob exposição ao Sol ou fontes fortes de luz, no entanto, parte da luminosidade que entra no carretel vela parcialmente a primeira chapa. Se fecharmos a máquina e não avançarmos o filme até que chegue na pose de número um, e ainda batermos uma foto do ambiente, quando esta for revelada mostrará que a entrada de luz irá se sobrepor ao ambiente fotografado. Foi simplesmente isso o que aconteceu com a imagem.

crédito: urandir f. de oliveira
Ao lado, as fotos 4 e 5, que Urandir garante que são marcas de pouso de discos voadores, mas não dá maiores detalhes... [Editor: as mesmas ficam num platô em sua propriedade, têm formação geo-lógica normal, não são nada ufológicas e podem ser encontradas com a-bundância na região] As fotos, que Urandir garante que são marcas de pouso de discos voadores, mas não dá maiores detalhes... [Editor: as mesmas ficam num platô em sua propriedade, têm formação geo-lógica normal, não são nada ufológicas e podem ser encontradas com a-bundância na região]

Já nas fotos seguintes, é necessária uma análise no negativo, pois as mesmas são de péssima qualidade. Aparentemente, o que foi fotografado é algo pequeno que está próximo da máquina.

Também pode ser um objeto jogado para o ar e fotografado, ou uma mancha química, como é provavelmente o caso da foto 3, que somente pode ser decifrada com análise dos negativos. Demais informações sobre ambas também são vitais, como por exemplo saber quantas pessoas estavam no local no momento em que foram batidas.

Círculos pequenos – As fotos descritas por Urandir como “marcas de um pouso de disco voador”. Aparentemente, trata-se de dois círculos pequenos, cujas características nada têm a ver com pousos convencionais ou mesmo sinais das sapatas de objetos voadores extraterrestres. Neste caso, somente com um minucioso exame do local onde o tal pouso teria ocorrido é que seria possível descobrir do que se tratam as marcas. No entanto, Urandir não nos deu o endereço nem maiores detalhes para fazermos tal reconhecimento.

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Jan de 1998

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