ARTIGO

As agressões são comuns no Brasil

Por Bob Pratt | Edição 30 | 01 de Novembro de 2004

O agricultor Benedito de Souza, o Beato, mostra como tentou se proteger do ataque de um UFO anos atrás, no interior do Rio Grande do Norte
Créditos: Bob Pratt

As agressões são comuns no Brasil

Há mais de 50 anos os UFOs têm sido vistos praticamente em toda nação do mundo, com avistamentos e contatos imediatos freqüentes, na verdade, quase todos os dias. Mas, que eu saiba, somente no Brasil – não nos países vizinhos, nem em qualquer outra região do planeta – os UFOs são tão hostis. Ninguém sabe o porquê. Há apenas algumas centenas de ufólogos entre os mais de 170 milhões de habitantes no país. Todos são civis que dedicam o tempo e o dinheiro que podem para examinar relatos de incidentes envolvendo UFOs. O Governo mostra um interesse ocasional no fenômeno, mas não parece estar investigando-o ativamente, pelo menos não com regularidade. Há grandes áreas do país onde não existem pesquisadores e a maioria dos avistamentos e contatos imediatos não é relatada.

Fiquei sabendo da incrível história de Moisés Campelo – que descrevo a seguir – por acaso. Eu estava em Campo Redondo (RN) com a ufóloga norte-americana Cynthia Luce procurando uma mulher que passara por uma experiência aterradora uns 12 anos antes, mas seus vizinhos nos informaram que ela tinha se mudado para lugar ignorado. Sabendo que éramos ufólogos, os humildes moradores do local nos perguntaram se conhecíamos o caso de Moisés. Não sabíamos nada a respeito, mas foi fácil encontrá-lo em sua modesta residência no Sítio Timbaúba, alguns quilômetros ao norte de Campo Redondo, um lugar árido e de difícil acesso, onde quase não há chuva.

Moisés é um homem tenso, mede 1,60 m, tem cabelos pretos encaracolados, olhos intensamente negros, possui marcas de barba e pesa cerca de 60 kg. Sua mulher, seus filhos, e mais uma meia dúzia de vizinhos e parentes se aglomeraram em sua sala de estar para ouvir nossa conversa. A experiência pela qual passou marcou-o para o resto de sua vida. Numa noite quente de domingo, no mês de maio de 1991, Moisés saiu da casa de seu irmão, perto da igreja, e começou a descer uma colina a caminho de sua residência. Estava escuro e garoava, mas ele não quis abrir o guarda-chuva. Dali a cerca de 200 m, o chão ficava plano para depois inclinar-se novamente, e Moisés se preparou para subir outra ladeira íngreme e comprida, que terminaria em sua pequena residência, a 1 km de distância. Poucos minutos depois, ele passou pela casa de um vizinho e, dali a mais 100 m, chegou ao alto da colina. Foi então que notou um brilho. A testemunha olhou para a direita e viu uma pequena luz no pico de outra montanha, 3 km a leste. “É um carro”, ele pensou ao olhar para trás, na direção da trilha que mal podia ver por causa da escuridão.

Mas, antes de dar mais três ou quatro passos, Moisés notou que a luz estava, subitamente, bem em cima dele. Ela percorrera aquela distância com uma velocidade surpreendente, assustando-o. Era agora enorme e tão brilhante que doía os olhos. Não fazia nenhum ruído. Parecia ser tão grande quanto uma casa e girava lentamente. Ele sentiu mais curiosidade do que medo, mas se soubesse o que iria lhe acontecer, teria corrido para longe dali o mais rápido possível. Era o início de uma estranha abordagem hostil que ainda não pôde ser explicada racionalmente. Para Moisés, era um UFO e ele sobreviveu ao ataque, mas quando me contou a história, 16 meses depois, ainda tinha medo de sair de casa à noite. Temia que os atacantes voltassem.

Sugado por alguma força invisível

O objeto profusamente iluminado que apareceu naquela noite teve um efeito imediato sobre Moisés. “Fiquei paralisado quase na mesma hora e achei que o UFO ia me levar”, disse ele em voz baixa, enquanto nos sentávamos em sua sala de estar. Seu olho esquerdo estava vermelho. Foi machucado pelo UFO e ainda não tinha sarado. “Aquilo iluminou tudo à minha volta e ficou muito quente. E eu senti que estava sendo sugado para cima”. Moisés disse que realmente começou a subir no ar numa posição ereta, como se ainda estivesse caminhando. Não sentia nada tocando seu corpo ou segurando-o no ar. Era apenas a sensação de ser puxado para cima por uma força invisível.

“Fiquei com muito medo mesmo. Subi mais ou menos 1,5 m. Não conseguia falar nem gritar por ajuda e não podia me mexer. A luz era quente demais. Eu estava apavorado”. Seu corpo ficou tão rígido que um pacote de biscoitos que estava carregando debaixo do braço amassou por completo. Moisés não sabe quanto tempo ficou suspenso sob o UFO, mas acha que foi pelo menos por cinco minutos, o período todo morrendo de medo que algo muito ruim lhe acontecesse. “Mas, de repente, eles me fizeram descer bem devagar e a luz se afastou um pouco para o lado”, explicou. Naquele momento, Moisés estava tão nervoso que caiu no chão.

A luz agora era tão grande e brilhante que doía os olhos. Parecia ser do tamanho de uma casa e girava lentamente, sem ruídos. A vítima sentiu mais curiosidade do que medo, mas se soubesse o que iria lhe acontecer, teria corrido para longe dali o mais rápido possível. Era o início de uma estranha abordagem hostil que ainda não pôde ser explicada racionalmente

Enquanto isso o UFO pairava, totalmente imóvel, à altura de uma árvore, cerca de 20 m de distância e ainda muito brilhante. Há duas casas algumas centenas de metros de onde o fato ocorreu, e outras a 1 km de distância, mas, aparentemente, ninguém viu a luz. A maior parte das residências na área têm janelas de madeira, que ficam fechadas e aferrolhadas por dentro à noite, por segurança e por causa dos mosquitos. Vidraças e telas não são comuns na região. Moisés estava muito tonto para conseguir andar e seus olhos ardiam por causa da luz. Bem devagar, ele foi se arrastando até sua casa, que ficava a cerca de 200 m dali. “Estava rastejando como uma lagartixa porque não conseguia andar. Afastei-me dali uns 200 m e fiquei embaixo de uma árvore pequena, onde parei um pouco para descansar. Depois, comecei a me mexer de novo e, assim que saí debaixo da árvore, eles voltaram e me pegaram novamente”.

Ronco de uma turbina

Dessa vez o UFO veio por trás de Moisés, e entre ele e o objeto só havia os galhos da árvore. De repente, percebeu que estava sendo sugado para cima outra vez. Ele parou de subir quando estava a cerca de 1 m do chão, agachado, como se ainda estivesse se arrastando. “Minha cabeça bateu nos galhos enquanto eu subia. Fiquei paralisado de novo, mas desta vez senti muito frio. Não podia me mexer ou gritar, e a luz feria meus olhos novamente. A coisa estava acima de mim, girando, girando, girando”. Moisés acha que nesta ocasião ficou suspenso no ar por 15 minutos. Estava consciente, mas apavorado. A única coisa que podia fazer era rezar. Finalmente o UFO foi embora, ficando fora de seu campo de visão. Até aquele momento ele não tinha emitido nenhum som, mas quando estava se afastando, Moisés ouviu um ronco baixo, como de uma turbina.

Assim que o objeto se foi, Moisés sentiu a paralisia passar rapidamente e caiu no chão como um pedaço de chumbo. “Eles me derrubaram com força”, disse. Com muita dor e morrendo de medo que o UFO voltasse uma terceira vez, ele se arrastou até chegar em casa. “Meu olho esquerdo começou a inchar, parecia que ia sair da cabeça, e quando entrei em casa não estava enxergando com ele”. Quando chegou em sua residência, ele bateu nervosamente na porta até sua mulher abrir. Estava histérico e não conseguiu contar a ela imediatamente o que tinha acontecido. “Sentei-me numa cadeira e por uns cinco minutos não conseguia falar. Um pouco depois, olhei pela janela e vi a luz sobre a igreja. Quando aquilo aconteceu comigo, ela era branca, mas àquela distância parecia uma enorme bola vermelha. Ficava balançando para frente e para trás como um pêndulo”.

A vítima é uma das centenas de brasileiros que foram submetidos a estranhos ataques por parte dos UFOs, durante pelo menos 30 anos, possivelmente mais. A maioria das vítimas fica apavorada, mas não se machuca, no entanto algumas já se feriram, foram mortas ou quase. Milhares de pessoas podem ter sido atacadas, porém o número exato, talvez, nunca se saberá ao certo. O Brasil é enorme, com uma população muito grande, mas nenhum indivíduo, organização ou repartição do Governo coleta informações sobre todos os contatos imediatos que ocorrem por todo o país.

Cegueira temporária e muita dor

Quando Moisés terminou de contar sua história, disse-nos: “Achei que eles iam me levar para a Europa”. Todo mundo riu, inclusive ele, mas a situação não foi engraçada na noite em que o UFO o atormentou, nem por muito tempo depois. “Meu lado esquerdo ficou amortecido por três ou quatro meses. A parte em volta da cintura e dos quadris, do lado esquerdo, parecia paralisada”. Ele também teve problemas com o olho esquerdo por um ano e meio. Inchou tanto que ele não podia dormir à noite por um bom tempo depois, porque não dava para fechá-lo. “Não enxerguei com ele durante alguns dias, e ainda tenho dificuldade”. O olho parecia estar irritado e o problema era que não tinha sido devidamente tratado. Moisés nos informou que um médico lhe dissera que precisaria de uma cirurgia, e ele foi ao hospital três vezes, e nas três ocasiões faltou energia elétrica. Nunca foi operado.

As terras daquela parte do sertão pertencem à mãe de Moisés. Ele mora e trabalha lá e não tem a intenção de se mudar, embora saiba que os UFOs ainda estão na área. “Eu não saio mais sozinho à noite. Só saio de casa se alguém for comigo”. Moisés é apenas uma entre as milhares de testemunhas atacadas por UFOs com quem conversei em dez países, desde 1975. A história dele não é um caso isolado. No Brasil há muitas pessoas que foram vítimas de contatos aterradores com UFOs. Na verdade, uma das mulheres presentes à entrevista que fiz com ele disse que, menos de uma semana antes, sua filha e seu genro, ambos com 19 anos, e outras três moças precisaram se esconder de um UFO. Estavam indo a pé até a residência do casal, numa colina 2 a 3 km a oeste da casa de Moisés, quando o incidente ocorreu.

“Eram mais ou menos 19h00”, disse Severina Campelo, irmã de Moisés. “Estava escuro e eles estavam subindo a colina quando uma luz brilhante veio por cima e tentou sugá-los. Todos se esconderam embaixo de um cajueiro e se agarraram a ele até a luz ir embora”. Infelizmente não tivemos tempo de conhecer o casal e conversar com os dois, e quando voltei ao Sítio Timbaúba, em 1993, eles já tinham se mudado. O que se passou com essa gente? E com o humilde Moisés? O que o teria assustado tanto a ponto de deixá-lo com medo de sair sozinho à noite? Seus atacantes apareceram de repente, como se surgissem do nada, levantaram-no do chão duas vezes por uns 30 m, sujeitaram-no a calor e frio extremos e a uma paralisia que o impediu de se mexer e falar, soltando-o com delicadeza na primeira vez e violentamente na segunda. A luz era tão brilhante que quase o cegou. Branca quando estava próxima e vermelha quando distante, balançando para trás e para frente no céu.

crédito: Bob Pratt
O Sítio Timbaúba, ao norte de Campo Redondo (RN), onde Moisés Campelo viveu dramáticas experiências. Toda a região registra elevado número de ocorrências ufológicas, inclusive com violência
O Sítio Timbaúba, ao norte de Campo Redondo (RN), onde Moisés Campelo viveu dramáticas experiências. Toda a região registra elevado número de ocorrências ufológicas, inclusive com violência

Efeitos absurdos e traumatizantes

O que era o misterioso objeto? Obviamente algum tipo de máquina com uma ou várias criaturas inteligentes controlando-a. Perseguiu Moisés duas vezes, localizou-o no escuro na primeira oportunidade, a uma distância de 3 km. Não era avião, nem helicóptero, pois não fazia barulho durante a maior parte do incidente, e não tinha hélices nem vento gerado por motores. Não era um dirigível nem qualquer outro tipo de aeronave conhecida porque, mais tarde, quando foi visto sobre a igreja, oscilava como um pêndulo. Além disso, pelo que sabemos, nenhum governo no mundo possui um tipo de aeronave capaz de erguer uma pessoa do chão, paralisá-la e feri-la, para depois soltá-la delicadamente ou com violência, usando apenas um raio de luz.

Embora saibamos que o artefato causador do ataque era um objeto voador não identificado, isso não é muito esclarecedor porque ainda não sabemos o que eles são. Aparentemente, quase todo mundo acha que sabe, mas o fato é que ninguém tem certeza. A experiência de Moisés, porém, pode nos dar pistas que, somadas aos dados obtidos em entrevistas com outras vítimas, poderão um dia nos ajudar a descobrir o que há por trás dos UFOs. E os indicadores são muitos. Várias outras pessoas me disseram que também levitaram, embora não duas vezes, como Moisés. Nesse sentido, o que aconteceu com ele é um fato singular. Há outros elementos estranhos que diferenciam este caso dos demais, como a luz brilhante que ilumina tudo como se fosse a luz do dia e a paralisia sofrida pela vítima. Também estranha é a incapacidade de Moisés de falar ou gritar por ajuda e sua sensação de frio intenso em meio a um calor extremo quando foi apanhado pela segunda vez.

Cheguei a cogitar que o rapaz talvez tivesse entrado em estado de choque, o que explicaria o frio, mesmo na presença de calor. Outras vítimas que sentiram isso também acham que tiveram esse tipo de choque. Por outro lado, algumas pessoas que afirmaram sentir frio e calor, simultaneamente, acrescentaram que tudo ao redor delas estava gelado, como se estivessem em um ambiente com ar condicionado, mas essa sensação passou assim que o UFO foi embora. Além de Moisés, outras pessoas foram levantadas do solo: muitas resistiram de alguma forma, algumas foram até puxadas por ganchos e têm aquelas que chegaram a ser, realmente, levadas. Temos muito que aprender, mas uma coisa podemos afirmar com certeza: esse é um fenômeno agressivo e nenhum homem, mulher ou criança, brasileiros ou de outras nacionalidades, estão seguros.

Outro caso absolutamente espantoso é o de Janúncio de Souza, que, não muito longe de onde morava Moisés, sofreu um ataque semelhante, mas conseguiu ver o UFO e seus perseguidores – um homem e uma mulher sentados dentro do objeto. Ele tem 1,80 m de altura e é esbelto, apesar de seus 75 anos. Tem aparência rude, cabelos brancos, bigode espesso, bochechas altas, nariz proeminente e bronzeado permanente, típico de um homem que passou a maior parte da vida arando a terra sob o abrasador Sol equatorial. Era um senhor duro, moderadamente rico e poderoso, um dos maiores proprietários de terra da região. 13 famílias viviam em sua fazenda e trabalhavam para ele, cultivando algodão, feijão, milho e cuidando dos animais.

Situações de horror extremo

Janúncio não tinha motivo para temer pessoa alguma, mas, assim como Moisés, tinha medo de sair à noite. Alguma coisa maligna se escondia no céu noturno e o apavorava terrivelmente. Quase o pegou uma vez e ele não estava disposto a correr outra vez o risco. Janúncio é o apelido que Francisco Henrique de Souza recebeu quando criança. Ele nasceu numa fazenda de 500 hectares, que pertence à sua família há mais de um século. Ela se espalha por colinas arenosas – 19 km a sudeste de Santa Cruz, no Rio Grande do Norte, e 40 km a sudeste de onde mora Moisés. A vida era relativamente tranqüila para Janúncio até uma noite no início de janeiro de 1979, quando algo desceu do céu e tentou levá-lo.

Naquela ocasião ele tinha visitado um vizinho e, por volta das 20h00, estava andando de volta para casa, a quase 3 km de distância. Na metade do caminho, ele acendeu um cigarro. Foi aí que começou seu pesadelo. Ele tinha dado menos de 50 passos quando um aparelho enorme e escuro subitamente apareceu sobre sua cabeça, sem aviso prévio. Era como se o brilho de seu cigarro fosse um chamariz, chamando a atenção da estranha máquina no céu, que o detectou. “Estava só a uns 3 m acima de mim” disse Janúncio, ainda assustado com a experiência, quando me contou a história, um mês mais tarde. “Eu não vi a coisa se aproximando e a mesma não fazia nenhum barulho. Apenas estava lá”.

A visão aterrorizou Janúncio. “Parecia um silo grande”, disse. Devia ter pelo menos uns 6 ou 7 m de altura, com um fundo redondo de 3 a 4 m de diâmetro. “Uma porta abriu no fundo. Eu vi um homem e uma mulher sentados em bancos como num carro. Estavam parados, vivos. Não se mexeram em nenhum momento. A mulher parecia estar usando um vestido. Quando a porta se abriu, saiu dela muita luz e eu senti como se estivesse sendo puxado para dentro do objeto. Era como um ímã. Agarrei-me a uma palmeira e enrolei os braços e as pernas em volta dela. A luz era muito quente e eu estava apavorado”. Janúncio pesa cerca de 70 kg e, embora estivesse se segurando à árvore com toda a força, o puxão do UFO era tão intenso que ele começou a ser arrastado para cima, ao longo do tronco, até seus pés se afastarem do chão.

“Isso aconteceu cinco vezes. Para cima e para baixo, para cima e para baixo... Meu peito ficou todo arranhado”. Ele disse que começou a chorar e achou que ia morrer. “Então, quando o homem e a mulher viram que eu não ia largar da árvore, eles derrubaram uma coisa como óleo quente para me fazer soltar. Senti que estava entre o fogo e a frigideira. Não podia me mexer. O negócio queimou meus braços e me machucou muito, mas tinha medo de soltar. Quase morri de medo. A luz era insuportavelmente quente”, contou.

crédito: Bob Pratt
O fazendeiro Beato, que escapou por pouco de ser levado por um UFO, mas que sofreu as conseqüências de estar na mira de um
O fazendeiro Beato, que escapou por pouco de ser levado por um UFO, mas que sofreu as conseqüências de estar na mira de um

“Aquilo durou menos de dois minutos. Se tivesse demorado mais, acho que eu teria morrido, porque estava muito quente. Como eu não larguei da árvore de jeito nenhum, eles fecharam a porta, a luz se apagou e a coisa foi embora rápido, como um relâmpago”. O objeto subiu bem alto no céu e desapareceu. Janúncio não ouviu som algum em nenhum momento do episódio. Quando seus olhos se acostumaram à escuridão novamente, ele correu para casa. Suas roupas estavam encharcadas de suor. Ele me contou esta história enquanto nos sentávamos em uma sala grande, com poucos móveis e um teto alto. A casa de Janúncio fazia parte de vários edifícios conjugados sendo uma das maiores na área, com uma pequena capela no quintal.

Uma coisa de outro mundo

Era o começo da tarde e a única luz da sala vinha de uma passagem aberta e de várias janelas. O dia estava agradável. A esposa de Janúncio, Nina, e outras duas mulheres estavam sentadas em cadeiras de frente para nós, descascando ervilhas ou feijões. De vez em quando, ela assentia com a cabeça enquanto o marido falava. Nina conhecia a história de cor. “Ele estava com muito medo quando eu abri a porta. Disse que as pessoas no disco voador queriam levá-lo, pois ele já ouviu falar que isso acontece. Nós não acreditávamos nessas histórias, mas agora cremos”.

As queimaduras e os arranhões de Janúncio já estavam curados quando falei com ele. Não vi nenhuma marca, mas não tinha motivos para duvidar de suas palavras. “Fiquei doente por dois dias. Não conseguia comer. Tinha dor de cabeça, meu peito estava arranhado e vermelho, e meus braços tinham queimaduras como se fossem de cigarro”. Quando lhe perguntei o que achava que era o objeto, me respondeu: “Não sei. Acho que era um disco voador, porque já ouvi falar disso antes. Não fazia muito barulho. Era como um objeto invisível, onde você só pode ver as luzes. Para mim, não era deste mundo. Todos aqui têm medo dessa coisa. Todo mundo já viu a luz. Na semana passada viram todas as noites. Um homem ficou com tanto medo que se borrou todo na hora”.

Janúncio ficou em silêncio por um minuto olhando para o outro lado da sala. Então, suspirou e disse: “Eu achei que aquela coisa ia me levar. Agora não saio mais à noite. Tenho medo que ela volte”. Ele exibiu um sorriso triste. Até quanto fosse possível, Janúncio era mestre do mundo ao seu redor, mas tinha medo de sair de casa quando escurecia. Um bom tempo depois do episódio, Janúncio superou boa parte de seus medos e, às vezes, se arriscava a sair à noite. Mas a vida dele nunca mais foi a mesma. Aquela vitalidade robusta que desfrutava antes do incidente tinha desaparecido e teve problemas de saúde pelo resto de seus dias. Morreu em 1991, com 90 anos, sobrevivendo todos, menos quatro dos 20 filhos que ele e Nina puseram no mundo. Muitos faleceram de doenças infantis numa época em que o Brasil tinha poucos médicos e hospitais.

O caso de Janúncio tem um significado especial para a Ufologia. É um modelo pelo qual podemos medir outros acontecimentos. Poucos são os que se comparam ao horror puro, força bruta e rudeza. As pessoas que acreditam na existência dos UFOs automaticamente pensam que eles são altamente superiores a nós em tecnologia. Entretanto, neste caso – e pelo menos em mais um que fiquei sabendo – os ocupantes recorreram ao uso de óleo quente, derramando-o sobre Janúncio para fazê-lo soltar da árvore. Será que essas criaturas são mesmo de uma civilização adiantada?

Criaturas não-humanas

Qualquer que seja a resposta, esta experiência nos dá pistas adicionais sobre os UFOs. Como no caso de Moisés, o objeto apareceu do nada, acima da vítima. Mas Janúncio conseguiu ver uma sombra, alguma coisa alta e cilíndrica com um homem e uma mulher dentro. Ele teve de agüentar um calor tão intenso que poderia queimá-lo e incendiar a árvore. Ao mesmo tempo, o UFO exerceu uma força tão poderosa que Janúncio foi puxado sobre a palmeira cinco vezes, embora permanecesse agarrado a ela com toda a firmeza. Quando não conseguiram pegá-lo dessa forma, derramaram líquido quente sobre ele, para forçá-lo a se soltar. Como, mesmo assim, ele não largou da árvore, o objeto desapareceu instantaneamente – e sem fazer ruído.

A tentativa de abdução o deixou doente por dois dias, incapaz de comer e com dor de cabeça, arranhões no peito e queimaduras nos braços. O evento foi tão dramático que afetou sua saúde pelo resto da vida, e ele jamais recuperou totalmente a força. Os ocupantes dos UFOs que atacaram Moisés e Janúncio não pareciam se importar que estavam aterrorizando e pondo em perigo as vidas desses homens. Mas qual seria seu propósito? Ver a expressão de horror no rosto de Moisés, enquanto ele ficava suspenso no ar e paralisado? A dor que sentiu, quando o pegaram novamente enquanto tentava se afastar rastejando? Ou o propósito deles era ouvir o velho Janúncio gritando, agarrado a uma palmeira, e sentindo dor quando derramaram líquido quente sobre seus braços?

Mas empatia e respeito são emoções humanas, e essas criaturas que estavam nos UFOs não são humanas – um detalhe importante de lembrar. Caso esses seres tenham emoções, podem não ser as que nós, humanos, conhecemos. Por 12 anos, achei que a experiência de Janúncio era a única do tipo. Conversando com centenas de outras pessoas ao redor do mundo que tiveram estranhas vivências com UFOs, eu nunca tinha ouvido nada semelhante. Mas em 1991 descobri que o contato de Janúncio não foi o único do gênero. Um incidente quase idêntico ocorreu exatamente em sua vizinhança poucos meses depois, com uma variante estranhíssima.

Uma questão de família

A experiência de Janúncio e alguns outros incidentes ufológicos podem parecer histórias antigas para algumas pessoas. Mas são de suma importância. Ninguém sabe em que escala de tempo os UFOs operam. Nosso conceito de tempo se baseia na rotação da Terra sobre o próprio eixo para definir um dia e na translação da mesma ao redor do Sol, para o período de um ano. A divisão em horas, minutos e segundos foi feita por indivíduos astutos, tantas dezenas de anos atrás, que não sabemos a quem dar o crédito ou em quem pôr a culpa. Nossa definição de tempo pode não fazer o menor sentido para as tripulações dos UFOs, principalmente se eles vêm de outros mundos com dias e anos mais curtos ou mais longos, ou qualquer outra coisa que usem como medida de tempo. Para eles, o nosso ano de 1979 pode ser uma semana atrás ou a noite passada. E os sujeitos que atormentaram Janúncio em 1979 e Moisés em 1991 podiam estar simplesmente num intervalo para o café entre um caso e outro. Em todas as pesquisas de campo que realizei no Brasil desde 1978, a maioria das pessoas com quem conversei tinha passado por experiências ufológicas recentes – alguns dias, semanas ou meses antes.

crédito: Bob Pratt
Uma típica família do interior do sertão nordestino, como muitas visitadas pelo autor. Em casos assim, todos os membros já passaram por experiências espantosas com UFOs
Uma típica família do interior do sertão nordestino, como muitas visitadas pelo autor. Em casos assim, todos os membros já passaram por experiências espantosas com UFOs

Algumas tinham acontecido um dia ou uma semana antes. Isso significa que os UFOs ainda estão por aí. São freqüentes no Brasil há muitos anos, tanto hoje quanto no passado. Pelo que eu saiba, nunca houve uma trégua em suas aparições, embora esses objetos tenham uma tendência de mudar de um lugar para outro, concentrando-se numa área por algum tempo, depois em outra. Eventos muito parecidos com os relatados aqui podem estar ocorrendo agora, ou daqui a pouco tempo, em qualquer lugar.

Outro ataque impressionante

Neste artigo, os casos vêm sendo discutidos em uma seqüência específica – geralmente dos contatos ‘rotineiros’ aos mais perigosos e fatais – para revelar os padrões operantes na maioria dos incidentes, as semelhanças que os unem, antigas e novas. Isso é importante porque não podemos lidar com esses intrusos até termos uma imagem clara deles e do quê estão fazendo. Alguns incidentes não chegam ao conhecimento público por muitos anos, entretanto, são significativos devido às informações que nos dão sobre o fenômeno. O caso seguinte é um exemplo, e nós o descobrimos somente em 1991, muito tempo depois de ocorrido.

Numa daquelas curiosas e incríveis coincidências que parecem surgir aos montes nas investigações ufológicas, a próxima vítima de um ataque semelhante ao de Janúncio foi um de seus filhos. Seu nome é Benedito Henrique de Souza, mais conhecido como Beato. Seu encontro com um UFO foi quase idêntico ao de seu pai, ocorreu poucos meses depois e a 1 km de distância. Pai de oito crianças, Beato mora com a família a cerca de 3 km da casa principal da Fazenda Cacaruaba, que pertence à família. Seu tipo físico é bem parecido com o do pai: ele tem uma pele escura e áspera, cabelos escuros e um bigode grisalho. Tinha 39 anos quando um UFO tentou abduzi-lo. A ufóloga Cynthia Luce e eu conversamos com ele em 1991 e novamente em 1992. Ele não se lembrava da data do ataque, exceto que fora durante a época da seca, entre agosto e novembro de 1979. Havia acabado de jantar e entre 19h00 e 20h00 começou sua caminhada para casa, a menos de 1 km de onde estava.

Não havia luar e a noite estava escura. Na metade do caminho, ele parou para acender um cigarro e depois continuou andando. Praticamente repetindo o incidente de Janúncio, a chama do isqueiro de Beato deve ter atraído a atenção de algo no céu: um objeto subitamente apareceu bem acima dele. “Não vi o negócio chegando”, disse Beato. “De repente, estava lá. Ele desceu uns 7 ou 8 m na minha direção, em cima de mim. O fundo parecia uma rede de pesca. Quando olhei para cima, vi um buraco no fundo e muita luz saindo por ali. Parecia dia lá dentro”. Imediatamente, Beato sentiu que estava sendo puxado para cima. Apavorado, ele se agachou, agarrou com força uma catingueira – arbusto típico da região, que chega a medir uns 3 km – segurando-a com as duas mãos. “Eu achei que ia me levar. Era uma luz incrível e parecia um aspirador de pó tentando me sugar. Acho que queria me puxar para aquele buraco”. A luz era tão brilhante que Beato não conseguia olhar para ela muito tempo, mas pôde ver três pessoas dentro do objeto, dois homens e uma mulher.

crédito: Bob Pratt
Francisco Henrique de Souza, vulgo Janúncio, descreve o UFO que surgiu sobre ele e tentou sugá-lo, em janeiro de 1979. O homem mostra como agarrou-se a uma árvore para não ser levado
Francisco Henrique de Souza, vulgo Janúncio, descreve o UFO que surgiu sobre ele e tentou sugá-lo, em janeiro de 1979. O homem mostra como agarrou-se a uma árvore para não ser levado

Buraco no fundo

“Eu não agüentava a luz. Machucava muito os meus olhos. Olhei para cima, vi as pessoas, mas precisei olhar para outro lado, porque não agüentava a luz”, disse Beato. A força que o puxava era forte, mas ele não saiu do chão. E assim como tinha acontecido com seu pai, quando viram que ele não soltava do arbusto, derramaram pequenas gotas de um líquido escaldante em seus ombros. “Esparramou quando caiu em mim, e era muito quente. Me queimou”. Apesar da dor, Beato estava assustado demais para largar do arbusto, e de repente o objeto desapareceu. Ele não o viu partir nem ouviu som algum, estava com a cabeça abaixada para evitar a luz e, num instante, toda a iluminação em volta dele tinha desaparecido e ele não sentia mais o puxão. “Quando olhei para cima, a coisa tinha sumido”.

Todo o incidente durou apenas uns três minutos, Beato acredita. Mas parecia muito mais longo. Ele ficou temporariamente cego por causa da luz. “Fiquei lá um pouco, depois corri para casa”. Quando ele chegou em seu lar, sua mulher o examinou e descobriu cerca de 10 minúsculas queimaduras em seus ombros. Beato não sabe que tipo de líquido caiu sobre ele. “Pareciam gotas de óleo quente. Passou pela camisa e não deixou nenhuma mancha. Simplesmente evaporou”. Ele não viu as gotas caindo, e só as sentiu quando tocaram os ombros. O objeto estava diretamente acima dele no momento.

Não muito interessante

Não há como sabermos se esse foi o mesmo objeto que atacou seu pai. Nenhum dos homens foi muito preciso na descrição dos fatos. Janúncio viu algo com a forma de um silo, mas com um fundo giratório, de 4 ou 5 m de largura. O que Beato observou era longo e redondo, com um fundo que ele calculava ter uns 6 ou 7 m de largura. Os dois homens poderiam ter percebido objetos em forma de sino. Beato não viu nada dentro do objeto além das pessoas, e somente do peito para cima. “Acho que eram dois homens e uma mulher. Um deles tinha cabelo vermelho que descia até os ombros. Um dos homens me olhou assim”, Beato imitou, sacudindo os ombros como em desprezo. “Ele me olhava como se eu não fosse muito interessante. Tive a impressão de que os outros dois estavam olhando atrás de mim, para outra coisa”.

As três pessoas pareciam sentadas em bancos, a mulher um pouco mais perto dele que os homens. Ele não observou suas roupas. Durante todo o incidente, Beato não ouviu um único som. “Se tinha algum barulho, eu estava tão assustado que não me lembro”. Janúncio também não ouviu som algum. Os dois incidentes foram incrivelmente semelhantes em quase todos os aspectos, exceto que Janúncio viu duas pessoas e Beato três. Uma grande diferença é que no caso de Beato, um dos ocupantes parecia reagir a ele como se a questão fosse pessoal, embora fosse apenas um ‘dar de ombros’, demonstrando desprezo. Os demais ocupantes, nos dois incidentes, eram como robôs ou pareciam preocupados. Outro elemento novo no caso de Beato é que sua primeira impressão ao olhar para a luz acima dele foi que ela parecia uma rede de pesca caindo em sua direção. Esse aspecto foi relatado em vários outros casos e será discutido futuramente. Os olhos de Beato doíam por causa da luz forte e por vários dias ele não agüentava olhar para nada brilhante.

Diferente de Janúncio, Beato não teve dor de cabeça nem qualquer outro efeito físico, exceto pelas queimaduras. Porém, assim como seu pai e Moisés, ele passou a ter medo de sair à noite, após o episódio. “Levei uns dois meses até sair de casa à noite, de novo. E ainda não fumo fora esse horário, a não ser que alguém esteja comigo”. Hoje, Beato é dono de cerca de um pedaço da velha fazenda de sua família. Se esse tipo de coisa aconteceu com Moisés, Janúncio e Beato, quantas outras pessoas foram atacadas? Ninguém sabe. Conversei com, pelo menos, outras 40 pessoas no Brasil que tiveram experiências estranhas semelhantes, mas pode haver entre 10 a mil vezes mais. Tristemente, nem todos os outros 40 indivíduos tiveram a mesma sorte que Moisés, Janúncio e Beato.

Para continuar lendo este artigo, você deve se cadastrar no Portal UFO. O cadastramento é gratuito e dá acesso a todo o conteúdo do site.

Login

Compartilhe esse artigo:

Sobre o Autor

Bob Pratt

Bob Pratt foi jornalista e trabalhou como repórter e editor de jornais diários e revistas por 48 anos. Foi ufólogo desde 1975, quando foi enviado para investigar a aterrissagem de um UFO na região norte dos Estados Unidos. Até aquela época, sempre fora cético, mas em uma semana entrevistou mais de 60 pessoas que tinham tido avistamentos ou contatos imediatos, passando a estudioso do assunto. O testemunho dessas pessoas o convenceu de que os UFOs são reais. Nos seis anos e meio que se seguiram ele se especializou em pesquisa ufológica para sua revista, a National Enquirer, viajando pelos Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Japão, México, Peru e Porto Rico. Desde 1975, entrevistou cerca de duas mil pessoas que tiveram experiências ufológicas. Só ao Brasil veio nada menos do que 13 ocasiões para examinar casos, sobretudo no Nordeste. Pratt ficou profundamente interessado nos casos de contatos com UFOs no Brasil após a Enquirer tê-lo enviado aqui quatro vezes, nas décadas de 70 e 80. Diferente do que tinha observado em outros países, no Brasil os UFOs ferem muitas pessoas e podem até ter matado algumas. Esses incidentes o intrigaram tanto que, após sair da revista, em 1981, voltou imediatamente ao país para continuar suas pesquisas por conta própria. Em 1999, tentou descobrir por que acontecem tantos contatos no Brasil, em número bem superior ao registrado em outros países. Bob Pratt escreveu numerosos artigos sobre UFOs e foi editor do UFO Journal, órgão oficial da entidade norte-americana Mutual UFO Network (MUFON), a maior do mundo.

Comentários