ARTIGO

As abduções da família Reed

Por Carlos Casalicchio | Edição 223 | 01 de Junho de 2015


Créditos: LUCA OLEASTRI

As abduções da família Reed

As ocorrências de abdução ocupam um capítulo à parte dentro da história da Ufologia. Amplamente divulgadas e disseminadas por Hollywood desde os anos 50, elas, em alguns casos, mostram um viés familiar. Há muitas histórias de pessoas de uma mesma família sendo abduzidas de forma sistemática por gerações, evidenciando, para falarmos pouco, algum tipo de acompanhamento genético por parte dos extraterrestres. Há anos pesquisadores especializados denunciam que há um processo de hibridização em curso, embora ninguém saiba exatamente com qual propósito. Alguns aventam a tese de que seja para a criação de uma nova espécie que seria útil aos extraterrestres, outros que beneficiaria os humanos e há aqueles ainda que alegam que os híbridos são criados para povoar outro planeta, que não o nosso ou o dos abdutores.

De maneira geral, tudo que envolve a Ufologia é difícil de ser comprovado. As filmagens e fotografias, com raríssimas exceções, não são conclusivas e os testemunhos mais fidedignos que se possui vêm de testemunhas militares e de pilotos civis, que são raras. E mesmo isso se baseia mais na respeitabilidade da testemunha do que em algo que possa servir de evidência concreta — exceção feita, claro, aos casos contendo detecções por radar de UFOs, mas também eles não parecem ser o suficiente para que se ateste sem equívocos a veracidade do fenômeno. E se a presença de naves já é difícil de ser provada, imagine o leitor a dificuldade em relação às abduções.

A maioria dos casos de sequestros por seres extraterrestres relatados vem de pessoas que não podem provar aquilo que alegam lhes ter acontecido. É importante que se atente para o fato de que a falta de provas, além de dar à Ufologia um caráter duvidoso aos olhos da ciência, dificulta muito o trabalho dos ufólogos. Para os pesquisadores, as evidências físicas dos relatos são fundamentais para que possam traçar linhas de estudo. E se entendermos a Ufologia como um corpo de estudo, fica pior — sem evidências a ser estudadas, ela não avança e acaba dando voltas sobre si mesma, sem evoluir. Assim, quando surge um episódio novo que tenha, além dos relatos das testemunhas, provas que confirmem as alegações, eles são estudados por anos e pesquisados por diferentes investigadores, na tentativa de colher dos acontecimentos todas as informações. Um desses raros acontecimentos será analisado neste artigo, o Caso Reed.

O começo de tudo

Acontecido nos Estados Unidos e envolvendo quatro gerações de uma mesma família, o episódio é tão impressionante que chegou a ser apresentado na Organização das Nações Unidas (ONU). Em junho de 1954, Nancy Burrows, na época uma estudante de 15 anos residente na cidade de Westport, no estado de Connecticut, foi com sua mãe, Marian, seu irmão mais velho, Robert, e sua melhor amiga, Kip, para o estado do Maine, onde haviam alugado uma cabana próxima ao Lago Moosehead. O final de semana foi programado como um descanso para as garotas, que tinham acabado o ano letivo. Na segunda noite da estadia, Nancy acordou com o som de algo que se parecia com uma porta batendo — ela tentou se mover, mas sentiu como se estivesse presa ou engessada, embora conseguisse mexer os pés e mãos. Apavorada, procurou se agarrar a tudo que podia, tentando sair da cama.

crédito: PSTUDIO
A maior parte das abduções alienígenas ocorrem, aparentemente, em lugares ermos, rurais, onde a operação não será percebida
A maior parte das abduções alienígenas ocorrem, aparentemente, em lugares ermos, rurais, onde a operação não será percebida

A menina permaneceu naquele estado de paralisia por horas e, conforme contou muitos anos depois, viu pequenas figuras se movendo nos pés de sua cama em direção a ela. De repente, o quarto se encheu de luz e ela se sentiu normal outra vez. Nancy não dormiu mais e no café da manhã do dia seguinte Kip lhe contou que havia passado por uma experiência praticamente idêntica à de Nancy. Nenhuma das duas voltou ao quarto naquela noite e dormiram na varanda, apesar da severa queda de temperatura que veio com o anoitecer. Estavam apavoradas. Muitos anos depois, ao contar à sua mãe o que lhe havia acontecido, Nancy soube que também Marian tivera episódios de abdução.

O tempo passou e, se Nancy teve novas experiências, não as contou a ninguém. Porém, conforme veremos na sequência dos acontecimentos, o mais provável é que ela tenha passado por outras abduções. O que sabemos é que 12 anos depois, Nancy, então uma jovem de 27 anos, estava morando em uma fazenda no estado de Massachusetts, onde criava cavalos. Ela era mãe solteira de dois meninos, Thomas, de seis anos, e Matthew, de quatro, que carregavam seu sobrenome. Pois em uma fria noite de setembro, os dois garotos Tom e Matt, como eram chamados, tiveram sua primeira experiência. Ambos dividiam o quarto e dormiam em um beliche. “Eu dormia em cima, porque era o mais novo e meu irmão queria que eu me sentisse importante”, disse Matt em recente entrevista.

Abdução em 1966

Eram 21h00 e os meninos estavam acordados em suas camas, ouvindo o som do riacho que passava atrás da propriedade — a janela do quarto estava aberta. De repente, algo aconteceu. “Nós podíamos sentir na pele”, declarou Thomas Reed. “Era uma sensação esquisita, de ansiedade. Parecida com o que sentimos quando sabemos que alguma está errada no ambiente ou que algo ruim está para acontecer”. O resto da noite, na lembrança dos dois, é uma mistura de cenas e imagens estranhas. De algumas, Tom se lembra bem, de outras parcialmente e há várias de que não se recorda. Em uma das cenas de que se lembra, ele e seu irmão estavam parados no topo da escada e havia figuras brilhantes, meio fantasmagóricas, se aproximando deles.

Em seguida o cenário mudou e eles estavam parados no alto de uma área da propriedade onde nunca tinham estado antes, pois era afastada da casa e a mãe os proibira de ir até lá. Eles caminhavam em direção a algo que parecia “um casco gigante de tartaruga, com 5 m de altura e 35 m de diâmetro, cor de ouro queimado”, segundo a descrição de Tom. E, de repente, eles estavam dentro da nave parados em uma sala enorme “curvada para a direita, como um enorme ponto de interrogação”. Tudo era suave, branco e emanava luminosidade. Thomas Reed estava acompanhado de vários seres que pareciam menos fantasmagóricos. Segundo a testemunha, eles eram distintamente humanoides, mas muito magros, com queixos pronunciados.


Os seres extraterrestres levaram o menino até uma parede onde lhe mostraram algo que, hoje, ele compara a uma tela gigante de cristal líquido e lhe exibiram uma série de imagens. “Na época, aquilo foi totalmente assombroso para mim”, disse Tom. Uma imagem em particular o acompanharia — era uma árvore salgueiro, aqui no Brasil conhecido como salgueiro-chorão. A árvore balançava sobre uma baía azul, um quadro que ele mais tarde reproduziria em uma pintura que está até hoje exposta no Museu e Centro de Pesquisas Ufológicas da cidade de Roswell, no Novo México.

Abdução em 1967

Thomas Reed não se lembra bem de como a noite terminou, a não ser de que estava de volta à sua cama, como se tudo estivesse normal — tanto ele quanto seu irmão têm lembranças mais vívidas da abdução ocorrida em 1967. Matt alega ser este sequestro, ocorrido quase um ano após o primeiro, aquele de que melhor se lembra. À época o episódio ficou marcado pelo fato de uma tia dos meninos, que estava morrendo de câncer, estar hospedada na casa da família. A avó deles cedeu o quarto à enferma e foi dormir no beliche do quarto de Nancy. Tom também diz que naquela noite tudo começou com flashes de luz, parecidos com relâmpagos, porém sem o som de trovões. Matt, que tinha medo de tempestades, estava apavorado esperando o ribombar dos trovões, porém eles nunca chegaram. O que chegou, entretanto, foi a familiar sensação de que algo estava muito errado, a mesma ansiedade que os meninos haviam sentido da vez anterior.

“Todas as vezes em que aquilo acontecia, nós sentíamos aquela energia estranha”, disse Thomas Reed. “Meu irmão estava na cama de cima, encostado na parede, e ele também podia sentir aquilo. Nós víamos os flashes que pensávamos ser relâmpagos, e até que vimos uma bola de luz do tamanho de nossa casa varrer nossa residência, como uma onda do mar, mas feita de luz branca”. Ele se recorda que a escotilha de ventilação embaixo da cama e a porta do quarto, que estava fechada, começaram a chocalhar. Matthew Reed não é dado à fantasia, assim como seu irmão, e hoje trabalha no Departamento de Defesa norte-americano, morando na cidade de Brownsburg, Indiana. “Eu pensei que Tom estava me enganando e gritei para ele: ‘pare com isso!’ Então me curvei sobre a grade do beliche para olhar para ele e ele tinha sumido”, relatou Matt.

Os seres extraterrestres levaram o menino até uma parede onde lhe mostraram algo que, hoje, ele compara a uma tela gigante de cristal líquido e lhe exibiram uma série de imagens. ‘Na época, aquilo foi totalmente assombroso para mim’, disse Thomas

Matt disse ainda que pulou da cama e que, enquanto tentava abrir a antiga trava da porta, teve a impressão de que havia algo ou alguém mais no quarto — ele correu pelo corredor gritando e pulou na cama da mãe e da avó, tentando acordá-las. “Então eu olhei para fora da porta do quarto delas e vi quatro criaturas brilhantes de mais ou menos 1,6 m de altura, que avançaram sobre minha avó. Eu estava paralisado, não conseguia me mover. E eles eram tão brilhantes que eu não podia ver nenhum detalhe”, declarou o rapaz. Mas não foi só isso. Matt acrescentou que outra criatura entrou no quarto e tinha uma silhueta mais discernível. Ela era mais baixa e tinha pernas reptilianas, com uma cabeça pontuda.

Segundo Matt, a criatura o encarou por alguns segundos e em seguida voltou sua atenção para a avó do menino “Ele estava fazendo alguma coisa com minha avó e eu não sabia o que era. Então comecei a chorar e eles deram um passo em minha direção. Depois se viraram e foram embora. Eu podia ver o topo da cabeça deles enquanto desciam as escadas”. Assim que as criaturas se foram, as duas mulheres acordaram de seu torpor. Em meio aos gritos e choro de seu filho mais novo, Nancy correu para o quarto dos meninos para saber como estava o rapaz.

No interior da nave

A próxima coisa de que Matthew Reed se lembra é de estar dentro do UFO, na mesma sala em que estivera na abdução anterior. “Aquilo era parecido com tomar uma anestesia antes de um procedimento cirúrgico. Eu me lembro de minha mãe correr para nosso quarto e a próxima coisa que eu sei é que estava dentro do UFO. Eu vi meu irmão em uma sala e havia uma criatura parada à sua esquerda, lhe mostrando várias imagens no que me pareceu ser uma enorme televisão”. Matt não se lembra de mais nada a não ser de que os seres não queriam que eles o tocassem. “Um deles empurrou minha mão quando tentei fazê-lo”. A próxima coisa de que os dois irmãos se recordam é de estarem parados na estradinha da fazenda, ouvindo os gritos da mãe e da avó procurando por eles. No céu acima havia dois grandes “riscos” na direção norte e sul e mais dois na direção leste e oeste, formando o que lhes pareceu “uma enorme grade de jogo da velha”.

Ambos se lembram da mãe os abraçando, colocando toalhas quentes sobre eles e lhes dando suco e aspirinas. “Eu me lembro dela nos acalmar e dizer ‘está tudo bem, agora. Eles já foram’”. Somente muitos anos depois Nancy contou a seus filhos o que lhe havia acontecido e também que temia que o mesmo tipo de coisa acontecesse com eles. Ela não gostava de tocar no assunto e demorou muito tempo para se sentir suficientemente confortável para repartir suas experiências. Mas a história não acaba aí. A última abdução da família aconteceu em outubro de 1969, quando todos voltavam de uma exibição de equitação da qual Thomas Reed participara, em uma cidade próxima. A família voltava para casa pela Rodovia 07 — segundo Tom, devia ser 21h30 ou 22h00. Os meninos, que estavam no banco traseiro do veículo, brincavam e em um dado momento a avó, que seguia no banco do passageiro, virou-se para falar com eles.

“Minha avó viu algumas luzes atrás do carro e ficou fixada nelas. Aí, eu e meu irmão também olhamos e tivemos a mesma reação. Minha mãe estava tentando dirigir, mas depois do que havia acontecido com ela, em 1954, sabia muito bem o que estava por vir”, declarou Tom. O carro começou a falhar e deslizou para o acostamento — a mesma energia estranha das outras abduções pairou no ar e a próxima coisa de que o jovem se lembrou é de estarem todos dentro de uma nave. “Eu estava sentado em um lugar cinza e minha família estava sentada em um lugar semelhante, do outro lado do corredor. Então veio uma criatura que tinha uma postura muito grosseira e me levou para uma sala. Eu estava muito assustado e saí correndo até uma intersecção que dava para três salas imensas, do tamanho de quadras de basquete. Havia alguns grays [Cinzas] na porta. Naquele momento, fui levado de volta para a sala de onde saíra e a próxima coisa de que me lembro é de estar de volta ao carro, sentado no banco do motorista”, contou a testemunha.

Andando em transe

Sua mãe e seu irmão estavam caídos, catatônicos, nos bancos — a mãe estava no banco do passageiro e o irmão no banco traseiro, em posição fetal. Tom saiu do carro e foi procurar pela avó, que encontrou vagando sem rumo pela estrada a alguns metros de distância. Ele se lembra de segui-la até uma loja à beira da estrada, onde a mulher entrou. O menino continuava tentando “acordar” a avó, chamando por ela, mas a mulher parecia estar em transe e não o ouvia. Marian caminhou até uma área da loja onde havia alguns carrinhos de bebê em exposição. Ela agarrou um deles e começou a empurrá-lo para frente e para trás, como se houvesse uma criança dentro. Finalmente, o menino conseguiu levar a avó para fora e, quando saiu da loja, ela começou a chorar desesperadamente. “Foi muito traumático para ela”, declarou Thomas Reed. “Quando chegamos ao carro, minha mãe já esperava por nós. Nós entramos e partimos. Aquele evento foi definitivo para a família. Minha mãe vendeu os cavalos, nossas terras, nossa casa e mudamos para outra cidade. Nunca falamos sobre o que havia acontecido com ninguém de fora da família”, recordou Tom em uma de suas muitas entrevistas. Mas nem sempre fora assim.

crédito: UFO CASEBOOK
Matthew Reed, um dos irmãos, diz que jamais se esquecerá do que passou
Matthew Reed, um dos irmãos, diz que jamais se esquecerá do que passou

“Nós tivemos tudo para ter uma infância perfeita, sendo criados em meio aos cavalos, com muito espaço e em um lugar agradável. Antes de 1969, falávamos abertamente sobre o que nos havia acontecido, inclusive para nossos colegas de escola. Isso nos rendeu muitos problemas, muitas brigas e confusões. Eu me lembro de que na quarta série fiz um desenho mostrando UFOs e tive que explicá-lo para a classe. Ninguém acreditou, é claro. Foi muito difícil para nós”, confessou a testemunha. Em 1970 a família saiu da área rural de Massachusetts e mudou-se para o estado de Connecticut. Nancy já havia encontrado Howard Reed, o homem que se tornaria seu marido e padrasto de seus filhos, dando a eles seu sobrenome. Em muitos aspectos, e principalmente para os garotos, foi um recomeço muito bem-vindo. Howard, que após algum tempo passou a ter aspirações políticas, pediu à esposa e aos meninos que não comentassem nada sobre suas experiências ufológicas e assim eles fizeram.

Os meninos cresceram e passaram a frequentar a escola regularmente. Eram ambos talentosos e inteligentes. Thomas Reed tornou-se fotógrafo consagrado e hoje também é caçador de talentos. Ele também desenvolveu conhecimento técnico para projetar sistemas de segurança para aeroportos e é dono de uma muito bem conceituada agência de modelos chamada Miami Models, cujos clientes incluem grandes marcas. Já Matthew Reed se tornou um sujeito alto e forte, fuzileiro naval e baterista de banda. Assim como seu irmão, é dotado de habilidades técnicas invejáveis, o que o levou a trabalhar para o Departamento de Defesa, criando veículos com melhor dirigibilidade. A história de sua família será contada pela primeira vez no Brasil por Tom, que se apresenta neste mês no III Fórum Mundial de Contatados, em Porto Alegre [Veja publicidade nesta edição].

O caso chega à ONU

Com o passar do tempo, Howard Reed se tornou um político conhecido no estado de Connecticut. Ironicamente, foi justamente seu sucesso que acabou por pavimentar o caminho que levaria a história da família a se tornar conhecida pelo grande público — por conta de suas atividades políticas, Reed conheceu, em meados dos anos 80, o advogado Robert Bletchman. Além de ativista voluntário e apaixonado por artes, Bletchman era também estudioso do Fenômeno UFO. Depois de algum tempo, Reed abriu-se com o amigo, contando-lhe sobre a história da família e acabou sendo convencido de que já era hora de os fatos virem à luz. “De repente, estava tudo exposto, meu padrasto me disse: ‘você precisa conhecer Bletchman, pois você vai gostar dele. Era uma pessoa muito agradável’. Então comecei a ir ao escritório dele todas as tardes para conversarmos. Ele tinha várias fotos de UFO em seu escritório”, contou Thomas Reed. “Bletchman conseguiu encontrar muitas testemunhas de avistamento de naves na região de nossa casa e até quem tinha visto um UFO bem acima dela”.

Mais tarde, em 1992, Robert Bletchman apresentou o caso da família Reed em um simpósio da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre vida extraterrestre, que ele mesmo ajudou a organizar. O objetivo do evento era introduzir casos ufológicos substanciais em discussão, a fim de motivar a ONU a reconsiderar a resolução da Assembleia Geral 33/426, emitida em 1978, que pedia o estabelecimento de uma agência ou departamento do órgão para organizar, coordenar e disseminar os resultados da pesquisa sobre UFOs. A menção nas Nações Unidas é um testamento sobre o tamanho da seriedade do Caso Reed.

Thomas Reed disse que ocorreram experiências menores e bem menos traumáticas consigo durante os anos de calmaria nas abduções, por assim dizer. Mas que elas o acompanharam em suas andanças pelo país. Angela Fields, ex-mulher de Tom, relatou que foi testemunha de dois incidentes ufológicos enquanto estava casada com ele. “Uma vez tínhamos ido a uma exposição em Connecticut e eu estava olhando pela janela do quarto e achei que tinha visto a Lua. Então Thomas me disse ‘a Lua não está aí, ela está do outro lado!’ O que quer que fosse aquilo, saiu voando em alta velocidade. Tinha forma de crescente e não se parecia com nada que já tivesse visto na vida”.

Nova abdução em 2009

Embora o passado da família já fosse suficiente para animar os ufólogos por anos a fio, a ocorrência que deu ao Caso Reed fama mundial aconteceu em 30 de março de 2009, em Brownsburg. Ao voltar para casa aquela noite, Matthew Reed notou uma bola de luz alaranjada evoluindo no céu, à sua esquerda. “Eu comecei a segui-la e de repente meu carro apagou. Eu consegui ligá-lo por um minuto e então foi como se o tempo tivesse parado”. A testemunha disse se lembrar de apenas parte da experiência — algumas cenas são claras para ele, como a de estar em algum tipo de nave, de ver um ser lhe estendendo uma caixa preta, onde ele pôde ver várias marcações em baixo relevo, e de criaturas estranhas que, como aquela de sua infância, recuaram quando tentou tocá-las. Ele também se recorda de ter sido examinado por um tipo de aparelho parecido com o utilizado em tomografias.

‘Antes de 1969, falávamos abertamente sobre o que nos havia acontecido, inclusive para nossos colegas de escola. Isso nos rendeu muitos problemas, muitas brigas e confusões’, declarou o abduzido Thomas Reed em recente entrevista de rádio

“Eu me recordo de estar deitado em uma mesa e de ouvir o som de um rádio antigo, quando se mexe no dial. Havia trechos de discurso de John F. Kennedy, música dos Beatles etc. E aí, a próxima coisa de que me lembro é de estar de volta à minha caminhonete, parado ao lado de um milharal enlameado. Havia muita lama em minhas botas, algumas gotas de sangue sobre o volante e sangue em meu bigode e em minha camisa. Eu sentia uma dor aguda no meio de meu peito”, relatou Matt durante uma sessão de hipnose regressiva. Outra coisa que o assustou foi o fato de sua arma estar sobre o banco do passageiro. “Quando eu estava dirigindo, ela estava comigo. Sempre carrego minha arma comigo. Eu olhei em volta e não tinha a mínima ideia de onde estava, não conhecia aquele lugar. Liguei o carro e saí dali. Nada na parte elétrica do automóvel funcionava e eu demorei um bom tempo até me localizar. O problema é que o local onde eu ‘acordei’ não era o mesmo onde eu estava quando tudo aconteceu”, relatou a testemunha com muita seriedade.

O incidente foi investigado pela polícia local, pela Mutual UFO Network (MUFON) e por uma equipe de cientistas e técnicos financiados pelo Centro Aeroespacial Bigelow de Estudos Avançados. Entre outras coisas, eles encontraram taxas anormais de radiação e de campos eletromagnéticos no veículo de Matt, além de danos severos e inexplicáveis em toda a parte elétrica do automóvel — quando colocaram uma bússola próxima ao carro, a agulha simplesmente enlouqueceu. O integrante da MUFON designado para o caso foi Steve White, que foi investigador de polícia por mais de 30 anos na região de Miami e conduziu a investigação do caso de forma profissional, da mesma maneira que fazia em seu trabalho como policial. Na época dos fatos, ele trabalhava na cidade de Roane investigando casos arquivados. White investigou centenas de acontecimentos. Segundo ele, de 95% a 99% são explicáveis como fraudes ou má interpretação das testemunhas. “A maioria é composta apenas por luzes no céu. Mas não este. O Caso Reed está entre os melhores que já vi. Entrevistei vários amigos e familiares dos Reed e posso afirmar que os testemunhos da família são altamente confiáveis”.

Outros aspectos da história

Steve White soube que os dois irmãos haviam se submetido a testes de polígrafo de forma independente, pagando-os do próprio bolso. Então encontrou também um especialista respeitado na área, com 30 anos de experiência no Departamento de Defesa, e o indicou a Tom Reed. Os testes foram refeitos e ambos passaram com tranquilidade, atestando que tudo o que alegavam era realidade. “Eu me submeto a qualquer teste, a qualquer hora, porque sei que estou falando a verdade”, chegou a declarar Thomas Reed. O caso de 2009 trouxe à tona a história da família que havia sido apresentada no congresso da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992 e despertou a curiosidade de alguns canais de documentários, como o History Channel e o Discovery Channel. Em 2013, o Discovery do Canadá dedicou o programa de estreia da série Alien Mysteries [Mistérios Alienígenas] ao Caso Reed, apresentando vários depoimentos e dramatização do caso.

crédito: THE TRIBUNE
O advogado Robert Bletchman, ativista voluntário e apaixonado por artes, também estudioso de Ufologia
O advogado Robert Bletchman, ativista voluntário e apaixonado por artes, também estudioso de Ufologia

A popularização da história, porém, também trouxe mais dor de cabeça para a família e Tom passou a receber ameaças de grupos cristãos que o acusam de heresia. “Os malfeitores que o raptaram são os mesmos que mutilam o gado. Mas, o senhor Jesus Cristo virá e endireitará você e a todos os da sua raça”, diz o trecho de um dos e-mails recebidos por ele. Apesar do documentário feito, a divulgação da história não trouxe nenhum benefício à família. Quando perguntado sobre porque ele continua divulgando o caso, como, por exemplo, vindo ao Brasil narrá-lo no III Fórum Mundial de Contatados, Tom diz que acredita que o acontecimento é importante e que as pessoas precisam saber o que aconteceu.

Todos os exames e testes feitos nos irmãos e no veículo de Matt possuem laudos certificados e estão disponíveis para consulta na página de Thomas Reed na internet [Endereço: www.tomreed.info]. Todos os membros da família têm os mesmos tipos sanguíneos, O negativo e A positivo — muitos investigadores julgam que o tipo sanguíneo é um dos fatores que são levados em conta nos casos de abdução. Ainda há muitos mistérios envolvendo a família e um deles diz respeito à morte de Howard Reed. Em 2006, Reed mostrou interesse em realizar, como um projeto coletivo da família, a produção de um livro relatando as experiências de sua esposa, sogra e enteados com naves e outras formas de vida, incluindo uma compilação de material importante que foi sendo colhido ao longo dos anos.

Vírus de origem desconhecida

Porém, Howard Reed morreu naquele mesmo ano, vitimado por um vírus de origem desconhecida em 02 de outubro, exatamente 14 anos depois que o Caso Reed foi mencionado no simpósio da ONU, em outubro de 1992. O Centro de Controle de Doenças (CDC), órgão do governo norte-americano encarregado de detectar e investigar epidemias e doenças desconhecidas, ao vasculhar o escritório de Howard, relatou encontrar um vasilhame contendo um vírus mortal dentro de sua unidade de ar condicionado. O prédio foi fechado e assim permanece até hoje. O dia 06 de outubro foi proclamado pela cidade de Bridgeport, Connecticut, como o “Dia da Lembrança” em homenagem a Howard Reed [Nos Estados Unidos, a declaração de dias para lembrar pessoas relevantes para a comunidade é algo recorrente].

Outra morte misteriosa ligada ao caso foi a de um especialista que lançou um relatório com os resultados de suas avaliações sobre o Caso Reed, em 15 de setembro de 2010. Ele foi encontrado morto em 12 de novembro de 2010, somente oito semanas depois do fato, em circunstâncias mal explicadas. Não estamos afirmando aqui que as mortes tenham relação com o caso, mas, até que sejam devidamente explicadas, tal possibilidade não pode ser descartada. Recentemente, em 06 de fevereiro de 2015, o caso Reed foi oficialmente atestado pela Sociedade Histórica de Barrington, cidade onde ocorreu a abdução de 1969.

Detalhes da experiência dos Reed

A sequência de abduções de quatro gerações da família Reed impressiona os pesquisadores por sua continuidade e longevidade. Até onde se saiba, não há outro episódio que possua um histórico familiar tão bem documentado, com depoimentos contundentes e provas registradas por especialistas de diversas áreas. A primeira abdução envolvendo os meninos Tom e Matt Reed ocorreu na primavera de 1966 quando eles, que dormiam no mesmo quarto, começaram a ver orbs flutuando acima das camas. Eles os descreveram como “objetos sólidos com aparência de vidro, mas sem densidade. Não possuíam luminosidade, mas pareciam com um buraco brilhante no ar, através dos quais não era possível enxergar. Tinham também um anel externo azulado”.

Os orbs moviam-se com lentidão e aparentemente estavam sob controle de alguma entidade inteligente — um deles lentamente se separou dos outros e flutuou pelo quarto, um pouco abaixo do teto. Thomas Reed intuitivamente sentiu que estavam sendo observados e achou que, se fechassem os olhos, aquilo desapareceria. Eventualmente as esferas se foram, mas não imediatamente. Permaneceram por aproximadamente 10 minutos. Dois dias depois, ocorreu a primeira abdução. Inicialmente Tom pensou que estivesse vendo fantasmas. Tinha a sensação de que, por causa da iluminação, havia luzes acesas. Ele se lembra de que as luzes estavam fora de sua casa, em um campo que seguia uma linha de árvores nos limites da propriedade da família.

Aspectos da abdução

Os irmãos caminharam em direção a elas e em uma clareira pequena entre as árvores viram a nave do lado direito e um ser em pé ao lado dela. Tom seguia na frente e seu irmão Matt vinha a dois ou três metros atrás, acompanhado pelos grays [Cinzas]. Ele, às vezes, voltava sua cabeça para trás para ver seu irmão e confirmar que ainda estava lá. O menino olhou fixamente para o ser que estava em pé ao lado da nave e disse que se sentia induzido a andar em sua direção. Em seguida, foi tomado por um sentimento de calma, e quanto mais perto chegava do alienígena, mais calmo se sentia.

O ET levantou o braço levemente e colocou a mão direita sobre o centro de seu próprio peito, tocando algum controle que estava acoplado ao seu uniforme. Imediatamente, Thomas Reed perdeu a consciência e não se lembra de ter caminhado para dentro do UFO. “Parecia que eu estava em um estado alterado, similar a ser congelado e de alguma forma não consegui me mexer, nem ao menos engolir, expandir o peito ou respirar. Havia uma lavagem cerebral associada a isso, como uma enorme onda do mar que tem a capacidade de lhe engolir e você apaga completamente”, descreveu a testemunha durante entrevista concedida a uma emissora de rádio.

A bordo da nave, o menino se viu em pé diante de seu irmão em um corredor estreito, mas muito claro. Naquele momento, segundo relatou, eles foram levados para ambientes separados — Tom acordou em uma sala de aproximadamente 13 m de diâmetro no final do corredor e o irmão já não estava mais com ele. Os grays usavam uma vestimenta azulada colada ao corpo, tinham aproximadamente 1 m de altura, exceto por um deles, que tinha entre 1,8 m e 2 m de altura. Esse último parecia ser o encarregado e foi quem esperava pelos meninos ao lado da nave.

“Um calmante natural”

Apesar de não conseguir ver seus lábios se moverem devido ao equipamento ou capacete que usavam, Thomas Reed sentiu um tipo de interação existente entre ele e aquele ser — mensagens, pensamentos, sentimentos e imagens eram transmitidos mesmo que ele demorasse algum tempo para entendê-las. Várias vezes ele se viu encarando o alienígena enquanto tentava compreender as mensagens. Em um dado momento, o ser cinza colocou sua mão direita sobre o ombro da testemunha, alguns segundos antes de mostrar-lhe uma imagem do que se parecia com uma galáxia. Logo em seguida, mostrou ao menino a imagem de uma árvore salgueiro. Mais tarde, aquela imagem do salgueiro tornar-se-ia um dos símbolos mais importantes para a família Reed. Tom relata que a imagem de salgueiros se tornou “um calmante natural”.

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