Edição 168
DESTAQUE

Aliens: O desafio de conhecê-los

Por
01 de Aug de 2010
Quem são os extraterrestres que nos visitam e quais os desafios de conhecê-los
Créditos: Luca Oleastri

Frente ao irracional, é natural negá-lo em princípio. Mas a negação não deve ser sistemática e radical, pois a ciência progride pela reconsideração de fatos à primeira vista inassimiláveis. Ninguém tem o direito de repelir, sem motivação, uma interpretação que se enquadra no âmbito do concebível. Uma recusa crítica seria uma atitude sensata. Este novo milênio nos colocará inevitavelmente frente a novos paradigmas universais, e o abandono de estruturas mentais rígidas, que se opõe insistentemente ao incomum, deverá ser o primeiro passo para uma nova era de pesquisas. A fria imensidão do espaço sideral sempre nos assustou e nos diminuiu. Todas as informações obtidas pelos astrônomos e por sondas espaciais apenas aumentam os mistérios do universo. O homem, na sua angústia, nunca quis aceitar sua solidão no cosmos, e nossa inteligência nunca se satisfez em considerar estes corpos que cintilam na noite simples massas de matéria inerte e sem vida. “O silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora”, lamentou o filósofo francês Blaise Pascal (1623-1662).

Aceitar o mero acaso e a subseqüente evolução natural como sendo a causa da existência do universo e da vida na Terra realmente seria abandonar qualquer tentativa de obter uma explicação significativa. Por outro lado, aceitar que um criador inteligente esteja por trás de tudo que vemos conduziria a ciência ao seu fim, impedida por uma barreira impenetrável rotulada de “foi ele quem fez”. Um dado significativo é que pensadores do passado e os cientistas modernos chegaram a conclusões que, em última análise, são bastante similares. Cristãos, judeus, hindus, astecas e egípcios situam a criação num único momento inicial, ocorrido sob a vontade divina. Pesquisadores contemporâneos, armados com as leis da física e a tecnologia da exploração espacial, também colocam a criação do universo num instante único, o chamado Big Bang.

Começo, meio e fim do universo

Se imaginarmos que o universo teve um começo, seja ele o Big Bang, então podemos supor que teve um criador. Por outro lado, se é completamente autocontido, sem limites ou margens, não teria havido começo e tampouco haverá um fim – o que os cientistas chamam de Big Crunch. Ou seja, ele simplesmente “é”. Admitindo esta última hipótese, que papel estaria então reservado ao criador? Muitos acham mais coerente a idéia que o universo seja cíclico, cumprindo uma rotina interminável de nascimento e morte. Na opinião do físico inglês Stephen W. Hawking, professor da Universidade de Cambridge, uma nova compreensão do espaço e do tempo deverá revolucionar nossos conceitos sobre o universo nas próximas décadas.

crédito: Jerome Stuart e Zoonomian
Mentes brilhantes, como as do biólogo Charles De Duve [E] e do físico inglês Stephen Hawking, defendem sua abundância
Mentes brilhantes, como as do biólogo Charles De Duve e do físico inglês Stephen Hawking [E], defendem sua abundância

“A velha idéia de um universo essencialmente imutável, que tenha sempre existido e continue a existir será substituída para sempre pela noção de um universo dinâmico, em expansão, que parece ter começado num tempo finito passado e que deve terminar num tempo finito futuro”, disse Hawking. Já o astrônomo E. A. Milne, também britânico, escreveu que “não podemos fazer suposições sobre como eram as coisas [no começo]. No ato divino da criação, Deus não teve observadores nem testemunhas”.

A teoria da grande expansão é atualmente a mais aceita para explicar as origens do universo. Um novo e gigantesco acelerador de partículas, conhecido pela sigla LHC – do inglês Large Hadron Collider, ou Grande Colisor de Hádrons – e instalado em Genebra, na Suíça, irá auxiliar os cientistas a entender o fenômeno. Eles desejam encontrar o bóson de Higgs, a partícula fundamental que, teoricamente, teria dotado todas as outras de massa instantes após o Big Bang. Trata-se de uma ousada investida da ciência no campo da cosmogênese, que avança com cuidado redobrado para não resvalar em questões religiosas, em busca do que alguns estão chamando de “a partícula de Deus”.

Antes da expansão da “singularidade”, como se chama a súbita expansão de uma única partícula do tamanho de um bilionésimo de próton, não havia espaço, tempo e nem as forças da natureza. Como se vê, a concepção de um universo infinito é um exercício de abstração extremamente difícil. Como pode ele se estender para sempre, expandindo-se como um balão? Talvez seja ainda mais difícil imaginar um universo finito. Porém, neste caso, o que aconteceria em suas margens? O que haveria do outro lado da fronteira?

Para determinada questão, pode-se chegar às mesmas conclusões, seja pelo uso de instrumentos científicos ou simplesmente pelo raciocínio dedutivo. É de Galileu Galilei (1564-1642) a argumentação pioneira de que o homem pode ter expectativas de compreensão do funcionamento do universo, e que pode atingi-la através da observação do mundo real. Não obstante, nenhuma corrente filosófica se mostrou até hoje capaz de responder às perguntas acima formuladas.

Curiosa gênese da vida

Ainda limitados na capacidade de compreensão sobre nossa origem na Terra, mais difícil se torna o entendimento do processo de formação dos mundos e a gênese da vida. Diversos cientistas com sólidas credenciais não aceitam a idéia de que somente a seleção natural – conforme apresentada por Charles Darwin (1809-1882) há cerca de 150 anos – seja a única responsável pela enorme quantidade de espécies que vemos sobre o planeta. Há mais de 500 milhões de anos, um fenômeno tão poderoso e misterioso quanto o Big Bang deixou seus registros fósseis. Ele revela uma súbita expansão da diversidade e da complexidade nas formas primitivas de vida. Foi a Explosão Cambriana, em cujo final a vida na Terra passou a ser dominada por animais e plantas, como hoje os reconhecemos.

crédito: Hubble
Tão incontáveis quanto as civilizações inteligentes no universo são suas características, muitas delas provavelmente inimagináveis para o ser humano
Tão incontáveis quanto as civilizações inteligentes no universo são suas características, muitas delas provavelmente inimagináveis para o ser humano

É compreensível que alguns cientistas que estudam a origem da vida concluam que ela é complexa demais para despontar mesmo num sofisticado laboratório – à semelhança da famosa simulação realizada na Universidade de Chicago por Stanley Miller, em 1953. E muito menos num ambiente sem controle, como a Terra de outrora. Pergunta-se, então, se é possível existir projeto sem projetista? O astrônomo britânico sir Fred Hoyle (1915-2001) diz que, “em vez de aceitar a fantasticamente pequena probabilidade de a vida ter surgido por meio das forças cegas da natureza, parecia melhor supor que a origem da vida foi um ato intelectual voluntário”.

Seres com diferentes graus evolutivos

Boa parte dos biólogos adota uma posição conservadora ao admitirem que seria muito difícil que as moléculas da vida tenham se aglutinado ao acaso, pois, se assim fosse, demoraria muito mais tempo para que surgissem na face da Terra. “Deus não joga dados”, disse Einstein. Por sua vez, o biólogo Christian De Duve, ganhador do Prêmio Nobel de medicina em 1974, afirmou: “Acredito que onde houver condições adequadas para o surgimento de seres vivos, semelhantes aos que existiram na Terra pré-biótica, eles irão aparecer. A vida é um imperativo cósmico e o universo é repleto de vida”. E concluiu otimista: “É possível que esse encontro se dê no próximo século”. Mas por que isto aconteceu por aqui com tamanha rapidez? Para tal pergunta, a resposta tem sido simplesmente deixar este “detalhe” de lado.

A vida é criada de conformidade com as condições físicas de cada planeta. Sendo estes estimados na casa dos milhares de milhões, a diversidade de formas aproxima-se do infinito. Se a vida evolui através de mutações aleatórias e da seleção natural, a chamada Hipótese Evolucionista, por que devemos esperar que formas de vida extraterrestres sejam remotamente semelhantes à vida na Terra? Se pudéssemos passar os olhos, ainda que por segundos, sobre alguns destes mundos, como se mudássemos os canais de uma TV, certamente veríamos seres das mais variadas formas e com diferentes graus evolutivos. A natureza não dá saltos e a evolução não improvisa.

É correto então supor que o mecanismo de origem da vida obedeça à mesma sincronia, onde quer que ela se manifeste, desde a simples organização unicelular até a mais complexa vida inteligente. Entretanto, as leis que regem o mundo das formas não devem ser assim tão flexíveis. Se as diferenças de ordem física são obrigatórias e admissíveis, todas as aberrações que fogem a um dado padrão são contestadas pela natureza, que se utiliza de caminhos diferentes para se desfazer das suas criações supérfluas. Desta maneira, é provável que o molde humano seja uma das grandes formas estáveis de inteligência no universo.

Em 1868, Allan Kardec (1804-1869), pedagogo francês e codificador da doutrina espírita, alertou o homem para que não visse, em torno de cada sol, sistemas planetários iguais ao seu, e também atentou para o fato de lá não existirem somente três reinos – animal, vegetal e mineral. A natureza age segundo os lugares, os tempos e as circunstâncias. “Assim como o rosto de nenhum homem é igual ao de outro, da mesma forma são diversas as civilizações espalhadas pelo espaço”, dizia em Kardec A Gênese. “Elas divergem segundo as condições que lhes foram prescritas e de acordo com o papel que cabe a cada uma no cenário universal”.

Intervenção divina na vida cotidiana

Tradicionalmente, somente as religiões e as escolas humanísticas valorizaram a vida humana além da sobrevivência física. As ciências, prisioneiras dos conceitos impostos pela física e pelo realismo materialista, têm sido as sereias tentadoras do ceticismo. Toda tentativa de abstração ameaça nosso senso de realidade e, no entender de John Schwartz, físico do Instituto de Tecnologia da Califórnia, “ela envolve questões filosóficas que os cientistas muitas vezes evitam”. Entendendo por religião os vínculos morais que unem o homem a Deus, as descobertas da ciência em nada afetaram as bases religiosas, em particular do Cristianismo, por que se trata da doutrina que pretendeu oferecer a solução definitiva aos problemas filosóficos das origens do universo, da vida e do homem. De fato, a Igreja Católica adaptou-se à teoria do Big Bang e pronunciou-se oficialmente a respeito e considerando-o em harmonia com a Bíblia, uma vez que a suposição de que o tempo e o espaço tenham tido um começo seria uma clara indicação da intervenção divina.

crédito: Sophia University
O teólogo Piero Coda está entre os religiosos para quem a vida inteligente no universo é uma obviedade
O teólogo Piero Coda está entre os religiosos para quem a vida inteligente no universo é uma obviedade

No dia 18 de outubro de 1995, a revista oficial da Conferência dos Bispos da Itália publicou um texto em que o teólogo Piero Coda, professor da Pontifícia Universidade Lateranense, afirmava que, “se os extraterrestres desembarcarem na Terra, deverão receber a atenção da Igreja Católica, pois são filhos de Deus e, como nós, precisam encontrar o caminho da salvação”. Mais adiante acrescenta Coda: “Criados por Deus e tendo suas falhas, eles precisam de redenção pelas palavras salvadoras de Jesus Cristo”. Trata-se da primeira vez de que se tem notícia que uma publicação oficial da Santa Sé – provavelmente sob aprovação direta do Vaticano – tratou do assunto de forma aberta e clara.

Dois anos depois, a expressão objeto voador não identificado foi incluída na Enciclopédia do Vaticano, com a tradução para o latim res inexplicata volans, ou coisa voadora inexplicada. Em mais uma recente declaração, o jesuíta José Gabriel Funes, diretor do Observatório do Vaticano, afirmou que “os extraterrestres existem e são nossos irmãos” [Veja edição UFO 143]. Todas estas declarações beiram o inacreditável, considerando-se o quilate das fontes. O que pensar a respeito delas? O que se esconderia nas entrelinhas desta posição oficial da Igreja? Teria o Vaticano admitido a possibilidade do desembarque de extraterrestres em nosso planeta?

"Os portadores de conhecimento"

Enquanto os astrônomos varrem os céus em busca de sinais de vida inteligente, muitos crêem – com uma convicção quase religiosa – que o contato já tenha sido feito. Os relatos de visitantes do espaço, vistos como deuses ou semideuses, descidos a Terra para ensinar os homens e redimi-los de seus erros, são comuns a quase todas as civilizações e em todas as épocas. A tese da existência de astronautas primordiais oferece à humanidade uma imagem esplêndida de seu passado. As escrituras védicas indianas falam de aparelhos voadores que “trouxeram, entre os homens, os portadores de conhecimento”. Os contos épicos sumerianos, escritos por volta de 5.500 a.C., afirmam que povos do espaço – “aqueles que do céu à Terra vieram” – transmitiram aos homens os fundamentos da civilização. Tal é dito de maneira semelhante nas tradições da Mesopotâmia, dos chineses, escandinavos e polinésios. Essas fantásticas histórias não passariam de lendas sem importância se não se baseassem em informações extraídas de documentos arqueológicos e em informações só muito recentemente obtidas pela astronomia.

crédito: Giuseppina Riccardo
Erick von Däniken lançou as sementes que germinariam as idéias dos astronautas extraterrestres
Erick von Däniken lançou as sementes que germinariam as idéias dos astronautas extraterrestres

Alguém escreveu certa vez que a arqueologia é uma “ciência sentimental”, pelo que contém em si de rigor científico e de procura apaixonada. Uma boa expressão desta idéia acha-se concentrada no trabalho do escritor alemão Erich von Däniken, que nos anos 60 provocou grande polêmica com a publicação do livro Eram os Deuses Astronautas? [Melhoramentos, 1968]. Nesta obra e nas subseqüentes, Däniken expôs fatos que tornavam a crença da visita de seres intergalácticos ao nosso planeta, num passado remoto, uma verdade irrefutável. Ele afirmou categoricamente que, “em tempos pré-históricos e primordiais, a Terra recebeu várias visitas de seres desconhecidos, procedentes do cosmos. Eles criaram a inteligência humana mediante uma mutação artificial e dirigida”.

Mais impactante ainda, prossegue Däniken dizendo que “os extraterrestres aprimoraram os hominídeos segundo a sua própria imagem. Por esse motivo, nós somos parecidos com eles, não eles conosco”. E finaliza esta surpreendente afirmação concluindo que “as visitas na Terra de alienígenas procedentes do cosmos ficaram registradas e foram transmitidas aos pósteros nos cultos, mitos e nas lendas folclóricas. Eles depositaram os indícios de sua presença entre nós”. Já os adversários da teoria dos astronautas pré-históricos estão perdendo de vista os fatos. Eles não encontram mais respostas às perguntas formuladas, limitando-se a balançar a cabeça com desdém. Enquanto isso, conceito de visitantes espaciais no passado é cada vez mais aceito tanto por leigos como por profissionais, aqueles que procuram sempre a resposta mais concreta e lógica diante de fatos que não comportam uma explicação ortodoxa.

Sob qualquer condição ou forma biológica que tenha a vida inteligente em outros planetas, podemos supor que nossos visitantes também sejam dotados de princípios religiosos e éticos adaptados à sua situação moral. Logo, a revelação de outras pátrias no cosmos não afetará em absoluto as bases religiosas e morais da vida humana na Terra. Ao contrário, elas serão enriquecidas por novas provas da onipresença de Deus. Assim, longe de diminuir a obra divina, a ciência a mostrará sob um aspecto mais grandioso e mais conforme com as noções que temos do poder e da majestade de Deus, pelo mesmo fato de ter ela se realizado sem derrogar as leis da natureza.

A ciência confirma a existência de Deus

“A ciência não fará a fé desaparecer, pois o ser humano busca um significado adicional para sua existência”, afirmou George Smoot, astrofísico da Universidade de Berkeley, na Califórnia, e Prêmio Nobel de física de 2006. E acrescentou: “Isso não impede que as pessoas se tornem mais racionais e queiram que as religiões façam mais sentido. A vastidão do universo já é um indicador de que a probabilidade de outras civilizações existirem é enorme. Assim, acredito que haja entre dez e 22 civilizações inteligentes no universo”.

crédito: CERN
O Grande Colisor de Hádrons irá auxiliar os cientistas a encontrarem a partícula fundamental que teria dotado todas as outras de massa após o Big Bang, a chamada “partícula de Deus”
O Grande Colisor de Hádrons irá auxiliar os cientistas a encontrarem a partícula fundamental que teria dotado todas as outras de massa após o Big Bang, a chamada “partícula de Deus”

O Fenômeno UFO está impregnado de elementos subjetivos. A forte tendência de interpretar os discos voadores como veículos de locomoção de visitantes extraterrestres talvez reflita a necessidade humana de fé no maravilhoso, no inexplicável. O psiquiatra Lester Grinspoon, da Universidade de Harvard, analisou o tema e afirmou que “o efeito extraordinário dos UFOs deriva da projeção de conflitos inconscientes, relativos ao problema da morte e da imortalidade. Acredito que a hipótese extraterrestre representa, para os que a defendem, a negação da finitude da vida”.

O conceituado psicanalista Carl Gustav Jung (1875-1961) nunca negou a possibilidade de que os UFOs consistissem um fenômeno físico ou parafísico, perfeitamente real. Mas, diante da impossibilidade de provar sua tese de forma científica, optou por limitar-se ao estudo das repercussões que o fenômeno provoca no psiquismo humano. Em momentos distintos de sua obra Um Mito Moderno Sobre Coisas Vistas no Céu [Vozes, 1991], Jung teoriza que não se pode admitir que a saga dos UFOs, de caráter mundial, seja apenas um acaso insignificante. “Como psicólogo, não disponho de recursos que contribuam para a solução do problema sobre a realidade física dos UFOs, mas posso incumbir-me do aspecto psíquico, que sem dúvida existe”. Ele observou que nos avistamentos ufológicos os objetos são descritos como corpos redondos, na sua maioria, em analogia com o símbolo da totalidade psíquica – a mandala, ou círculo em sânscrito –, imagem que o inconsciente reproduz em sonhos e visões.

Este arquétipo tomaria a forma de um objeto, como uma construção tecnológica, evitando uma indesejável personificação mitológica. Adquirindo tal roupagem tecnológica, seria mais facilmente aceitável. Numa espécie de mea culpa, Jung assinalou que “é difícil aceitar a imponderabilidade dos UFOs, mas, ao mesmo tempo, nossos físicos descobrem a cada dia muitas coisas que estão à beira do milagroso. Não poderiam os habitantes das estrelas, seres superiores, terem descoberto meios para neutralizar a gravidade e para viajar à velocidade da luz ou mesmo acima dela?”

ETs, terrestres de tempos futuros?

De fato, a Teoria Quântica admite, hoje em dia, a possibilidade de existirem elementos energéticos cuja ordem de grandeza beira o infinitesimal e que são capazes de romper a barreira da velocidade da luz. Em outras palavras, isso significa a conexão instantânea entre dois pontos quaisquer no espaço. Os físicos Sean Hayward, da Universidade de Ewha Womans, na Coréia, e Hisa-aki Shinkai, do Instituto de Pesquisa Riken de Física e Química, no Japão, afirmam ser possível – na teoria – viajar para qualquer lugar do cosmos através dos inúmeros buracos quânticos que nele existem, também chamados de buracos negros, elementos previstos nas equações de Einstein.

Face aos postulados científicos fortemente impregnados de elementos filosóficos e à carência de uma explicação satisfatória que possa juntar as peças de um grande quebra-cabeça, alguns autores fazem especulações dignas de uma boa história de ficção científica, admitindo, por exemplo, que os ufonautas nada mais seriam que habitantes terrestres de tempos futuros, possuidores de uma tecnologia tão sofisticada que lhes permitiria empreender viagens no tempo.

O ufólogo espanhol Antonio Ribera (1920-2001), um dos pioneiros na divulgação do Fenômeno UFO nos países de língua hispânica, ao ser questionado sobre a grande tendência observada de mistificar ou “messianizar” os UFOs e seus supostos tripulantes, disse que “aqueles que os encaram a partir de uma perspectiva mística refletem a crise caótica em que se debate o mundo. O ser humano vive imerso numa crise religioso-ideológica, numa ausência total de coisas transcendentais em que acreditar”. Já os estudos do cientista e ufólogo francês Pierre Delval levam a crer que deva existir uma inteligência por trás de todas as manifestações ufológicas, e que ela atuaria de forma ainda fora de nossa capacidade de compreensão.

“Os deuses, anjos, aparições da Virgem e UFOs podem ser um processo de aproximação que leva em conta nossos próprios processos mentais, até que um dia tudo isso venha dar em um contato direto com essa inteligência desconhecida”, disse Delval. “O que devemos levar em conta é que estamos estudando alguma coisa e que alguma coisa está nos estudando – e, de alguma forma, esta coisa está nos manipulando”, completou. Mas, enfim, os UFOs estão aí, forçando-nos a uma urgente mudança de postura de consciência, pois a enorme casuística indica que há um fenômeno em ação. Mas de que forma abordar sua existência, as abduções alienígenas, os universos paralelos e mundos espirituais, o tempo e espaço etc, para mentes equivocadas e impermeáveis? O médium mineiro Francisco Cândido Xavier (1910-2002) nos apontou o tamanho da dificuldade ao afirmar que, “encarcerado no ponto convencional de sua existência transitória, o homem terrestre é aquela coruja incapaz de enfrentar a luz da montanha, em pleno dia, suportando apenas a sombra espessa e triste de sua noite”.

crédito: Arquivo UFO e Harvard
O falecido ufólogo Antonio Ribeira [E] e o psiquiatra Lester Grinspoon nos mostram o caminho do entendimento
O falecido ufólogo Antonio Ribeira [E] e o psiquiatra Lester Grinspoon nos mostram o caminho do entendimento

A crença na existência de vida extraterrestre é ponto de honra para cientistas renomados. A astrônoma Jill Tarter, coordenadora dos trabalhos do Projeto SETI, de busca por inteligência extraterrestre, afirma que “achar um ET inteligente é uma possibilidade concreta, mas a única maneira de saber se existem ou não é procurar por eles”. Na década de 60, o astrônomo norte-americano Frank Drake, pioneiro dos trabalhos do SETI, sugeriu que se deveria ficar atento a sinais próximos da freqüência de 1420 MHz, pois neste comprimento de onda o elemento químico hidrogênio emite um pulso constante. Drake e outros cientistas acreditam que qualquer civilização avançada saberá da importância do hidrogênio para a radioastronomia, utilizando sua freqüência universal para enviar um “e-mail” para outros mundos. “Com uma probabilidade que beira à certeza, mensagens de rádio emitidas por civilizações extraterrestres estão chegando à Terra neste exato minuto”, disse Drake em 1976.

“Paixão inegável pelo futuro”

O astrônomo norte-americano Carl Sagan (1934-1996) e uma equipe de especialistas elaboraram uma mensagem dirigida a esses povos distantes. O trabalho consistiu na codificação e gravação de detalhadas informações sobre os habitantes da Terra e o ambiente em que vivem, num disco radiofônico para transmissão sonora e visual. Afixado à parte externa das duas naves Voyager, o disco foi levado ao espaço em 1977. Comentando o propósito do envio das duas sondas ao espaço, Sagan admitiu que “ninguém envia uma mensagem em semelhante jornada sem uma paixão inegável pelo futuro. Quem quer que a receba terá a certeza de que fomos uma espécie dotada de esperança e perseverança, pelo menos um pouco inteligente, substancialmente generosa e com um palpável deleite em fazer contato com o cosmos”.

O engenheiro brasileiro Nilton Rennó, chefe da equipe de pesquisadores da NASA que identificou a presença de água em Marte através da sonda Phoenix Mars Lander, que lá pousou na última semana de março de 2008, afirma que a probabilidade de encontrar vida no universo é altíssima e acredita que não deve demorar muito. E acrescenta: “Os pesquisadores da NASA costumam não comentar, mas o objetivo das sondas é achar vida fora da Terra”. Entre as finalidades da Phoenix estava descobrir se há no solo congelado do planeta elementos que possam ter sustentado alguma forma de vida, seja material orgânico ou características químicas específicas.

Parece cada vez mais provável que a resposta à pergunta “estamos sozinhos no espaço?” seja um sonoro não. Resta saber se essa vida se limita a formas rudimentares de existência ou se é suficiente para gerar criaturas dotadas de inteligência. A mais elementar forma de vida unicelular encontrada fora da Terra já bastaria para colocar uma pedra sobre nossa busca ancestral. Há quatro e meio bilhões de anos nosso planeta, ainda jovem, era submetido a um pesado bombardeio de blocos de rocha do tamanho de asteróides, o que se encerrou cerca de meio bilhão de anos após. Dos mais primitivos registros biológicos que se tem notícia, como as “impressões digitais” químicas assinadas em carbono em rochas com aproximadamente 3,8 bilhões de anos, na Groenlândia, e em microfósseis de 3,5 bilhões de anos da região de Pilbara, na Austrália, há evidências fossilizadas da presença de vida na Terra.

Vida a bordo de meteoritos e cometas

Data de 1871 a idéia pioneira proposta pelo físico Kelvin, segundo a qual os cometas e asteróides tenham trazido vida intacta para nosso planeta, em seus primórdios. A Teoria da Panspermia, proposta em 1908 pelo químico sueco Svante August Arrhenius (1859-1927), segundo a qual a vida chegou à Terra viajando pelo espaço a bordo de meteoritos ou de cometas, não é bem acolhida pelos astrobiólogos pelo fato destes considerarem a radiação cósmica letal para qualquer microrganismo conhecido.

crédito: University Of Arizona
Centenas de radiotelescópios e antenas em todo o mundo vasculham estrelas de várias galáxias atrás de sinais inteligentes, mas eles não chegam
Centenas de radiotelescópios e antenas em todo o mundo vasculham estrelas de várias galáxias atrás de sinais inteligentes, mas eles não chegam

Um outro cenário é apresentado pelo pesquisador norte-americano Robert K. G. Temple, da Universidade da Pensilvânia. “Pode parecer incrível, mas quando nos aprofundamos no que chamamos de origem da civilização humana neste planeta, temos que contar com a possibilidade de que homens primitivos tenham recebido uma quantidade de elementos culturais das mãos de seres extraterrestres, verdades que deixaram rastros que hoje já podemos decifrar”.

De uma perspectiva evolutiva, a propensão para a colonização é uma característica marcante de nossa espécie. Em algum momento da nossa história primitiva, nossos ancestrais abandonaram os limites do seu berço africano e estabeleceram o início de um novo capítulo na nossa história. A raça humana é, sem dúvida, uma intrépida exploradora. Seja ela autóctone ou um amálgama de outros povos que aqui estiveram em tempos imemoriais, está definitivamente destinada a projetar-se para o cosmos. “Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade”, expressou lapidarmente o astronauta Neil Armstrong, condensando naquele 20 de julho de 1969 os sentimentos que impulsionaram os feitos de grandes exploradores que ao longo da história transformaram o mundo.

A lembrança saudosa de um passado glorioso que se perde nas brumas do tempo pode explicar a ânsia que o homem possui para a exploração do universo, bem como seu indisfarçado desejo de encontrar outros seres vivos habitando mundos distantes. Desde o vôo pioneiro do jovem cosmonauta russo Yuri Gagarin (1934-1968), em 12 de abril de 1961, o primeiro homem a deixar para trás a atmosfera terrestre e afirmar que “a Terra é azul”, o sonho segue vivo no espírito destes heróis anônimos. O escritor Arthur Clarke (1917-2008), expoente da moderna ficção científica, profetizou que “o homem crescerá e ampliará seus domínios, explorando, colonizando e conquistando mundo após mundo, até encontrar uma civilização tão poderosa e ambiciosa quanto a dele”.

Para a humanidade terrestre, a revelação de outras pátrias no cosmos não deve se constituir em motivo de desânimo e abatimento. Semelhante verdade deve encher o coração humano de sagrados estímulos. Percebe-se nitidamente uma repercussão positiva em relação ao tema controverso da vida extraterrestre. Exemplo disso é o crescente processo de abertura dos arquivos oficiais de diversos países – inclusive o Brasil – relacionados à presença alienígena na Terra. De acordo com Martin Rees, cosmólogo da Universidade de Cambridge, esta mudança positiva de postura se deve, em parte, “ao crescente interesse científico na biologia extraterrestre e nas origens da vida, bem como na crescente visibilidade e profissionalismo de organizações como o Instituto SETI”.

A perspectiva da existência de civilizações mais adiantadas nos prepara para reconhecer a insignificância de nossas próprias discrepâncias, conduzindo-nos a tentativas mais sérias de cooperação entre etnias, povos e nações. Avançaríamos mais um degrau na escala evolutiva. “Algo acontece no coração dos homens”, é o que enxerga J. J. Benítez, jornalista e escritor internacionalmente conhecido pela série de livros Operação Cavalo de Tróia [Mercuryo, de 1996 a 2009]. “Vai ser necessário algum tempo, mas o mundo caminha em direção a um futuro esplêndido. Brevemente surgirá um governo planetário que irá acabar com muitos dos conflitos atuais. Será o início de um mundo mais humano”.

Um vasto campo repleto de elementos inexplicáveis apresenta-se diante de nós. Ele se mostra como um enorme quebra-cabeça, abarrotado de peças ainda por encaixar. Parte da dificuldade decorre do fato de que o céu apresenta uma enorme variedade de fenômenos e objetos peculiares, e que um leigo, em toda sua vida, provavelmente só irá se deparar com alguns poucos. Somos forçados a admitir, também, que nenhum outro evento ficou mais exposto à fraude, à ridicularização, à mistificação religiosa, ao sensacionalismo e à investigação amadora do que o Fenômeno UFO. “A maior perturbação mental é acreditar em algo simplesmente porque a pessoa deseja que seja assim”, afirmou Louis Pasteur, cientista francês do século XIX.

A própria Revista UFO, em várias de suas edições, já estampou que se estima que existam hoje mais de oito milhões de ocorrências ufológicas registradas oficialmente por autoridades civis e militares de virtualmente todos os países do globo [Veja edição 078]. “Algumas estatísticas apontam que, a cada minuto, em algum lugar do mundo, alguém vê um objeto voador não identificado”. Espalhados por todos os continentes, os ufólogos contam-se aos milhares e as publicações especializadas são algumas dezenas – das quais a UFO é a mais antiga existente.

Ufólogos, arqueólogos da verdade

A Comunidade Ufológica Brasileira é não menos atuante. Estes “arqueólogos da verdade” diferem tão somente na profundidade da pesquisa desenvolvida. A Ufologia, bem como as demais áreas da pesquisa paracientífica, em nosso país, apresenta-se como campo minado, onde é preciso locomover-se com cuidado para que uma bomba de sectarismo irracional ou de interesse comercial não estoure debaixo de nossos pés. Mesmo que se tenha o espírito aberto aos maiores extremos de credulidade, não é recomendável acreditar, como freqüentemente se faz, que uma série de mensagens estão supostamente chegando a alguns eleitos, através de avistamentos com dia e hora agendados e canalizações.

crédito: SETI
A astrônoma Jill Tarter, do Projeto SETI, para quem o único jeito de encontrar extraterrestres é procurar por eles
A astrônoma Jill Tarter, do Projeto SETI, para quem o único jeito de encontrar extraterrestres é procurar por eles

Lamentavelmente, para cada assunto desconhecido que nos alcança, já podemos encontrar um especialista que fez dele uma ciência. O arcebispo don Eugênio Sales afirmou que, “com habilidade e inteligência, podem-se arrastar multidões. O gesto do mágico e o encanto pelo desconhecido sempre atraíram, através da história, grandes massas humanas em fugazes tentativas religiosas. Foge-se do verdadeiro e o lugar é ocupado imediatamente pelo falso”. Precisamos nos acautelar contra a avalanche de alegados contatados, que se multiplicam por toda parte. O que se percebe são indícios de um misticismo sectário camuflado de Ufologia séria. Cabe uma criteriosa separação do joio do trigo, pois, no sentido de se compreender ao menos em parte a profusão de mistérios, devemos nos livrar das inconsistências e dos absurdos. A grande proliferação de ideologias e correntes filosóficas de pensamento ocasionam um emaranhado absurdo e inconcebível de pseudoverdades.

Milhares de naves espaciais são vistas e registradas por testemunhas em todo o mundo. As instalações de radar que captam UFOs constituem um comprovante extra das observações visuais, enquanto o número crescente de aviões em vôo coloca pilotos e eventualmente passageiros em espantosa proximidade de objetos voadores não identificados. Astronautas os encontram com freqüência no espaço. O físico e matemático Maurice Chatelain, ex-chefe de comunicações da NASA, revelou que “todos os vôos das missões Apollo e Gemini foram seguidos, de perto e de longe, por veículos espaciais de origem extraterrestre”. Todo o arquivo de fotos do programa Apollo, com suas mais de 25 mil imagens obtidas ao longo das missões do programa, encontra-se disponível para consulta – e muitas delas registram luzes e objetos incomuns próximas das cápsulas espaciais, em órbita terrestre, lunar e na própria superfície da Lua.

Pilotos profissionais têm a seu favor uma série de circunstâncias que dão a seus relatos um peso maior do que os de outros observadores, pois, sendo indivíduos altamente treinados, pouco provavelmente se deixarão arrastar pela especulação ou imaginação. O capitão Edgar Mitchell, astronauta chefe da missão Apollo 14 e sexto homem a pisar em solo lunar, declarou em 1974, durante uma conferência de imprensa: “Todos nós sabemos que os UFOs são reais. A interrogação que se impõe refere-se unicamente à sua procedência”.

Barreira de incompreensão

Temos dificuldade em compreender e elucidar os milhares de depoimentos e avistamentos registrados. Não é confortável ignorar as fotografias e filmagens coletadas ao longo de décadas, ainda que sejam, em sua esmagadora maioria, de péssima qualidade. É uma atitude arbitrária desqualificar testemunhas isentas. Por fim, trata-se de uma arrogante estupidez virar as costas para as evidências físicas deixadas em corpos, radares e plantações. O vivo interesse pelos UFOs ainda é considerado uma espécie de aberração, talvez porque nenhuma prova concreta – um “corpo de delito” – dessas naves ou de seus tripulantes tenha sido encontrada ou publicamente apresentada como tal.

crédito: Space Society e Mercuryo
O astronauta Edgar Mitchell [E] e o escritor espanhol J. J. Benítez sustentam que a abundância de vida no universo é fato
O astronauta Edgar Mitchell [E] e o escritor espanhol J. J. Benítez sustentam que a abundância de vida no universo é fato

Ao focalizar temas ufológicos, a imprensa quase sempre deixa de lado informações fundamentais. Quando um caso de contato imediato tem repercussão, invariavelmente ergue-se uma barreira de incompreensão e o fato ganha toques de sensacionalismo nos noticiários. Nicolau Maquiavel (1469-1527), autor do clássico O Príncipe, dizia em sua obra que, “para se governar bem, o príncipe deve confundir seus súditos, mantendo-os na ignorância dos grandes problemas do estado. E nunca, em hipótese alguma, admitir que exista um poder maior que o seu próprio”. Como fiéis seguidores desta cartilha, os órgãos oficiais mostram-se, em geral, ineficientes na condução das investigações, o que levou muitos pesquisadores a denunciar uma ação deliberada por parte dos governos para encobrir o quanto eles conhecem do assunto.

A abundância de perguntas até agora não respondidas é estonteante. Em nosso atual estágio de conhecimentos, podemos apenas conjecturar sobre a inteligência alienígena e traçar suposições. Quando as evidências são incertas, estaremos errando menos ao recorrer ao bom senso e à prudência em busca de orientação. Esse é o meio mais seguro de não apresentarmos ao ceticismo um lado vulnerável. Fujamos do lugar comum das conclusões óbvias, pois, diante deste intrincado fenômeno, salta aos olhos a nossa condição de inferioridade tecnológica. Basta de canalizações de mensagens piegas, entremeadas de palavras eruditas e expressões politicamente corretas, atribuídas a supostos dirigentes intergalácticos de nome pomposo e aparência nórdica. A submissão cega a uma corrente de idéias conduz à estagnação da inteligência e a idolatria deslumbrada incentiva a mistificação.

Ainda que não possamos concretamente fechar a questão em torno da existência de vida alienígena – inteligente ou não –, as justificativas doutrinárias para a hipótese extraterrestre, os fundamentos científicos da exobiologia e a farta casuística nos permitem afirmar com algum grau de aproximação que não existe um marco zero no universo. O espaço é infinito e o tempo é eterno. A vida eclode, pulsa e age em todos os lugares. Ela é regra, não privilégio. Esta nova compreensão assentará suas bases sobre as ruínas de antigas filosofias, que pretensiosamente colocam o homem e seu imperceptível mundo como obra maior da criação.

Nossas certezas, já estabelecidas, também incluem a Bíblia, que é pródiga em passagens que atestam a presença de visitantes incomuns em passado remoto. Ela encontra-se repleta de narrações dos encontros entre os homens e as divindades, naturalmente seres de avançado conhecimento e possuidores de faculdades incompreensíveis. Para se dar um exemplo, este autor sugere a leitura de Ezequiel, capítulo1, versículos 01 a 28, onde o profeta nos oferece uma descrição firme, decidida e lúcida do evento no qual se viu envolvido. Não considerá-lo um contato imediato é fechar os olhos ao óbvio.

Vida alienígena altamente provável

O espiritismo, nas obras de Kardec, também nos mostra o caminho. Apesar de ser considerada por muitos como de caráter exclusivamente religioso, a codificação de Allan Kardec deve ser encarada como documento de enorme valor histórico e científico. Seus postulados, no que tange à possibilidade de vida em mundos distantes, ganham, pouco a pouco, créditos de veracidade em razão de recentes descobertas das ciências tradicionais.

crédito: Crop Circle Connector
Talvez o mistério da vida no universo se esclareça quando forem decifrados os agroglifos, sinais de inteligências superiores que desafiam nossa compreensão
Talvez o mistério da vida no universo se esclareça quando forem decifrados os agroglifos, sinais de inteligências superiores que desafiam nossa compreensão

A procura por vida extraterrestre inteligente ganha finalmente uma carapaça resistente e elitizada, pois abrange um amplo espectro de disciplinas científicas, agrupadas sob a denominação de astrobiologia ou exobiologia. Trata-se de uma verdadeira usina de pesquisas, envolvendo um número cada vez maior de cientistas, em resposta ao crescente acúmulo de evidências que mostram que a vida alienígena é altamente provável. É a busca de provas e fundamentação material para algo que até hoje tem sido tratado como artigo de fé. A fenomenologia ufológica, cuja maior expressão se reflete nos objetos voadores não identificados, é fato que não cabe contestação. Ao longo das últimas décadas, reuniu-se farta documentação em favor da sua existência.

Milhares de indivíduos idôneos e sem nenhuma característica psicopatológica aparente estiveram frente a frente com os chamados discos voadores, que foram detectados das mais variadas formas, ora deixando evidências físicas, ora de detecções de radares, de marcas no solo ou em plantações – como, por exemplo, os conhecidos agroglifos. E também temos inquestionáveis casos de contatos de terceiro e quarto graus, as abduções alienígenas, seqüestros e seus subprodutos, os implantes de objetos microscópicos no corpo. Isso sem falarmos nas ligações paranormais que atestam a presença de vetores nitidamente materiais na ação de nossos visitantes. A relutância em admitir esta verdade provém de mentes aprisionadas e estreitas que, de uma posição comodamente contemplativa, consideram a discussão de caráter especulativo ou delirante – “coisa de pessoas ignorantes” –, pois não possuem suficiente abertura mental e intuitiva para assimilar uma nova realidade.

Os UFOs ou discos voadores são objetos de origem ignorada, aparentemente pilotados por seres inteligentes e de conformação antropomórfica. Na esmagadora maioria da vezes, são pacíficos. Talvez se tratem de entidades num estado semimaterial, dada sua capacidade de súbitas aparições, desaparições e desmaterializações. Os milhares de depoimentos, fotografias e filmes coletados até hoje sustentam o princípio espírita que apregoa a existência de vida inteligente fora da Terra.

Princípio evolucionista

Povos extraplanetários sempre estiveram em contato com os humanos. Esta afirmação é facilmente extraída do raciocínio segundo o qual a concepção de uma força abstrata, como um ente celestial que descia à Terra para ensinar à humanidade, exige um elevado raciocínio filosófico, pouco provável de existir numa coletividade inculta de milhares de anos atrás e, provavelmente, em muitas pessoas de hoje. Ao se admitir como verdadeira a universalidade do princípio evolucionista e da lei do progresso, mais fácil se torna a aceitação da idéia de que outras comunidades já possam ter atingido um estágio inimaginável de desenvolvimento tecnológico que as permita empreender longas viagens pelo cosmos.

Há milhões de anos, seres de conformação semelhante ao terrestre chegaram à Terra e moldaram o homem de então, dando início à colonização deste planeta. Ao longo dos séculos, os “deuses”, mediante contatos diretos, inspiraram o engrandecimento social e técnico da humanidade, e de tempos em tempos os povos do céu se afastavam para que o ser humano caminhasse com seus próprios passos pelo uso racional do seu livre arbítrio, mantendo, no entanto, uma postura vigilante.

A ciência sem religião é manca. A religião sem ciência é cega
— Albert Einstein

Mas ainda permanece sem solução este complexo fenômeno. Podemos sonhar e imaginar toda sorte de possibilidades, construir sistemas mais ou menos prováveis. As teorias até agora propostas, no entanto, permanecem incompletas, sem responderem às perguntas mais cruciais: o que são os UFOs? De onde vêm? O que pretendem seus construtores? Não sabemos o que são ao certo e não podemos afirmar que se tratem comprovadamente de objetos voadores de inteligências extraterrestres, embora muito pouca coisa pudesse objetar a essa suspeita. Ficamos com uma inquietante sensação de que nos encontramos numa espécie de “quarentena cósmica”, resultado talvez de nossa pesada identificação vibratória com a natureza das sensações materiais que, uma vez cessada, nos permitirá ingressar em uma nova era. Nela, as intervenções sutis serão substituídas por contatos abertos, ou, em outros termos, por uma espécie de “fechadura de tempo”, programada para se abrir quando a humanidade cruzar determinado portal de avanço.

É imperioso difundir publicamente os fatos que há muito se encontram expostos bem diante de nossos olhos e admitir a possibilidade das hipóteses mais fantásticas. O mistério e a imaginação parecem ser tão importantes quanto a razão na procura da verdade. Uma sólida fundação fará pouco sentido se, sobre ela, não houver espaço para o extraordinário. Como Albert Einstein escreveu, em 1930: “A experiência mais bela que podemos viver é o mistério. Ele é a fonte de toda a verdadeira arte e de toda a verdadeira ciência. Quem não conhece esta emoção, quem já não possui o dom de se maravilhar, mais valeria que estivesse morto, pois seus olhos estão fechados”.

Militar revela uma nova pesquisa ufológica oficial

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Aug de 2010

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