ARTIGO

Alienígenas de Órion no cotidiano de uma família

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga | Edição 76 | 01 de Fevereiro de 2014

As estrelas mais brilhantes desta página são conhecidas como Três Marias, as mais importantes da Constelação de Órion, cujos nomes reais são Mintaka, Alnilan e Alnitaka. É dali que viriam alguns ETs, segundo vários contatados
Créditos: US NAVY OBSERVATORY

Alienígenas de Órion no cotidiano de uma família

Um contatado que, pelo menos até o presente momento, se manteve anônimo e distante do grande público, diferenciando-se dos demais, é Gênesis Moreira, a quem o autor acompanhou e pesquisou durante dois anos, período em que conviveu de perto com ele e seus familiares. Moreira constitui uma exceção, um exemplo raro de contatado avesso à superexposição publicitária e a explorações comerciais e pecuniárias. Talvez seja lícito supor que haja mais contatados como ele, pessoas que nem desconfiamos que o fossem, e que preferem guardar para si as experiências vividas. Isso não significa, contudo, que Moreira ou outros que procedem e se comportam da mesma forma sejam mais críveis ou destoem radicalmente dos demais. Nada garante que amanhã não venham igualmente a enveredar pelos mesmos caminhos de líderes de seitas, não resistindo aos apelos da tentação de serem adulados.

Gênesis Moreira — não se trata de pseudônimo, mas de seu nome de batismo —, caçula de quatro irmãos, nasceu em 30 de maio de 1964, no bairro periférico de Guaianazes, extremo leste da cidade de São Paulo, onde passou praticamente toda sua infância e adolescência e ia passando a vida adulta. O local se tornou palco da quase totalidade de suas experiências. Tendo concluído o segundo grau, exerceu diversas funções, entre elas as de auxiliar administrativo e de cobrança. Casado e pai de dois filhos, sua rotina era como a de milhões de trabalhadores comuns, marcada pela faina diária na esperança da conquista de uma vida mais digna, tranquila e confortável. Porém, por trás dessa aparente banalidade irrompia uma série de fenômenos, cujas origens remontariam à época em que seus pais se conheceram. Aliás, como veremos adiante, os acontecimentos não se restringiam apenas ao ambiente familiar, mas se estendiam a pessoas de convívio próximo, como colegas e vizinhos.

Tudo teria começado aos sete anos de idade. Por volta das 23h00 de uma noite quente e estrelada, Moreira insistiu em ficar brincando sozinho na rua, apesar dos reclamos de sua mãe. Olhando para o céu, viu passar, a cerca de dois quilômetros de altitude, uma bola amarelada maior do que a Lua cheia, desprendendo labaredas de fogo e fagulhas. O objeto voador não identificado, dotado de cauda, seguiu em linha reta descendente, como se estivesse caindo. O rapaz diz ter ouvido, dentro de sua mente, um som agudo que ele equipara ao de um “lá sustenido”. Este som passaria a ser uma constante, precedendo os contatos telepáticos que manteria no futuro.

Quatro seres diferentes

Aos nove anos de idade, vozes passaram a atormentá-lo, pedindo-lhe inicialmente que não temesse, pois se comunicariam com frequência, com intensidade crescente. Em tom ameaçador, proibiram-no de contar a respeito daquilo para quem quer que fosse, inclusive a seus pais. Gênesis Moreira acatou as ordens, tanto que só revelou ser um contatado aos 20 anos de idade, quando, enfim, as vozes consentiram. Elas se identificaram como sendo de quatro seres diferentes, cada qual relacionado a um setor específico de atuação. O “Chefe” delas estaria incumbido de transmitir-lhe informações gerais. “Kelly”, do sexo feminino, tinha a função de orientá-lo nos campos amoroso e sexual. “Pribo”, o mais eclético dos ETs, estava ali para aprimorar suas habilidades físicas e intelectuais. E “Alfa-5”, se propunha a manter seu equilíbrio psicológico. Segundo Moreira, diante de certas dificuldades enfrentadas na escola ou no trabalho, recorria ao auxílio dos seres — que poucas vezes deixaram de atendê-lo, sempre se fazendo preceder por um som sustenido.

Os locais e horários dos contatos telepáticos não eram predefinidos, duravam em média três minutos e o induziam a uma espécie de transe letárgico que o desligava parcialmente do mundo externo. O hiato entre um contato e outro podia variar de algumas horas a vários meses — chegou a manter até três contatos em um só dia. Nos anos de 1990 e 1991, contabilizou 25 desses contatos. Dentre as mensagens recebidas, Gênesis Moreira destaca uma fórmula matemática, denominada de “Fator 32.4”. Conforme explicou, ela estaria relacionada à ativação de uma substância química no cérebro, capaz de proporcionar uma autodefesa natural. Isso permitiria que sobrevivêssemos em um ambiente hostil — um planeta sem oxigênio, por exemplo. Ele alimentava a esperança de que um dia algum cientista saberia como decodificar e potencializar esse fator.

Quanto à origem, os seres revelaram-lhe serem oriundos de um planeta orbitando uma estrela do meio da Constelação de Órion, mais conhecida como Três Marias. Sem entrarem em detalhes acerca da vida nesse planeta nem apresentarem as razões de estarem nos visitando, os seres vaticinaram que ele estaria saindo de sua órbita. Sintomaticamente, a Constelação de Órion é apontada preferencialmente pelos contatados como o lugar de origem de seres invariavelmente revestidos de características espirituais benevolentes e devotados a causas messiânicas.

Na madrugada de 02 de abril de 1990, Gênesis Moreira teve a oportunidade de ver um dos seres com quem se comunicava. Por volta das 03h00, deitado na cama ao lado de sua esposa, desperto e sem sentir sono, notou uma luz azulada atravessando as frestas da janela do quarto. De súbito, a luz apareceu em um dos cantos do quarto. Pulsava, soltava flashes, ofuscava. Paralisado, Moreira não conseguia nem mesmo piscar os olhos. Tentou acordar sua esposa, mas os músculos não lhe obedeciam. Do meio dessa luz saiu uma criatura, deixando entrever apenas a cabeça e o busto. Amedrontado, o contatado forçou os movimentos, sentindo imediatamente uma forte pressão contra o peito, que o impelia a permanecer imóvel. Flutuando, a criatura foi gradativamente se aproximando até parar a poucos centímetros de seu rosto. Fitando-o todo o tempo, pronunciou, sem mexer os lábios: “Eu sou Pribo, não se assuste. Não acredite no tigre se não acreditar em si mesmo”. Dita a frase, afastou-se da mesma forma como se aproximou e desapareceu dentro da luz, que se desvaneceu tal qual as imagens nas antigas telas de televisão ao serem desligadas. Gênesis Moreira sentiu o peito formigando e aos poucos foi retomando os movimentos.

A cabeça de Pribo era arredondada, não desproporcional, o queixo quadrado, o maxilar reto, o nariz afilado, os lábios finos e o crânio abaulado, como se usasse um capacete — uma espécie de visor negro ou máscara cobria inteiramente os olhos e uma pele metálica da cor do alumínio revestia inteiramente o rosto e o busto. A voz era microfonada e o sotaque era arrastado, parecido com o de um norte-americano falando português. Gênesis Moreira diz ter experimentado uma sensação de paz e alegria.

Os elementos que cercam a aparição desse ser são muito semelhantes aos do caso da contatada de pseudônimo Liz de Albuquerque — que, no futuro, também se revelaria uma abduzida —, pesquisado pelo ex-ufólogo Carlos Alberto Reis. Em 1972, quando contava oito anos de idade, Liz residia no bairro de Vila Císper, próximo de Ermelino Matarazzo, igualmente na zona leste de São Paulo. Certa noite, sentada em seu beliche, notou uma forte luminosidade se formando sob a mesa da cozinha. De dentro dessa luz saiu uma criatura pequena que foi se aproximando até ficar com o rosto bem próximo ao dela. A entidade pronunciou alguma coisa inaudível, e no instante em que a garota gritou assustada, “deslizou” rapidamente em direção à cozinha, embrenhando-se na luminosidade que persistia sob a mesa.

Um extraterrestre disfarçado

Passado pouco mais de um ano após o contato físico com Pribo, exatamente no dia de seu aniversário, Gênesis Moreira esteve em companhia de um “homem de preto”, que para ele não era ninguém menos do que um extraterrestre disfarçado. Como na época trabalhava pintando camisetas, saiu de manhã cedo rumo ao centro da cidade a fim de adquirir os materiais de que necessitava. No caminho, encontrou-se com alguns amigos que lhe ofereceram uma carona, deixando-o na Rua 23 de Maio. Dali teria de caminhar até a Rua 25 de março, local que concentra um abastado e concorrido comércio atacadista. Ao atravessar uma avenida, um veículo Escort XR-3 conversível parou ao seu lado. O homem ao volante perguntou-lhe se ele sabia como chegar à Rua 25 de março. Moreira respondeu que, por coincidência, também se dirigia para lá e aceitou o convite para que seguissem juntos no carro.

No curto trajeto até o local, o homem encheu-lhe de perguntas, a maioria referentes a seu trabalho e sua família. O que mais lhe chamou a atenção é que, além de o carro ser preto, o homem trajava calça e terno pretos. No interior do carro não havia nada, a não ser uma pasta preta tipo 007, jogada no banco traseiro. O homem, que aparentava ter uns 35 anos de idade e não falava fluentemente o português, era bastante alto — sua cabeça quase chegava a bater no teto —, branco, de porte atlético, imberbe, de queixo quadrado e olhos grandes e claros. O cabelo grisalho era curto, cortado no estilo militar. Não guiava muito bem, pois chegou a subir na guia quando estacionou. Ao chegarem, despediram-se afavelmente e cada um tomou seu rumo.

À tarde, descansando em casa, Gênesis Moreira teve um contato telepático, ocasião em que os seres lhe perguntaram se havia gostado de seu presente de aniversário. Foi só aí que se deu conta de que o “homem de preto” talvez fosse um deles, disfarçado de humano, o qual ficara encarregado de ciceroneá-lo nesse dia especial. Os seres ainda pediram que ficasse de olho no céu assim que anoitecesse. Às 18h30 observou, junto com a esposa, uma luz que julgou ser um disco voador. Os seres agiam de modo exageradamente paternalista, não descuidando de nenhum aspecto da vida do contatado. Quem mais se aproximou de Moreira foi Pribo, o qual lhe ensinou a cuidar melhor da saúde, técnicas de defesa pessoal e habilidades diversas, além de repassar-lhe cálculos e equações. Já o Chefe raramente se comunicava — e, quando o fazia, costumava ser repressor. Mas quem menos o contatava era Alfa-5, cuja única função era a de infundir-lhe força interior para enfrentar momentos difíceis.


Manipulação sexual e emocional

Kelly manipulava-o sexual e emocionalmente, como o próprio Gênesis Moreira admitiu, resignado. Ela definiu o tipo de mulher com quem se casaria na adolescência — seria alguém com uma personalidade forte e agressiva, exatamente as características da esposa de Moreira. Dessa relação nasceria uma filha, que também se chamaria Kelly. Assim que a menina nasceu, em 1981, o casal batizou-a com esse nome. A ET Kelly vaticinou que o casal teria apenas dois filhos e que o último seria do sexo masculino. Em 1984 nasceria Gênesis Moreira Júnior — nome que dessa vez ficou a critério do contatado. Apesar das recomendações de Kelly de que não concebessem mais filhos, sua esposa voltaria a engravidar por mais duas vezes, e em ambas viu-se obrigada a abortar em decorrência de uma série de complicações. Não obstante, tal como prescreve a Igreja Católica, Kelly é contrária ao uso de pílulas anticoncepcionais e camisinhas. Para evitar a gravidez, recomendou a observância de uma tabelinha que difere das comumente adotadas apenas por prescrever um hiato maior de abstinência sexual entre as menstruações.

Sugestionada pelos frequentes contatos do marido, Maria Eloísa de Souza Moreira, nascida em 1963, passou não só a compartilhar, mas também a vivenciar suas próprias experiências. Em 21 de julho de 1992, por volta das 21h00, observou três esferas prateadas e alaranjadas fazendo evoluções acima da casa onde moravam. “As esferas pareciam encaixar-se umas nas outras”, disse. A vizinha, uma comerciante evangélica chamada Josefa Batista da Cruz, avistou as três esferas no momento em que saía de sua avícola, assustando-se a ponto de gritar que o mundo estava acabando.


Sondas ufológicas atacam o pai

Em outra ocasião, Maria preparava o jantar e ao sair viu o que achou ser um disco voador. Alarmada, anunciou à sua filha que os seres iriam levar seu pai embora. Kelly começou a chorar e juntas se dirigiram à casa da mãe de Maria, que tentou acalmá-las dizendo que aquilo não passava de uma estrela cadente. “Acontece que nunca vira nada parecido. Fiquei com medo porque pensei que tinham vindo buscá-lo”, justificou Maria. Ela confessou que as atitudes do marido a deixavam bastante nervosa. “Às vezes acordo no meio da madrugada e pego meu marido fora da cama. Se ele está parado, imóvel, sei que são os seres se comunicando, então eu nem me aproximo”. Maria ressalvou, porém, que nem tudo era ruim. “Os seres também nos ajudam muito. Até avisam quando alguém faz algum trabalho de macumba contra nós”.

O irmão mais velho de Gênesis Moreira, o mecânico e motorista de caminhão Douglas Moreira, nascido em 19 de janeiro de 1952, casado e pai de três filhas, contou que em uma noite de 1967 voltava do cinema junto com alguns colegas quando viram, próximo de um morro em Guaianazes, um gigantesco UFO cinzento, de formato discoide, rodeado de luzes verdes e vermelhas que voava rente ao chão, sem fazer barulho. A prevalência de estranhos fenômenos na família remontam à época em que Henrique Moreira, pai do contatado, namorava sua futura esposa, Pasqualina Gumieiro. Com a ajuda desta — Henrique Moreira já havia falecido — reconstituímos a história, ligando e confrontando detalhes recordados por seus filhos.

Em uma noite de 1947, o pai caminhava nos arredores de um pasto no interior de Minas Gerais e, ao atingir uma clareira, deparou-se com uma pequena esfera de luz saltitante. Rapidamente surgiram outras esferas, brancas e pretas, que o atacaram violentamente. Henrique Moreira entrou em luta corporal com elas e acabou com o corpo esfolado. Assim que se livrou das mesmas, correu desabaladamente até a estação de trem, aonde chegou maltrapilho. O bilheteiro, vendo-o todo machucado e com as roupas rasgadas, perguntou se atravessara uma cerca de arame farpado. Depois do incidente, passou a evitar sair de casa altas horas da noite.

Não faltam entre os membros dessa família relatos dando conta de fenômenos paranormais congêneres como premonições, poltergeists e fantasmas. Em Gênesis Moreira, essa tendência se manifestou com mais intensidade. Encarnando a figura de contatado, não fugiu ao discurso habitual, reafirmando o caráter angelical dos seres e as mensagens apocalípticas — sentia-se especial, imbuído de uma missão decisiva para a sobrevivência da humanidade. Por outro lado, sua mãe, adepta da seita Testemunhas de Jeová, pensava de maneira totalmente inversa. “Para mim, os extraterrestres são espíritos tirânicos. O diabo é que se transforma em um disco voador, em um ET, pois ele é astuto e tem o poder de iludir. Eles são maus, não há nada de bom neles. Temo que meu filho não obtenha a salvação da alma e seja impedido de viver no Paraíso. Para livrar a si mesmo e a sua família disso ele deveria orar fervorosamente a Deus”.

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Sobre o Autor

Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Nascido na capital paulista, em 26 de abril de 1971, desde cedo Cláudio Suenaga se sentiu atraído por tudo o que se relacionasse à ciência, ao oculto, insólito, paranormal e ao sobrenatural. Acabou sendo apresentado, ainda na adolescência, às primeiras revistas de Ufologia, despertando para o assunto em que foi se aprofundando na mesma medida de outros interesses, tais como a história, arqueologia, sociologia, antropologia, mitologia, folclore, filosofia, psicologia, literatura e cinema. Aos 18 anos de idade já publicava seus primeiros artigos em jornais e ingressava na Faculdade de História, formando-se aos 21 anos com um projeto delineado em mente: trazer a questão ufológica ao âmbito acadêmico. Enfrentando todo tipo de preconceitos, logrou a proeza de convencer um grupo de professores da viabilidade de seus propósitos e da seriedade de suas intenções e, em 1994, ingressou no curso de pós-graduação de História da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Em 1996, tornou-se consultor e membro do Conselho Editorial da Revista UFO, produzida pelo Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), passando a escrever regularmente para a publicação. Contra a opinião dos bem-pensantes, antecipou, em meados da década de 90, o crescimento exponencial dessas seitas ufológicas e espiritualistas. Entre os inúmeros trabalhos que lançou, um dos que mais geraram celeuma resgata o caso do lavrador João Prestes Filho, que em um fatídico dia de Carnaval de 1946 morreu queimado com as carnes se soltando do corpo depois de ter sido atingido por uma luz misteriosa que veio do céu na cidade de Araçariguama, interior de São Paulo. Casos como este indicam que, ao contrário do que apregoam os adeptos das correntes angelicais, a humanidade não vem sendo protegida e assistida por garbosos comandantes intergalácticos.

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