ARTIGO

Ação alienígena em Fátima cravada na história mundial

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga | Edição 80 | 01 de Outubro de 2014


Créditos: EDITORIA DE ARTE

Ação alienígena em Fátima cravada na história mundial

Na matéria intitulada Um Alien em Fátima [Veja edição UFO 092, agora disponível na íntegra em ufo.com.br], dedicamo-nos a desmontar e transpor o teatro encenado pela Igreja Católica que como qualquer outro poder estabelecido na Terra, sempre tratou de convenientemente manipular a realidade, dogmatizar manifestações extraordinárias de natureza desconhecida, fabricar mentiras, impor “verdades” e obliterar segredos de modo a canalizar em seu proveito fenômenos que escapam à compreensão comum e desafiam a lógica e as ciências convencionais. A sociedade, atônita diante de uma gama assustadora de estímulos e irrupções inexplicáveis, não sabendo como lidar com tais efeitos e implicações, costuma aceitar os esquemas, pressupostos e condicionamentos socioculturais e as convenções e certezas temporais decretados pelas autoridades.

Já chegamos ao ponto em que ninguém mais pode contestar o fato de que o próprio surgimento da Igreja, sua existência e perpetuação como poder institucional secular, se devem, primordialmente, à apropriação e distorção, dentro de um contexto religioso particular, de uma abundante e diversificada fenomenologia paranormal e, por extensão, ufológica. Não obstante, em meados dos anos 90 ganhou força uma versão de cunho eminentemente político que propugna a total negação de Fátima, qual seja de que ali absolutamente nada de concreto e de real teria acontecido, e que apenas estiveram em jogo as forças do imaginário coletivo. Desencavada por historiadores revisionistas, afinados com a linha da chamada Nova História, e abraçada incondicionalmente por setores sectários antirreligiosos e esquerdistas, ciosos por incorporarem-na em seus proselitismos, por ela Fátima não teria passado de um culto fomentado como parte vital da estratégia de reorganizar os setores conservadores hostis à República — e que se expandiu numa forma de popularização da peculiar síntese de fascismo e catolicismo implantada e praticada pelo ditador Antônio de Oliveira Salazar (1889-1970).

Totalitarismo obscurantista

Em 1917, no ano das aparições, Portugal, governado por Bernardino Luís Machado (1915-1917), estava à mercê das facções políticas e à beira do totalitarismo, que se implantaria definitivamente em 1928 com o golpe perpetrado por Salazar, formado em direito pela Universidade de Coimbra e que ensinou economia política no mesmo estabelecimento. Sob o reinado de dom Carlos I (1889-1908), agravou-se a crise financeira herdada de governos anteriores, e cresceu a agitação política. Numa tentativa de restabelecer a ordem, o soberano confiou poderes ditatoriais ao ministro João Franco (1906). Pouco tempo depois, explodia uma revolta em Lisboa, e dom Carlos era assassinado com seu filho mais velho. Sucedeu-lhe dom Manuel II, destronado em 05 de outubro de 1910 por uma revolução que estabelecera uma forma republicana de governo, toscamente moldada pelo padrão norte-americano, a partir de 1915. A nova Constituição fora promulgada em 1911.

A República havia sido proclamada, portanto, há apenas sete anos num país que vivera sob o reinado desde o século XII, com a instauração da Casa de Borgonha por dom Afonso I (1139-1185). Com a queda da monarquia, veio o declínio da religião, pois, embora o povo português permanecesse fiel à Igreja Católica, o governo provisório, a fim de estabilizar a economia e a estrutura social do país, determinou a expulsão dos jesuítas e a extinção dos conventos, legislou sobre o divórcio e decretou a separação da Igreja e do Estado. Abertamente hostil à Igreja, acabou rompendo relações com Roma em 1913 e disseminou uma ampla campanha de propaganda anticlerical — as propriedades eclesiásticas foram confiscadas, congregações dissolvidas e o clero era tratado praticamente como uma casta inferior.

Superstições

A intelligentsia e vários setores formadores de opinião eram antirreligiosas e decididamente anticlericais. Os governantes tornaram-se antagônicos às crenças religiosas tradicionais, qualificando-as frequentemente como meras superstições veiculadas pelos jornais e revistas demagógicos e sensacionalistas. Até mesmo as áreas rurais, geralmente imunes aos ditames intelectualistas dos centros cosmopolitas, foram afetadas pelo fechamento compulsório das igrejas e pelo estreito controle de qualquer expressão religiosa. A despeito disso tudo, remanesceu profundo o fervor entre os camponeses, de hábitos religiosos arraigados, nas áreas rurais. E foi exatamente ali que se verificou a série de aparições da Virgem.

Em outras palavras, Fátima teria nascido tentando ser algo como a marcha sobre Roma de Mussolini e teria evoluído como o equivalente dos comícios em Nuremberg da Alemanha nazista. De fato, reconhecemos que foi a partir da consolidação do Estado Novo, em 1930, que a mitologia de Fátima foi sendo enriquecida com símbolos nacionalistas como o Anjo de Portugal, transformada de antirrepublicana em anticomunista com a introdução a posteriori de profecias condenando a Revolução Bolchevique e alertando quanto ao deflagrar da Segunda Guerra Mundial. Tais conceitos foram largamente usados para legitimar a ditadura com a autorizada declaração da vidente Lúcia, feita em 1945, numa carta dirigida ao cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira a partir do convento onde permaneceu enclausurada desde as pretensas aparições, de que “o Salazar é a pessoa por Ele [Deus] escolhida para continuar a governar a nossa Pátria. A ele é que serão concedidas a luz e graça para conduzir o nosso povo pelos caminhos da paz e da prosperidade”. A santa de Fátima foi, e jamais deixará de ser, a Nossa Senhora do fascismo.

TODO O CONTEÚDO DESTA EDIÇÃO ESTARÁ DISPONÍVEL NO SITE 60 DIAS APÓS A MESMA SER RECOLHIDA DAS BANCAS

Para continuar lendo este artigo, você deve se cadastrar no Portal UFO. O cadastramento é gratuito e dá acesso a todo o conteúdo do site.

Login

Compartilhe esse artigo:

Sobre o Autor

Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Nascido na capital paulista, em 26 de abril de 1971, desde cedo Cláudio Suenaga se sentiu atraído por tudo o que se relacionasse à ciência, ao oculto, insólito, paranormal e ao sobrenatural. Acabou sendo apresentado, ainda na adolescência, às primeiras revistas de Ufologia, despertando para o assunto em que foi se aprofundando na mesma medida de outros interesses, tais como a história, arqueologia, sociologia, antropologia, mitologia, folclore, filosofia, psicologia, literatura e cinema. Aos 18 anos de idade já publicava seus primeiros artigos em jornais e ingressava na Faculdade de História, formando-se aos 21 anos com um projeto delineado em mente: trazer a questão ufológica ao âmbito acadêmico. Enfrentando todo tipo de preconceitos, logrou a proeza de convencer um grupo de professores da viabilidade de seus propósitos e da seriedade de suas intenções e, em 1994, ingressou no curso de pós-graduação de História da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Em 1996, tornou-se consultor e membro do Conselho Editorial da Revista UFO, produzida pelo Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), passando a escrever regularmente para a publicação. Contra a opinião dos bem-pensantes, antecipou, em meados da década de 90, o crescimento exponencial dessas seitas ufológicas e espiritualistas. Entre os inúmeros trabalhos que lançou, um dos que mais geraram celeuma resgata o caso do lavrador João Prestes Filho, que em um fatídico dia de Carnaval de 1946 morreu queimado com as carnes se soltando do corpo depois de ter sido atingido por uma luz misteriosa que veio do céu na cidade de Araçariguama, interior de São Paulo. Casos como este indicam que, ao contrário do que apregoam os adeptos das correntes angelicais, a humanidade não vem sendo protegida e assistida por garbosos comandantes intergalácticos.

Comentários

UPDATED CACHE