ARTIGO

Abduções e estados alterados de consciência

Por Carl Nally | Edição 244 | 01 de Março de 2017


Créditos: RAFAEL AMORIM

Abduções e estados alterados de consciência

Por volta das 14:00 de um sábado de céu claro em 1955, Jimmy O’Toole, de Artane, norte de Dublin, viveu sua própria experiência ufológica enquanto morava em Hull, na Inglaterra. Depois de voltar para casa após o turno de trabalho na fábrica, estava sentado em sua cama, olhando pela janela, quando percebeu “alguns mísseis” cruzando o céu, como se referiu a tais artefatos. Eles voavam como se disparassem e depois interrompessem a trajetória, deliberadamente.

Depois de observar o espetáculo por talvez oito ou 10 minutos, O’Toole desceu ao andar de baixo da casa e saiu para o jardim para ter uma visão melhor.Momentos depois, retornou à casa para contar o que tinha visto aos familiares — a reação de todos foi de brincadeira, relembrando os contos de fada irlandeses, tratando-o como se fosse um louco. O’Toole ficou muito encabulado e jamais voltou a falar de sua experiência em mais de 40 anos.

O primeiro objeto avistado por ele tinha o tamanho de uma moeda de dois centavos erguida à distância de um braço, e sua superfície brilhava ao Sol. Havia meia dúzia de objetos não identificados, ou talvez oito, disparando pelo céu em todas as direções. Tais avistamentos de múltiplos artefatos eram muito raros naqueles dias. A experiência que O’Toole nos relata, tantos anos depois, ilustra dois pontos. O primeiro é que avistamentos de UFOs, mesmo quando os objetos permanecem a uma distância considerável da testemunha, deixam nela sua marca — os efeitos de um avistamento podem perdurar por toda a vida da testemunha.

Ceticismo prejudicial

O segundo ponto é que a postura negativa da sociedade diante dos UFOs ao longo dos anos fez com que muitas pessoas relutassem em vir a público para falar de suas experiências. A linguagem ufológica agora chama estas pessoas de experienciadores. Este é um termo abrangente para aqueles que alegam terem sido abduzidos por alienígenas, aqueles que tenham tido contatos positivos com várias entidades ou ainda experimentado lapsos temporais etc. Muitas pessoas têm surgido ao longo dos anos para relatar seus contatos ufológicos aos pesquisadores, fatos relacionados a eventos bizarros que de repente começaram a interferir em suas vidas. Será que todas estas experiências podem ser explicadas em termos psicológicos? Ou será que outros fatores externos, talvez uma inteligência extraterrestre, sejam os responsáveis por isso?

crédito: LUCA OLEASTRI
As abduções talvez ocorram em estados alterados de consciência, e serão melhor compreendidas se entendermos este processo por competo
As abduções talvez ocorram em estados alterados de consciência, e serão melhor compreendidas se entendermos este processo por competo

A respeito dos discos voadores e seus ocupantes, nas entrevistas veiculadas pela mídia sempre ouvimos perguntas como “quem são eles”, “de onde vêm” e “por que estão aqui”. Até o momento não há uma resposta definitiva, mas, conforme a humanidade continua explorando o espaço exterior, devemos também continuar explorando nosso espaço interior com o mesmo interesse e vigor. Portanto, assim como perguntamos “quem são eles”, deveríamos também perguntar “quem somos nós”. Enquanto continuamos buscando respostas sobre eles, também poderemos descobrir quem somos nós, pois há uma conexão. Conforme nós, humanos, começamos a nos compreender com maior clareza, nossa comunicação se tornará mais eficiente e, se no futuro nós e eles nos encontrarmos em um estado de consciência compartilhado, então seremos capazes de nos comunicar — e de forma verdadeira.

Há um mistério em torno de quem são eles, mas há também um mistério em torno de quem somos nós. Quando o homem pisou na Lua, ele era um alienígena para outros mundos. Quando finalmente chegarmos a Marte, seremos extraterrestres aterrissando em outro planeta. Portanto, nós também estamos fazendo o que eles fazem. A única diferença é que eles estão muito mais adiantados do que nós nesta jornada de descobertas. Nós os vemos como diferentes de nós, mas quão diferentes seriam na verdade? Se eles vêm de algum lugar do universo, então temos a mesma origem — todos viemos do mesmo Big Bang.

Por que não se apresentam

Outra questão que sempre ouvimos e já se tornou lugar comum é por que eles não pousam e se apresentam à humanidade de uma vez? Isso alteraria o equilíbrio de poderes na Terra? Se a comunicação se desse de forma gradual, por meio de indivíduos escolhidos em todo o globo, para que em algum ponto no futuro a informação pudesse se tornar disponível à população como um todo, não seria uma alternativa melhor? Jesus Cristo teve a mesma ideia quando comunicou conhecimentos a indivíduos por ele escolhidos, os 12 apóstolos, e sua comunicação de conhecimentos se espalhou pelo mundo.

Talvez os aliens não tenham a menor intenção de se comunicarem com governos, mas, pelo que já sabemos a partir de relatos, parecem estar mantendo contato com indivíduos. Neste momento estamos todos muito cientes do fenômeno das abduções. Seriam estes indivíduos, os abduzidos, seres escolhidos cujo papel é o de espalhar o conhecimento sobre a agenda destes seres? Seria possível que alguns abduzidos fossem “eleitos” que recebem informações, conhecimento avançado ou capacidades extrassensoriais, e tenham armazenado estas informações em um estado alterado de consciência do qual eles ainda não têm ciência? Tal nível de consciência poderia ser utilizado como uma ponte de comunicação, se e quando uma comunicação em massa for estimulada. Isso faz mais sentido do que aterrissar no gramado da Casa Branca.

Este processo de comunicação destes seres com humanos em nível individual está em andamento — eles realmente têm uma agenda. O que significa esta agenda, saberemos apenas quando eles estiverem prontos para nos contar e, quando isso acontecer, nada mais será como antes. Pode ser que certos indivíduos estejam sendo escolhidos por eles para completar tal agenda. Talvez alguns deles venham experimentando uma comunicação profunda desde idades muito precoces. Ou será que a memória dos experimentos médicos realizados neles a bordo de UFOs seja apenas uma cobertura para a verdadeira passagem de dados em andamento com estes experienciadores?

Abduzidos e abdutores

Muitas vezes os abduzidos sentem uma ligação com seus abdutores. Um abduzido disse: “Sinto como se houvesse algo pessoal envolvido na experiência, como se os abdutores que se meteram em minha vida sejam estranhos conhecidos, sejam parte de nossa humanidade”. Se pensarmos na comunicação entre nós e seres mais avançados, devemos imaginar que a forma de comunicação deles também seja em um estágio mais adiantado. Sabemos que, na maioria das abduções, estes seres se comunicam com seres humanos por meio de telepatia em vez de uma comunicação verbal.

Há muitos casos em que os abduzidos passam por uma dissociação ou projeção astral — a capacidade de colocar a própria consciência fora do corpo físico. Uma família abduzida disse, sob hipnose, que seu carro foi levado para dentro de uma nave. Então, passaram por uma experiência fora do corpo, em que flutuaram pelo interior da nave ainda conscientes de terem deixado o corpo dentro do carro. Em outro caso, foram exibidas a um homem deitado em sua cama imagens mentais de duas estranhas figuras que acenavam para que ele as seguisse. De repente, ele se viu flutuando para fora da cama em um túnel de luz até entrar na nave. Quando estava dentro do objeto, conversando com os dois seres, sua esposa, que estava com ele no quarto, ainda podia ser vista deitada na cama.

O segundo ponto é que a postura negativa da sociedade diante dos UFOs ao longo dos anos fez com que muitas pessoas relutassem em vir a público contar suas experiências. A linguagem ufológica agora chama estas pessoas de experienciadores

Em outro caso ainda, Michael McCabe, um idoso de Meigh, Irlanda do Norte, dirigia para casa quando foi abduzido de seu carro até um objeto brilhante — daquele ambiente ainda podia ver seu corpo sentado imóvel e sem vida no banco do motorista dentro do carro. No momento em que a abdução acontece, a pessoa normalmente passa por um fenômeno conhecido como o “Fator Oz”, termo popularizado pela pesquisadora inglesa Jenny Randles. Este estado é caracterizado pela ausência de sons naturais, como de pássaros, trânsito etc. As entradas sensoriais diminuem, o que parece sugerir que os eventos seguintes acontecem em outra realidade.

O saudoso doutor John Mack, professor de psiquiatria na Universidade de Harvard, sobre o fenômeno das abduções, disse: “Tais relatos, creio eu, levantam profundos questionamentos sobre como sentimos e vivemos o mundo ao nosso redor, e também sobre a própria natureza deste mundo”. O trabalho experiencial do doutor Mack sobre psicologia transpessoal apresentou-o a uma noção mais ampla da realidade que aceita experiências incomuns à nossa compreensão. Ele explica que tal fenômeno, seja lá qual for sua fonte, levanta muitas dúvidas sobre nosso lugar e papel no cosmos. Quando um abduzido tem esta extraordinária experiência e tenta expressá-la em termos dos cinco sentidos, isso se prova muito difícil, senão impossível.

Campo normal de compreensão

Por outro lado, a pessoa ouvindo o relato do evento pode frustrar-se ao não ser capaz de compreender a comunicação — e em uma comunicação é necessária a presença de dois indivíduos, o emissor e o receptor, e é responsabilidade do emissor garantir que o receptor receba exatamente o que está sendo comunicado. No caso de uma abdução, é quase impossível para o emissor fazer isso e, portanto, o receptor do relato da experiência receberá uma comunicação fora de seu campo normal de compreensão e pode recusar a mensagem imaginando que o abduzido seja irracional. Precisamos de uma nova “caixa de ferramentas”, um novo método que nos ajude a explicar esta intrusão cada vez maior e mais surpreendente em nossa realidade.

Um estudo sério e contínuo sobre o enigma das abduções pode nos levar a um maior conhecimento dos aspectos psíquicos do fenômeno e suas várias dimensões. Isso nos permitirá penetrar realidades não visíveis atualmente obscurecidas por nossa abordagem estritamente científica. Precisamos ampliar os parâmetros desta nossa abordagem tão limitada e agarrar a oportunidade de aprender e crescer.

crédito: JOHN ANTHONY MILLER
O norte-americano Whitley Strieber, um dos mais conhecidos, começou a narrar suas experiências ainda nos anos 80
O norte-americano Whitley Strieber, um dos mais conhecidos, começou a narrar suas experiências ainda nos anos 80

Nestes dias de constante comunicação, estamos muito familiarizados com televisão, rádio, internet, telefones celulares etc. Estas tecnologias permitem que nos comuniquemos com o mundo todo, 24 horas por dia, o ano todo. Crescemos educados com esta situação. Portanto, pode não parecer real a possibilidade de que outras formas de comunicação possam existir além desses parâmetros. Entretanto, é muito bem possível que neste momento a comunicação entre humanos e seres extraterrestres esteja ocorrendo em um estado alterado de consciência. Considerando-se toda a informação disponível a respeito das abduções, é muito possível que algo estranho e importante esteja ocorrendo a certos indivíduos no mundo todo.

Nossa mente consciente é muito limitada. Somos restritos a experimentar o mundo ao nosso redor apenas com cinco sentidos. Somos bombardeados com aproximadamente 70.000 bits de informações a cada minuto. A mente consciente é capaz de processar apenas cinco a nove porções de informação por vez. Este é o limite. A mente inconsciente, porém, não tem limites. Conforme absorvemos informações, estas são seletivamente apagadas e o restante é distorcido conforme passa pelos nossos filtros, que são nossos valores, crenças, atitudes, gostos e reprovações, experiências de vida, e por aí afora. A partir desta informação filtrada é que formamos nossa representação interior de nossas experiências com o ambiente.

O mundo de cada um

Ninguém sabe como o mundo realmente é. Cada um de nós tem seu próprio “mapa pessoal” do mundo e nenhum desses mapas mostra o território de forma definitiva — não há sequer dois mapas iguais. Podemos ter um mapa de Dublin, por exemplo, e dizer que conhecemos a cidade, mas não é verdade. Para conhecer Dublin, precisaríamos andar pelas ruas, visitar as lojas e restaurantes, explorar os negócios e hotéis, experimentar a comida, conversar com os moradores, e muito mais.

Nosso próprio modelo interno de mundo, porém, permite que interajamos individualmente com nosso ambiente. Em um estado consciente, os humanos não poderiam se comunicar efetivamente com inteligências superiores. Em nosso estado de vigília, somos arcaicos e vulneráveis — e esta é a forma que primordialmente utilizamos para nos comunicarmos uns com os outros. É possível, entretanto, que tenhamos avançado o máximo possível em nosso plano consciente e que agora estejamos prontos para um salto de consciência. Isto nos permitiria ocupar nosso próprio espaço no esquema das coisas, além de nos capacitar para a comunicação com outras formas inteligentes de vida.

Há um mistério em torno de quem são eles, mas há também um mistério em torno de quem somos nós. Quando o homem pisou na Lua, era um alienígena para aquele mundo. Quando chegarmos a Marte, seremos extraterrestres em outro planeta

Em resumo, se algum dia pudermos nos comunicar com outras inteligências cósmicas, então deixaríamos o confinamento de nossa consciência em vigília, partindo para um estado diferente de realidade, onde as restrições não se aplicam. Pode ser que o estado de vigília e o diálogo neste nível seja normal no que diga respeito a espécies mais avançadas.

A mente inconsciente se comunica com a mente consciente por meio de símbolos, sinais, sonhos e flashbacks. Não podemos conscientemente compreender nossos sonhos, pois não possuímos as técnicas para decifrá-los. Em outras palavras, a linguagem do inconsciente é para nós um idioma estrangeiro no nível consciente. Quando dormimos e entramos em um estado alterado — como um sonho — tudo parece totalmente normal, compreensível. Não fazemos perguntas. Entretanto, quando acordamos e assim voltamos ao estado normal de consciência, nossos sonhos já não fazem mais o menor sentido. Ficamos nos perguntando sozinhos: “o que significa esse sonho?” E na grande maioria dos casos esquecemos completamente logo em seguida.

A linguagem da mente

Vamos supor que seres inteligentes estejam abduzindo certas pessoas e preparando-as para serem futuros “representantes” deles aqui, e que se comunicam com esses humanos em um nível alterado de consciência. Então, como não podemos compreender conscientemente a linguagem da mente inconsciente, será que as igualmente estranhas memórias conscientes que abduzidos têm de suas comunicações com esses seres fariam sentido se fossem decifradas de modo puramente racional? Um exemplo da mente consciente tentando compreender a linguagem da mente inconsciente, sem ser capaz de extrair seu sentido, vem de uma senhora inglesa que alega ter sido abduzida. Sua memória consciente é a de ter sido levada a um lugar onde estranhas criaturas escalavam prédios e onde ela mesma viu um imenso pássaro. Isto foi seguido de vozes que lhe diziam ter uma missão na vida que lhe seria revelada no futuro. Como ela poderia compreender esta comunicação inconsciente quando a mente consciente é tão limitada?

Outro caso interessante é o de uma mulher que acordou de repente no meio de uma noite e sentou-se na cama. Então foi tomada por uma estranha paralisia em todas as partes do corpo, exceto os olhos — era um caso de rigidez muscular. Ela viu quatro criaturas grays [Cinzas] ao lado de sua cama. Sua próxima lembrança foi a de estar em um ambiente totalmente diferente, mas não tinha qualquer recordação de como havia chegado até lá — aqui temos um caso de amnésia. Ela então ouvia as palavras “não tenha medo, queremos apenas ajudá-la”. Primeiro, pensou que as palavras estavam sendo ditas, depois percebeu que nada era realmente pronunciado. Evidentemente, ela se comunicava telepaticamente. Depois pediram que ela memorizasse uma sequência de símbolos. Os símbolos eram círculos, quadrados e triângulos, e havia 10 sequências contendo entre cinco e 15 formatos.

O tema dos sinais e símbolos é também recorrente no universo dos agroglifos. Será que este é um fenômeno ligado aos relatos de abduções? Será que os agroglifos contêm mensagens que não podemos compreender em nosso estado consciente? Será que a mente inconsciente tem conhecimento sobre o conteúdo desses sinais? A natureza particular dos episódios de abdução, pelo menos no que diz respeito à nossa mente consciente, pode ser estudada nos trabalhos do abduzido norte-americano Whitley Strieber. Suas experiências foram também relatadas em um filme de 1989, Comunhão. O aparecimento e comportamento das criaturas retratadas é realmente bizarro, mas o que precisa ser pensado é como seria difícil para os diretores retratarem algo tão complicado de ser colocado em palavras.

Sinais nas entrelinhas

Alguns ufólogos e abduzidos atrelam grande importância aos sinais e símbolos relembrados após uma experiência de abdução, em suas tentativas de decifrar o código do que acreditam ser informações de crucial importância mantidas no nível inconsciente — abduzidos se recordam de terem vistos símbolos e hieróglifos semelhantes aos deixados pelos antigos egípcios. Pesquisadores como o saudoso Budd Hopkins utilizaram estes símbolos como meios para uma comparação cruzada entre os relatos de abduzidos. As informações recebidas desses seres pelos abduzidos é armazenada em um estado alterado de consciência, para ser utilizado em algum momento futuro. Ao mesmo tempo está seguro contra qualquer escrutínio consciente, já que qualquer memória a respeito no estado de vigília seria considerada como bobagem.

crédito: JOSEPH STRAUSS
Assim como naves alienígenas podem romper a velocidade da luz, seus tripulantes podem distorcer o tempo que passam na Terra
Assim como naves alienígenas podem romper a velocidade da luz, seus tripulantes podem distorcer o tempo que passam na Terra

Em resumo, as características de um caso de abdução são intimamente comparáveis ao estado alterado conhecido como hipnose. Pode ser que essas entidades, os aliens, possam alterar o estado de consciência dos indivíduos. Quando este estado é experimentado, o Fator Oz entra em cena, quando as capacidades dos cinco sentidos é diminuída e ocorre a alteração do estado de consciência. Os abduzidos podem também testemunhar símbolos e sinais como quadrados, círculos, triângulos etc. E podem passar por eventos aparentemente muito estranhos. Entretanto, esses sinais, símbolos e eventos estranhos podem ser relembrados no estado de vigília, porém de forma totalmente incompreensível.

É muito possível — na verdade, provável — que a comunicação entre entidades e seres humanos esteja ocorrendo em um nível que está muito além do nosso estágio de consciência e conhecimento. Aliás, o fato de que seres humanos podem demonstrar habilidades extrassensoriais é algo muito bem documentado. Embora sejam poucas as pessoas que demonstrem estas capacidades sob condições controladas, fato é que estes casos podem ser demonstrados. Será que tínhamos estas capacidades em nosso passado remoto e desde então perdemos tal conhecimento para apurar estas habilidades neste nosso mundo materialista? Ou será que estas capacidades psíquicas são parte de nossa transição para uma nova era de comunicação e consciência?

Extrassensorial

Abduzidos vêm experimentando capacidades extrassensoriais como precognição, telepatia, projeção astral e psicocinese. Uma jovem relata a história de sua abdução e o efeito transformador que isso teve em sua vida e de como se tornou envolvida em áreas que anteriormente não lhe despertavam qualquer interesse — estes interesses, então, evoluíram para eventos psíquicos e levaram-na a tornar-se uma terapeuta holística. Em 1990, um grupo de apoio a testemunhas foi criado pelo pesquisador britânico Ken Philips. Muitos dos abduzidos tratados por ele desenvolveram interesses em assuntos psíquicos e descobriram habilidades nesta área. Outra jovem abduzida acredita que há um elo definitivo entre seus poderes extrassensoriais e suas experiências de abdução. Ela diz que suas aptidões tiveram um pico imediatamente após seu rapto e depois recaíram ao nível normal de antes — ela também diz que isso pode ser um dos muitos fatores por trás de suas experiências, servindo, talvez, para recarregar de certa forma seus sentidos psíquicos.

Uma característica subjacente aos casos de abdução, pelo menos aqueles que viemos a conhecer, é que o abduzido ou experienciador muitas vezes tem um histórico prévio de experiências paranormais em suas vidas, frequentemente muito antes de tomarem ciência de suas experiências de abdução. Os arquivos dos ufólogos contêm relatos de atividades conhecidas como poltergeist, por exemplo, em casas de testemunhas de UFOs. No verão de 2003, entrevistei longamente uma jovem de Dublin que “levou meses”, em suas próprias palavras, para criar coragem para relatar suas experiências. Após uma entrevista de várias horas, sua história foi revelada e é extremamente interessante.

Ela mora na região de Kilbarrack, norte de Dublin, e se lembra claramente de, quando ainda muito criança, ter saído para o quintal para sentar-se no balanço. Enquanto estava lá, olhava para o céu estrelado com grande espanto — não podia se lembrar porque se sentia tão maravilhada enquanto olhava para o firmamento. Conforme seguia-se a entrevista, ela começou a lembrar-se de sua infância e percebeu que coisas incomuns passaram a ocorrer depois daquela noite no balanço. Ela começou a notar a presença de um “homem” dentro e no entorno de sua casa. Ele parecia normal, mas nunca falava com ela. Certa vez, vários anos mais tarde, quando já era uma adolescente, vários amigos estavam em sua casa e ela viu a figura misteriosa caminhando para um quarto e foi até ele para confrontá-lo. Quando entrou no cômodo, ele havia desaparecido — não havia passado por ela na porta e a única janela naquele quarto estava fechada e travada.

“Mulher de Branco”

Adolescente muito ativa, teve uma estranha experiência certa noite quando estava com uma amiga. Ela conhecia as lendas locais, como a da “Mulher de Branco”, que aparece para as pessoas em parques, mas tais histórias de fantasmas não a impressionavam. Naquela noite clara de verão, sua amiga de repente ficou agitada com o que ambas imaginaram ser a tal Mulher de Branco. Era uma figura de cor branca, grande, pairando sobre as árvores a pouca distância. As meninas entraram em pânico e correram para casa, mas uma luz brilhante logo as alcançou. A casa ficava a talvez 15 minutos dali, mas elas se viram correndo para os portões de um parque no meio da escuridão.

Ela não sabia explicar aos pais porque havia levado tanto tempo para chegar em casa. O caminho de 15 minutos a pé tinha levado uma hora e meia. Este é o fenômeno de distorção do tempo ou lapso temporal. Mas o que teria acontecido com ela e a amiga? Para onde foram por mais de uma hora? Ao contar-nos sobre sua experiência, ela sempre imaginava que a visão que tiveram era mesmo da Mulher de Branco, e que ela era mesmo um fantasma. Em sua mente, por vários anos, fora aquele espectro a causa do misterioso lapso temporal — a possibilidade de abdução ainda não lhe tinha passado pela cabeça, pois simplesmente não fazia parte do repertório de uma adolescente. Se esta testemunha caiu em um estado alterado de consciência no tal parque, então o que teria acontecido com a amiga naquele mesmo instante? Seria um caso de abdução coletiva?

Se esta testemunha caiu em um estado alterado de consciência no tal parque, então o que teria acontecido com a amiga naquele mesmo instante? Seria um caso de abdução coletiva? Esta é uma teoria que não pode ser descartada e deve ser investigada

Em um outro incidente envolvendo duas pessoas, nenhuma delas estava com medo ou em pânico durante o ocorrido. As testemunhas não tiveram ciência de nada anormal até que o evento terminasse. O fato ocorreu em um fim de semana da primavera de 1990, em Waterford City. Gary Hewson e sua namorada, então estudantes de uma faculdade local, planejavam viajar de volta para casa em Dublin para o feriado. Tendo dormido cedo na sexta, sem consumir álcool ou outras drogas, Hewson diz ter colocado dois despertadores para tocar às 09h00 do sábado. Acordar cedo daria ao casal tempo suficiente para tomar o café, fazer as malas e apanhar dinheiro no caixa eletrônico e ir. Além disso, também teriam tempo de sobra para caminhar até a estação de trem, uns 20 minutos distante, e comprar as passagens para pegar o trem para Dublin.

Na manhã seguinte, começaram a se preparar sempre com os olhos no relógio. Com os despertadores e os relógios de pulso mostrando 10h20, os dois iniciaram a breve caminhada até o caixa eletrônico. Ao chegarem, perceberam que seus relógios mostravam o horário de 12h02 — no intervalo de um minuto, cerca de uma hora e meia haviam desaparecido. Ao retornarem ao apartamento para apanharem a bagagem, olharam-se em total estado de confusão. Ambos os despertadores também exibiam o horário além do meio-dia. Imaginavam que os relógios indicariam o horário correto e que seus relógios de pulso de alguma forma haviam se atrapalhado. Não era o que tinha acontecido. Era realmente meio-dia.

Elasticidade do tempo


Neste ponto, já haviam perdido o trem e sua experiência havia se tornado mais uma de lapso temporal. Gary Hewson deixou bem claro que não se tratava de um caso em que seus relógios de pulso haviam se adiantado uma hora para marcar o novo horário de verão — e mesmo que fosse, tal mudança teria ocorrido no início do domingo, e não no sábado. Além disso, o horário indicado nos relógios de pulso e nos despertadores, correto ou não, não iriam se adiantar tanto assim. Deve-se notar ainda que ninguém mais teve acesso ao apartamento enquanto os dois estiveram fora.

Outra experiência de lapso temporal interessante diz respeito a Linda Best, moradora de Balbriggan, Irlanda. Ela relatou uma experiência muito estranha que teve certa noite, envolvendo o avistamento de um UFO triangular e alguma distorção de tempo. Ela deu um depoimento abrangente sobre sua experiência e também fez um diagrama do objeto que avistou. Os eventos que ocorreram naquela noite — os que ela pôde lembrar — permaneceram em sua mente por mais de uma década, até sua morte prematura em 2004. Certa madrugada, exatamente às 01h16, ela estava concentrada em seu hobby de astrônoma amadora observando as estrelas pela janela do quarto, que fazia rotineiramente quando o tempo estava bom. De repente, notou duas “estrelas se movendo” aproximando-se a partir do norte, segundo suas palavras. Elas pararam a certa distância e ficaram pairando.

Linda sentiu-se instigada a investigar mais a fundo e correu para o andar térreo da casa para chegar ao jardim da frente. Agora, as “estrelas” estavam diretamente acima do quintal do vizinho e uma estrutura entre as duas tornou-se visível — era um objeto vertical, triangular, com quatro painéis horizontais transversais, mas sem qualquer sinal de cabine para pilotos, janelas etc. Em uma parte embaixo havia uma faixa pálida de luz amarela. As estrelas agora eram dois dos cantos do triângulo e o terceiro ângulo apontava para o céu.

Grande objeto cilíndrico

Linda não teve medo, estava apenas fascinada. O objeto moveu-se para o sul e depois para o sudoeste antes de sumir de vista. Ela voltou para seu quarto, perplexa, e viu que seu relógio de cabeceira ainda exibia o mesmo horário das 01h16. Como aquilo seria possível? Em seus depoimentos e entrevistas, ela tinha passado entre “dez e 15 minutos” olhando para o silencioso artefato pairando no céu, mas o tempo simplesmente não avançara.

Totalmente confusa, telefonou na manhã seguinte para o Observatório de Dunsink, Dublin, e soube que o órgão havia recebido outros telefonemas sobre avistamentos de objetos voadores não identificados na noite anterior. Entretanto, ninguém lá tinha qualquer explicação para o que seria o fenômeno testemunhado. A experiência de Linda Best ocorreu nas primeiras horas do dia 31 de março de 1993. Na mesma data e com poucos minutos de diferença de avistamentos em massa ocorridos na Irlanda e Inglaterra. Durante as observações, policiais de Askeaton, Limerick e tripulações de helicópteros do Exército Britânico também relataram incidentes com UFOs.

crédito: UFO PHOTO ARCHIVES
Triângulos voadores estão sempre presentes nas imediações de abduções
Triângulos voadores estão sempre presentes nas imediações de abduções

Outro relato de um estranho caso de lapso temporal veio da região de Stillorgan, ao sul de Dublin. Alan Redmond saiu de seu apartamento com seu cão Ralphy para um passeio. Enquanto caminhava com o cachorro em um campo próximo a um complexo residencial, Ralphy começou a latir muito alto, de repente, sem qualquer motivo aparente. Foi então que Redmond percebeu a presença de um grande objeto cilíndrico, verde, pairando silenciosamente no céu. Aquilo seguia na direção sul, para as montanhas de Wicklow.

A próxima coisa de que se lembra foi a de estar em um bosque com a cara no chão tentando recobrar os sentidos, aproximadamente um quilômetro distante de onde havia observado o objeto voador não identificado — o cachorro jazia inconsciente ao seu lado. O que teria ocorrido naquele período entre a observação do artefato e sua retomada de consciência em um local tão distante? Tal mistério continua a incomodar Redmond. Foi uma experiência de impressão permanente em sua memória. Certamente, seu ceticismo anterior com relação a UFOs e o mundo paranormal desapareceu desde então.

Este processo de comunicação destes seres extraterrestres com humanos em nível individual está em andamento. Eles realmente têm uma agenda, mas o que ela significa saberemos apenas quando eles estiverem prontos para nos contar

No começo deste texto tratou-se do conceito de comunicação avançada dos alienígenas, que se daria em um nível alterado de consciência. Sabemos que os seres humanos possuem habilidades extrassensoriais e que a maioria, senão todos, os abduzidos desenvolve algum tipo de capacidade psíquica. Assim, vamos agora tratar um pouco mais sobre estes estados alterados, hipnose e da mente inconsciente. A definição clínica para hipnose é a de que se trata de um estado alterado de consciência e um relaxamento no qual a mente inconsciente pode aceitar sugestões, mesmo que estas divirjam daquilo em que aquela mente acredita.

Em circunstâncias normais, a mente consciente vetaria qualquer tipo de mensagem sugestiva. Porém, quando alguém está em transe hipnótico, que é um estado alterado de consciência, sua atenção está concentrada interiormente e esta pessoa se torna mais susceptível a sugestões. A mente consciente é a crítica e nenhuma informação tem permissão para adentrar a “biblioteca do inconsciente” a menos que passe pelo crivo da mente consciente. Este processo permite que apenas dados factuais, depois da melhor análise crítica da mente consciente, penetre o vasto depósito da mente inconsciente.

“Biblioteca inconsciente”

Se alguém disser a você que a Terra é plana, em um nanossegundo sua mente consciente, a crítica, irá questionar a mente inconsciente se esta é uma declaração factual. A mente inconsciente verifica a biblioteca e responde “não”, pois o mundo, na verdade, é redondo. Então, a mente consciente rejeita a declaração da Terra plana, assim como o oficial de segurança de shopping barraria a entrada de uma pessoa potencialmente suspeita. E como funciona a hipnose realmente? Há diferentes técnicas para se induzir ao estado hipnótico, mas o objetivo é sempre o mesmo — tirar do caminho a mente consciente, a crítica, a fim de permitir o acesso direto à biblioteca da mente inconsciente. Isso é feito concentrando-se a atenção da pessoa em um estado interior de relaxamento. Quanto mais a pessoa faz isso, menos desperta estará sua mente consciente. A mente consciente, a crítica, tem pouco ou nenhum trabalho a fazer, e é posta de lado.

É neste momento da indução que informações na forma de sugestões são fornecidas à pessoa a fim de provocar mudanças positivas — como não há mais a crítica para avaliar os dados entrantes, estes são aceitos de forma não crítica na vasta biblioteca da mente inconsciente. Os alienígenas parecem capazes de induzir este estado de transe em humanos para, então, comunicar-se com eles, seus escolhidos, e passar-lhes conhecimento às suas mentes inconscientes sem a resistência da mente consciente crítica. É possível que eles possam induzir determinados humanos a um estado de transe valendo-se de uma diferente técnica, que até o momento, não temos conhecimento. As informações sensoriais das quais dependemos durante o estado consciente de vigília — visão, audição, tato, olfato e paladar — são todas reduzidas para que os eventos ocorram em uma realidade totalmente diferente. Neste estado alterado, a comunicação se dá normalmente por telepatia e os abduzidos podem experimentar projeções astrais e dissociação.

Como seria de se esperar de uma raça avançada, a comunicação neste nível não seria apenas algo normal para eles, mas também uma grande vantagem no diálogo com humanos. É uma via de muito menor resistência e capaz de assegurar a conclusão de seus objetivos, o cumprimento de suas metas, seja lá quais forem. A maioria dos abduzidos, senão todos, experimenta lapsos temporais. A passagem do tempo exibe propriedades muito diferentes quando a pessoa se encontra em um estado alterado. Depois de uma indução ao estado hipnótico, abduzidos descrevem a sensação de terem se passado apenas alguns minutos, quando, na verdade, a sessão durou ao menos uma hora.

Oposição da mente consciente

Esta distorção de tempo diz respeito à capacidade da mente de estimar, condensar ou expandir o tempo. Todos temos um “relógio interno” capaz de fazer estimativas muito precisas sobre o decorrer do tempo. Na hipnose, a capacidade natural de distorcer o tempo é ampliada por meio da sugestão, e a impressão de cinco minutos em uma experiência pode equivaler a 15 minutos no relógio. Esta é a contração do tempo. Quanto à expansão, 15 minutos sentidos na experiência podem equivaler a apenas 5 minutos no relógio.

Sabemos que, após suas experiências, os abduzidos apresentam amnésia sobre detalhes do ocorrido, ou missing time. Tal amnésia, contraída durante o transe, pode ser tanto espontânea quanto induzida. É possível que esses seres a provoquem por meio de uma sugestão pós-hipnótica, que é uma condição feita durante o estado hipnótico sem sofrer qualquer oposição da mente consciente — quando o abduzido recobra sua total consciência, não se lembrará de sua experiência neste nível.

Relaxamento profundo

Outros aspectos comuns entre o estado de transe e o fenômeno das abduções são a paralisia do sono, sonambulismo, dissociação e rigidez muscular. Muitas vezes encontramos relatos de abduzidos deitados na cama, incapazes de mover qualquer parte do corpo, exceto os olhos, enquanto observam pequenos seres de cor cinza próximos a eles. O mesmo ocorre quando são levados para o que acreditam ser uma nave e são submetidos a exames. Deitados em uma mesa de uma sala iluminada, são incapazes de mover qualquer coisa, novamente, exceto os olhos. Um gráfico conhecido como Escala de Davis-Husband relaciona os níveis de rigidez muscular durante a hipnose com a profundidade dos estados hipnóticos.

A dissociação, em hipnose regressiva, diz respeito à segregação, pela consciência, de certos componentes dos processos mentais que, então, funcionam de modo independente. Já houve muitos relatos de abduzidos que, na presença destas entidades a bordo de naves, ainda podiam ver seus corpos sentados imóveis no carro ou deitado em suas camas. Durante a hipnose, o sonambulismo é um estado de relaxamento profundo — o terceiro e último estágio hipnótico, e o objetivo do terapeuta é provocar mudanças positivas no paciente ao conduzi-lo a tal estado. Alguns indivíduos tornam-se espontaneamente maleáveis e altamente sugestionáveis. Estas pessoas não precisam de sugestões mais profundas. Um pequeno número de pessoas pode cair espontaneamente em transe profundo sem passar pelos estágios mínimo e médio da hipnose. Estes são chamados de sonâmbulos.

crédito: RAFAEL AMORIM
Em rituais xamânicos também ocorrem alterações no estado da consciência dos participantes, daí também haverem contatos com alienígenas em tais condições
Em rituais xamânicos também ocorrem alterações no estado da consciência dos participantes, daí também haverem contatos com alienígenas em tais condições

O Fator Oz é um aspecto da abdução e do fenômeno UFO frequentemente discutido pelo veterano pesquisador Jenny Randles, já citado. Estímulos externos, como barulho do trânsito ou canto de pássaros, desaparecem da mente consciente, sugerindo uma alteração do estado mental. Qualquer concepção de passagem do tempo também resulta distorcida. Tais efeitos sobre indivíduos prestes a serem abduzidos são espontâneos e imediatos, pois eles estão sob a influência destas entidades. Os seres parecem ter total controle sobre os movimentos do abduzido, removendo assim qualquer poder mental para resistir aos seus comandos. Será que estão em ação aqui o sonambulismo, a dissociação e a distorção?

Ao traçar tais comparações entre as características de estados de transe e experiências de abduzidos, vemos semelhanças muito definidas. Isto pode sugerir que, realmente, a comunicação entre esses seres e os humanos ocorre em um nível além da nossa compreensão consciente. Será que estes seres induzem o estado de transe influenciando diretamente nossa mente inconsciente por telepatia, evitando assim passar por nossa mente consciente durante o processo? Mais pesquisas trarão todas as respostas que ainda não temos.