Edição 221
DESTAQUE

A variedade da manifestação ufológica na África

Por
01 de Mar de 2015
Créditos: GIUSEPPE SALAMEN

Quando pensamos que tanto a ciência quanto a Ufologia colocam nossas origens no Continente Africano, torna-se fundamental para quem se dedica à esta pesquisa conhecer o que as tradições culturais da África têm a nos contar. Há algumas lendas sugestivas a respeito da criação do mundo, da origem dos povos, dos animais e das plantas que, vistas sob a ótica ufoarqueológica, nos proporcionam material inédito para estudo. Quase sem variações, tais tradições atribuem a criação de nosso mundo aos povos que vieram do céu. A descrição dos deuses criadores é variada, indo desde seres baixos, brancos e com cabeças enormes, até àqueles altos, fortes e guerreiros, algumas vezes loiros, noutras morenos. Segundo contam as lendas, ao chegarem as divindades fizeram maravilhas, ensinando os humanos como trabalhar a terra, tratar dos animais, curar doenças, utilizar ervas e remédios naturais e mais uma variedade de outras coisas. O mais interessante é que, embora os nomes e a maneira de descrever os acontecimentos varie de acordo com o povo que narra a história, a história em si nunca muda — os deuses vieram, criaram, guerrearam e se foram, prometendo um dia voltar.

A África é um mistério sem fim em muitos aspectos, a começar pelo fato de que nós, humanos, surgimos em suas terras. O continente é rico em achados arqueológicos, paleontológicos e antropológicos, sem falarmos no quanto da história da civilização expansionista colonizadora se deveu às riquezas de seu solo e subsolo. Uma pesquisa rápida em estudos feitos sobre lendas e tradições africanas, mesmo aquelas que envolvem cultos ancestrais a divindades, nos mostra que os pontos de contato entre as narrativas da África com aquelas que encontramos em outras culturas antigas são muitos. O enredo de todas essas lendas indica que elas não são apenas uma criação do inconsciente coletivo, embora, claro, ele tenha atuado fortemente. Porém, não seria absurdo imaginarmos que as histórias nasceram da vivência e experimentação de fatos concretos, que depois, com o passar dos séculos, se transformaram em mitos.


Hoje temos uma leitura diferente sobre tudo isso. Os deuses se transformaram em astronautas e suas carruagens em naves espaciais. Não acreditamos mais que os raios e poderes das divindades sejam místicos, mas sim armas de alta tecnologia. Porém, se nossa interpretação é outra, os deuses parecem ser os mesmos e, ao que tudo indica, o interesse que sempre tiveram pela África continua vivo e suas visitas não param de acontecer. Vejamos algumas ocorrências a seguir.

Espiões alemães

Em 1914, a população da África do Sul observou nos céus estranhos objetos que foram comparados a zepelins. Naquela época não havia um veículo aéreo sequer que conseguisse cruzar o continente, mas mesmo assim vários relatos foram feitos em diferentes regiões, todos ridicularizados pelos órgãos oficiais. Em janeiro daquele ano, segundo um dos testemunhos, “um poderoso holofote fixado a uma aeronave passou sobre Pretória, capital administrativa do país, produzindo um som parecido com o de um assovio”. Não houve mais nenhum outro relato até o dia 20 de agosto, quando a Cidade do Cabo e seus arredores foram visitados por dois objetos em forma de disco. Nos dias seguintes, pessoas que moravam entre a Cidade do Cabo e Mafikend, localizada na fronteira com Botswana, a 1.300 km de distância, observaram UFOs sobrevoando a região em várias ocasiões. No final do mês, o avistamento de uma nave interrompeu um campeonato de golfe também na Cidade do Cabo — enquanto mulheres e crianças corriam para se proteger, soldados surgiam com artilharia pesada, aguardando a aproximação do intruso, que desapareceu após algumas horas.

No final de outubro do mesmo ano, um documento oficial sobre a onda de avistamentos, preparado pelo Departamento de Justiça da África do Sul, informava que “um objeto observado tinha uma forma alongada, parecida com a de um torpedo. E todos que o viram não tiveram dúvidas de sua existência”. Mesmo assim, com tantos relatos, o secretário de Justiça do país afirmou que tudo não passava de uma ilusão. Entretanto, anos depois, Edgar Sievens, autor do livro Flying Saucers uber Sudafrika [Discos Voadores Sobre a África do Sul, Sagittarius Verlag, 1955], entrevistou um velho fazendeiro da cidade de Greytown que lhe contou que, em uma noite de setembro de 1914, deparou-se com uma “aeronave alemã” parecida com aquelas que ele via nos jornais, pousada na grama, não muito distante. Próximo a ela estavam dois “espiões alemães” pegando água em um pequeno córrego. É importante salientar que o homem usou como referência aquilo que conhecia em termos de aviação e que, em 1914, não se falava em discos voadores.

Segurança nacional

A onda de avistamentos ufológicos de 1914 não é um evento isolado no mundo. Os primeiros relatos desse tipo surgiram com a chegada aos Estados Unidos de imigrantes vindos da Suécia e da Alemanha que afirmavam, ainda em 1896, que essas situações ocorriam em seus países desde o final de 1850. Os pesquisadores Jerome Clark e Lucius Farish, citando a revista UFO Report, traçaram registros de numerosas ondas ufológicas e hoje sabemos que esse estranho fenômeno ocorre há décadas em vários países, como Suécia, Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos, Nova Zelândia, Brasil e, é claro, a África do Sul. São ocasiões em que, por razões desconhecidas, há enorme concentração de ocorrências ufológicas em áreas geográficas específicas — uma onda ufológica pode durar horas, dias e até semanas.

crédito: NATGEO
Nas vastas regiões desoladas da África UFOs são uma constante, inclusive os contatos com seus tripulantes
Nas vastas regiões desoladas da África UFOs são uma constante, inclusive os contatos com seus tripulantes

Em 1953, a Força Aérea da África do Sul (SAAF) colaborou com os Estados Unidos no Projeto Blue Book e anunciou publicamente que também trocava informações sobre casos ufológicos com a Inglaterra e França, através da inteligência militar desses países. Isso mostra que havia interesse e cooperação internacional sobre o assunto e que o fluxo de informação era altamente secreto. Por quê? Neste ponto, é preciso lembrar que, muito antes de a questão se tornar de interesse científico e público, ela foi vista como uma preocupação política e militar. Vale destacar algo que parece ser propositalmente ignorado pela mídia e detratores do assunto — quando se solicita documentos e registros oficiais sobre avistamentos, as autoridades nos dizem que o assunto é secreto e afeta a segurança nacional. Porém, contraditoriamente, quando se pergunta aos militares e agentes de governo se os UFOs são uma ameaça, eles respondem que os UFOs simplesmente não existem...

Objeto lenticular

Hoje em dia, com o assunto sendo debatido mais abertamente, deveríamos nos fazer a seguinte pergunta: se nossos líderes estão descaradamente mentindo sobre um fenômeno relatado por milhões de testemunhas, o que mais eles estariam escondendo em seus quartéis e centros de pesquisas? Faz parte de uma democracia a transparência dos governantes e o acesso a documentos. A verdade está à espera para ser descoberta e dividida com a sociedade, e ela é um direito de todos nós. A intenção deste artigo é justamente informar o leitor sobre os casos ufológicos mais famosos ocorridos na África do Sul, mostrando que não é somente nos Estados Unidos que temos relatos interessantes sobre UFOs e seu respectivo acobertamento da sociedade. A África do Sul vem produzindo, ao longo das décadas, fatos igualmente intrigantes e que são pouco conhecidos em outros locais. Muitas das ocorrências aqui relatadas ainda estão sendo investigadas pelo South Africa UFO Research (Saufor), que busca evidências que possam dar-lhes mais peso.

Em 1951, nas cercanias da cidade de Paarl, por volta das 23h15, um engenheiro de instrumentação inglês pegou seu carro para fazer um test drive na Montanha Drakenstien. Quando já se dirigia para casa, ele viu alguém acenando para chamar sua atenção — o homem parou o carro e o estranho disse que precisava urgentemente de água. Ele não levava água consigo, mas sugeriu ao homem que fossem juntos até uma nascente ali perto, onde ele poderia se servir à vontade. Quando retornaram, foi-lhe pedido que fosse até um local bem escuro nas imediações. Para surpresa do engenheiro, ali havia um objeto lenticular com janelas quadradas em toda a sua volta, com tamanho estimado entre 11 e 17 m de diâmetro e 4 m de altura.

Uma pesquisa em estudos feitos sobre lendas e tradições africanas, mesmo aquelas que envolvem cultos ancestrais a divindades, nos mostra que os pontos de contato entre as narrativas da África com as de outras culturas antigas são muitos

Segundo a testemunha, havia cinco seres que se dispuseram a responder qualquer pergunta que ele lhes fizesse em troca de sua ajuda. O engenheiro disse que eles não explicitaram de onde vinham, apenas apontaram para o céu. No dia seguinte, ele voltou ao local do contato e descobriu estranhas marcas no solo. Esse caso só foi revelado pela testemunha em 1977, e ainda assim apenas para um ufólogo enquanto trabalhava na Espanha. Posteriormente, a maior ufóloga africana, Cynthia Hind, já falecida, investigou o caso e o comparou a inúmeros outros semelhantes, mas igualmente pouco ou nada conhecidos dentro e fora do país. Mesmo assim, o exemplo estabelecido pelo engenheiro segue hoje de parâmetro para casos atuais do gênero.

Outro caso interessante ocorreu em 26 de junho de 1972 na Fazenda Braeside, na área rural da cidade de Fort Beaufort, e contou com várias testemunhas e o envolvimento da polícia. Segundo relatos, um UFO foi visto sobrevoando a linha das árvores em uma floresta densa próxima ao local, e ao fazê-lo, mudava de cor. A polícia foi chamada pelo proprietário das terras e os guardas que atenderam à ocorrência, em conjunto com o dono da fazenda, chegaram a disparar 15 vezes no objeto, que permaneceu no local apenas apagando as luzes coloridas que emitia. O evento ganhou repercussão nacional e foi relatado em vários livros, jornais e revistas. Alguns meses após o ocorrido, membros da NASA estiveram no local entrevistando as testemunhas e os policiais.

Estranho efeito físico

Em novembro de 1972, Harold Truder, diretor de uma escola primária nos arredores de Rosmead, cidade situada a 200 km de Port Elizabeth, voltava para casa quando viu uma luz estranha no céu. Pelo para-brisa ele podia ver a escola, seus anexos e a quadra de tênis, sobre a qual estava uma cintilação branco-esverdeada — a luz estava, então, a 180 m de distância, sobre um canteiro de obras. O silêncio era total. Truder desceu do carro, acreditando estar diante de algum tipo de fenômeno natural, e caminhou em direção à luz esverdeada. Ao passar pela quadra de tênis, sentiu um forte cheiro de óleo queimado e decidiu investigar. Ao olhar sobre a cerca que rodeava a quadra, a testemunha viu que o revestimento do piso havia sido arrancado e estava espalhado pelo chão. Havia buracos com mais de 12 cm de profundidade, paralelos às linhas brancas da quadra, e uma poça de asfalto derretido ainda cintilava sob a luz fraca.

A investigação constatou um padrão simétrico nos buracos encontrados e também que o revestimento da quadra estava espalhado até a área da construção, onde Truder vira a luz. As árvores que estavam ao lado da quadra de tênis estavam severamente queimadas e morreram dois meses depois. A polícia local informou que houve vários outros relatos naquela área, inclusive de policiais informando sobre o avistamento de um UFO. O dano foi tão grande que um pesquisador do Conselho de Pesquisa Científica e Industrial afirmou, extraoficialmente, que só poderia ter sido causado por um dispositivo antigravidade.

Durante as décadas de 70 e 80 os casos de avistamento de objetos voadores não identificados, contato com seus tripulantes e abduções alienígenas continuaram a crescer por todo o Território Africano, com testemunhos vindos de indivíduos de todas as classes sociais. Embora uma parte dos casos possa ser atribuída a delírios e algumas pessoas de má-fé tenham se aproveitado da credulidade alheia em benefício próprio, alguns acontecimentos ainda permanecem inquietantes, como o sequestro do casal Peter e Frances MacNorman durante uma viagem da Rodésia [Atual Zimbábue] para Durban, na costa da África do Sul, para aproveitar um feriado de 1974. Segundo contaram as testemunhas, eles dirigiam à noite e tiveram dois encontros com um UFO, o que causou interferência no carro e na temperatura do ambiente. O casal informou que por duas vezes a velocidade do automóvel se alterou e que durante tais ocasiões eles perderam o controle do veículo. Em hipnose regressiva posterior, Peter MacNorman lembrou-se de estar dentro de uma nave em companhia de sua esposa e de outros humanos, e de ter sido submetido a exames. Ele também relatou ter visto alguns alienígenas, que tinham cabeças muito grandes, examinarem o motor de seu veículo.

Seres de pele muito pálida

Em julho de 1975, trabalhadores de uma fazenda na região de Loxton alertaram o dono da propriedade sobre algo aterrissado no campo. Para os investigadores, o proprietário disse que a princípio achou que se travava de um veículo utilitário, mas que ao se aproximar notou que se tratava de objeto oval e que era possível ver seus ocupantes, seres de pele muito pálida — quando eles perceberam a sua presença, dispararam um raio que o deixou desnorteado. A nave então decolou velozmente deixando grandes marcas no local onde esteve pousada. Segundo o homem, nada mais cresceu ali.

crédito: RAFAEL AMORIM
Um disco voador teria sido abatido sobre o Deserto do Kalahari por aviões da Força Aérea Sul-Africana
Um disco voador teria sido abatido sobre o Deserto do Kalahari por aviões da Força Aérea Sul-Africana

Outro episódio da Ufologia Sul-Africana que merece destaque é o ocorrido na Reserva Natural de Groendal, em outubro de 1978. O caso teria acontecido em um feriado prolongado e sido testemunhado por quatro adolescentes que, após um passeio pela reserva, aguardavam pela carona de volta. Às 11h15, eles notaram, a aproximadamente um quilômetro de distância, uma “pedra” brilhante sobre uma colina. Logo um dos adolescentes percebeu a presença de dois “homens”, que inicialmente pensaram ser caçadores “que vestiam roupas parecidas com as dos bombeiros, mas prateadas”. Em um dado momento, os dois homens se encontraram com um terceiro, que estaria carregando algo como uma maleta, pequena e quadrada.

Os jovens disseram que o avistamento havia durado apenas uns minutos, mas que todos se sentiram estranhos durante os acontecimentos — um deles se sentiu desorientado e todos informaram que houve um grande silêncio no local. “Até mesmo os pássaros haviam se calado”, disseram as testemunhas. Segundo o responsável pela reserva, não havia bombeiros trabalhando naquele dia. O sargento da polícia Christopher Powell, junto com o jornalista Keith Ross, o fotógrafo Evert Smith, um major da polícia e dois rastreadores fizeram a viagem até o local onde os rapazes tinham visto a pedra brilhante. Na área indicada pelos garotos eles encontraram uma grande e inexplicável depressão oval de 7 por 20 m, com 8 ou nove recuos no perímetro exterior. Não havia marcas de queimaduras. Um professor de geologia da Universidade de Port Elizabeth realizou uma pesquisa de campo no local e não conseguiu encontrar uma resposta geológica para as marcas encontradas no relevo. Posteriormente, pessoas que se diziam ligadas à NASA foram à África do Sul entrevistar os jovens.

Queda no deserto africano

Outro espantoso caso de contato ocorreu na noite de 03 de janeiro de 1979, quando Megan Quezet e seu filho Andreas, residentes em Mindalore, saíram para procurar o cão da família, que latia fora de casa. O cachorro havia sido operado havia pouco tempo e Megan temia que acabasse se machucando. Em determinado momento, eles viram uma luz cor-de-rosa e se dirigiram para ela, curiosos, quando se depararam com um UFO pousado. Mãe e filho afirmaram ter visto de cinco a seis entidades masculinas, vestidas com um macacão branco colado ao corpo. Eles disseram também que os seres se comunicavam por meio de um idioma que desconheciam — aquele que parecia ser o líder do grupo se aproximou de Megan e fez um leve gesto. Ele tinha cabelos e barba preta, pele morena e olhos puxados. Após sessões de hipnose regressiva, a testemunha recordou-se de que foi levada para o interior do UFO e convidada pelos alienígenas a fazer uma viagem, mas que havia se negado a seguir com eles.

Além destes episódios, há situações ainda mais graves na Ufologia Sul-Africana, incluindo até mesmo quedas de discos voadores. Em 1989, por exemplo, segundo muitos pesquisadores, o Deserto do Kalahari [Antes chamado de Deserto da Namíbia] teria sido palco de um evento que poderia ser considerado como o “Caso Roswell da África do Sul”. Envolvendo os supostos acontecimentos há um mundo de conspirações, mentiras, ameaças e ações de espionagem de fazer inveja a qualquer autor de suspense. O fato é que, apesar de tudo, algumas informações realmente foram confirmadas por pessoas que ocupam posições-chave para tal, o que faz do acontecimento um ícone. Segundo consta de alguns documentos entregues em 07 de maio de 1989 ao pesquisador inglês Tony Dodd, já falecido, um disco voador teria sido alvejado por caças da Força Aérea da África do Sul (SAAF) e caído no Kalahari. A nave teria sido atingida por algum tipo de arma experimental a laser, mas há quem diga que, na verdade, o equipamento utilizado foi um maser [Sigla em inglês para amplificação estimulada de micro-ondas por emissão de radiação] que equipava os caças Mirage, na época usados pelo país.

Após a queda, o piloto comandante dos caças passou a circular a área, enquanto equipes em terra recolhiam a nave e seus ocupantes — segundo documentos, o objeto teria sido levado para uma base aérea e o local do impacto, onde supostamente havia uma cratera de 150 m de diâmetro e 12 de profundidade, foi coberto por areia e pedras, até que nada mais restasse que pudesse denunciar a queda. A nave e seus ocupantes teriam sido posteriormente levados pelos norte-americanos para a Base Aérea de Wright-Patterson. Coincidência ou não, no suposto dia em que a carga misteriosa chegou à base, um alerta máximo no local teria sido decretado. Em troca do favor, a África do Sul teria recebido dos Estados Unidos algum tipo de tecnologia avançada, além da promessa de manter silêncio na Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os testes secretos sul-africanos com armas nucleares.

Contatismo africano

Os anos 50 foram pródigos em casos de contatados que se diziam mensageiros dos extraterrestres ou dos “irmãos do espaço”, como na época as pessoas se referiam aos alienígenas com quem alegavam conversar. A África do Sul também teve ocorrências participando do fenômeno global de contatismo, embora de uma forma um tanto diferente dos norte-americanos, que envolviam figuras famosas como George Adamski e George Van Tassel. Nós tínhamos Elizabeth Klarer, que para muitos foi a principal responsável pela ridicularização e descrédito da Ufologia na África do Sul. Ela contava uma história incrível sobre contatos com alienígenas, e fosse sua versão verdadeira ou não, ela a sustentou até o fim de sua vida. Elizabeth nasceu na África do Sul em 1910 e dizia que tivera dois avistamentos em sua infância e um terceiro em 1954, em sua fazenda. Segundo ela, em dezembro daquele ano, após ouvir os trabalhadores da propriedade correndo e gritando, ela os seguiu até uma colina, onde viu um “relâmpago” surgir entre as nuvens.

O UFO arrancou o revestimento do piso, que estava espalhado pelo chão. Havia buracos com mais de 12 cm de profundidade no piso, paralelos às linhas brancas da quadra, e uma poça de asfalto derretido ainda cintilava sob a luz fraca

Em seguida, uma nave em forma de disco desceu em sua direção e ela pôde ver que havia três janelas na parte inferior do objeto — através delas, Elizabeth viu um homem alto e loiro que a olhou com intensidade. Seu segundo contato ocorreu dois anos depois, quando a mulher sentiu uma forte compulsão de voltar ao local do avistamento e lá encontrou a nave pousada. Do lado de fora dela estava um homem alto, de cabelos loiros muito claros, quase brancos, olhos cinzentos e maçãs do rosto pronunciadas. O desconhecido estendeu as mãos em sua direção e Elizabeth seguiu com ele para dentro da nave, que em seguida decolou. Ele apresentou-se a ela com Akron e disse que vinha do planeta Meton, do sistema estelar de Alfa Centauro.

A partir de então, a contatada e o alienígena começaram um longo caso amoroso e Elizabeth teria passado vários meses em Meton, onde alegava ter aprendido sobre a luz, suas propriedades cinéticas e a forma que os extraterrestres a utilizariam para viajar pelo cosmos. Ela também teria aprendido sobre a filosofia e princípios de vida daquele povo, seus costumes e cultura. O envolvimento romântico entre Elizabeth e Akron teria gerado uma criança, um menino chamado Ayling, que teria nascido em Meton. As palestras da contatada correram o mundo e muitos cientistas se interessaram pelo que ela dizia, achando fascinantes os conceitos científicos trazidos por ela. Na década de 80, Elizabeth publicou o livro Beyond The Light Barrier [Além da Barreira da Luz, H. Timmins Books, 1980], onde conta suas experiências e os conhecimentos que adquiriu. A contatada faleceu em 1994, quando preparava seu segundo livro, Gravity Files [Arquivos da Gravidade], sobre a questão da teoria unificada.

Credo Mutwa e Edwin

Se a experiência alegada por Elizabeth é excêntrica, há ainda uma mais profunda — e sobre a qual há pouco questionamento quanto à sua legitimidade. É o fato que cerca vusamazulu Credo Mutwa, que nasceu na cidade de Kwa Zulu, na África do Sul, em 21 de julho de 1921. O título de vusamazulu, que ele recebeu em sua iniciação como curandeiro, significa “despertador dos zulus” na tradição e língua de seu povo. Ele se tornara, então, o líder espiritual de milhares de pessoas. As histórias contadas por Credo Mutwa são muitas e abrangem variada gama de assuntos, mas em todas elas a Ufologia e os extraterrestres estão presentes.

O xamã vê com tristeza a situação de seu continente, que diz ter sido extremamente desenvolvido e pacífico outrora. “A África está morrendo”, declarou em diversas ocasiões — e segundo ele, esta morte é proposital e sistematicamente levada a cabo por pessoas que seriam descendentes de extraterrestres. Mutwa concedeu diversas entrevistas ao longo das últimas décadas falando sobre abduções, agroglifos e a divisão de poder e riqueza em nosso planeta. A mais famosa delas talvez seja a concedida ao polêmico pesquisador norte-americano David Icke, quando o vusamazulu falou sobre os reptilianos e seus supostos descendentes, que formariam o grupo dos Illuminatis na Terra. Enfim, há vasta literatura sobre xamãs africanos em geral e sobre Credo Mutwa em particular, que o leitor pode consultar [Leia o artigo O Xamã Africano Credo Mutwa Faz Revelações Sobre Extraterrestres, do consultor da Revista UFO Paulo Pilon. O texto está agora disponível na íntegra em ufo.com.br].

crédito: LUCA OLEASTRI
O “vusamazulu” Credo Mutwa teria o poder de ver o passado e o presente
O “vusamazulu” Credo Mutwa teria o poder de ver o passado e o presente

O caso de Mutwa nos leva ao de Edwin, pseudônimo de um “experienciador” ou contatado sul-africano [Seu nome verdadeiro não é conhecido]. Em 1960, quando trabalhava em uma fábrica em Durban, Edwin conheceu um homem chamado George K., recém contratado pela empresa como operador de rádio. Eles se tornaram amigos e companheiros de pescarias noturnas, e embora George fosse um tipo alto e forte, nada havia nele que indicasse qualquer diferença ou estranheza. Edwin contou que após alguns meses, durante uma das pescarias, George teria revelado a ele sua origem extraterrestre — segundo a testemunha, seu amigo proviria do planeta Koldas, situado em um universo diferente do nosso, e sua missão aqui seria estudar nosso modo de vida, misturando-se a nós.

Doze planetas

George, cujo verdadeiro nome seria Valdar, passou vários anos na Terra, e quando partiu teria deixado um rádio transmissor com Edwin, além de várias fitas cassete gravadas com inúmeras mensagens. Os contatos continuaram desde então, mas por meio de telepatia entre os dois. Depois de um árduo trabalho de sete anos para contatar Edwin, o pesquisador Carl van Vlierden finalmente o encontrou e tornaram-se amigos. Vlierden, então, escreveu o livro The Twelve Planets Speak [Os Doze Planetas Falam,Q Publications, 1989], onde narra toda a história de Edwin, Valdar e Wy-Ora, o comandante da espaçonave que monitorava Valdar em nosso planeta, além de diversas mensagens dos alienígenas. Anos mais tarde, Cynthia Hind encontrou-se com Edwin e não acreditou em sua história, afirmando que não havia nenhum traço que indicasse que tais relatos fossem verdadeiros. Esse autor compartilha da mesma conclusão da falecida senhora Hind.

Disco voador do tipo clássico

Para finalizar este pequeno apanhado sobre casos ocorridos na África do Sul, temos também um episódio em Joanesburgo que a pesquisadora Cynthia Hind definiu como sendo “um dos melhores de todos sob o ponto de vista de um pesquisador”. O incidente aconteceu nas primeiras horas da manhã de 19 de julho de 1988, quando Phyllis e Diane, mãe e filha, se dirigiam para casa. Por volta das 03h40, Diane parou o carro no acostamento para permitir que o que ela pensava ser outro veículo pudesse ultrapassá-la. Entretanto, o que pareciam ser os faróis de outro automóvel eram, na verdade, as luzes de um disco voador do tipo clássico, com paredes transparentes e envoltas por um halo. A próxima coisa que as testemunhas se lembraram foi de estarem subindo uma rampa para dentro da nave. Logo que entraram, as duas atravessaram uma névoa branca que cheirava a incenso e limão, que Hind acreditava tratar-se de algum tipo de processo de descontaminação. Uma vez dentro da nave, as duas mulheres teriam sido calorosamente recebidas por duas entidades masculinas e duas femininas.

Credo Mutwa vê com tristeza a situação de seu continente, que diz ter sido desenvolvido e pacífico outrora. ‘A África está morrendo’, declara. Segundo ele, esta morte é proposital e sistematicamente levada a cabo por descendentes de extraterrestres

Uma delas, Me-lee-lah, parecia ser médica, pois foi quem realizou os exames e coletou amostras de sangue, pele e tecidos em mãe e filha. Em dado momento, após examinar Diane, Me-lee-lah perguntou-lhe como sua doença era chamada pelos médicos da Terra e a mulher respondeu que sofria, desde os 12 anos, de icterícia hemolítica. Mais tarde, ao fazer exames de acompanhamento, ela descobriu que estava curada. Elas não sentiram medo ou qualquer desconforto físico a bordo, muito pelo contrário — quando Me-lee-lah colocou a mão na cabeça de Diane, ela sentiu-se tranquila e calma. Como em muitos outros casos de contato e abdução, a alienígena informou que haveria um grande desastre em nosso planeta, que provocaria ondas de muitos metros de altura, sem fornecer uma data para tal acontecimento. A alien também prometeu a elas que iria retornar, o que fez com que ambas sempre voltassem ao local do contato em 19 de julho nos anos subsequentes. A famosa atriz Shirley MacLaine, que é conhecida também pelo seu interesse pela Ufologia, chegou a acompanhar as duas em uma dessas
excursões, mas sem sucesso.

Há conexão entre Ufologia e espiritualidade?

Já está no ar a Edição 221 da Revista UFO. Aproveite!

Mar de 2015

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