ARTIGO

A Ufologia Mundial deve se organizar para o contato oficial

Por Roberto Pinotti | Edição 229 | 01 de Dezembro de 2015

Instrumentos desenvolvidos pelos serviços de Inteligência das grandes potências, desde a década de 50, mensuram como a humanidade reagirá à chegada definitiva deles
Créditos: RAFAEL AMORIM

A Ufologia Mundial deve se organizar para o contato oficial

Há muito tempo se fala que vários governos do mundo, em especial o norte-americano, teriam pleno conhecimento da presença alienígena na Terra. Também existem incontáveis pesquisadores do Fenômeno UFO que afirmam de forma definitiva que acordos foram feitos entre o fim dos anos 40 e começo dos anos 50 entre o governo dos Estados Unidos e os próprios extraterrestres, trocando a tecnologia destes pela permissão para realizarem abduções [Veja seção Diálogo Aberto desta edição]. Por todo o mundo, informantes que trabalham em agências de inteligência vêm denunciando há décadas que existem laboratórios secretos de pesquisa nos quais a presença de aliens é constante. Da mesma forma, denunciam que há protocolos de segurança e desinformação que são seguidos à risca para que qualquer vazamento sobre o assunto seja ridicularizado. Enquanto isso, os avistamentos, contatos e sequestros por extraterrestres em todo o mundo simplesmente não param.

Este texto, além de ser uma proposta, é também um pedido para a Comunidade Ufológica Mundial para que algo de concreto seja feito em relação ao iminente contato oficial e definitivo com outras espécies cósmicas. A proposição apresentada não requer recursos financeiros ou meios tecnológicos sofisticados — são necessários tão somente competência cultural e multidisciplinar, bem como o desejo de resolver tais problemas. Hoje, após mais de 67 anos de Ufologia, o problema mais importante já não são os UFOs. Agora, a questão mais importante para ufólogos de todo o mundo, de acordo com o pesquisador pioneiro italiano Alberto Perego, que foi o cônsul da Itália no Brasil, é responder às seguintes perguntas: quem os controla, de onde eles vêm e o que a presença deles significa para nós?

Avistamentos massivos

Desde 1979 a Força Aérea Italiana (FAI) vem monitorando os avistamentos de UFOs naquele país, por meio de seu Departamento Geral de Segurança, e já possui quase 400 dossiês oficiais sobre casos ufológicos ali ocorridos — todos de grande gravidade. Na França, igualmente, houve uma incrível onda de observações de naves alienígenas nos anos 50 e 60 que resultou em mais de 1.000 casos envolvendo pilotos, detecções por radares e até contatos com tripulantes de discos voadores. Por toda a Europa, e em muitas outras partes do mundo, naves-mãe em forma de cilindros são vistas e registradas em fotos e vídeos. Inclusive no Brasil revelações semelhantes abundam, dando conta da globalidade e iminência do Fenômeno UFO.

Em um caso extremo, em Roma, o citado cônsul Perego e outros membros do Governo Italiano viram uma esquadrilha com 40 UFOs chegando de direções opostas, em duas formações na forma de V, o que acabou por criar uma cruz grega sobre o Vaticano. Imediatamente após estes incidentes, outras formações de naves alienígenas foram detectadas pelos radares sobre a Inglaterra, em forma de ferraduras em paralelo e em forma de Z. Perego sugeriu que estas manifestações continham um significado simbólico. Por exemplo, a cruz grega sobre o Vaticano poderia significar paz, já que também é o símbolo da Cruz Vermelha, enquanto que as outras três formações sobre a Inglaterra formavam uma equação definitiva: U = Z, sendo U o elemento químico que representa o urânio e Z a última letra do alfabeto, ligada ao conceito geral de término, fim.

crédito: NATURE
O cientista Stephen Hawking, para quem estamos em enorme situação de risco enviando sinais de rádios a outros sistemas estelares
O cientista Stephen Hawking, para quem estamos em enorme situação de risco enviando sinais de rádios a outros sistemas estelares

Em outras palavras, como entendeu o cônsul, “bombas atômicas podem significar o nosso fim”. Perego não poderia desconfiar que nós descobríssemos em 1996, por meio do surgimento de inesperados documentos históricos, que discos voadores já tinham sido vistos e estudados intensamente pelo regime fascista italiano desde 1933, através do hoje conhecido Gabinete RS33, na época liderado por Guglielmo Marconi — e que esse fosse um dos grandes segredos de Mussolini.


Nos Estados Unidos, em 1958, foi apresentado e aprovado um projeto de lei para a criação de uma agência que controle a aeronáutica e o espaço, o National Aeronautics and Space Act [Lei Nacional de Aeronáutica e Espaço, NACT], que demandou um estudo de longo alcance sobre os benefícios e problemas que podem surgir com as atividades espaciais, que naquela época engatinhavam. Então, um grupo de pesquisadores entrevistou mais de 200 especialistas e elaborou um documento final que foi revisado por Lloyd Berkner, chefe do Comitê de Ciência Espacial dos Estados Unidos, e pela antropóloga Margaret Mead, meses antes de o astrônomo Frank Drake lançar o seu histórico Projeto OZMA, que seria sucedido pelo SETI, o programa de busca por vida extraterrestre inteligente que existe até hoje — o objetivo inicial do OZMA era detectar vida inteligente nas estrelas Tau Ceti e Épsilon Eridani.

Os perigos do contato

O documento levou em consideração a possibilidade de serem encontrados artefatos deixados por astronautas extraterrestres em suas atividades na Lua, Marte ou Vênus. Mas, mesmo que vida inteligente extraterrestre fosse descoberta pela radioastronomia em um local distante, não geraria, necessariamente, efeitos revolucionários. Na verdade, o documento diz que “arquivos antropológicos contêm vários exemplos de sociedades que, possuindo seu lugar no universo, que se desintegraram, tiveram que se associar a sociedades que antes eram desconhecidas, adaptando-se a ideias diferentes, bem como a novos estilos de vida. Outros, que conseguiram sobreviver a tais experiências, pagaram o preço tendo que mudar seus valores, atitudes e comportamentos”.

Há vários exemplos de sociedades que, possuindo seu lugar no universo, que se desintegraram, tiveram que se associar a outras que antes eram desconhecidas, adaptando-se a ideias diferentes, bem como a novos estilos de vida e outros ritmos

Desde a década de 60 os cientistas se expressam sobre a possibilidade dos efeitos negativos para a humanidade advindos de um contato extraterrestre. De acordo com o doutor em astronomia e consultor da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) Zdenek Kopal, “se há vida em outro sistema estelar, seria perigoso para nós chamarmos sua atenção. Uma civilização avançada poderia nos tratar como meras formigas e nos colocar em tubos de ensaio. Basta olhar o que fizemos com civilizações menos avançadas e o que fazemos ainda hoje com os animais”. Já na opinião do doutor Clyde Tombaugh, o descobridor de Plutão e também uma testemunha ocular do Fenômeno UFO, “poderia ser um desastre contatar outra civilização”. Esse também é o posicionamento do doutor Stephen Hawking, como recentemente noticiado com amplitude na mídia.

Grupo de aconselhamento


De qualquer forma, vários aspectos relacionados ao impacto cultural que um contato com extraterrestres pode causar foram discutidos por um grupo governamental de aconselhamento científico sobre UFOs nos Estados Unidos, de 14 a 17 de janeiro de 1953, época em que a Ufologia era incipiente. Os cientistas do grupo estavam de acordo com os especialistas da Agência Central de Inteligência (CIA) no tocante à total inexistência de provas de uma ameaça a nós partindo de outras espécies cósmicas. Entretanto, consideraram que o perigo poderia existir — e este seria o resultado de uma identificação de artefatos inimigos pelos agentes de defesa norte-americanos. O conceito de um programa de educação público quanto à ação extraterrestre, que reuniu esforços de todas as agências de inteligência interessadas, além da CIA, tinha dois grandes objetivos: treinamento de agentes e desinformação da sociedade. O treinamento teria por objetivo reconhecer de forma apropriada o Fenômeno UFO, e a desinformação consistia em apresentá-lo ao público de forma errônea, causando, como resultado, confusão.

Segundo o documento, a desinformação resultaria “na redução do interesse do público sobre os discos voadores, que evocam uma reação psicológica forte. Este processo se daria por meio da grande mídia, como a televisão e também de filmes e artigos populares”. O grupo de 1953 concluiu que continuar a dar ênfase aos relatos desses fenômenos “poderia resultar em ameaça ao bom funcionamento dos órgãos de proteção do corpo político dos Estados Unidos”. A recomendação dos cientistas foi de que as agências de inteligência e segurança desconstruíssem, imediatamente, a imagem importante, mistificada e misteriosa que foi dada ao assunto UFO.

Além disso, o grupo de 1953 reconheceu que grupos de investigações ufológicas privados deveriam ser observados de perto, caso houvesse vários avistamentos simultâneos de UFOs, devido à potencialidade de enorme influência no modo de pensar da massa. “Eles deveriam ter em mente a aparente irresponsabilidade e a possibilidade do uso, por tais grupos, de um propósito subversivo”. E, finalmente, recomendou que continuem os estudos para determinar a natureza e as características da fenomenologia ufológica em geral e a potencial descoberta de vida inteligente extraterrestre em particular, bem como estudos históricos e empíricos sobre o comportamento das pessoas, e de seus líderes, quando confrontados por eventos estranhos e dramáticos, ou por pressões sociais.

Inimigo comum

Temos ainda que nos lembrar do relatório The Report from Iron Mountain on the Possibility and Desire for Peace [Informe de Iron Mountain sobre a Possibilidade e Desejo de Paz], editado por L. C. Lewin, em 1967, que mencionava o interesse do governo dos Estados Unidos em conduzir experimentos voltados a testar a crença geral na possibilidade de uma invasão alienígena — os testes envolveriam UFOs fabricados pelos norte-americanos, com o propósito de analisar a reação da massa à concepção de uma inteligência extraterrestre hostil. Na verdade, esse seria um excelente substituto para as guerras, pois é evidente a possibilidade de união da humanidade contra um suposto inimigo em comum.

Em 1955, o general MacArthur, em visita à Itália, disse ao então prefeito de Nápoles, Achille Lauro, que a humanidade deveria se unir diante da possibilidade de uma invasão futura vinda do espaço. Trinta anos depois, a mesma ideia foi exposta por Ronald Reagan a Mikhail Gorbachev, durante seu encontro na Islândia, e ainda apresentada pelo primeiro numa Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Disse Reagan a todo o planeta, ali representado, em 1980: “Às vezes fico pensando em quão rapidamente nossas diferenças como povos terrenos desmoronariam caso tivéssemos todos que enfrentar uma ameaça alienígena”. Mas o problema é que nós ainda pensamos que a nossa cultura é melhor do que a de qualquer outra possível civilização.

O mundo moderno está orgulhoso de suas conquistas. Apesar do fato de Copernicus ter mostrado que não somos o centro do universo, o homem continua a acreditar que, mesmo não estando geograficamente no centro do cosmos, nós somos, em essência, seu núcleo — este conceito seria aniquilado pela presença de uma inteligência extraterrestre e, mesmo não havendo evidências de que ela seja hostil, a humanidade seria varrida para um estado de medo. Sob o ponto de vista psicológico, como escreveu Carl Gustav Jung em seu livro Um Mito Moderno Sobre Coisas Vistas No Céu [Vozes, 1988], “nossas rédeas seriam arrancadas de nossas mãos e nós nos encontraríamos, como um triste curandeiro me disse uma vez, sem sonhos, isto é, nós descobriríamos que nossas aspirações intelectuais e espirituais estariam tão fora de moda, que nos deixaria completamente paralisados”.

Choque de civilizações

E temos um exemplo histórico para ilustrar o que poderia acontecer, como o contato repentino entre europeus, africanos e civilizações pré-colombianas, como de fato ocorreu e destruiu os povos não europeus. Foi um choque cultural que todos tiveram que enfrentar. Os valores e conhecimentos tecnológicos, científicos, econômicos e religiosos daqueles povos se desintegraram ante a cultura europeia, um verdadeiro “etnocídio”. Certamente, em nossa situação global atual, seria devastador disseminar notícias despreparadas sobre a existência de outras inteligências cósmicas. De fato, neste caótico momento, o que a humanidade necessita é de equilíbrio psicossocial e de regras a serem seguidas. Uma inesperada revelação sobre a presença alienígena causaria o mesmo que normalmente ocorre quando as concepções psicológicas familiares, basilares para o indivíduo viver em sociedade, são afastadas repentinamente e substituídas por novos padrões estranhos e incompreensíveis.

crédito: FOTOS THE WHITE HOUSE
O presidente norte-americano Barack Obama, de quem se espera revelações
O presidente norte-americano Barack Obama, de quem se espera revelações

Essa crise sociológica, em regra, é chamada de anomia, termo usado em sociologia para determinar a falta de objetivos e perda de identidade, provocado pelas intensas transformações ocorridas no mundo social moderno. Pode-se entender como sendo um rompimento brusco com os valores tradicionais, a quebra de paradigmas, mudança brusca no comportamento da sociedade — e a anomia está associada ao colapso da estrutura social. O primeiro efeito da confirmação da presença alienígena na Terra seria uma crise de autoridade em todos os lugares, envolvendo não somente ciência, religião e filosofia, mas também toda a estrutura sociopolítica. A ciência, incrédula, seria criticada e a maioria dos cientistas mais conservadores, ridicularizados. Nasceriam novos cultos e novas escolas filosóficas, junto com debates teológicos traumáticos em todas as igrejas, religiões e seitas. As artes seriam estimuladas, a mídia expressaria para as massas a crise geral de poder, enquanto as estruturas socioeconômicas, políticas e militares, como nós as conhecemos, estariam arruinadas.

Essa nova situação reduziria a nada os papéis do Islamismo e do integralismo judaico-cristão, bem como a liderança e posição de potências imperialistas mundiais, como os Estados Unidos e seu tentáculo econômico representado financeiramente por Wall Street, assim como as oligarquias da Comissão Trilateral e sua já conhecida contrapartida, o Grupo Bilderberg. “Se formos capazes de desenvolver futuramente um contato extraterrestre, esse será o fim do uso da violência como método de progresso”, disse Lenin para Herbert George Wells, quando aquele lhe entrevistava em Moscou, em 1929.

Reações à presença alienígena

No entanto, é da ficção científica que trazemos uma luz à questão. A atitude dos alienígenas parece seguir a primeira diretriz da série Jornada nas Estrelas, a maior e mais importante norma para todas as espécies que comporiam uma suposta Federação dos Planetas, que diz ser proibido interferir em civilizações que ainda não tenham alcançado um determinado patamar tecnológico. Na opinião do doutor John Mack, que foi, em vida, psiquiatra e professor da Universidade Harvard, um dos maiores conhecedores do tema dos sequestros por extraterrestres, até o fenômeno das abduções alienígenas poderia ser interpretado como sendo uma manipulação sistemática do nosso material genético, mas não com a intenção de nos dominar ou controlar, mas de corrigir falhas em nosso DNA.

Podemos também imaginar que os alienígenas recém-chegados possam ser vistos como algo positivo e digno de admiração. Isso resultaria em uma terrível crise de autoridade, simplesmente devastando a supremacia dos Estados Unidos. Por isso os norte-americanos começaram, em 1953, um projeto de produções cinematográficas orientadas com a intenção de disseminar para o público a ideia de que os extraterrestres são monstros hostis e perigosos. E, ainda em 2012, foi criado pelo Pentágono um programa de defesa contra uma invasão alienígena, dirigido pelo professor Paul Springer, com o evidente intuito de posicionar os Estados Unidos como o único país do mundo a ser capaz de nos defender, caso isso ocorra. É claro que a futura supremacia mundial dos norte-americanos depende do sucesso desta ideia...

Por outro lado, uma última pesquisa sobre UFOs realizada pelo canal de TV a cabo National Geographic com pessoas envolvidas no assunto revelou que 79% dos entrevistados acham que os UFOs não só são reais, como também acreditam que o Governo dos Estados Unidos sabe de sua existência e continua a mentir para a população — na Europa e na América do Sul, a maioria dos governantes abriram seus arquivos confidenciais sobre UFOs e até mesmo suas comissões oficiais de pesquisas ufológicas existem. Em Roma, a Igreja Católica continua a expressar um posicionamento aberto em relação ao cenário alienígena desde 1952. Mais recentemente, em 2008, tivemos a histórica entrevista do padre José Gabriel Funes, diretor do Observatório do Vaticano, dada ao jornal L’Osservatore Romano, em que afirmou que de fato existem avançadas civilizações cósmicas. Assim como também causou surpresa o inesperado Congresso Mundial de Astrobiologia, na cidade do Vaticano, mostrando que a Igreja continua aberta ao assunto. E é também incrível que a sigla UFO tenha sido traduzida para o latim, a língua da Santa Sé, como res inexplicatae volantes [Coisas Inexplicáveis que voam]. Mais oficial, impossível.

O papel da Ufologia

O citado pioneiro ufólogo italiano Alberto Perego disse, em 1981, que para obterem resultados satisfatórios em seu trabalho, os ufólogos enfrentariam sérias barreiras políticas. Ele estava certo. É neste sentido que temos a sugestão definitiva. Este autor é bacharel em ciência política e sociologia e, em 1986, enquanto trabalhava para uma firma aeroespacial italiana, teve acesso aos cientistas do SETI, o programa de busca por vida extraterrestre inteligente, em Innsbruck, Áustria, e lhes propôs a apresentação de um estudo sociológico para a próxima edição do Congresso Internacional da Federação Astronáutica, em Brighton, na Inglaterra, que aconteceria em 1987.

O estudo foi apresentado em território inglês naquele ano e, na sequência, em 1988, em Bangalore, na Índia, dando também uma contribuição para o chamado Protocolo de Pós-Detecção de Inteligências Alienígenas do SETI, em 1990. Foi um sucesso. Todos disseram que a sugestão dada aos cientistas do programa, para atuarem como um link necessário entre os alienígenas e o público, era excelente, mas ninguém fez mais nada a respeito depois disso, temendo arriscar seus empregos, cargos ou funções — talvez aquele estudo acadêmico estivesse à frente daquele tempo. O pedido aos cientistas do SETI se deu pelo fato de que, na época, a Comunidade Ufológica Mundial não poderia desenvolver tal tema e obter resultados. Mas, hoje em dia, a situação parece ter mudado. Agora, a abordagem multidisciplinar e séria dos ufólogos pode lhes permitir aceitar esse desafio. Então, alguns de nós deveriam afastar-se um pouco da Ufologia convencional e seus campos de investigação para desenvolverem outra forma de approach ao tema, aprendendo a nos movimentarmos de maneira mais política.

Mas ainda pouca gente na Ufologia moderna parece considerar o fato de que devemos abordar esse assunto de forma adequada e como protagonistas ativistas. Isso é um erro. Os cientistas acadêmicos não são melhores do que os ufólogos de hoje em dia. Então, nós devemos tomar a iniciativa de propor as ideias a serem consideradas pela sociedade quanto à presença alienígena na Terra, sem esperar a chancela da ciência acadêmica, que parece que jamais tomará tal iniciativa. Caso contrário, certamente, a Ufologia será erroneamente abordada por cientistas que se aventurarem a fazê-lo sem o necessário conhecimento da questão. Isso, por exemplo, foi o que ocorreu ao doutor Paul Davies, físico, escritor e líder do SETI, cujas manifestações a respeito dos discos voadores são um desastre. Expressões acadêmicas e interesses políticos, incluindo banqueiros internacionais e oligarquias, bem como todo o complexo industrial-militar, estarão ligados para estabelecer poder como sempre fizeram, para acobertar tudo. Lutar contra isso está na ordem do dia.

Enfim, a Comunidade Ufológica Mundial precisa se estabelecer como um grupo internacional de trabalho para focar no que será necessário para criar um futuro Comitê Internacional de Contato Alienígena, como poderia ser chamado — precisamos de voluntários sérios, com competência e abordagens interdisciplinares. Há várias referências no meio ufológico internacional que poderiam perfeitamente dirigir esta iniciativa, claro, com a ajuda dos maiores expoentes da questão. Aqui, devem ser consideradas duas pautas importantes. A primeira é a de que tal comitê, quando materializado, deve ser estruturado com base em uma entidade jurídica internacional, com estrutura compatível com a de uma organização não governamental, tendo à sua frente executivos competentes alinhados com o pensamento ufológico, mas que, antes de ufólogos, devem ser bons administradores. E, segundo, deve-se constituir um corpo de participantes consultores deste projeto, em escala planetária, com reconhecida competência nas mais diversas áreas do saber, mas que sejam também exímios especialistas na fenomenologia ufológica e em sua investigação.

Este formato para o Comitê Internacional de Contato Alienígena — que, naturalmente, seria mais bem elaborado em uma proposta definitiva — afasta de vez o amadorismo que ainda, e infelizmente, reina no ambiente ufológico. Muitas vezes a Comunidade Ufológica Mundial não é levada a sério, e, pior, seu objeto de estudo, os discos voadores não são, devido à característica pouco ou nada profissional dos que nela atuam, individual ou coletivamente. Esta proposta visa mudar, não gradualmente, mas de maneira brusca, a forma de se tratar a presença alienígena na Terra, com uma estrutura profissional e bem definida, à prova de questionamentos e, mais do que isso, defletora das habituais críticas que a Ufologia recebe.

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Sobre o Autor

Roberto Pinotti

Roberto Pinotti nasceu em Veneza, em 1944. Graduou-se em ciências políticas e sociologia pela Universidade de Firenze e em administração de empresas pelo Instituto Superior de Economia e Gestão Empresarial de Lugano, Suíça. Também é jornalista científico, trabalhou como sociólogo e como técnico na área aeroespacial na Agência Espacial Italiana (ASI) e na Agência Espacial Européia (ESA). Pinotti é reconhecido como o maior pioneiro da Ufologia Italiana, a qual se dedica desde 1975. O autor é presidente do Centro Ufologico Nazionale (CUN) e diretor das revistas UFO Notiziario e Archeomisteri. Teve reconhecida participação nas atividades do SETI, o projeto de busca por inteligências extraterrestres. Pinotti coordena há mais de uma década importantes simpósios científicos na Itália e na República de San Marino, dentre eles a série Congresso Internacional sobre Objetos Voadores Não Identificados, ocorrida anualmente em San Marino, e o I Simpósio Internacional de Exobiologia, Ufologia e Exopolítica, realizado na Universidade da Calábria, em outubro de 2006, contando com a presença de mais de 40 conferencistas de vários países. O autor é um dos mais requisitados conferencistas internacionais na área e já viajou por todo o mundo participando de eventos, estando várias vezes no Brasil. É correspondente internacional e consultor da Revista UFO em seu país e escreveu mais de 20 textos explicativos e enciclopédicos, publicados na Espanha, Romênia, Alemanha e Estados Unidos. Roberto Pinotti escreveu diversos artigos para a UFO abordando temas como religião, casuística e folclore, nos quais fez análise da multiplicidade da manifestação alienígena no planeta desde os tempos bíblicos.

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