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A médica que escapou do chupa-chupa

Por Equipe UFO | Edição 72 | 01 de Junho de 2013

Wellaide esteve frente a frente com uma nave, mas não foi atacada
Créditos: ARQUIVO UFO

A médica que escapou do chupa-chupa

Wellaide Cecim Carvalho, médica sanitarista, psiquiatra, dirigente hospitalar e ex-diretora do Departamento de Programas Espaciais da Secretaria Municipal de Saúde de Belém, foi uma das raras profissionais da área de saúde a ter um contato direto com as vítimas dos temidos raios paralisantes do chupa-chupa ou luz vampira. Wellaide teve uma oportunidade ímpar durante sua permanência na Unidade Sanitária de Colares, quando, recém-formada em Medicina, assumia as responsabilidades de chefe da instalação na ilha. Ela examinou centenas de vítimas da ação dos raios, cuidando de incontáveis pacientes — e acompanhou o óbito de alguns deles, em decorrência dos ataques [Veja entrevista nesta série].

Entre eles estavam, na época, duas testemunhas importantes, a então jovem Claudomira da Paixão e Neuton Cardoso, ambos vítimas do chupa-chupa. Claudomira, apesar de mais nova, já faleceu, e Neuton foi recentemente localizado ainda com saúde em Colares, embora até hoje esteja abatido com os ferimentos sofridos. A moça, residindo em uma casa simples, próxima ao antigo campo de aviação da vila, estava na companhia de seu marido e filha caçula quando passou por uma experiência terrível.

Foco de cor verde-clara

Ela relatou que, na ocasião da onda chupa-chupa, as pessoas não viviam direito e todo mundo tinha medo dos aparelhos. “Por causa disso fomos dormir na casa de minha prima, Maria Isaete de Pantoja, aqui perto. O pessoal já estava descansando e logo tratei de arrumar um lugar para dormir”. Claudomira diz ter colocado sua rede bem próxima à janela, cobrindo-a com um pedaço de plástico, quando o fato se deu. “Vesti o meu camisão estampado e logo me deitei. Lá por volta da meia-noite acordei com um forte clarão, uma espécie de foco de cor verde-clara — aquilo descia bem sobre o meu peito, do lado esquerdo”. Incapaz de recordar a data exata do acidente, ocorrido durante outubro de 1977, a mulher guardava até o fim de seus dias as sequelas de seu contato. “Tentei gritar, mas minha voz não saiu. Senti uma ‘quentura’ e depois aquele foco de luz foi se recolhendo, quando eu vi que estava queimada. Tudo foi muito rápido”, concluiu.

O jornal O Estado do Pará, em edição de 02 de novembro de 1977, noticiou a experiência complementando que Claudomira, com febre alta e sinais no seio e no braço direito, procurou atendimento médico. Ainda segundo a vítima, no momento em que o foco de luz a atingiu, ela teria sentido picadas na pele — como se agulhas dentro do raio estivessem sendo espetadas, descrição dada também por outras testemunhas. Além disso, também sentiu dor de cabeça e uma grande moleza que perdurou por várias semanas. No dia seguinte, dirigiu-se à unidade sanitária, onde foi atendida pela médica Wellaide, sendo posteriormente encaminhada a Belém para exames complementares no Instituto Médico Legal Renato Chaves.

Falta de força

O mal-estar e as constantes dores de cabeça de Claudomira se prolongaram acompanhados de uma indisposição geral e falta de força nos membros. Anos depois, ela ainda sentia sintomas súbitos, principalmente dor de cabeça, idênticos aos de 1977. “Minha saúde parece que não ficou a mesma depois do acidente”, afirma. Seu caso é típico para descrever a ação do chupa-chupa e seus resultados. Quase todas as pessoas dizem ter sido atacadas desta forma, destacando-se a sensação de picadas de agulhas embutidas nos raios de luz — e a maioria das vítimas relatou ter perdido suas energias pelo resto de suas vidas, nunca mais encontrando o vigor físico e mental de antes.

Curiosamente, apesar de estar na ilha justamente no auge da onda do chupa-chupa — e atendendo a dezenas de pacientes diariamente —, a médica Wellaide não sofreu um só ataque, mesmo estando perto das luzes várias vezes. Em entrevista à Revista UFO [Veja matéria nesta série] ela descreveu um episódio em que um aparelho cilíndrico a sobrevoou bem no centro de Colares, quando já voltava do trabalho. Ela estava acompanhada de algumas pessoas, que desmaiaram, mas nada lhe ocorreu e ela pôde ver aquilo bem de perto. “Creio que não fui atacada porque os seres na nave, que via por uma janela grande, tinham os cabelos loiros como os meus. Talvez isso os tenha impedido, porque não vejo outra explicação”, disse.

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