ARTIGO

A história do envolvimento da Marinha Argentina com UFOs

Por Rubén Morales | Edição 241 | 01 de Dezembro de 2016

A Marinha Argentina já investigou e até teve encontros com discos voadores na costa do país
Créditos: ARMADA ARGENTINA

A história do envolvimento da Marinha Argentina com UFOs

A Marinha de Guerra Argentina manifestou um vivo interesse pelos UFOs desde que começaram a se tornar públicos os relatos sobre estes objetos em todo o mundo, fato que pode ser datado de 1947. O interesse era tal que, em 1952, a Marinha instituiu uma comissão de pesquisa para coletar testemunhos sobre o tema, imitando o critério utilizado pelas forças navais dos Estados Unidos na época da Guerra Fria.

A essa iniciativa logo seguiram-se outras com intenção similar e, 10 anos depois, a Marinha instaurou a Comisión Permanente de Estúdios del Fenómeno OVNI (Comissão Permanente de Estudos do Fenômeno UFO, Copefo), integrada pelos capitães de fragata Constantino Núñez e Omar Roque Pagani, e pelos jornalistas Eduardo Azcuy e Guillermo Gainza Paz. A figura mais relevante da equipe era o médico Núñez, chefe do Laboratório de Física da Escola de Mecânica da Marinha, notável especialista em energia nuclear que foi representante argentino ante o Comitê Científico para o Estudo dos Efeitos das Radiações Atômicas das Nações Unidas. A equipe da Copefo teve uma estreia inesperada como protagonista quando ocorreram alguns fatos realmente extraordinários bem à frente da Marinha, na área das bases Comandante Espora e Puerto Belgrano, durante a semana de maio de 1962.

Os casos ufológicos

Em uma época conturbada para a Argentina, e pouco mais de um mês após o golpe militar que depôs o presidente Arturo Frondizi, em março de 1962, houve uma sequência de avistamentos de UFOs em uma das áreas nevrálgicas da Marinha de Guerra. A importante região compreendia a Base Aeronaval Comandante Espora, o Destacamento Naval Puerto Belgrano, a cidade de Bahía Blanca e algumas localidades vizinhas. Nesses locais infestados de marinheiros, navios e aviões de guerra, foi observada uma sucessão de fenômenos aéreos que até hoje permanecem, em sua maioria, inexplicáveis — foram 10 dias seguidos de um formidável “carnaval celeste”, que teve por testemunhas desde os mais altos oficiais da Marinha até o mais humilde dos moradores locais.

Na madrugada de 13 de maio de 1962, dois objetos sobrevoaram Bahía Blanca, Cipolletti e outras localidades. Eram esverdeados e deslocavam-se a grande velocidade, um muito perto do outro. Observações similares ocorreram em La Pampa, Mendoza e outras províncias [Estados]. Foram contabilizados 54 avistamentos — apenas naquele dia — nas regiões centrais do país, mais uma observação no Brasil e outra no Paraguai. O elevado número de casos poderia indicar a passagem de um meteoro à grande altitude, que talvez tivesse se partido em dois por causa da fricção. E essa explicação seria perfeita, não fosse o fato de que, na mesma madrugada e na mesma hora, às 04h30, um grupo de caminhoneiros tivesse vivido uma experiência incrível, com lances cinematográficos.

Um evento espantoso

Tudo começou quando um comboio composto por três caminhões que viajava de Bahía Blanca até Jacinto Aráuz, em La Pampa, pela Estrada Nacional 35, avistou rente ao chão uma luz branca que se acendia e apagava intermitentemente. Os motoristas diminuíram a velocidade e abaixaram os faróis, imaginando que houvesse alguém em apuros. Porém, de repente, viram se acender uma fileira de 20 ou 30 luzes retangulares, como janelinhas de um trem, o que os fez pensar que houvesse dois micro-ônibus parados ali.

Durante as ondas de avistamento dos anos 60, a Marinha Argentina investigou e coletou provas de vários casos ufológicos, muitos deles testemunhados por oficiais e cientistas da própria arma. O que eles descobriram?

Inesperadamente, a fileira de luzes começou a se elevar intensificando seu brilho, e se acenderam dois focos verdes, um em uma das extremidades e outro no meio das luzes. O objeto cruzou a rodovia emitindo um facho de luz oblíquo para baixo. Quando já estava alto no céu, os motoristas o viram se dividir em dois, cada um deles com uma luz verde em sua extremidade. No dia seguinte, o local do pouso foi examinado e foram encontradas marcas e um resíduo esbranquiçado — após as análises feitas pela Marinha, constatou-se que o resíduo continha carbonato de cálcio e de potássio, materiais bem comuns em nosso planeta. Mas os casos não pararam ali.

No dia 18 de maio, o pessoal do Aeroporto de Bahía Blanca informou a respeito de um objeto que voava a grande velocidade para o sul. No domingo seguinte, vários observadores, entre eles os policiais de um destacamento na Estrada Nacional 3, viram um artefato luminoso que girava continuamente enquanto voava, à baixa altura, sobre o campo localizado atrás do aeroporto. As testemunhas acompanharam o avistamento até o final, quando o objeto se elevou em sentido vertical e desapareceu.

Mais ocorrências


Na segunda-feira, 21, foi visto por muitos vizinhos a passagem lenta de um objeto branco do tamanho de duas ou três lâmpadas de mercúrio. Um repórter do jornal La Nueva Província conseguiu com sucesso tirar várias fotografias durante os 20 minutos de observação. Na terça-feira, 22, a partir das 19h10 e durante 35 minutos, os vários aviões navais que voavam em formação próximo à Base Espora viram, em diversas oportunidades, um objeto alaranjado — ou talvez mais de um — com evoluções não convencionais. Às 19h20, o piloto Roberto Wilkinson, voando a 1.200 m, informou que sua cabine foi subitamente iluminada por um objeto situado atrás do avião. O UFO brilhante passou, então, por debaixo de seu aparelho e perdeu-se de vista entre as luzes da cidade. Durante a ocorrência, o rádio deixou de funcionar.

Todos os casos citados aqui foram testemunhados por altas patentes da Marinha e por especialistas de guerra em diversas áreas. A saga de observações é apenas uma amostra dos casos ocorridos, em somente 10 dias e dentro de uma área muito limitada, como é a periferia de Bahía Blanca. E de todos eles, registrados e investigados por homens da Marinha, jamais vieram à luz os relatórios e informes técnicos que devem ter sido feitos.

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Rubén Morales

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