Edição 123
DESTAQUE

A ficção científica volta com força à TV

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01 de Jun de 2006
Arquivo-X, grande campeã entre as séries de ficção científica da TV, sempre mostrando as aventuras de Mulder e Scully
Créditos: the x files

Na segunda metade dos anos 90, a TV brasileira, tanto aberta quanto por assinatura, viu-se tomada por um fenômeno de audiência. Graças a Arquivo-X, que chegou a ser a maior audiência do canal em que foi originalmente exibido, e por vários anos a principal atração do canal por assinatura Fox, foram realizadas diversas outras produções, aproveitando-se da porta aberta por esse clássico da TV. Daquele período, pode-se destacar em primeiro lugar a série derivada de Arquivo-X, Os Pistoleiros Solitários, mostrando as aventuras do trio de nerds Byers, Langly e Frohike, os amigos de Mulder e Scully, que os ajudaram em tantas aventuras. Infelizmente, Os Pistoleiros tiveram apenas 13 episódios produzidos.

Da mesma época, O Visitante narrava a história de um abduzido, um experiente piloto levado por alienígenas nos anos 40, e que retornou com habilidades e uma compreensão que o levaram a percorrer o mundo, buscando pessoas que pudessem auxiliá-lo na evolução da raça humana. Seu entendimento era que essas pessoas poderiam impedir a extinção de nossa civilização. O seriado teve apenas uma temporada. Dark Skies foi uma das séries mais sombrias e cultuadas do período, e infelizmente considerada, erroneamente, por muitos como cópia de Arquivo-X. Mostrava as aventuras de Joe Loengard, um ex-funcionário do Majestic 12, em plenos anos 60, buscando denunciar e deter uma conspiração entranhada no governo norte-americano. Em sua vinheta de abertura, a série dizia que toda a história humana das últimas décadas era uma mentira, perpetrada com o fim de esconder a invasão e a influência de uma malévola raça alienígena.

Personagens famosos da história, como o presidente John Kennedy, o senador Robert Kennedy, Carl Sagan e o na época governador Ronald Reagan foram vividos por atores na série. O episódio final da única temporada mostrava Loengard a bordo de uma nave alienígena conhecendo seu filho, logo após o doutor Sagan, trabalhando pelo Majestic 12, detecta um gigantesco objeto adentrando nosso Sistema Solar, que estaria se aproximando da Terra, por volta do ano 2000. Babylon 5 talvez tenha sido, ao lado de Arquivo-X, a mais bem sucedida. Narrava a saga de uma gigantesca estação espacial, que poderíamos definir como uma “ONU no espaço”, um porto seguro com a qual embaixadores de dúzias de raças alienígenas conviviam para manter a paz em um turbulento universo. Por cinco temporadas, a série fez inúmeros fãs com a detalhada construção de civilizações alienígenas, em seus costumes, lendas e artes, suas intrigas e conspirações, e as mais monumentais e dramáticas batalhas espaciais já vistas na TV.

Produções de altíssimo nível — Com o final dessas séries, e de Arquivo-X depois de nove temporadas, os fãs do gênero ficaram um tanto órfãos, e alguns anos se passaram sem novidades na área. Mas, em 2005, fomos brindados novamente aqui no Brasil com produções de altíssimo nível, em que o contato com o desconhecido, a busca pelos limites e as viagens pelo universo são o mote principal de histórias cada vez mais extraordinárias. Iremos, com este artigo, descrever as mais importantes entre as mesmas.

The 4400 [Veja UFO 105] é uma dessas produções. Lançada primeiramente como minissérie de cinco episódios, e tendo entre seus produtores o famoso Francis Ford Coppola, fez tamanho sucesso que garantiu uma segunda temporada, já exibida no Brasil, e com a terceira em fase de produção. A minissérie original começava de forma estrondosa, com um cometa rumando para um impacto com a Terra. As potências lançam seus mísseis nucleares, sem sucesso, e para a surpresa de todos, o objeto penetra na atmosfera terrestre e desacelera, finalmente pairando na forma de uma esfera de luz, diante das câmeras de TV. Um breve lampejo e a esfera some, revelando 4.400 pessoas – daí o título da produção – desaparecidas de todos os lugares do mundo, nos últimos 60 anos. Logo se descobre que alguns entre os desaparecidos possuem habilidades extraordinárias, além do fato de que nenhum deles envelheceu nem sequer um dia, mesmo tendo sumido por meses, anos ou décadas. Uma nova divisão da segurança norte-americana, o National Threat Assessment Center [Centro Nacional de Avaliação de Ameaças, NTAC], é criada para investigar os abduzidos. Os dois principais agentes do NTAC são Tom Baldwin e Diana Skouris, que possuem ligações com o assunto. Tom é tio de Shawn Ferrell, um dos abduzidos, e tem seu filho Kyle em coma no hospital, desde o dia do desaparecimento do sobrinho. Diana experimenta crescentes laços pessoais com Maia Rutledge, uma menina desaparecida desde 1946, que leva para morar em sua casa.

A primeira temporada de cinco episódios mostrou o envolvimento de Richard Tyler, um piloto norte-americano negro que desapareceu na época da Guerra da Coréia, e de Lily Moore, neta da moça que Richard namorava quando desapareceu. Lily descobre que está grávida, e que o bebê é de Richard, concebido enquanto estiveram desaparecidos. Jordan Collier foi um dos maiores mistérios da primeira temporada, despontando como um carismático líder buscando reunir e proteger os 4.400. E muitos dos abduzidos se deixam levar por suas propostas devido à perseguição que sofrem por parte de setores da sociedade. Países como China e Índia não aceitam seus abduzidos de volta.

Lucro fácil — No surpreendente episódio final da primeira temporada, ficamos sabendo que os 4.400 foram levados por humanos do futuro, que estão enfrentando a decadência, o caos e a provável extinção da raça humana, eventos que começaram a ocorrer em nossa época. Podemos até fazer um parêntese e tentar determinar o que de tão drástico causou esta alarmante cadeia de eventos. Os exemplos são inúmeros: intolerância, fanatismo, louvor ao lucro fácil a qualquer custo, pouco investimento em educação, programação televisiva de péssimo gosto...

A segunda temporada retoma a história um ano depois do final da primeira. Tom, após um período afastado, volta ao NTAC, e finalmente seu filho Kyle, “possuído” por uma entidade ao final da temporada anterior, após ser curado por Shawn, volta para casa. Foi essa entidade que revelou os planos dos humanos do futuro, que lembremos: é uma hipótese recorrente para explicar o Fenômeno UFO. Diana, ao mesmo tempo, pôde criar Maia como sua filha adotiva. Richard, Lily e sua filha Isabelle continuam fugindo, e Collier e Shawn são os líderes do Centro 4400, um lugar de refúgio para os abduzidos, e onde as outras pessoas podem aprender mais sobre eles.

As informações sobre os 4.400 correm o mundo, que se divide entre os que desejam conviver e aprender com eles, e aqueles que os temem. Logo no primeiro episódio dessa segunda temporada, Tom e Diana investigam um estranho dispositivo sendo construído em uma instituição psiquiátrica. Acabam descobrindo que a pessoa que desenhou os esquemas da máquina é uma abduzida, e quando o aparato é ligado, o único efeito é curar um paciente, um antigo pesquisador da mente humana. Marco Pacella, que vem a ser um dos “crânios” da sala de teorias do NTAC – quem sabe, referência aos idolatrados Pistoleiros Solitários –, revê a pesquisa anterior do cientista, e teoriza que ele pode ter sido o pai da tecnologia que criou os 4.400.

A temporada segue. Em um episódio, o governo se aproveita de um dos abduzidos que possui habilidades telepáticas. Noutro, no qual um homem tem o poder de fazer as pessoas emagrecerem, pode ser interpretado como uma crítica à frivolidade de achar que aparência é tudo. O abduzido é interpretado por Robert Picardo, o Doutor de Jornada nas Estrelas Voyager, com participação também em Stargate. O seriado revelou-se ainda mais movimentado e fantástico que o anterior, e um dos momentos cruciais foi o assassinato de Jordan Collier. O “guru” foi um dos personagens mais enigmáticos e fascinantes dessa temporada, e suas motivações permanecem um completo mistério. Sem dúvida, não é simplesmente “o cara mau”, e o desaparecimento de seu corpo comprova que os habitantes do futuro têm outros planos. De fato, no espetacular episódio final, o vemos de volta bem vivo.

Tom andou às voltas com os constantes blecautes de seu filho, e conheceu uma abduzida com poderes mentais, com quem teve uma experiência de anos de convivência em uma realidade paralela, evento que durou poucos instantes no mundo real. Diana descobriu que Maia anotava suas previsões de eventos futuros em um diário, que seus superiores a obrigaram a entregar ao governo. Foi ajudada por Marco, que elaborou um diário falso, e o crânio teve recompensada sua paixão platônica pela agente no episódio final.

Uma assustadora previsão de Maia se torna realidade ao término da temporada, quando se revela que o governo, temendo as habilidades dos 4.400, tem aproveitado os periódicos exames a que estes são obrigados a se submeter para injetar-lhes uma droga. Naturalmente, é mencionado o interesse da segurança nacional, em cujo nome, nos tempos atuais, pode-se fazer de tudo. Até mesmo, no caso da série, deter pessoas que não tenham cometido nenhum crime, apenas porque são 4.400, com o agravante de que são vítimas do mesmo governo que agora os persegue. O resultado é uma terrível doença que ameaça a todos os 4.400, e cuja origem Tom e Diana precisam localizar se desejam salvar seus entes queridos.

The 4400, cuja terceira temporada deve ser exibida na TV por assinatura brasileira, pelo Universal Channel, no segundo semestre, é sucesso absoluto e, como boa ficção científica, explora a fundo aqueles aspectos da sociedade e dos seres humanos que muitos adorariam varrer para debaixo do tapete. Preconceito, racismo, estupidez de líderes nada interessados no bem da sociedade à qual deveriam servir são criticados sem pudores, e enquanto aguardamos os novos episódios, podemos continuar acompanhando pelo Universal Channel uma das séries mais originais e engajadas dos últimos tempos.

Raça de máquinas — Como mostrado em UFO Especial 36, edição Alienígenas na Ficção Científica, Galactica criou uma legião de fãs com sua série original, no final dos anos 70, mostrando os sobreviventes da humanidade viajando em uma imensa frota espacial, comandados pela nave de batalha Galactica. A abertura de cada episódio apresentava esses humanos como nossos remotos antepassados, que deram origem aos maias, toltecas, egípcios e gregos. No artigo, falamos da nova série, com muitas modificações em relação ao original. Agora os grandes inimigos, uma raça de máquinas chamada de cilônios, foram criados pela própria humanidade, e depois de 40 anos sem notícias, reaparecem em um ataque fulminante, dizimando os povos das Doze Colônias, batizadas com nomes que evocam as 12 constelações do zodíaco.

Vale a pena mencionar que cada nave de batalha defendia sua correspondente colônia. São elas: Galactica, Caprica, Bellephon, Scorpia, Argo, Sagitaria, Atlantia, Aries, Columbia, Virgon, Olympia, Taura, Pegasus, Geinon, Poseidon, Aquarius, Prometheus, Libra, Solaria, Leo, Pacifica, Cancer, e Ricon, Pisces. Os humanos não têm alternativas a não ser fugir, tomando a dura decisão de abandonar milhares de semelhantes para trás, pois nem todas as naves tinham propulsores de hiper-salto, necessários para as longas viagens interestelares. Para completar o clima de paranóia, agora os cilônios são biológicos, e iguais a nós! Ainda existem os centuriões, os robôs com o sinistro visor vermelho, mas a linha de frente que se infiltra nas naves humanas é composta por seres iguais a nós. Alguns nem mesmo sabem que são cilônios, o que dá margem a muitas discussões, no enredo dos episódios, sobre a natureza humana. Afinal, o que é vida? E inteligência? E moral? O Deus dos humanos é o mesmo Deus dos cilônios biológicos?

crédito: surveillance team
Jornada nas Estrelas, uma das mais duradouras e bem produzidas do gênero ficção, apresentava décadas atrás noções de equipamentos que hoje temos à nossa disposição, como o telefone celular
Jornada nas Estrelas, uma das mais duradouras e bem produzidas do gênero ficção, apresentava décadas atrás noções de equipamentos que hoje temos à nossa disposição, como o telefone celular

Ainda mais surpreendente, mesmo que seu corpo biológico seja destruído, as consciências desses cilônios são imediatamente “baixadas” para um novo corpo. Vale aqui lembrar que estes últimos podem ser enquadrados na categoria de andróides, seres artificiais, mas de natureza biológica. Os centuriões cilônios, os dróides R2-D2 e C-3PO de Star Wars, Gort de O Dia em que a Terra Parou, que esteve inclusive na capa da citada UFO Especial 36 são robôs, seres artificiais mecânicos. A manipulação dos humanos pelos cilônios chega a tal ponto que a tenente Vagirei, cujo codinome é Boomer, não sabe se é ou não um deles. Durante a fuga de Caprica, uma das 12 colônias, ela e seu co-piloto Helo resgatam alguns sobreviventes, e Helo fica para trás para dar lugar ao famoso cientista Gaius Baltar.

Paranóia —
Entretanto, conforme vamos descobrindo ao longo dos episódios, existem várias cópias de cada cilônio, e outra Boomer encontra Helo em Caprica, e juntos fogem dos centuriões. Ela age de acordo com o plano, traçado juntamente com outros cilônios, e chega mesmo a ficar grávida de Helo! Enquanto isso, a bordo da Galactica, apenas Baltar consegue ver a sedutora e perigosa Number Six, que o manipula. Foi ele o responsável pelos cilônios haverem conseguido furar as defesas e exterminar a humanidade, e agora ela o usa com objetivos ainda não explicados. Tampouco conseguimos saber se Number Six é apenas uma ilusão plantada na mente de Baltar, ou se ele mesmo é um cilônio! Paranóia bem típica dos turbulentos tempos que vivemos atualmente.

A tenente Kara Trace, que usa o nome Starbuck, é abatida em uma missão, e cai em um planeta hostil, de onde finalmente consegue escapar utilizando o caça cilônio ou raider que derrubou. Descobrimos que o interior do raider é uma única massa de sangue, carne e um cérebro biológico, trazendo mais especulações sobre a misteriosa natureza do inimigo. Ao final da temporada, Helo descobre a verdadeira natureza de sua acompanhante, a cópia de Boomer que está a bordo da Galactica comete um atentado contra Adama, o comandante da nave, e os humanos descobrem o planeta Kobol, que as lendas descrevem como o local onde a raça humana se originou. Ruínas de antigas cidades relembram a série original, inspirada pelo famoso livro Eram os Deuses Astronautas, de Erich von Däniken. É interessante lembrar que a frota busca localizar a décima terceira colônia, que teria se encaminhado para um planeta muito distante chamado Terra, mas nem Adama nem a líder civil das colônias, a presidente Roslin, acreditam nisso, considerando-a apenas uma lenda. Bem condizente com a época atual, temos também um líder terrorista, Tom Zarek, que é interpretado por Richard Hatch, o Apollo da série original, e que agora, atuando na cena política, promete muitas dores de cabeça a Adama e Roslin.

Na segunda temporada, eventos extraordinários serão mostrados. Já nos episódios finais da primeira, sabemos que existe uma profecia a respeito do líder que irá guiar seu povo à nova morada da humanidade sem, entretanto, sobreviver para vê-la, e Roslin, que sofre de câncer terminal, parece se encaixar na mesma. Veremos o caos na frota enquanto o coronel Tigh tenta manter a ordem diante das tentativas de salvar Adama, o filho desse, Apollo, que há tempos atua como conselheiro da presidente, continuamente entra em conflito com a cúpula militar, e muitas outras reviravoltas. Uma segunda Nave de Batalha surgirá de forma surpreendente, Starbuck e Helo em Caprica descobrirão sobreviventes do ataque cilônio, e a frota se verá dividida e em alerta com atentados de terroristas que desejam negociações com os cilônios.

Stargate, de todos os universos de ficção científica atualmente no ar, sem dúvida é o mais bem sucedido, e o que melhor faz a ponte entre a arte e a Ufologia. Já detalhamos na citada UFO Especial 36 boa parte desse seriado, e agora acrescentaremos mais informações. Como explicado naquela edição, a série Stargate SG-1 derivou-se do filme Stargate, e as 4 primeiras temporadas foram exibidas no Brasil pelo extinto canal por assinatura MGM. A primeira ainda teve curta carreira na Rede Globo, que inclusive chegou a exibir o piloto da série, com duas horas de duração, na Sessão da Tarde, no final dos anos 90.

Mesmo fazendo grande sucesso, a série sumiu do MGM. Anos se passaram, até que o canal Fox decidiu, em 2005, exibir a série derivada, Stargate Atlantis. O sucesso foi de tal monta que o canal rapidamente passou a exibir a série original, SG-1, diariamente nos finais de tarde. Em tempo recorde, vimos a sexta e a sétima temporadas da série, e em meados do segundo semestre, a oitava foi exibida após o final da primeira temporada de Atlantis. Infelizmente, a quinta temporada de SG-1 permanece uma dívida para com fãs.

Stargate tem ingredientes comuns à Ufologia. Acobertamento, contato com outras raças, descobertas a respeito das origens dos humanos terrestres, a Área 51, e até mesmo um grupo de homens de negócio que sabem a respeito do Programa Stargate, e ambicionam controlá-lo e as tecnologias que ele obtém. Na mitologia do seriado, somos a segunda evolução da forma de vida conhecida como os anciões, que foram os construtores da rede de portais, ligando milhares de mundos numa rede que aparenta ter muitos milhões de anos. Um dos aspectos mais intrigantes é que um Stargate tem nove chevrons, ou coordenadas fixas no aparato, que se travam e acendem quando um símbolo do endereço estelar é conectado. Cada mundo de nossa galáxia, a Via Láctea, é atingido usando-se sete coordenadas, cujos símbolos e seqüência variam.

Contudo, em determinadas ocasiões, endereços de oito símbolos já foram utilizados, como na ocasião em que o coronel Jack O’Neill, líder da equipe SG-1, transportou-se para a galáxia de Othala, lar da raça asgard, os mais poderosos aliados da Terra. E, claro, um endereço de oito símbolos foi utilizado para alcançar a galáxia de Pegasus, onde se localiza a Cidade Perdida dos anciões, mais conhecida como Atlântida. Isso dá apenas uma mostra do imenso potencial oculto nos símbolos do Portal Estelar.

Tecnologia e ciência — Engenharia reversa de tecnologia alienígena é outro assunto conhecido da Ufologia aproveitado pelos produtores. Entre outros dispositivos, a ciência terrestre, graças ao Stargate, conseguiu produzir compactos geradores de energia de grande potência, funcionando a base do material chamado naquadah, a base da tecnologia dos inimigos, os goa’uld, e material de que são feitos os portais. A Força Aérea norte-americana também conseguiu, depois de muito esforço, produzir o caça F-302, capaz de vôo espacial e até mesmo de viagens interestelares. No extraordinário episódio Disclosure, da sexta temporada, quando a existência do Programa Stargate é revelada aos embaixadores das grandes potências, a existência desse caça deixa muito alarmado o representante chinês. Mas o embaixador fica ainda mais inquieto ao saber da existência da nave X-303, batizada como Prometheus. Um cruzador de batalha espacial com aproximadamente 200 m de comprimento é o maior avanço na tecnologia terrestre desde a descoberta do Stargate, e uma arma eficaz contra a sempre presente ameaça goa’uld.

Na segunda temporada de SG-1 foi feito o primeiro contato com a raça asgard, e também descobriu-se que os anciões foram os construtores dos Stargates. As equipes SG também descobriram que eles foram dizimados há milhares ou milhões de anos por uma terrível praga, e boa parte dos anciões descobriu como ascender, passando a existir em um plano mais elevado em forma energética. Ao final da quinta temporada, Daniel Jackson morre após uma arriscada missão, e é chamado para ascender por uma anciã, Oma Desala. Conforme explicamos em UFO Especial 36, ele é temporariamente substituído por Jonas Quinn, durante a sexta temporada.

crédito: show bizz
A ficção científica introduz o ser humano ao seu futuro, mostrando, entre outras realidades atuais, que um dia acabaremos convivendo com robôs e até mesmo andróides
A ficção científica introduz o ser humano ao seu futuro, mostrando, entre outras realidades atuais, que um dia acabaremos convivendo com robôs e até mesmo andróides

Mas Daniel volta a aparecer em alguns episódios, ajudando tanto O’Neill quanto Teal’c, e o mais importante deles foi o último daquela temporada, Full Circle. Em Abydos, o primeiro mundo visitado por meio do Stargate, a equipe SG-1 encontra-se com um Daniel ainda ascendido, que lhes explica que o terrível goa’uld Anubis é um ser parcialmente ascendido, por isso conhece alguns dos segredos dos anciões. O arqueólogo também encontra uma tábua de pedra descrevendo a Cidade Perdida dos Anciões, um depositório de sua avançadíssima tecnologia, que precisa ser encontrado, antes que Anubis o faça.

No começo da sétima temporada, por suas ações para auxiliar os amigos, Daniel é enviado de volta a este plano como punição. Os anciões ascendidos acreditam que não devem interferir com o que ocorre neste plano. O arqueólogo junta-se novamente à equipe SG-1, e boa parte da temporada é dedicada a localizar a Cidade Perdida. Finalmente, no episódio duplo Lost City, que fecha brilhantemente o ano, é localizado um posto avançado dos anciões na Antártida, que possui poderosas armas com que a frota de Anubis, que ameaçava a Terra, é derrotada.

É precisamente do estudo desse posto avançado que se obtém a informação de que a Cidade Perdida, ou Atlântida, pode ser atingida. Assim, um endereço de oito coordenadas é transmitido ao Stargate, e um wormhole [Buraco de minhoca] é aberto até a galáxia de Pegasus, distante cerca de dois milhões de anos-luz daqui. A doutora Elizabeth Weir, que comandou o Programa Stargate por algum tempo, forma uma equipe multinacional para fazer a arriscada viagem, pois não sabem se algum dia poderão voltar para casa. Entre os membros principais da equipe encontram-se o tenente Aidan Ford, o major John Sheppard, um dos poucos que, como O’Neill, possui o gene ancião que faz funcionar sua avançada tecnologia, e o doutor Rodney McKay, um cientista cuja genialidade chega a rivalizar com a da major, agora coronel, Samantha Carter do SG-1. McKay, sempre ranzinza, arrogante e falastrão, mantém um relacionamento um tanto platônico com a militar.

Esses fatos são mostrados em Rising, o episódio duplo que dá início à série derivada, Stargate Atlantis. A numerosa equipe encontra a Cidade Perdida, que os anciões afundaram em um mar alienígena, como última proteção contra o cerco de um grande inimigo. Depressa a equipe se vê em apuros, pois a fabulosa cidade, na verdade uma colossal nave intergaláctica, está quase sem energia, e se não puderem fugir pelo Stargate, a expedição experimentará um final prematuro. Um planeta chamado Athos é visitado, e eles conhecem o povo que ali reside, liderado por uma bela alienígena chamada Teyla Emmagan. Entretanto, o mesmo inimigo que dizimou os anciões em Pegasus volta a aparecer. São os espectros, seres de forma vagamente similar a nossa, que se nutrem da energia vital de humanos. Atlântida acaba emergindo automaticamente das águas, quando sua rede de computadores chega à conclusão de que seu escudo de energia não pode mais suportar a pressão da água do mar. O major Sheppard realiza um ousado resgate de seus amigos aprisionados pelos espectros, infelizmente com baixas, e Teyla acaba se unindo aos terrestres, em uma primeira temporada repleta de ação e descobertas incríveis.

Sucesso absoluto — Os anciões, há 10 mil anos sitiados pelos espectros, fugiram para a Terra, fazendo daí surgir a lenda da cidade afundada nas águas. Ao final da temporada, novamente Atlântida se vê sitiada, com uma armada de naves espectro avançando para tomá-la. Após um suspense de vários meses, finalmente estreou em fevereiro a segunda temporada de Stargate Atlantis, com a chegada do segundo cruzador de batalha da Terra, a nave Daedalus, que veio auxiliar na luta contra os espectros, além de fazer a ponte entre Atlântida e a Terra. Um dos grandes destaques dessa segunda temporada é a presença, no papel do coronel Steven Caldwell, comandante da Daedalus, de Mitch Pileggi, que foi o diretor-assistente Walter Skinner em Arquivo-X. Atlantis promete ação, drama, muita aventura e incríveis descobertas nos novos episódios.

Quanto à série-mãe, Stargate SG-1, teve sua oitava temporada, precisamente a que faz a ponte com Atlantis, exibida pela Fox no segundo semestre de 2005. Vimos Jack O´Neill ser promovido a general, passando a assumir o Comando Stargate, unindo-se nas missões extramundo ao restante do SG-1 em menos episódios nessa temporada. A nona temporada é aguardada para o segundo semestre, possivelmente em meados de julho, quando se encerrar a segunda de Atlantis. Devemos destacar que, como já se tornou tradição na ficção científica, o universo de Stargate mergulha fundo no lado psicológico de seus personagens, comprovando que, mesmo que pratiquem os atos mais destemidos e por vezes temerários para salvar a Terra, são tão humanos como qualquer um de nós. Vale comentar dois capítulos específicos.

crédito: astrocast
Cena de abdução de The 4400, mostrando grande similaridade com a realidade do Fenômeno UFO
Cena de abdução de The 4400, mostrando grande similaridade com a realidade do Fenômeno UFO

Em Heroes, episódio duplo da sétima temporada, uma equipe de cinegrafistas visita o Comando Stargate com o fim de produzir um documentário. O mesmo será exibido futuramente, se for decidido pelo governo revelar a existência do programa para a humanidade. Os membros do programa são entrevistados, e quando o produtor conversa com Samantha Carter, pergunta a ela como é manter o segredo. Sam responde que é a parte mais difícil, especialmente quando observa o estado de coisas na Terra. A militar confessa que às vezes sente vontade de gritar para as pessoas, dizendo que há coisas extraordinárias ocorrendo lá fora. Ainda mais incisivo nesse sentido é o episódio Covenant, da oitava temporada. Um industrial, Alec Colson, convoca uma entrevista coletiva e afirma dispor de provas de que o governo sabe a respeito de vida extraterrestre. Samantha Carter, que o conhece, e Daniel Jackson se apressam em visitá-lo, tentando demover Colson de suas intenções. Suas companhias, entre outros programas secretos, participam de esforços de engenharia genética e constroem os motores atmosféricos dos caças F-302. Colson apresenta na TV o clone de um asgard, além de possuir evidências fotográficas da batalha com a frota de Anubis, mostrada em Lost City. Finalmente, ele é convidado a conhecer o Comando Stargate, e na companhia de Sam vai ao Alfa Site, um planeta onde os terrestres possuem uma base secreta. Samantha argumenta que o próprio SG-1 chegou a testemunhar devastadoras guerras mundiais ocorridas em mundos alienígenas quando da revelação da existência do Stargate. Comenta que não têm como saber se o mesmo não poderia acontecer na Terra.

Informações sobre UFOs — Colson a princípio concorda, especialmente quando Samantha lembra que a Terra, até então, deu muita sorte, não tendo sido invadida e escravizada pelos goa´uld por um triz, com as ousadas ações do Comando Stargate sempre salvando nosso mundo no último momento. Colson afirma que entende os motivos de Sam, quando esta afirma que a revelação do Stargate poderia desunir ainda mais a raça humana terrestre, mas afirma que ainda acredita no direito da população à verdade, e se mesmo assim isso resultasse em desastre, então não seríamos, afinal, dignos de tal conhecimento. O mesmo poderia acontecer aqui, se a população do planeta tivesse acesso às informações sobre o Fenômeno UFO?

Infelizmente, veremos Richard Dean Anderson, que brilhantemente interpreta O´Neill, em bem menos episódios na nona temporada. Logo no começo da mesma, ele indica um colega, o general Hank Landry, para assumir o Comando Stargate. E este, por sua vez, ordena que o coronel Cameron Mitchell passe a liderar o SG-1, unindo-se à coronel Samantha Carter, ao jaffa Teal´c e ao arqueólogo doutor Daniel Jackson. Stargate, que sempre explorou inúmeras mitologias de nosso mundo, agora se volta para as lendas britânicas, tendo o episódio inicial o título de Avalon. Na oitava temporada, finalmente o poder dos Senhores do Sistema, os goa´uld, é quebrado, estabelecendo-se uma confederação dos jaffa livres. Entretanto, na nona temporada novos e terríveis inimigos surgem, os Ori, uma raça de seres ascendidos como os anciões, mas que acreditam que devem influenciar os povos deste plano, obrigados a adorá-los como entidades superiores.

Em meados do segundo semestre de 2005, chegou a excelente notícia de que, além do terceiro ano de Stargate Atlantis, foi aprovada a produção da décima temporada de Stargate SG-1. Com isso, se torna o seriado de ficção científica de mais longa duração de todos os tempos, superando o recorde de nove temporadas do clássico Arquivo-X. A excelente primeira temporada de SG-1 já está disponível em DVD no Brasil, e as demais são aguardadas ainda para este ano, talvez também com o primeiro ano de Atlantis.

Universo recordista em duração, com uma riquíssima e complexa mitologia, e roteiros sempre inovadores sem dar o menor sinal de cansaço, Stargate SG-1 e Stargate Atlantis são, ao lado das séries já comentadas neste texto, garantia de excelentes histórias, e muito debate sobre vida extraterrestre, a origem da humanidade, e assuntos bem mais próximos da vida cotidiana, como ganância, mentira, e, claro, na melhor tradição do gênero, a amizade, o respeito, a lealdade e o companheirismo. Stargate é ainda destaque pelo fato de tais extraordinárias viagens e batalhas interestelares estarem sendo mostradas como se estivessem ocorrendo agora mesmo, e não em um remoto século 23! Sem dúvida, algo que contribui para o realismo é a identificação com os personagens. E vale prestar atenção, pois freqüentemente os protagonistas fazem piadas e comentários a respeito de outros filmes e séries, especialmente Jornada nas Estrelas.

Série clássica — Para finalizar, uma nota de tristeza, pelo incomparável universo de Jornada nas Estrelas não estar participando desta retomada da ficção científica aos seus tempos mais gloriosos e inovadores na televisão. A quarta temporada de Enterprise já se tornou líder de vendas em DVD, seguindo o sucesso total da Série Clássica, e sua exibição na TV por assinatura comprova que o seriado superou as dificuldades de uma terceira temporada plena de roteiros equivocados. Infelizmente, não foi o bastante, e o quarto ano se tornou também o último dessa série de grande potencial.

Existem rumores e informações esparsas de que George Lucas, o mago por trás da maior saga do cinema, Star Wars, está planejando uma série de TV ambientada no lapso de tempo de duas décadas entre os eventos mostrados nos filmes III, A Vingança dos Sith, e IV, Uma Nova Esperança. Com seu universo inigualável e extremamente rico e complexo, repleto de citações de culturas da Terra, mas completamente a parte da mesma, Star Wars não possui muitas ligações com a Ufologia, mas é uma obra de ficção científica que irá entusiasmar os adeptos do gênero quando a série estrear, em alguns anos. Assim, até o momento, essas são as principais produções que os fãs podem acompanhar, semana após semana, na telinha. Sempre contestadora, nunca se rendendo às respostas fáceis e aos clichês dispensáveis de outros gêneros, a ficção científica ressurge em The 4400, Galactica e Stargate, sempre reinventando e retornando com vigor renovado a cada temporada desses seriados de sucesso. E discutindo sempre temas de fundamental importância também para a Ufologia. Os bons tempos voltaram!

Os ufólogos brasileiros continuam a campanha

Já está no ar a Edição 123 da Revista UFO. Aproveite!

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