ARTIGO

A conexão entre manifestações religiosas e a ação extraterrestre

Por Paulo R. Poian | Edição 190 | 01 de Julho de 2012

Vitral exposto no Santuário de Fátima, em Portugal, que mostra a cena em que os meninos assistiram à ?dança do Sol?
Créditos: Graça Vargas

A conexão entre manifestações religiosas e a ação extraterrestre

Em 13 de outubro de 1917, no vilarejo de Fátima, Portugal, aproximadamente 70 mil pessoas assistiram a um fenômeno que é considerado pelos católicos, até os dias atuais, como uma clara confirmação do poder de Deus. Naquele dia chuvoso, um disco achatado, com contorno definido e muito brilhante surgiu entre as nuvens e realizou manobras em alta velocidade sobre os espectadores. O caso tivera uma espécie de preparação nos anos anteriores por meio de sinais avistados sobre uma árvore por três crianças da família Jesus Marto, os primos Jacinta, Francisco e Lúcia, respectivamente com 7, 9 e 10 anos na época. Os jovens tiveram contato direto com uma entidade cósmica aclamada de imediato como a Virgem Maria — e ela teria feito revelações sobre o futuro da humanidade durante seis encontros, sempre no mesmo local.

Sem condições de conter a popularização do episódio, a Igreja Católica se apoderou dos fatos e limitou sua divulgação, julgando o que deveria ou não ser repassado adiante, de modo a santificar o evento conforme sua doutrina. Historiadores de todo mundo alegam que o Vaticano não tem o direito de reter as verdadeiras informações sobre o chamado Milagre de Fátima. Enquanto isso, especialistas em Ufologia afirmam que a aparição atribuída à mãe de Jesus foi, na realidade, a manifestação de uma entidade extraterrestre — um episódio que envolveu questões paranormais, psíquicas e de outros efeitos físicos típicos de ocorrências do Fenômeno UFO [Veja edições UFO 092, 106, 157 e 166, agora disponíveis na íntegra em ufo.com.br].

Ainda em 1915, no início dos acontecimentos, os primos viram uma figura branca sobre um arvoredo. Em 1916, uma entidade de extraordinária beleza e aparência humana se movia em direção a eles dizendo ser um “anjo da paz”, descrição típica da casuística de graus elevados, em que surgem seres que se apresentam como pacíficos. Foi em 1917 que os contatos principais começaram na localidade de Cova de Iria, a três quilômetros da cidade de Fátima. Em 13 de maio, os garotos pastoreavam um rebanho quando um relâmpago cortou o horizonte e sobre uma azinheira [Árvore comum em Portugal cuja madeira é utilizada na construção de vigas, ferramentas, embarcações e barris de vinho] apareceu uma jovem e bela senhora, mais resplandecente que o Sol e dizendo ser vinda do céu.

Telepatia e efeitos físicos


A história é bem conhecida, mas sua associação com a Ufologia, nem tanto. O fato é que os relatos de avistamentos ufológicos investigados por estudiosos estão repletos de seres descritos como celestes, e alguns deles, supostamente, também transmitem mensagens aos homens. Na ocasião da manifestação da estranha figura aos meninos, ela baseou seu discurso profético em torno dos erros da humanidade e marcou novas aparições para os próximos meses. Segundo relato dos garotos — especialmente de Lúcia, que veio a se tornar uma importante figura da Igreja Católica, chegando a ser beatificada após sua morte —, o “anjo da paz” irradiou luzes pelas mãos ao partir. Esse fato foi logo interpretado como uma forma de representação do Sagrado Coração de Maria. Mas seria mesmo?

O que se observa com frequência em investigações ufológicas é o avistamento de tripulantes de UFOs que seguram uma espécie de globo luminoso, que aparenta ter alguma relação com o transporte ou a locomoção dessas criaturas quando estão em nosso ambiente, fora de suas naves. Continuando, após a ocorrência Lúcia passou a sofrer pressões da família e do clero local, que duvidavam de seus relatos. Chateada com as reprovações, a menina resolveu não mais participar dos encontros agendados. Porém, um dia se sentiu impelida por uma força irresistível e se pôs a caminhar em direção ao local estabelecido. Também aqui se afigura uma espécie de telepatia entre os seres humanos e visitantes extraterrestres, comuns em contatos de graus elevados — nessas situações, as pessoas costumam receber uma espécie de “ordem mental”, que indica inclusive o caminho a seguir para alcançar seus abdutores.

Ainda em 1917, como o caso começava a ganhar visibilidade, Jacinta, Francisco e Lúcia passaram a sofrer perseguições de autoridades religiosas e foram forçadas a desmenti-lo. Chegaram a ser presos em uma das datas estabelecidas para um novo contato — no dia em que se ouviu o estrondo de um trovão e sobre a azinheira surgiu uma nuvem luminosa, que desapareceu instantes depois. Testemunhas contaram que um artefato estranho se aproximou vindo de longe, pousou e aguardou ali por algum tempo. Com a ausência dos primos, o objeto voador voltou pelo mesmo trajeto, sem que houvesse alguma súbita aparição ou desaparição.

O Milagre do Sol

Outra narrativa da época indica que o Sol começou a escurecer e um globo com forte luz surgiu movendo-se do oriente para o ocidente, prosseguindo com majestosa lentidão através do espaço, em um céu límpido e sem nuvens que foi tingindo por um tom amarelado. Essa espécie de névoa também é corriqueira quando ocorrem manifestações ufológicas, como já foi documentado em todo o mundo — por alguns ufólogos é considerada uma espécie de camuflagem proposital, ou ainda uma reação à interação de seus aparelhos voadores com a atmosfera terrestre.

Em 13 de outubro daquele ano ocorreu o mais significativo de todos os estranhos fenômenos que se repetiam naquela Portugal do século passado, aquele que ficou conhecido como o Milagre do Sol. Como até então o episódio contava com o testemunho de poucas pessoas, ficava aparente a necessidade, por parte das inteligências responsáveis pelas manifestações, de uma demonstração mais clara e veemente da veracidade daquelas ações e das supostas advertências que estavam sendo passadas à humanidade — por isso, o novo encontro levou cerca de 70 mil pessoas até o local.

Chovia muito nos campos da Cova de Iria, mas, como das outras vezes, a jovem senhora apareceu às crianças e continuou suas revelações, finalizando um ciclo de mensagens. A menina Lúcia pediu para que todos olhassem para o céu, quando viram a chuva cessar de repente. As nuvens se abriram e um disco apareceu girando sobre si mesmo, de modo a projetar em todas as direções feixes de luzes amarelas, verdes, vermelhas, azuis e roxas, que pintaram as nuvens, as árvores e a multidão — em determinado momento, todos tiveram a impressão de que o Sol se desprendia do firmamento e caía sobre os presentes. Quando a multidão se deu conta de que também suas roupas molhadas pela chuva já estavam completamente secas, reconheceu aquela manifestação como genuinamente divina.

Descarga de radiação térmica

Para a ciência, é evidente que o Sol verdadeiro não se moveu. Caso assim fosse, o planeta Terra teria sido arrancado de sua órbita ou, no mínimo, seria completamente torrado pela brusca aproximação. Igualmente, qualquer anomalia solar teria sido detectada pelos observatórios astronômicos, mesmo naquela época. A súbita secagem das roupas indica, portanto, a descarga controlada de uma radiação térmica ou de micro-ondas ao redor do ambiente. Assim, o “milagre” foi um evento restrito àquele local.

crédito: Arquivo UFO
O ufólogo português Paulo Cosmelli é um dos que defende a origem extraterrestre dos fenômenos de Fátima
O ufólogo português Paulo Cosmelli é um dos que defende a origem extraterrestre dos fenômenos de Fátima

Na ótica de diversos pesquisadores, os acontecimentos do início do século XX em Portugal formam um belo episódio ufológico, que apresenta um chamado aos ensinamentos que têm sido oferecidos por seres que sempre passaram pelo planeta Terra, observando nossa civilização e interagindo regularmente em nossos atos. Mas frise-se que eles nunca solicitaram a elaboração de rituais, santificação ou dogmas, apenas ensinaram a simplicidade e pediram discernimento em nossos atos. No Caso de Fátima há uma ligação inequívoca entre supostas divindades e simples mortais, comuns na história da Ufologia. Devido à forte pressão populacional, a Igreja não teria conseguido desmentir os fatos e então os adaptou aos seus moldes, como em outras incontáveis situações.

Mas não foi apenas em Portugal que tivemos uma aparição mariana — como são conhecidos esses casos — originada de uma manifestação ufológica. A região de Medjugorje, na antiga Iugoslávia [Hoje Bósnia e Herzegovina], também passou a ser associada como um local milagroso a partir de 1981, quando a Virgem Maria supostamente se fez presente para seis jovens trabalhadores. Desde então, o vilarejo pobre e desconhecido, que sequer era considerado nos mapas, se tornou um grande centro de peregrinação para católicos do mundo inteiro.

A Igreja não se manifestou sobre as aparições, nas quais aconteceu a escolha dos videntes ou contatados, a preparação do local onde ocorreriam as comunicações e até mesmo a modificação do ambiente para que os encontros pudessem se dar

A primeira manifestação aconteceu em 24 de junho, quando Iakov, Ivanka, Ivan, Marija, Mirjana e Vicka observaram uma figura feminina envolta por uma luz resplandecente sobre a montanha de nome Podbro. A mulher se apresentou como sendo a Rainha da Paz e oriunda dos céus, cuja missão era ajudar os homens a alcançar uma vida pacífica. Em entrevista concedida à reportagem do jornal O Globo, da Rede Globo, a camponesa Vicka Ivankovic, então com 17 anos, relatou os fatos: “Primeiro apareceu uma luz clara como o Sol. Então a claridade se aproximou e, em um instante, Nossa Senhora estava diante de nós. Quando ela chegou, não vi mais nada ao meu redor. Ela olhou e respondeu a cada um de nós ao mesmo tempo”. Pode-se notar também nesse relato algo muito comum nos casos ufológicos, como veremos.

O misterioso giro do Sol

Ao longo de suas aparições, a entidade confiou a três dos jovens 10 fatos que acontecerão à humanidade — mas com a ordem de mantê-los em segredo e só revelá-los três dias antes da data marcada para os eventos acontecerem [Veja edição UFO 132, agora disponível na íntegra em ufo.com.br]. Em um episódio particular atribuído à Santa de Medjugorje, como passou a ser chamada a entidade, ao entardecer de 02 de agosto de 1981, o Sol começou a girar misteriosamente em torno de seu eixo, ora avançando na direção das pessoas, ora se afastando. Alguns narram ter visto um anel luminoso se destacar e descer ao chão — um espetáculo maravilhoso e aterrador. Uma espécie de balão saiu daquilo e se dirigiu a Medjugorje, o que fez algumas testemunhas afirmar terem visto globos de luz girando em torno do Sol e Nossa Senhora, o Sagrado Coração e muitos anjos com trombetas saírem do astro.

Contatos preparados

No final, uma nuvem branca desceu sobre a colina, se aproximando e se afastando. O evento durou cerca de 15 minutos e foi observado por umas 150 pessoas. E até hoje, mais de três décadas depois do primeiro contato, os seis videntes são capazes de conversar e manter contato com a estranha mulher, nesse que tem sido um dos fenômenos supostamente divinos mais longos de que se tem registro. “Quando queremos ter um diálogo particular, só ela ouve a pergunta e só um de nós ouve a resposta”, relatou a camponesa escolhida.

crédito: Anita Pehar
Multidões de fiéis frequentam o morro onde se acredita ter surgido a Virgem Maria na pequena vila de Medjugorje
Multidões de fiéis frequentam o morro onde se acredita ter surgido a Virgem Maria na pequena vila de Medjugorje

A Igreja Católica não se manifestou oficialmente a respeito das aparições em Medjugorje, ao contrário do que aconteceu com os casos de Fátima e Baturité [Veja matéria nesta edição]. Porém, é absolutamente notório que nas manifestações observadas na pequena vila do Leste Europeu aconteceu a escolha dos videntes ou contatados, a preparação do local onde ocorreriam as comunicações diárias e até mesmo a modificação do ambiente para que os encontros pudessem ocorrer. Por isso, a pergunta que fica no ar é: até quando evidências marcantes de atividade ufológica em aparições religiosas — como nesse caso e em Fátima — serão negadas, omitidas e satirizadas pelas autoridades religiosas, que continuam a impor ao público uma visão parcial dos fatos?

O caso de Medjugorje chama mais ainda a atenção pela sua reincidência, a quantidade de manifestações e pelos efeitos físicos registrados, que não apenas médicos e psicólogos estudaram, mas também cientistas e até físicos nucleares. O primeiro deles foi o doutor Boguslaw Lipinsky, especialista em fenômenos bioelétricos de Boston que se dedica ao estudo das radiações de acordo com o princípio de Einstein sobre a unidade das energias eletromagnética, nuclear e gravitacional.

Ao longo de suas pesquisas, Lipinsky constatou que o mesmo aparelho que registrava energias físicas também reagia a fenômenos ditos espirituais ligados a determinados lugares em Medjugorje. Intrigado com a afirmação do grande número de pessoas que voltavam do lugar dizendo terem sentido um bem-estar físico inexplicável lá, o cientista se dirigiu ao local levando consigo alguns aparelhos de medições, obtendo resultados impressionantes. Vários estudos médicos sobre o estado de êxtase dos videntes também foram feitos e publicados, e sua semelhança com casos de contatos ufológicos fica patente quando se comparam suas características. A conclusão óbvia dessa análise é de que a Ufologia precisa penetrar no campo do sagrado e místico para apurar fatos físicos relativos ao avistamento de discos voadores.

Para continuar lendo este artigo, você deve se cadastrar no Portal UFO. O cadastramento é gratuito e dá acesso a todo o conteúdo do site.

Login

Compartilhe esse artigo:

Sobre o Autor

Paulo R. Poian

Acadêmico de ciências biológicas, pesquisador de exobiologia, panspermia e divulgador científico. É consultor da UFO, com alguns artigos publicados em suas edições e diversos sites nacionais e internacionais. No Portal da Ufologia Brasileira, um dos maiores colaboradores, inserindo notícias ufológicas oriundas de todo o mundo.

Comentários

UPDATED CACHE