ARTIGO

A casuística ufológica da Ilha do Marajó

Por Paulo Aníbal G. Mesquita | Edição 121 | 01 de Abril de 2006

Cenários que mostram a exuberância da Ilha do Marajó: uma praia fluvial de águas claras, como tantas do local [Direita], e uma área de mangue característica da região, banhada pelo Rio Amazonas. No detalhe, um UFO registrado na ilha em meados de 2002
Créditos: Governo do Pará

A casuística ufológica da Ilha do Marajó

A Ilha do Marajó, um dos últimos redutos ecológicos do planeta Terra, foi recentemente palco de investigações ufológicas. Uma das mais exuberantes regiões da Amazônia, é na realidade um arquipélago, com um número de ilhas que ninguém conseguiu ainda precisar. As quatro maiores são Marajó, que lhe dá o nome, Caviana, Mexiana e Ilha Grande de Gurupá. Segundo estudos já desenvolvidos na área, são pelo menos 2 mil ilhas ocupando uma área de aproximadamente 50 mil km2, maior que a Suíça, onde vive a mais numerosa manada de búfalos do país, com mais de 500 mil cabeças. Quase metade de Marajó, no lado oeste, é formada por densas florestas, e a outra parte é uma planície coberta por vegetação aberta, semelhante aos campos de cerrado e às savanas. Na maioria do ano os campos parecem imensas áreas alagadas, formando uma paisagem de beleza espetacular e única. A natureza, aliada à criação de búfalos e produção de subprodutos da carne e couro desses animais, é o principal cartão postal do local.

Diz a lenda que os búfalos chegaram à região na década de 20, quando um barco transportando uma manada, vindo da Índia e a caminho da Guiana Francesa, naufragou nas proximidades do arquipélago. Os bichos teriam nadado até alcançar a praia de Marajó. Com tanto búfalo na ilha, é comum esbarrar com eles até nos quintais das casas. São um eficiente meio de transporte, inclusive para cargas, utilizado nas poucas cidades da ilha – entre elas Soure, Salvaterra, Breves, Muaná e Curralinho. Há ainda um verdadeiro tesouro biológico na região, com grande diversidade de espécies vegetais e animais, algumas das quais são utilizadas por seus moradores para descrever os relatos ufológicos da região. É comum, por exemplo, encontrarmos testemunhos de observação de UFOs em que as naves apresentam formato de arraia [Potamotrygon laticeps, um peixe cartilaginoso muito comum em rios].

Um dia antes de nossa viagem à ilha, a TV Liberal, afiliada à Rede Globo em Belém (PA), produziu um documentário sobre as pesquisas do Grupo EXO-X na região, em que foram abordados os atuais relatos de aparições de UFOs. Realizamos duas expedições a Marajó, sendo a última em janeiro deste ano, concentrando as investigações de campo em sua região oriental. Chega-se ao local de barco, que sai do porto fluvial das Docas, na margem do Rio Guamá, em Belém. A viajem até Marajó, pelo canal do Rio Pará, dura três horas e meia. No caminho há inúmeras pequenas ilhas, algumas das quais com habitantes que relatam observações de UFOs. Entre os casos, fatos marcantes foram descritos no famoso relatório da Operação Prato, uma ação militar realizada no segundo semestre de 1977 para investigar o fenômeno chupa-chupa em áreas da faixa litorânea a partir da região leste da Ilha do Marajó, passando pela Ilha de Colares [Veja UFO 114 a 117].

Iniciando as pesquisas — A Operação, que teve esse nome dado pelo então coronel da Aeronáutica Uyrangê Bolívar Soares Nogueira de Hollanda Lima, devido ao formato dos objetos avistados pelos militares, resultou em um volumoso compêndio de documentos com centenas de fotografias e inúmeras filmagens dos estranhos objetos voadores. O coronel concedeu uma histórica entrevista ao editor da Revista UFO, A. J. Gevaerd, e ao co-editor da publicação, Marco Antonio Petit, em 1997, em que narrou detalhes da missão militar [Veja UFO Documento 002, UFO 55, 101 e 111]. Ele repassou aos ufólogos uma série de documentos e croquis, material de grande importância para deflagrar a campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, reivindicando a abertura dos arquivos secretos do governo brasileiro.

Desembarcamos no vilarejo de Câmara, às margens do rio de mesmo nome, em Marajó, onde Maria José e uma amiga nos relataram uma observação de UFOs em pleno dia, em meados do ano passado. Segundo elas, as naves estavam sobrevoando o rio a algumas dezenas de metros de altura. Os objetos, que pareciam “cigarros metálicos” e não emitiam nenhum barulho, desapareceram instantes depois. Pegamos um ônibus velho como condução e seguimos por mais de duas horas até o município de Salvaterra, onde tivemos a oportunidade de registrar quatro relatos de avistamentos de bolas luminosas durante algumas noites. As aparições aconteceram por volta das 22h00 até o primeiro semestre de 2005. Uma das testemunhas dos inúmeros fenômenos, Maria de Fátima, disse que os objetos eram chamados pelos moradores de “bolas de fogo”, pois possuíam cores que variavam do amarelo ao vermelho, e de “chupa mato”, porque sobrevoavam as matas, rios e o solo emitindo som semelhante ao zumbido de abelhas.

Desde Salvaterra observa-se Soure na outra margem do rio. Chegamos nesta num pequeno barco. Soure é a maior cidade da ilha, também repleta de relatos de observações de discos voadores. O piloto Ubiratan Pinon Frias, que participou da equipe da Operação Prato, nos revelou em entrevista que já avistou UFOs nos céus durante vôos entre Soure e o continente. Em um deles, há quase cinco anos, Frias viu um imenso objeto luminoso sobrevoando a pista do aeroporto local. Eram cerca de 21h00 e o artefato chegou a perseguir sua aeronave. Alguns colegas do piloto, que estavam em solo, chegaram a dizer: “Lá vai o ‘treco’ atrás do ‘seu’ Pinon”. Já em 2004, segundo nos contou, viu um estranho objeto com formato de chapéu voando a caminho da ilha. Em Soure, também coletamos a história do senhor Raimundo Silva que, em meados de 2005, junto ao seu filho, observou um grande objeto semelhante a uma arraia sobrevoar a Praia do Pesqueiro. “Já tinha anoitecido quando apareceu ‘uma coisa’ em cima do rio. Era um ‘troço’ gigante igual a uma arraia. Era comprido, largo e com um rabo”, descreveu.

De acordo com a testemunha, o objeto era muito brilhante, com uma intensa luz esbranquiçada, e possuía pequenas luzes esféricas amarelas na parte inferior. Questionado sobre o tamanho da “arraia voadora”, ele informou que seria “bem maior do que um campo de futebol, com mais de 100 m de comprimento”. Ele relatou também que o objeto voava lentamente, sem emitir qualquer ruído. A “arraia de fogo”, como também é conhecida pelos moradores da região, por possuir um ferrão venenoso, é um peixe alongado, achatado e com uma cauda, que parece voar dentro da água.

UFOs em forma de arraia — Estivemos também na belíssima Praia do Pesqueiro, uma área bastante extensa e isolada, com imensa faixa de areia e muito plana, onde na maré baixa formam-se inúmeras piscinas naturais. No local coletamos referências a relatos de observação de UFOs compridos, com as extremidades arredondadas, que adentram no rio como submarinos. Os artefatos, classificados como objetos submarinos não identificados (OSNIs), praticamente não produzem som ao entrar na água.

Em outras regiões do país também há referências a aparições de UFOs com formato semelhante ao de uma arraia. No mês de dezembro de 2005, por exemplo, durante a última pesquisa de campo realizada por alguns membros do EXO-X na região de Peruíbe (SP), coletamos um importante e inusitado relato. Oswaldo Capi, 44 anos, e seus vizinhos estavam assistindo televisão, no dia 25 de novembro de 2005, por volta das 23h30, quando a energia começou a oscilar. Instantes depois, as luzes se apagaram e o aparelho desligou. Capi foi para a varanda, de onde viu um objeto com a forma de uma arraia sobrevoando o Morro de Peruíbe. Segundo o relato, o artefato era acinzentado, apresentava uma luminosidade branco-amarelada e se deslocava lentamente a baixa altitude. Para Capi, o objeto tinha cerca de 70 m. Após vários minutos, o artefato se deslocou em direção à serra e desapareceu no céu. Em seguida a energia elétrica foi restabelecida.

crédito: arquivos do autor
A Praia da Barra Velha, com árvores de raízes aéreas [Esquerda]. A Praia do Pesqueiro, local de grande incidência ufológica. E a Fazenda Ararauanã, com grande número de registros de UFOs [Direita]
A Praia da Barra Velha, com árvores de raízes aéreas [Esquerda]. A Praia do Pesqueiro, local de grande incidência ufológica. E a Fazenda Ararauanã, com grande número de registros de UFOs [Direita]

Dois meses antes, em outubro de 2005, um casal relatou ter avistado um grande UFO também em formato de arraia na região de São Tomé das Letras (MG). Era por volta de 16h00 e o objeto, prateado, refletia a luz solar. Será que o formato de arraia é um novo modelo dos UFOs que vemos no espaço aéreo brasileiro? Também tivemos oportunidade de coletar informações sobre essas estranhas luzes que ainda aparecem na região do Marajó. Os fenômenos diferem, no entanto, dos registrados no final da década de 70, quando o chupa-chupa comum e descrito como emitindo um fino feixe de luz que atingia as pessoas, deixando-as anêmicas, como se tivessem lhes sugado o sangue. Na época, essa situação alarmou muitos moradores das ilhas, mas hoje as aparições têm sido inofensivas. Alguns deles chamam os objetos avistados de “luz d´água” ou “chupa chão” porque se apresentam como pequenas bolas de luz que emitem um feixe luminoso sobre a superfície da água ou sobre o solo. Segundo os relatos, as bolas luminosas voam a altitudes muito baixas e sempre durante à noite.

Numa localidade ribeirinha distante aproximadamente duas horas do município de Soure, Josefina Silva, 30 anos, nos relatou ter presenciado a abdução de um homem em meados de 2001. O “sumiço”, conforme Josefina, foi provocado por um objeto alongado, muito luminoso e com intenso brilho alaranjado, que teria pairado sobre o homem e lançado um feixe de luz branca sobre ele.

Perguntas sem respostas — Depois disso, o indivíduo desapareceu e nunca mais foi visto por ela. Josefina nos entregou um pedaço de papel com o desenho do objeto, que teria sido feito por outra pessoa, mas com base em seu relato. Partimos então para a pesquisa de campo na área indicada, mas não conseguimos encontrar qualquer evidência no local e nem mesmo outras testemunhas que pudessem corroborar o relato da senhora. Pessoalmente, acho esse fato muito preocupante, pois de certa forma evidencia uma ação criminosa ligada às ações dos estranhos artefatos. Mas o que acontece com as pessoas seqüestradas? Qual seria o número de desaparecimentos de seres humanos que podemos atribuir a alienígenas? Continua em andamento as operações das inteligências por trás do chupa-chupa, ou teria ele evoluído para outro tipo de atuação? Por fim, até que ponto esses fatos se confundem com lendas regionais? Estas são perguntas que precisam de respostas. Por exemplo, no Pará temos a lenda de Matinta Pereira, uma bruxa que voa e emite sons estranhos que assustam as pessoas. Nas imensas fazendas da região, há inúmeras aparições de objetos luminosos que são tidos como assombrações da Matinta Pereira, como nos relatou José dos Santos.

Ele contou, que certo dia, caminhava pela estradinha de terra da fazenda Ararauanã quando observou pequenas “coisas luminosas” sobrevoando a vegetação. Poucos instantes após o avistamento, os objetos ficaram imóveis sobre a água, próximos aos búfalos. “Parecia até que estavam xeretando por aqui”, citou Santos. Ufólogos da região acreditam que a área estava sendo visitada por sondas, ou seja, artefatos não tripulados controlados a distância. Em geral, tais dispositivos são pequenos e têm por objetivo a exploração do meio ambiente local – fauna, flora e recursos minerais – para algum tipo de coleta de dados.

crédito: arquivos do autor
Uma arraia fotografada nas margens do Rio Pará
Uma arraia fotografada nas margens do Rio Pará

Raízes aéreas — Para encerrar nossa expedição, foi preciso atravessar essa mesma fazenda, além de um mangue com árvores de grandes raízes aéreas [Que se projetam acima do nível da água para melhor captação do oxigênio, e que conferem às plantas um certo ar de mistério], para se chegar à bela Praia da Barra Velha. No local, obtivemos mais informações sobre aparições de seres luminosos muito semelhantes à raça humana, embora bem magros, de pele bem clara e com mais de 2 m de altura. Até o momento, descrevemos a casuística ufológica que investigamos durante nossas viagens à região, mas ainda não sabemos qual a origem dos UFOs que lá aparecem, nem quem são os seres que os tripulam e quais são seus objetivos. Para estas e outras perguntas ainda estamos buscando as respostas. Quanto mais mergulhamos na pesquisa, mais mistérios vão surgindo. Mas ainda assim continuaremos pesquisando, com a certeza cada vez maior de que a investigação trará as respostas.

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Sobre o Autor

Paulo Aníbal G. Mesquita

Paulo Aníbal G. Mesquita nasceu em 20 de maio de 1967 na capital paulista. É biólogo, professor e consultor da Revista UFO e da Sexto Sentido, publicações nas quais divulgou dezenas de artigos sobre abduções, pesquisas de campo, Ufoarqueologia, vigílias e casuística ufológica. Também é um dos membros do Grupo de Pesquisas Ufológicas (EXO-X) e do Grupo Ufológico Cidade Tiradentes (GUCIT). Em suas pesquisas de campo apurou evidências físicas e biológicas da presença alienígena em nosso planeta, além de marcas de pouso de UFOs, alterações físico-químicas no solo e suas conseqüências para o meio ambiente. Em 2004 foi um dos responsáveis pelo mapeamento da carta náutica pautada em avistamentos ufológicos no litoral sul do Estado de São Paulo, considerado um trabalho inédito pela Comunidade Ufológica Brasileira. Nos últimos anos tem realizado pesquisas na área da Criptozoologia, que investiga os Chupacabras, o Mapinguari e outros seres intrigantes. Possui alguns blogs sobre a temática extraterrestre.

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