Edição 250
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A caixa preta da Operação Prato ainda não foi aberta

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01 de Sep de 2017
Créditos: EDITORIA DE ARTE

O mundo ainda pouco sabe sobre o que realmente aconteceu entre 1977 e 1978 na região nordeste do Estado do Pará, fatos pesquisados em segredo pela Operação Prato, da Força Aérea Brasileira (FAB). E ainda tenta saber o que eram aqueles estranhos fenômenos neste ano em que se completam 40 anos daquela que foi a maior missão militar conhecida para investigar e registrar o Fenômeno UFO. Na verdade, talvez ainda demore bastante para sabermos a extensão dos fatos. Mas, quando soubermos, se verdadeiramente soubermos, será estarrecedor.

Quem poderia esclarecer uma importante parte desse mistério, abrindo seus arquivos, são o Governo Brasileiro e até mesmo o Norte-Americano, detentores de parte formidável deste segredo — mas ambos preferem nada dizer, optando pelo silêncio. Filmes, fotos e relatórios importantes continuam com sua divulgação proibida para conhecimento do público. É um silêncio ensurdecedor, que provoca desinformação e alimenta polêmica. Silêncio que estimula teorias conspiratórias, insufla céticos e crentes, divide estudiosos, além de produzir mais dúvidas do que certezas.

O que eram aquelas luzes misteriosas, de formas e cores diversas, que surgiam dos céus, desciam sobre povoados de ribeirinhos, agricultores e pescadores, atacando-os de forma inusitada e inexplicável? Em vários casos relatados, as vítimas desmaiaram e tiveram o sangue extraído de seus corpos por uma pequena luz, como se fosse raio laser oriundo de objetos maiores. Mulheres, homens e crianças tiveram as provas dos ataques exibidas na pele, em forma de cicatrizes que duram até hoje, além de marcas indeléveis na alma.

Como não há respostas oficiais, nem oficiosas, para explicar o que realmente aconteceu, surgem hipóteses. As mais admitidas falam de supostos testes secretos com novas máquinas de guerra da antiga União Soviética, ou mesmo dos Estados Unidos, na luta de ambos pela liderança do mundo. Mas se era isto, pergunto: por qual motivo parte da população dos Estados do Maranhão e do Pará foi escolhida para essas experiências científico-tecnológicas? O que se queria provar com isto? Por quê? Para quê?

Máquinas de guerra?

O fato é que, se admitirmos tal hipótese, lanço aqui minha primeira provocação: a de que houve pelo menos três crimes praticados na relação diplomática dos Estados Unidos ou da extinta União Soviética, hoje Rússia, com o Brasil. O primeiro foi o de violação do espaço aéreo brasileiro e sua transformação em campo de provas para uma bizarra experiência, utilizando-se cobaias humanas — houve um ataque à soberania de um país por outro que nele entrou sem pedir permissão. Ou será que o invasor pediu licença, a obteve do Governo Brasileiro, mas depois tudo foi abafado?

Em segundo lugar, o povo brasileiro, mais precisamente da Região Norte do país, foi atacado covardemente, à força, submetendo-se a um teste insólito de extração de sangue, sofrendo danos físicos, morais e psicológicos. Se isto ocorreu, é claro que este povo deve ingressar nas cortes internacionais de justiça com duas ações: a primeira, de natureza penal, que incluiria como vítimas mais de 2.000 pessoas, no Pará e no Maranhão, atacadas pelas luzes assassinas em suas residências, estradas, barcos de pesca, plantações no campo ou que simplesmente caminhavam por algum lugar quando foram surpreendidas e agredidas por máquinas e raios desconhecidos, também chamados de “aparelhos” e “luzes vampiras”.

O segundo processo seria de natureza civil, por reparação de danos materiais, físicos, emocionais e morais — as vítimas das luzes e armas vindas do espaço em vários casos narrados pela imprensa tiveram de abandonar suas residências às pressas para fugir de algo que não compreendiam e que se chocava até com suas crenças religiosas. Deixaram bens e familiares para trás. Essas pessoas também foram ridicularizadas publicamente por algumas autoridades, federais, estaduais e municipais, estudiosos e até por setores mais céticos da imprensa. Foram chamadas de loucas, virando motivo de piadas e escárnio por quem não acreditava em suas narrativas e duvidava do que lhes havia acontecido. Eram apelidadas de “filhos ou filhas de ETs”.

ETs vermelhos

A outra hipótese para o ataque do “chupa-chupa” à população, nome popular mais conhecido no Pará, era de que havia uma nova infiltração comunista, desta vez não no sul do Pará — onde em 1974 havia sido oficialmente extinta a Guerrilha do Araguaia, inspirada ideologicamente pelo Partido Comunista do Brasil —, mas no nordeste paraense, uma extensa região com 315 km em linha reta, que vai do município de Viseu, na fronteira com o Maranhão, até Colares, a apenas 83 km da capital, Belém.

Os comunistas queriam derrubar o governo militar instaurado em 1964 e se instalaram no Pará em 1969 para conscientizar agricultores e pessoas pobres de que a tomada do poder pelas armas teria que partir do campo para as cidades brasileiras — uma estratégia geopolítica. As Forças Armadas, porém, infiltraram agentes entre os camponeses e empreenderam uma violenta repressão aos guerrilheiros, matando 69 deles nas matas do sul do Pará. Embora desarticulados e aniquilados, haveria um novo foco de resistência, desta vez em Colares, Vigia, Santo Antônio do Tauá e até mesmo em Mosqueiro, áreas mais próximas para uma invasão de Belém por supostos guerrilheiros? Fosse isto, a capital seria tomada, como ocorreu em 1835, durante a revolução popular conhecida por Cabanagem, quando caboclos, negros e índios tomaram o poder e nele permaneceram por dois anos até serem derrotados pelas forças imperiais.

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Discos voadores são frequentemente observados em várias regiões da Amazônia, mas o que ocorreu em colares, em 1977, foi uma violência
Discos voadores são frequentemente observados em várias regiões da Amazônia, mas o que ocorreu em colares, em 1977, foi uma violência

Por incrível que pareça, esta foi uma hipótese considerada seriamente pelo então capitão Uyrangê Bolivar Soares de Hollanda Lima, o capitão Hollanda, quando este assumiu a segunda fase da Operação Prato. Hollanda era da 2ª Seção da Aeronáutica em Belém, liderada pelo coronel Camilo Barros, que comandava o Serviço de Inteligência. Na capital paraense, sua atividade principal era monitorar e infiltrar agentes em manifestações de estudantes, movimentos sociais e intelectuais que frequentemente iam às ruas protestar contra a ditadura militar. Hollanda era conhecido por seu anticomunismo e por ser um militar estudioso da literatura marxista.

A hipótese comunista para as aparições e ataques das luzes, porém, logo foi descartada pelo brigadeiro Protásio Lopes de Oliveira, comandante da Aeronáutica em Belém, pelo coronel Camilo Barros e, mais ainda, pelo próprio Hollanda — os raros barcos que chegavam na costa da Vigia e Colares com algumas armas apenas cumpriam a velha rota do contrabando, reprimida pela Polícia Federal. As armas eram destinadas a algumas lojas de Belém, onde pontificava um comércio que abastecia fazendeiros, caçadores e gente de defesa pessoal. Os contrabandistas foram presos e eram apenas comerciantes clandestinos, nada tinham de comunistas.

Origem extraterrestre

A hipótese mais admitida até pelas próprias vítimas das luzes — e, o que viria a ser mais incrível ainda, pelos militares responsáveis pela investigação dos fatos — é também a mais assustadora de todas. E é ela que, 40 anos depois, revive e alimenta a chama do que ocorreu. Age como uma luz inquietante nas consciências das pessoas atacadas e nunca se apaga: a origem extraterrestre das agressões. Luzes amarelas, azuis, vermelhas, verdes, brancas, alaranjadas, cinzas-claro. Variações de cores de amarelo para vermelho, de verde para vermelho, de vermelho para laranja, de azul para amarelo. As naves que emitiam tais luzes tinham formatos diversos — eram descritas como charutos, arraias, camburões, botijões de gás, discos etc. E atacavam principalmente à noite, em áreas de pouca ou quase nenhuma energia elétrica.

Quando desciam dos céus, segundo vários relatos colhidos por este repórter, atacavam primeiramente pairando sobre casas de ribeirinhos e agricultores. Depois disparavam jatos de luz sobre as pessoas. Em pelo menos 80 casos as vítimas narraram em estado de pânico como surgiam e agiam essas luzes bizarras. De um jato maior de luz, depois de a vítima estar paralisada, embora ainda de pé, consciente e de olhos abertos, saíam jatos bem menores e muito finos, como se fossem uma espécie de raios laser que eram direcionados, no caso dos homens, ao pescoço, coxas, braços e abdômen, e no caso das mulheres, aos seios, braços, mãos ou pernas. As marcas desses ataques na pele assemelhavam-se a pequenas perfurações, umas ao lado das outras.

Logo depois das manifestações e dos ataques, as vítimas mais diretamente atingidas pelos raios desmaiavam e quando recobravam os sentidos as naves já haviam desaparecido no céu, em alta velocidade, segundo relatos de vizinhos e amigos que corriam para socorrê-las. Qual seria o objetivo, nos casos mais específicos de ataques dessas luzes insólitas, ao desferir raios sobre os corpos das pessoas? Sugar-lhes o sangue para alguma experiência genética de reprodução em um ambiente totalmente estranho ao conhecido pela ciência da Terra? E por que apenas assustar algumas pessoas, sem retirar o sangue de seus corpos, poupando-as da invasão de suas individualidades? Não eram pessoas adequadas ao tipo de experiência que estava sendo feita? São perguntas que o vento e a maré levam, mas no retorno nunca trazem as respostas que tanto almejamos.

Testes militares

Não falta quem levante a possibilidade e até garanta que os ataques eram de armas eletromagnéticas usadas em testes que produziam efeitos alucinatórios sobre humanos e animais, testes esses feitos pelos Estados Unidos e pela velha União Soviética. Também poderiam ser produzidas pela ação de micro-ondas, por meio de feixes de luzes desconhecidos que a ciência militar esconderia de todos nós até hoje. Um dos estudiosos que tratavam da questão, que inclusive acaba de escrever um livro sobre o assunto, com o título ainda provisório em português de Toulouse AZF & a Revolução Francesa da Luz, é o paraense Carlos Campos Xerfan, que mora na França há 30 anos.

“O que aconteceu em Colares, em Vigia e em outras cidades do Pará e do Maranhão foi um teste com micro-ondas, porque os Estados Unidos e a União Soviética já desenvolviam essa tecnologia militar de guerra, juntamente com a França, bem antes dos anos 70”, garante Xerfan. Se é para polemizar, ele deveria responder por qual motivo os responsáveis pelos testes escolheram localidades muito longe uma das outras e pessoas que jamais se conheceram para fazer tais experiências? E o que tem a ver testes de micro-ondas com extração de sangue com agulhas tipo laser? Se era apenas para queimar as pessoas e ver as reações, por que recolher nutrientes contidos no sangue humano?

O povo da Região Norte do país foi atacado covardemente, à força, submetendo-se a um teste insólito de extração de sangue, sofrendo danos físicos, morais e psicológicos. Se isto ocorreu, é claro que este povo deve ingressar nas cortes internacionais de justiça

Teses são teses, mas se tiverem provas convincentes, melhor para o esclarecimento dos fatos. Caso contrário, sepultem-se as teses sem respaldo de provas. E que o barco da dúvida continue a navegar pelo mar agitado das incertezas. Afinal, eram naves de outros mundos ou do nosso mesmo, ou ainda do interior da Terra, como insistem velhas teorias sobre a Terra oca nos polos, por onde entrariam e sairiam naves avançadas de supostos seres muito mais inteligentes do que nós, mas que, oficialmente, nunca deram sinais de sua presença? Nada pode ser excluído neste universo de coisas inexplicáveis.

Os relatos de algumas pessoas e o testemunho de militares e de jornalistas, como ocorreu na Baía do Sol, em julho de 1978, sobre o mergulho de UFOs no Rio Pará e depois a visão dessas mesmas naves saindo repentinamente da água rumo à atmosfera, confirmariam de que naquela região haveria um portal que levaria ao interior da Terra? Geólogos do Pará, contudo, negam com veemência que naquela região existam profundidades nos rios superiores a 40 m ou que hajam fendas na superfície dos rios que poderiam levar a profundidades ainda desconhecidas. Para eles, tudo não passa de delírios, especulações e teorias malucas sobre coisas que, cientificamente, não podem ser comprovadas.

Fraude e manipulação?

Mas, afinal, o que cientificamente, com os meios atuais de conhecimento que temos, quando o homem faz treinamentos para ir ao planeta Marte, pode ser explicado para o que ocorreu no Pará? Aliás, teorias sobre o que aconteceu na região durante as manifestações de luzes insólitas não faltam — o balaio é farto. Tudo não passaria de ilusão de ótica dos pobres e místicos caboclos para simples quedas de meteoritos ou balões meteorológicos. Psiquiatras têm uma resposta na ponta da língua: histeria coletiva influenciada pelo sensacionalismo da imprensa para vender jornais.

crédito: ALEXANDRE JUBRAN
Segundo as testemunhas e, principalmente, as vítimas do chupa-chupa, este era seu aspecto, o de uma lata gigante com dois tripulantes dentro
Segundo as testemunhas e, principalmente, as vítimas do chupa-chupa, este era seu aspecto, o de uma lata gigante com dois tripulantes dentro

Há uma outra teoria que atinge diretamente o coração da Operação Prato: a de que ela seria uma fraude para encobrir os testes militares secretos, principalmente do Governo Norte-Americano, parceiro do Brasil e apoiador do regime militar que dominou o nosso país durante 21 anos. Se foi uma fraude, como explicar que pescadores e agricultores tenham feito relatos contundentes de ataques das luzes, expondo-se ao ridículo de serem desmentidos? Foi tudo combinado com eles, então? Não há nenhuma prova disso. Execrados como analfabetos, ignorantes, místicos, desnutridos e desinformados, eles seriam usados como massa de manobra para manipular até mesmo jornalistas e os meios de comunicação? Jornaisque noticiaram amplamente os fatos sofreram em muitos casos todo tipo de censura e intimidação para que não fizessem seu trabalho e deixassem os locais onde as luzes apareciam.

Quarenta anos depois e com muitos documentos, fotografias e filmes ainda não liberados para o público pela Força Aérea Brasileira (FAB), não resta outra conclusão: nada foi explicado ou esclarecido. A caixa preta continua lacrada.

Däniken, cinco décadas depois

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