ENTREVISTA

Um caso de abdução que desafia o tempo e todas as explicações

Por Carlos Casalicchio | Edição 222 | Abril de 2015

As abduções alienígenas, que muitos pesquisadores entendem ter começado em 1961 com o Caso Barney e Betty Hill, talvez sejam o aspecto mais sombrio e tortuoso dentro da Ufologia. Sombrio, porque envolvem trauma, dor e sofrimento, e tortuoso porque, muitas vezes, os investigadores têm dificuldades para discernir o que é fato do que é imaginação ou má interpretação no relato das testemunhas. Mesmo a hipnose regressiva, normalmente usada para acessar memórias ocultas e esclarecer as experiências vividas pelos abduzidos, não se mostra sempre confiável ou a melhor ferramenta investigativa. Há muitas variantes em uma sessão de hipnose e elas passam pela habilidade e prática do hipnólogo, pela personalidade da testemunha, pelas condições em que é feita. Enfim, o estudo das abduções não é fácil e requer muita dedicação e paciência de seus investigadores.

Nosso entrevistado nesta edição, protagonista do mais famoso caso de abdução ufológica da história, transformado em livro e posteriormente em filme, experimentou todas as etapas que acompanham aqueles que passaram pela mesma experiência: trauma, medo, desqualificação pela mídia, problemas nos relacionamentos pessoais, perseguição e ofensas por parte da sociedade. Estamos falando do norte-americano Travis Walton, que em 1975, aos 22 anos de idade, passou cinco dias nas mãos de alienígenas. O caso de Walton desafia todas as explicações e teses levantadas tanto à época quanto agora para explicá-lo ou para desqualificá-lo.

Natural da cidade de Phoenix, no estado do Arizona, Walton trabalhava com Mike Rogers, que durante nove anos fora contratado pelo Serviço Florestal dos Estados Unidos para diversas tarefas. Rogers e Walton eram muito amigos e o rapaz namorava a irmã de Rogers, Dana, com quem mais tarde se casaria. Os outros homens no grupo de trabalho eram Ken Peterson, John Goulette, Steve Pierce, Allen Dallis e Dwayne Smith. Todos viviam na pequena cidade deSnowflake. Em 05 de novembro de 1975, Walton e seus companheiros voltavam para casa, ao anoitecer, quando avistaram uma forte luz por entre as árvores. Curiosos, chegaram a pensar que poderia ser um acidente aéreo ou um incêndio na mata. Mike Rogers, que estava ao volante da caminhonete, acelerou até que, ao chegarem a uma clareira, parou repentinamente. Pairando sobre o local estava a fonte da luz que haviam visto — um UFO que brilhava em tons de amarelo.

Jogado ao chão por um raio

A nave planava a aproximadamente 5 m do chão. Tomado pela curiosidade, Walton saiu da caminhonete e seguiu caminhando rumo ao objeto. Desesperados, seus colegas gritavam palavrões e exigiam que ele voltasse para o carro. No entanto, o rapaz ignorou os chamados e foi se aproximando da nave. “Eu queria mostrar que era mais corajoso do que eles e, para falar a verdade, achei que quando eu me aproximasse do objeto, ele iria embora”, confessou, durante uma recente entrevista a uma emissora de rádio. Alguns momentos mais tarde, já começando a sentir apreensão por estar muito perto da nave, que então começava a se movimentar, o rapaz tomou impulso para correr de volta à caminhonete. Naquele momento, foi atingido por algum tipo de descarga elétrica, que o ergueu do solo e o lançou a alguns metros de distância, desacordado. Desesperados, seus colegas saíram correndo com a caminhonete, pois acharam que Walton estava morto e temiam que o mesmo acontecesse com eles.

Alguns quilômetros adiante, Rogers parou a caminhonete e eles decidiram voltar para resgatar o amigo — imaginando que talvez estivesse apenas ferido e precisasse de cuidados médicos. Ao chegarem à clareira, tanto Walton quanto o misterioso objeto haviam sumido. Nos cinco dias que se seguiram ao desaparecimento do rapaz, uma verdadeira convulsão tomou conta da pequena Snowflake, envolvendo a polícia local, o FBI, helicópteros, equipes de busca e cães farejadores. Embora a polícia tentasse manter em segredo “a história do disco voador”, a imprensa acabou descobrindo o que acontecia ao ouvir as mensagens de rádio trocadas pelos policiais e rumou para Snowflake, transformando a cidade em um circo. Conforme as notícias corriam o mundo, jornalistas de outros países e populares também rumavam para lá. Em meio à confusão instalada, a polícia passou a desconfiar que os amigos do rapaz o houvessem assassinado e escondido o corpo na mata.

Diante das suspeitas da polícia, os rapazes concordaram em passar pelo teste do polígrafo, que acabou por inocentá-los em relação ao assassinato e atestou que não mentiam quando falaram sobre terem visto um UFO. Em seu livro Fogo no Céu [Biblioteca UFO, 2014], um sucesso de vendas lançado durante o II Fórum Mundial de Contatados, que a Revista UFO realizou em maio de 2014 em Curitiba, Walton conta em detalhes tudo o que antecedeu o encontro com o objeto, assim como os acontecimentos durante os cinco dias em que esteve desaparecido, incluindo sua experiência dentro da nave, os seres que viu e seu retorno à Snowflake.

“Enxergar através de mim”

Ele também descreve seu desespero ao deparar-se com os olhos dos alienígenas, “que pareciam enxergar através de mim”, conforme conta. A obra relata sua tentativa frustrada de sair da nave e descreve a sala de controle do veículo, onde descobriu que não estava mais no planeta, pois conseguia enxergar as estrelas através de uma janela ou tela. Walton narra também como foi abordado por seres humanoides que o levaram para fora da nave e eventualmente de volta a uma pequena e deserta estrada do Arizona. Nosso entrevistado disse que a decisão de escrever o livro foi “uma tentativa de contar a minha história, aquilo que realmente aconteceu. Como passei muito tempo evitando a imprensa e qualquer tipo de contato público, as pessoas começaram a inventar coisas que jamais aconteceram e eu achei que era hora de falar a verdade e pôr um fim nas mentiras”.

Em 1993, a história foi contada no filme Fogo no Céu, o que tornou o caso conhecido mundialmente. Embora boa parte do longa-metragem respeite a verdade dos fatos, Walton adverte que “toda a sequência que mostra o ambiente e minha situação dentro da nave está errada. Não foi isso o que aconteceu, mas Hollywood talvez precise mudar as coisas para funcionarem na tela. De qualquer forma, sempre gosto de alertar as pessoas quanto a isso”. Até hoje, a história de Travis Walton continua a intrigar e impressionar pessoas no mundo inteiro e a ser investigada e estudada por ufólogos e especialistas. Ele também esteve no Brasil em dezembro de 2014, para desta vez participar do VI Fórum Mundial de Ufologia, realizado pela UFO em Foz do Iguaçu. Ele promoveu igualmente um workshop no qual respondeu às inúmeras perguntas da plateia e discutiu possíveis motivos para estarmos sendo visitados por seres de outros planetas. A seguir, conheceremos mais detalhes da impressionante história de Walton que, ao desafiar o tempo, desafia também todos aqueles que tentam desacreditá-lo.

Você poderia resumir sua experiência para nossos leitores?
Claro. Em 05 de novembro de 1975, após um dia normal de trabalho como lenhador no Arizona, já ao anoitecer, estávamos voltando para nossos lares quando vimos uma luz forte vindo por entre as árvores. Inicialmente pensamos que fosse um avião que tivesse caído e ficado preso entre as árvores. No entanto, conforme chegamos ao topo da montanha, nosso colega Allen gritou: “É um disco voador!” Fui o único curioso o suficiente para sair da caminhonete. Caminhei em direção ao UFO, que pairava a alguns metros do chão. Ao me aproximar, percebi um som parecido como o de vibração eletrostática. Então me agachei e, ao tentar correr de volta ao veículo, fui atingido pelo que meus colegas descreveram como “um feixe de luz”. Eles fugiram, desesperados, achando que eu havia morrido. Quando retornaram para me procurar, eu já não estava mais lá — fiquei desaparecido por cinco dias e meu desaparecimento se tornou motivo de investigação de homicídio. Daqueles cinco dias, lembro-me apenas dos poucos momentos nos quais interagi com vários seres que apareceram na nave, tanto grays [Cinzas] com roupas laranja quanto os ETs do tipo nórdicos que vieram me tirar de lá.

TODO O CONTEÚDO DESTA EDIÇÃO ESTARÁ DISPONÍVEL NO SITE 60 DIAS APÓS A MESMA SER RECOLHIDA DAS BANCAS.

Para continuar lendo este artigo, você deve se cadastrar no Portal UFO.

O cadastramento é gratuito e dá acesso a todo o conteúdo do site.

LOGIN

Comentários