ENTREVISTA

UFOs, seres extraterrestres e outros mistérios de São Tomé das Letras

Por Pedro de Campos | Edição 255 | Fevereiro de 2018

Há um personagem residente em São Tomé das Letras cuja história se mescla à da rica Ufologia Mineira. É praticamente impossível falar de discos voadores e seus tripulantes em Minas Gerais sem mencionar a cidade, e quando se faz isso é impossível não trazer à tona o nome do pesquisador, testemunha de inúmeros avistamentos ufológicos e abduzido Oriental Luiz Noronha, mais conhecido como “Tatá”. Figura conhecida e respeitada em sua comunidade, é quem se tem como referência no Sul do estado.

Este autor esteve recentemente em São Tomé das Letras para gravação de um documentário de televisão do qual participou também Tatá. Após as filmagens, ele nos concedeu esta entrevista. O mineiro teve um início de vida difícil. Perdeu a mãe ainda na infância e seus primeiros anos de vida foram passados com os índios. Depois, em idade escolar, seus tios o levaram para morar com eles. Ainda criança, aprendeu o serviço de sapateiro e fez todo tipo de trabalho para ganhar o pão de cada dia, chegando a executar até trabalhos de eletrotécnica. Mas ele tinha outra vocação.

Oriental Luiz Noronha tinha aspirações musicais e gostava de cantar canções com sofisticação melódica. Dedicou-se a essa arte o quanto pôde. Saiu de uma pequena cidade do interior de Minas Gerais e foi para o Rio de Janeiro, onde cantou com Nelson Gonçalves, Emilinha Borba e grandes nomes da fase áurea do rádio brasileiro. Mas sua busca por desvendar os enigmas da própria existência, os porquês de estar aqui, de onde veio e para onde vai, fizeram-no voltar às raízes para buscar respostas. Nesta entrevista, ele conta passagens importantes dessa sua fase inicial de vida.

O legendário Sumé

Suas pesquisas ufológicas na rica região do Sul de Minas Gerais tiveram início ainda quando era criança, aumentaram na juventude e na fase adulta se encheram de vigor. Tatá interessou-se por desvendar as coisas ocultas que lhe sensibilizam a alma e pelo que se falava na cidade sobre o legendário Sumé [Veja edição UFO 254, agora disponível na íntegra em ufo.com.br]. Assistiu a fenômenos de aparecimento e desaparecimento de objetos em locais fechados e conheceu eubiotas que lhe despertaram a curiosidade pela filosofia ocultista. Procurou intensamente por inscrições rupestres nas rochas perdidas em meio às matas de seu estado e achou algumas de valor histórico.

A incessante busca pela arte ancestral e seus estudos sobre os índios cataguases, antigos habitantes do local, fizeram dele um historiador de São Tomé das Letras. Andando por dias e noites pelas campinas, matas, cachoeiras, montanhas e as numerosas grutas da região, dormindo em barracas armadas no alto das pedras e varrendo os céus com os olhos, vivenciou fatos largamente referenciados na Ufologia, alguns deles contados nesta entrevista, como o incrível Caso Akiel, bastante conhecido na cidade.

Não há dúvida ao afirmar-se hoje que esse decano da Ufologia Brasileira, às vésperas de completar 80 anos e, no mínimo, com 60 anos de prática ufológica, dificilmente seria superado em vivências de campo e em horas de vigília por qualquer concorrente ainda vivo. Mas, mais do que isso, Tatá dedicou-se também, como nenhum outro, à história e à Ufologia de sua cidade, tendo publicado três livros: São Tomé das Letras: Berço ou Túmulo de Uma Civilização [Edição particular, 1978], São Tomé das Letras: Útero da Terra [Madras,1985] e São Tomé das Letras e o Mundo Subterrâneo [Madras, 2003].

Econômico em palavras

Oriental Luiz Noronha viveu dias gloriosos, teve mulheres, muitos filhos e constituiu uma grande família. Ainda hoje vive na prestigiosa Pousada do Tatá, conhecida de todos na cidade e movimentada por turistas que querem conhecer as histórias locais contadas por quem as vivenciou. Tatá é essa pessoa, um homem simples, espontâneo, calmo, educado, esclarecido e de conversa fácil — mas econômico em palavras, ainda mais agora que teve um leve acidente vascular que lhe dificulta fazer palestras, embora ainda escreva muito bem e simpaticamente fale com todos que o procuram.

Como grande admirador da arte rupestre, também abundante em Minas Gerais, Tatá se queixa da sua destruição. Em uma inscrição que achou, havia palavras obscenas escritas a carvão. É triste, mas é isso que o interessado neste tipo de vestígio arqueológico encontra nas rochas milenares da região. “Até a pintura rupestre de um disco voador os vândalos chegaram a destruir, quebrando parte da rocha em que está”, lamenta. Pichações, falta de isolamento e defesa insuficiente do poder público ao patrimônio histórico são fatores que contribuem para a degradação das pinturas ancestrais. Tatá, além de ufólogo e historiador, é também um guardião desses bens históricos da cidade. Vamos à entrevista.

O seu apelido Tatá é curioso. Dizem que fora dado pelos índios. É verdade?
Eu nasci em Cruzília, aqui no interior de Minas Gerais, em 06 de abril de 1938. Em 1944, quando minha mãe Benita Alves de Souza morreu prematuramente em São Gonçalo do Sapucaí, meu pai biológico, Orphila Athaide Noronha, que era boiadeiro e viajava muito, estava indo para o Rio de Janeiro levando uma boiada e minha mãe, sem parentes, acabou sendo enterrada como indigente. Eu e minha irmã Eliza ficamos a sós no pequeno casebre de pau a pique coberto de sapê. Aí, um casal de índios tupis-guaranis, nossos vizinhos, nos levaram para sua tenda no aldeamento e ficamos morando com eles. Meu pai, pelo serviço que fazia, não podia ficar conosco nem nós irmos com ele.

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