ENTREVISTA

Rods: uma nova forma de vida?

Por A. J. Gevaerd | Edição 110 | Maio de 2005

Em 1994, o mexicano naturalizado norte-americano José Escamilla capturou em filme estranhos filamentos voadores com pequenas partes ondulantes. Sem ter uma resposta para o que havia registrado, batizou aquilo de rod [Que em inglês significa filamento ou vareta] e continuou sua pesquisa para tentar descobrir o que seriam. Na ocasião, Escamilla residia em Midway, próximo à famosa cidade de Roswell, no estado do Novo México, Estados Unidos, e sua ligação com a Ufologia ainda era limitada. Explorador desde jovem e hoje cineasta, descobriu os filamentos enquanto investigava objetos voadores não identificados, comuns na região. Mas o que são os rods? Estranhos seres de origem alienígena em nossa atmosfera ou a manifestação de criaturas terrestres desconhecidas? As opiniões dividem os estudiosos entre aqueles que defendem uma explicação extraordinária para o fenômeno e os que acham que ele não tem nada fora do normal.

Os rods aparecem principalmente em fotos ou gravações de vídeo quando se aponta a câmera em direção ao Sol e se filma apenas o clarão que fica ao seu redor. Os objetos são vistos atravessando o campo da câmera em altíssima velocidade. Um dos maiores especialistas nacionais no assunto é o consultor da Revista UFO Cláudio Brasil, que explica que os artefatos têm um aspecto translúcido, sendo possível ver o céu que está por detrás deles. “Normalmente, são formados por vários segmentos, unidos como se fossem vagões de um trem. Muitas vezes, parecem se desvanecer no céu, deixando-os com uma aparência de algo incompleto ou truncado”, diz o pesquisador, que elabora um longo e minucioso estudo para publicação, em parceria com o também consultor Roberto Affonso Beck.

Desde que Escamilla descobriu o mistério, há mais de uma década, muitas filmagens foram obtidas mostrando essas misteriosas estruturas. Atualmente, já se consegue obter imagens de rods filmando-se até mesmo em locais fechados e com pouca luz. No entanto, sua natureza permanece desconhecida. Seriam algum tipo diminuto de UFO ou sonda extraterrestre? Ou será que não passam de um defeito ótico da câmera que os registra? Uma explicação satisfatória ainda não existe e está sendo insistentemente buscada. Para tanto, o site norte-americano Paranormal Phenomena [www.paranormal.com] fez uma recente entrevista com Escamilla, que foi complementada a pedido da Revista UFO pelo especialista Brasil, mestre em tecnologia nuclear e astrônomo amador. “Tentam desqualificar o fenômeno como se fosse algo banal, mas temos milhares de imagens que nos dizem o contrário”, disse Escamilla à Revista UFO. Confira.

Ainda não há uma resposta definitiva para o que sejam os rods. Podem ser criaturas alienígenas? Sim, podem. Mas também podem ser uma espécie nova em nosso planeta, que não conhecíamos até então

Como foi que você descobriu os rods? Em 05 de março de 1994, eu estava filmando UFOs que apareciam em plena luz do dia sobre Midway, no Novo México, quando fiz a descoberta. Mas não dei muita importância na época. Então, em 19 de março de 1998, quando eu novamente filmava a área, agora para um documentário sobre onde os UFOs haviam aparecido na data anterior, registrei mais uma vez o fenômeno. Enquanto revisava a filmagem, vi com mais clareza algo que não havia percebido antes. Era uma listra que passava pela câmera, vinda da rodovia bem aonde me encontrava parado e aguardando. Como vi isso através da ocular da máquina, minha primeira impressão foi de que eram pássaros ou insetos. Mas quando revi a filmagem quadro a quadro, percebi que não eram nem um, nem outro. Era algo bastante diferente, sem uma explicação banal. Quando viu os objetos no filme, minha então esposa – Karin – os chamou de rods, porque eles lembravam microrganismos em forma de filamentos ou varetas que ela havia visto ao microscópio.

Eles aparecem apenas em fotos e vídeos, ou podem ser vistos a olho nu? Podem ser vistos a olho nu, sim. Se você vir algo passar rapidamente por sua visão periferia e, ao se voltar para aquela direção e não ver nada, nem pássaros ou insetos, então pode ter sido um rod a olho nu. Mas nosso cérebro presume imediatamente que tenha sido um animal voando e sequer raciocinamos para achar outra explicação, fazendo com que o fenômeno passe sempre despercebido. Muitas pessoas que me procuram após minhas palestras, especialmente depois de verem os filmes com rods, dizem ter gravações semelhantes. Outras falam que os vêem a olho nu. Os rods são extremamente rápidos, mas podem ser vistos.

O que você acha que são? Coisas vivas? Todas as filmagens que fiz e as que examinei, desde as primeiras imagens até as mais recentes, vindas de uma caverna no México, parecem indicar que esses objetos podem ser organismos vivos. Nesse instante, já temos certeza de que eles voam. Acabei de obter uma filmagem de um UFO em forma de charuto que está indo da esquerda para a direita, lentamente cruzando o céu de Rhode Island (EUA), quando dois rods passam por ele – tudo na mesma cena. Esse é um filme inédito e revelador, porque muitas pessoas que filmaram os rods os definiram automaticamente como sendo naves extraterrestres, coisa que sabemos que eles não são. O objeto em forma de charuto que aparece nessa filmagem lembra em muitos detalhes outros registrados anteriormente – como o filmado por Timothy Edwards e Tom King. O objeto se move mais lentamente que os rods, que são bastante ligeiros. Estamos muito excitados com essas novas evidências.

Como sabe que eles não são apenas reflexos nas lentes das câmeras ou alguma outra anomalia ótica? Logo no começo de minha investigação, sabia que teria que lidar com esse tipo de alegação, originadas de céticos. Tinha certeza que eles tentariam desacreditar ou desvalorizar o que eu estava documentando. Então, fiz uma grande variedade de testes para saber o que poderiam ser os rods – e principalmente o que não poderiam ser –, incluindo filmar de frente para o Sol, quando os reflexos nas lentes das câmeras aparecem numa variedade de formatos e tamanhos. Sabe o que aconteceu? Nós capturamos rods passando entre os tais reflexos, exatamente como sempre fazem. Ou seja, enquanto os reflexos estavam lá, parados na cena, os rods se moviam com extrema rapidez.

Existem céticos e até ufólogos que criticam duramente seus métodos e descobertas. Eles não crêem que os rods sejam algo extraordinário. Como mudar suas idéias? A maioria das pessoas não sabe que sou cineasta e editor de vídeo profissional com muita experiência. Assim, ao fazer os testes que descrevi, segui um protocolo que praticamente elimina as teorias envolvendo insetos e pássaros, que são as mais comuns que os céticos apresentam para explicar o mistério. Com esse método, que chamo de “sky fishing” [Pesca no céu], não há como qualquer pessoa errar na identificação de tudo o que foi filmado. Céticos como Joe Nickel, do Comitê Científico de Investigação de Evidências Paranormais [Committee for the Scientific Investigation of Claims of the Paranormal, Csicop], não falam mais em insetos hoje em dia, porque está óbvio que não são. Sem provas para explicar o que eu registrava, preferiram chamar de fraude, pura e simplesmente. Os estudiosos Kal Korff e Bob Shell, entretanto, continuam a chamar os rods de “insetos mal filmados”, simplesmente porque eles não conhecem nada melhor para explicar o fenômeno. É desnecessário dizer que esse meu vídeo sobre os rods, lançado em 2003, esclarece muita coisa [Veja detalhes em www.roswellrods.com].

crédito: josé escamilla
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Dois exemplos clássicos de rods fotografados contra a incidência indireta da luz solar. Os objetos têm um aspecto curioso e indefinido, como se fosse uma criatura estruturada vivendo em nossa atmosfera

Que tamanho você calcula que os rods tenham? Por hora, só o que podemos é estimar seu tamanho, que está entre alguns centímetros até 30 m ou mais de comprimento. Pode parecer um absurdo, mas há uma filmagem feita sobre Maryland (EUA) em que o torso de um rod está encoberto por uma nuvem enquanto a cauda e a cabeça podem ser vistas. Assim, calculando a altura daquelas nuvens em pelo menos 500 a 670 m, o rod devia ter cerca de 30 m e estava se deslocando em alta velocidade.

A que velocidade você calcula que eles se movem? Estamos com um caso extremo de um rod filmado na Noruega que surgiu na direção do cinegrafista. Ele estava filmando praticantes de base jumper [Salto de pára-quedas de objetos fixos, como antenas, penhascos etc] na borda de um penhasco a 1.000 m de altura. Embaixo dele podemos ver a praia e a linha costeira, algumas nuvens e um base jumper que havia recém saltado. Então um rod emergiu do lado esquerdo da tela, ainda pequeno. Mas conforme ele se move para mais perto do local onde o cinegrafista se encontrava, fica maior e vai subindo pela parte direita da tela. O rod atravessa 1.000 m em cerca de 10 quadros de filme. Como os vídeos têm em geral 30 quadros por segundo, isso significa que ele atravessou aquela distância em um terço de segundo. Isso é muito rápido. Assim, deduzimos que os rods podem viajar entre 250 e talvez até 1.650 km/h – mas, ainda precisamos chegar à velocidade exata.

Esse parece ser claramente um fenômeno recente. Por que os rods nunca foram vistos ou detectados antes? Na verdade, nos anos 50, Trevor James Constable fotografou rods usando filme infravermelho. Ele os chamou de critters [Criaturas]. Ivan T. Sanderson, um biólogo, também os registrou, assim como Tom Jonestroem filmou rods na Suécia, em 1989 e 1990. Ele capturou os objetos enquanto fazia filmagem de tanques de guerra para Departamento de Defesa sueco. Todos zombaram dele, alegando que havia filmado insetos. Entretanto, uma equipe de Hollywood filmou um tipo idêntico aos rods de Jonestroem na Califórnia, enquanto gravavam Perseguições Perigosas [A série The World’s Scariest Police Shootouts]. Isso não apenas inocenta Jonestroem, como prova que os rods foram vistos e filmados acidentalmente antes de nós os descobrirmos em nossos vídeos.

Esses avistamentos ainda são recentes. Há alguma filmagem mais antiga? Em 1896, durante dois dias seguidos, pessoas viram sobre Crawfordsville, Indiana (EUA), uma coisa de uns 10 m de comprimento. Os moradores chamaram aquilo de “monstro do céu”, pois que movia-se “como uma serpente nadando através do ar”, segundo depoimentos. Aquilo provavelmente era um rod. Outros casos históricos incluem dragões nas cavernas e no céu de Londres. Os foguetes fantasmas vistos sobre a Noruega e Suécia, logo após a Primeira Guerra Mundial e durante a Segunda, além de muitos outros mitos históricos, podem ter sido rods.

Se eles são criaturas vivas, por que não são vistos em repouso? Ou são? Essa é uma boa questão. Outra que as pessoas nos fazem diz respeito à sua estrutura – por que são tão esqueléticos? Bem, se os rods existirem somente nos céus, talvez sejam animais unicelulares, com peso mínimo e leves o suficiente para flutuarem na atmosfera. Nós simplesmente não sabemos. E talvez apenas saberemos quando capturarmos um ou encontrarmos um esqueleto ou carcaça. Quem sabe exista uma espécie em algum lugar, que tenha passado desapercebida da ciência, que são justamente os rods que descobrimos.

Para onde você acredita que eles voam? Não sei de onde vêm nem para onde vão, mas na caverna do México, registramos em filme centenas de rods, sugerindo que talvez aquele seja um habitat onde podemos estudá-los usando mais técnicas e métodos científicos – como num ambiente controlado. O cinegrafista Mark Lichtle, que filmou centenas de rods acidentalmente, tem um curioso argumento. Ele acha que só saberemos a natureza dos rods quando acharmos um esqueleto ou carcaça deles. Mas esteve na caverna e a explorou detidamente, e mesmo que seja infestada de andorinhas, Lichtle apenas encontrou uma carcaça da ave – enquanto seria de se esperar que centenas estivessem no chão. Talvez seja por isso que carcaças de rods não são encontradas em lugar algum, nem mesmo naquela caverna.

crédito: mark lichtle
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Rods filmados numa caverna mexicana. Nesta imagem, eis o objeto em quatro posições diferentes

Quantos tipos de rods você já detectou? Os distintos tipos que filmamos são os que chamamos de “centopeia”, que têm apêndices em volta do torso, os “brancos”, que não têm apêndices e se parecem com uma fita ou faixa, e os “arpões”, que são super finos e muito rápidos, sem apêndice algum. As variedades de cor são amarelo, branco, marrom avermelhado e marrom escuro.

Os rods já foram filmados em todo o mundo? Até agora eles já foram vistos em quase todo os Estados Unidos, além do Canadá, Noruega, Suécia, Itália, Inglaterra, Austrália, Japão e México.

Alguma vez houve tentativas de capturar um rod? Que eu saiba, ainda não. Mas tentaremos durante nossa próxima expedição. Entretanto, se eles são uma espécie, como cremos, poderiam estar ameaçados de extinção. Nesse caso, prefiro coletar uma carcaça a um espécime vivo. Odiaria descobrir que fomos os responsáveis por qualquer perturbação em seu habitat, apenas por desconhecermos sua verdadeira natureza.

Você crê que os rods podem ser perigosos para o ser humano? Francamente, não. Parecem ser amigáveis. Durante uma foto bastante curiosa, houve um rod que chegou quase a ponto de colidir com um base jumper numa caverna, e no último minuto fez uma manobra abrupta pra evitar a colisão. Há casos em que eles parecem sentir a presença humana, ora evitando-a, ora tendo curiosidade sobre ela.

Eles são mais fáceis de serem registrados com câmeras fotográficas automáticas, digitais ou com filmadoras? As câmeras automáticas os registram bem, mas as filmadoras podem fazê-lo com mais qualidade e freqüência. Mas lembre-se que vídeos podem ser regravados, enquanto que as câmeras fotográficas digitais comuns tiram uma foto por vez. Isso, em tese, dá às máquinas digitais uma vantagem sobre as óticas. Dessa forma, seria necessária uma grande quantidade de filme e um alto custo para registrar rods com máquinas fotográficas comuns. Usamos câmeras de alta velocidade com filme de 16 mm em nossas explorações.

Que tipo de pesquisa você faz com os rods? Em primeiro lugar, sempre incentivo as pessoas a usar meu protocolo para obterem imagens dos rods e a me contatar caso tenham filmado um ou mais em suas regiões. Precisamos de mais evidências de sua existência também em outros lugares, para podermos fazer um melhor mapeamento da atividade dos rods nos Estados Unidos e pelo mundo afora. Quero expor o fenômeno rod ao público como uma coisa real, e não como mais avistamentos de UFO ou coisas que possam ser facilmente explicadas.

Você coloca rods na mesma categoria dos UFOs? Apesar dos rods serem objetos voadores não identificados, até que possamos identificá-los como outra coisa – inclusive como uma nova espécie –, achamos que temos mais do que meros indícios de sua existência. Temos evidências! Talvez após as expedições que realizarmos, e obtendo nova documentação, sejamos levados mais a sério pela ciência e até pelos ufólogos tradicionais. Quanto mais pessoas decidirem ir a campo tentar filmar rods nos céus, mais dados teremos. As barreiras a sua aceitação acabarão caindo cedo ou tarde. Nós precisamos continuar fazendo pesquisas consistentes, para assegurarmos evidências ainda mais fortes de sua existência. O próximo passo será descobrir o que eles são e de onde vêm. Então a ciência determinará o que fazer com eles.

Como as pessoas podem tentar registrar os rods, e caso o façam, como deverão relatar seus avistamentos? Quero encorajar as pessoas a acessarem meu site e verem a seção referente a sky fishing, na qual estão descritas em técnicas e procedimentos recomendados. Há farta documentação sobre como se pode tentar registrar os rods. Caso algum dos leitores tenha resultados positivos, pode remeter ao meu endereço ou a estudiosos do tema no Brasil, como Cláudio Brasil. Eles estarão contribuindo para esclarecermos o mistério e, quem sabe, ajudarmos a ciência a descobrir uma coisa inédita.

Capturando rods em filme: procedimentos necessários

Em inglês, a palavra rod quer dizer vara, haste, barra ou bastão. Mas para nós, ufólogos, é algo mais. Comecei as filmagens desses estranhos objetos por simples curiosidade, usando a metodologia recomendada, ou seja, colocando uma câmera num tripé, direcionando-a para o Sol e depois deslocando-a para o lado. Depois, fixei a câmera numa direção escolhida, a fim de não receber luz solar diretamente, e então apliquei zoom tototal. O equipamento precisa estar bem focalizado, de preferência até manualmente, e a filmagem deve ser iniciada sob essas condições. Pode-se deixar a câmera filmando sozinha durante uns 15 a 20 minutos, sem tocá-la. O horário que descobri para obter melhores resultados é das 10h30 às 11h30, e em dias sem nuvens.

Depois desse procedimento, pode-se ver no videocassete, em velocidade normal, algumas coisas estranhas que foram detectadas pela câmera. Numa análise das imagens em velocidade reduzida [Slow motion] pode-se ver mais ainda. Um pesquisador habilidoso pode congelar a imagem quando observar a passagem de algum rod ou de outra coisa qualquer – pássaro, inseto e até avião – para examiná-la melhor. O local deve ser escolhido previamente e de preferência longe de mato, vegetação ou onde haja muitos insetos. Minha curiosidade sobre o assunto começou em março de 1996, ocasião em que ouvi algo sobre o fenômeno, e logo em minhas primeiras filmagens colhi alguns resultados curiosos. Continuei a fazer testes de fotografia com várias opções e cada uma me oferecia possibilidades interessantes.

Fiz algumas imagens intrigantes, que foram consideradas por colegas ufólogos como de meros insetos. Mas existe uma grande diferença entre os rods e eles. Ainda que não saibamos, até o momento, o que sejam exatamente os rods, em geral, insetos aparecem nas imagens como pequenos pontos brancos arredondados. Já os rods se parecem mais com vagões de trem unidos entre si ou algo assim.
Tanto faz que estejam longe da objetiva da câmera ou perto dela, pois têm sempre o mesmo curioso formato. Trata-se de alguma coisa não definida e que, por seu comportamento e características inusitadas, certamente merece um estudo mais aprofundado e com equipamentos sofisticados.

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