ENTREVISTA

Os governos têm muita informação sobre os UFOs, mas não revelam à sociedade

Por Thiago Luiz Ticchetti | Edição 175 | Março de 2011

Uma das pessoas mais bem informadas no mundo sobre a presença na Terra de outras espécies cósmicas é certamente Nick Pope, ex-funcionário do Ministério da Defesa (MoD) britânico, em cujo projeto oficial de investigações ufológicas trabalhou até que fosse desativado, em dezembro de 2009. Pope foi entrevistado longamente e com exclusividade pela Revista UFO, tendo a primeira parte deste trabalho publicada em nossa edição anterior, de fevereiro. Este é o final da entrevista, concedida por e-mail no final de 2010. No início cético sobre vida extraterrestre, o britânico acabou convencido de sua realidade através das pesquisas que fez de casos ufológicos em seu país. E consolidou sua posição ao ter acesso aos documentos oficiais do governo inglês, hoje liberados, que asseguram que o assunto é sério e merece atenção das áreas de Defesa e de Segurança Nacional — especialmente quando as testemunhas envolvidas são militares, pilotos ou quando os discos voadores são captados por radares.

Conferencista requisitado, autor renomado e personalidade da Ufologia Mundial, Pope é o que muitos chamam de “o verdadeiro Fox Mulder”. Ele é um ativista da Ufologia como poucos, tendo participado de dezenas de programas de rádio e TV sobre discos voadores, como Larry King Live, além de documentários de grande repercussão — é muito conhecida sua participação na série Caçadores de OVNIs, do The History Channel. Durante seus anos à frente do UFO Desk do MoD, ou simplesmente Projeto UFO, era freqüentemente acusado de fazer parte do acobertamento governamental da questão ufológica, o que sempre o irritou. “Sou um amante da liberdade de informações”. Sua missão oficial consistia em pesquisar casos complexos de avistamentos, abduções, agroglifos e mutilações de animais.

Mais de 10.000 relatos

O Projeto UFO teve suas raízes no início da década de 50, quando foi estabelecido por iniciativa de sir Henry Tizard, o consultor-chefe de Ciências inglês, para quem os avistamentos relatados ao governo não deveriam ser descartados sem estudo científico. Pope conta que o projeto investigou a ação de naves alienígenas, às vezes com tripulantes, dos anos 50 até 2009, recebendo mais de 10.000 relatos. “Durante todos esses anos, os objetivos do programa não mudaram muito. Sua política sempre foi investigar as observações informadas para ver se havia alguma evidência de ameaça à Grã-Bretanha”. Quando foi desativado, um anúncio do governo dizia que o projeto não encontrara evidências de tais ameaças — e menos ainda subsídios científicos para se continuar a tarefa.

Há décadas diversos governos se empenham em conhecer o Fenômeno UFO e avaliar a extensão da presença e atividade alienígena na Terra. Mas toda esta informação não será facilmente liberada, apesar do clamor da sociedade e da importância do tema para todos nós.

Muitos ufólogos contestam a versão, como o também inglês Gary Heseltine: “É evidente que o projeto nunca foi verdadeiramente fechado e que continua ativo, porém agora secreto”. Para muita gente da Comunidade Ufológica Mundial, o programa governamental de pesquisas sempre teve uma face pública e outra secreta. Mas, para Pope, não há problema algum nisso. “Como os Estados Unidos tinham o Projeto Blue Book, nós tínhamos o Projeto UFO, embora com recursos muito menores, mesmo que com metodologia virtualmente idêntica”. Um dos pontos mais relevantes da ação do órgão, tendo Nick Pope à frente, foi a reabertura do famoso Caso Bentwaters, de 1980, uma espécie de “Roswell Britânico” [Veja detalhes no DVD Fastwalker, código DVD-030 da coleção Videoteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br].

Efeitos da Guerra Fria

Nesta entrevista Pope destaca que o Projeto UFO teve início por causa dos efeitos da chamada Guerra Fria. “O que se queria era investigar objetos não identificados vindos da antiga União Soviética, não discos voadores marcianos”. A justificativa estava no fato de que entre os protótipos soviéticos havia tipos inusitados de aeronaves, às vezes operando no espaço aéreo britânico — o que era uma preocupação. “Até ser encerrado, o MoD recebia cerca de 200 ou 300 relatos anualmente. Depois de uma investigação minuciosa de cada caso, nós conseguíamos explicar a maioria deles em termos convencionais. Mas alguns episódios permaneceram insolúveis. Esses sim são os verdadeiros Arquivos-X”.

Os documentos ufológicos liberados pelo MoD contêm material precioso, tal como avistamentos de sondas ufológicas e naves alienígenas [Veja edições UFO 133 e 148, agora disponíveis na íntegra em ufo.com.br]. Naturalmente, o destaque vai para casos em que caças a jato britânicos estiveram lado a lado com discos voadores havendo risco de colisão. Nick Pope não confirma que os militares de seu país tenham dado ordens para atirar nos intrusos, mas não nega. “Oficiais devem estar preparados para defender seu país a qualquer sinal de ameaça”.

crédito: sufoi
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Os ingleses começaram a pesquisar UFOs após a Segunda Guerra Mundial

Consultor da Revista UFO desde 2005, Pope é autor de vários best sellers, como The Uninvited [Os Que Não Foram Convidados, Dell, 1999] e Céus Abertos, Mentes Fechadas [Editora Madras, 2007]. Ele também participou como consultor do remake do filme O Dia em que a Terra Parou [2008], como promotor do lançamento do DVD comemorativo de 30 anos de Contatos Imediatos de 3º Grau [1977], e deu suporte para séries de ficção da TV, como Fringe. Vamos à segunda e última parte desta fascinante entrevista.

Na primeira parte desta entrevista você falou do impressionante Caso Bentwaters e confirmou ter havido outro, muito parecido, ocorrido anos antes no mesmo local. Disse que em agosto de 1965 um UFO foi detectado pelo sistema de radar das bases da Força Aérea Real (RAF) em Bentwaters e Lakenheath, mas não houve pouso. O que houve então? Na ocasião, dois aviões militares foram enviados para interceptar o intruso, o que resultou impossível. Os pilotos tentaram “travar” o alvo em seu sistema de mísseis para poderem dispará-los, mas o objeto era muito mais rápido do que os caças e sempre saíam de seu alcance. Como se sabe, o sistema só dispara se o alvo está firmemente sinalizado ou “travado”. Além deste episódio e do Caso Bentwaters [Veja edição anterior, UFO 174, agora disponível na íntegra em ufo.com.br], outro acontecimento fascinante ocorreu em 21 de abril de 1991, e me lembro muito bem dele porque estive oficialmente envolvido na sua investigação. O Projeto UFO foi informado pela Autoridade de Aviação Civil (AAC) inglesa [Equivalente à brasileira ANAC] que quase houve um acidente entre um objeto não identificado e um avião comercial.

Pode nos dar detalhes desta ocorrência? Ela é secreta ou já foi liberada oficialmente? Sim, já foi liberada oficialmente. Era um MD-80 da Alitalia com 57 passageiros a bordo e que estava a 7.300 m de altitude sobre a cidade de Kent, na região de Lydd, Inglaterra. Um artefato cilíndrico de cor marrom passou tão perto da aeronave que o piloto gritou “cuidado, cuidado!” Normalmente, qualquer possível colisão aérea é investigada pela AAC. Entretanto, como a tripulação não conseguiu reconhecer o aparelho, o caso foi considerado como um incidente ufológico e, portanto, investigado pelo MoD. Nós iniciamos um inquérito completo levantando todas as possibilidades — checamos até se algum míssil havia sido disparado por engano. Averiguamos tudo, mas até hoje o episódio permanece inexplicado. Esse incidente mexeu profundamente comigo, pois, veja bem, um avião comercial quase colidiu com um UFO em pleno céu da Inglaterra, enquanto eu era diretor do Projeto UFO.

crédito: Arquivo UFO
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Heseltine, que não crê na desativação do Projeto UFO

Realmente. Mas essas quase colisões são mais comuns do que pensamos, não é verdade? Sim. Outro caso semelhante ocorreu em 08 de junho de 2008 sobre a base da Real Força Aérea em St. Athan, próxima do aeroporto Internacional de Cardiff, no País de Gales. Um helicóptero com três tripulantes estava se aproximando para pouso quando quase colidiu com um UFO, inicialmente descrito como um objeto discóide coberto de luzes. A imprensa divulgou que teria havido uma perseguição ao objeto sobre Bristol, que só teria terminado quando o piloto do helicóptero percebeu que não conseguia alcançar o intruso e já estava ficando sem gasolina. Quando o caso ganhou maior repercussão, a polícia mudou sua versão do incidente e começou a usar a descrição “aeronave desconhecida” para o UFO. E ainda, enquanto confirmava o avistamento, negava a perseguição. Mas o mais interessante foi a declaração do porta-voz do MoD na época, que disse que “o que não é aconselhável é helicópteros da polícia perseguirem o que seus pilotos pensem ser UFOs”. Hoje em dia sabemos que muitas outras testemunhas viram o mesmo objeto. A liberação dos arquivos deste caso já foi pedida, mas resta-nos aguardar que aconteça.

E o evento ocorrido em 1993, envolvendo um imenso triângulo voador sobre outras bases áreas britânicas? Ele também teve grande repercussão mundial. Este é um dos casos mais sensacionais que investiguei. Tudo começou nas primeiras horas do dia 31 de março daquele ano, quando houve uma onda de avistamentos ufológicos na noite anterior, culminando com um UFO sobrevoando duas bases da RAF, Cosford e Shawbury. O aparelho foi descrito por uma das testemunhas militares como um objeto triangular um pouco menor do que um Boeing — o que não é pouca coisa. Ele passou sobre a base de Cosford disparando um feixe de luz em direção ao solo, lentamente e a 60 m de altitude, para logo depois acelerar e desaparecer.

Em uma entrevista que deu ao site About [www.about.com], você revelou que soube de uma foto espetacular de UFO que teria deixado os oficiais britânicos preocupados. Que foto seria essa? Essa fotografia foi tirada na Escócia, em 1990, e uma cópia foi mandada para ser analisada pelo Projeto UFO. A imagem, excepcionalmente nítida, mostra um objeto em forma de diamante, aparentemente metálico, sobrevoando o solo a pouco mais de 100 m — na foto aparecem dois caças militares ao fundo. A equipe da Inteligência da Defesa e os técnicos do MoD analisaram o material e acreditaram que fosse genuíno. Segundo estimativas, o objeto teria 25 m de diâmetro. Durante muitos anos eu tive esta imagem colada na parede do meu escritório, mas em 1993 ou 1994, a direção da minha divisão retirou-a dali porque achou que se tratava de algum tipo secreto de protótipo aéreo. E nunca mais vi a fotografia...

crédito: A
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Colin Andrews, que fez acusações contra o entrevistado

Seu trabalho no MoD era investigar casos de avistamentos de UFOs, mas existe uma gama de outros fenômenos relacionados à Ufologia que também merecem atenção. Que outros casos você pesquisou enquanto esteve no Projeto UFO? À frente do projeto me deparei com vários fenômenos estranhos, tais como abduções alienígenas, mutilação de animais e círculos misteriosos — agroglifos. Também chegavam ao meu conhecimento, para investigação, casos de fantasmas em bases militares. Enfim, qualquer coisa estranha caía na minha mesa — pesquisar estas esquisitices não era meu dever, mas como não havia mais ninguém para fazê-lo, tudo vinha para mim.

Você falou dos agroglifos, hoje um fenômeno global. Até no Brasil já tivemos alguns casos registrados pela Revista UFO [Veja edições 149 e 161, agora disponíveis na íntegra em ufo.com.br]. Qual a sua opinião sobre este fenômeno? O aparecimento de círculos pequenos e simples em plantações — que é como o fenômeno teve início — pode ser atribuído a fenômenos meteorológicos, tais como redemoinhos de vento e vórtex. Já alguns dos mais complexos, chamados de pictogramas, não tenho dúvida de que podem ser feitos por humanos — eu mesmo já vi um sendo produzido. Veja que há pessoas com grande habilidade envolvidas nestas fraudes, que planejam as formações meticulosamente e espalham o know-how para outros interessados reproduzirem-nas. Considerados charlatões por uns, eles se autodenominam “artistas conceituais”. Agora, se você me pergunta se eu descarto completamente as explicações mais extraordinárias para os agroglifos, a resposta é não! Até porque, a minha linha de trabalho sempre foi nunca descartar qualquer possibilidade.

Existem várias alegações de que o Ministério da Defesa e os militares de seu país teriam interesse nos círculos. Isso é verdade? A primeira vez que o MoD e os militares britânicos se envolveram com esse mistério foi em 1985. Um fazendeiro encontrou uma fantástica formação com cinco círculos em sua propriedade e telefonou para a base do Exército em Middle Wallop, solicitando que alguém fosse até lá para ver do que se tratava. A explicação dada a ele, por telefone, foi de que as formações poderiam ter sido causadas pelos rotores de helicópteros que faziam manobras freqüentes na área. Com isso em mente, o Exército achou conveniente definir que os círculos seriam causados por helicópteros, e assim passou a tratar o assunto, até mais tarde.

crédito: roger leir
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Parviz Jafari, que perseguiu um UFO com seu caça no Irã

Mas sem nem ao menos ir ao local investigar? Na verdade, o caso foi investigado pelo tenente-coronel H. Edgecombe, que voou sobre a formação e tirou várias fotos. Depois ele participou de uma reunião aberta ao público e disse categoricamente que a figura jamais poderia ter sido criada pelas hélices dos rotores de um helicóptero — os desenhos internos do agroglifo eram muito simétricos e bem definidos. Edgecombe também disse que o Exército nunca danificaria uma propriedade privada sem uma boa razão, e enviou seus relatórios e as fotos para o MoD. Mas o material foi parar, por engano, no Departamento Aéreo, que simplesmente confirmou o recebimento e nada fez.

Sim, e o assunto ficou mal explicado. Tanto que, em 2009, o famoso “circólogo” Colin Andrews escreveu o livro Government Circles [Círculos do Governo, Create Space, 2009], com novas evidências de que o governo tinha muito interesse no mistério. Você está na capa da obra e é dito que participou da manobra de acobertamento... Bem, não é segredo para ninguém que o MoD tinha interesse nos círculos nas plantações, assim como tinha o mesmo interesse pelos UFOs. Essa foi a rotina do ministério durante anos. Algumas das afirmações de Andrews [Consultor da Revista UFO] em seu livro surgiram de uma mistura entre interesses privados e oficiais. Em outra afirmação, ele disse que a família real britânica estaria envolvida na investigação e acobertamento dos agroglifos, algo que acho muito improvável.

Entendo. Nick, o fenômeno ufológico é mundial e transpõe fronteiras. Enquanto esteve à frente do Projeto UFO você teve a oportunidade de ver relatórios de investigação de outros países? Algum chamou mais a sua atenção? Minha área de atuação era limitada à investigação do que ocorria dentro do espaço aéreo inglês. Entretanto, de vez em quando, éramos informados sobre casos ocorridos fora do país — desde que fossem de nosso interesse e que pudéssemos realizar uma investigação através da embaixada britânica da nação envolvida. Um exemplo disso foram os avistamentos ocorridos na Bélgica, entre 1989 e 1990, durante a grande onda de triângulos voadores. Tivemos reuniões com o chefe da Força Aérea Belga e sua equipe, além dos dois pilotos dos caças F-16 que foram enviados para interceptarem os UFOs.

Já que as autoridades de países como a Bélgica e México, por exemplo, afirmam que seus pilotos perseguiram UFOs, por que outras nações não aceitam essa realidade? Afinal, como dissemos, o fenômeno é global. Certamente outras nações estão cientes do que aconteceu na Bélgica e no México. Por exemplo, a embaixada britânica em Bruxelas investigou o caso para nós. Entretanto, há pouquíssimo apoio internacional quando se trata do Fenômeno UFO. Os países tendem a investigar os fatos que ocorrem em seu espaço aéreo e não buscam verificar se há ligações ou acontecimentos similaridades em outros lugares. Por isso existe a sugestão de que a Organização das Nações Unidas investigue os casos no âmbito mundial.

E qual foi sua conclusão sobre os casos de triângulos voadores na Bélgica? De que os pilotos perseguiram e filmaram algum tipo de aeronave que não é terrestre. A experiência daqueles aviadores foi única!

Em algum momento eles solicitaram autorização superior para atirar contra os UFOs ou foram recomendados a isso? De forma alguma. Primeiro porque não conseguiram se aproximar o suficiente dos triângulos voadores, e, segundo, porque tinham instruções para identificar os objetos, não derrubá-lo.

Mas há casos de perseguição em que a ordem é atirar para derrubar? Sim, e há dois casos para ilustrar essa pergunta. Em 18 de setembro de 1976 o piloto iraniano Parviz Jafari tentou disparar mísseis contra um UFO que sobrevoava Teerã. Ele era o comandante do segundo avião F-4 Phantom enviado para interceptar o intruso — já que o primeiro, ao se aproximar, perdeu todos os seus instrumentos. Jafari, ao contrário, conseguiu chegar próximo do objeto, mas seu brilho era tão intenso que não pôde distinguir sua forma. Em dado momento ele notou que quatro artefatos saíram da luz e um foi em sua direção. Ele não pensou duas vezes e armou seus mísseis para disparar, mas, para sua surpresa, o equipamento desligou sozinho e sem explicação.

Você disse dois casos. Jafari não foi o único piloto que tentou derrubar um UFO? Não. Em 11 de abril de 1980, o piloto da Força Aérea Peruana Oscar Alfonso Santa Maria decolou para interceptar um objeto que havia entrado em uma área militar restrita. Suas ordens eram claras: derrubar o UFO. Santa Maria se aproximou do artefato pilotando um Sukhoi-22, armou o canhão de 30 mm e disparou 64 balas no intruso. Ele viu quando seus projéteis acertaram a aeronave extraterrestre, mas eles não tiveram efeito — foi como se tivessem sido absorvidos pelo UFO. Ele então manobrou para uma nova aproximação e uma perseguição teve início. Em certo momento, ficou a apenas 70 m do aparelho, que tinha cerca de 25 m de diâmetro e uma cúpula de cor creme sobre uma base metálica brilhante. O objeto desapareceu logo em seguida, velozmente.

Existem rumores de que um UFO teria sido derrubado por caças sul-africanos sobre o Deserto de Kalahari, na fronteira com Botswana, em 1989. Você tem alguma informação sobre isso? Cheguei a ouvir esta história e li vários artigos a respeito em revistas ufológicas, mas nunca vi nenhum documento oficial sobre esse episódio. Muito menos tive confirmação de algum governo de que isso fosse verdadeiro [Veja edição UFO 016, agora disponível na íntegra em ufo.com.br].

crédito: UFO Photo Archives
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Um dos misteriosos triângulos voadores que invadiram a Bélgica nos anos 80 e 90, investigados pelo entrevistado

Falando sobre quedas de UFOs, você tem conhecimento de alguma ocorrida na Grã-Bretanha? Existem muitos rumores de que pelo menos um UFO teria caído em meu país. Um dos mais conhecidos dá conta de que um objeto teria se acidentado nas montanhas em Berwyn, no País de Gales, em 23 de janeiro de 1974. Outros locais de supostas quedas são Cannock Chase,Llandegla Moors e Howden Moor. Particularmente, nunca vi qualquer evidência destas histórias. Mesmo tendo acesso a todos os arquivos do MoD, nunca encontrei uma prova que sustentasse a idéia de que um UFO tivesse caído na Grã-Bretanha.

O ufólogo também inglês Nick Redfern escreveu o livro Cosmic Crashes [Quedas Cósmicas, Simon & Schuster, 2000], em que relata mais de dez supostos casos de quedas em seu país. E muitas das informações que ele revela seriam baseadas em documentos oficiais. Você chegou a verificar os documentos de que Redfern trata? Até onde sei, nunca houve um acidente com UFOs na Inglaterra. Portanto, qualquer documento apresentado por ele só pode ser falso.

Creio que as críticas mais duras que a Ufologia recebe vêm dos meios acadêmicos, pois, segundo muitos de seus integrantes, ela não pode ser considerada como uma ciência. Como você vê isso? A comunidade científica realmente não reconhece a Ufologia como parte legítima da ciência, o que é uma pena. Alguns ufólogos são cientistas e alguns cientistas são favoráveis à pesquisa ufológica, mas geralmente, de maneira oficial, a comunidade vê a Ufologia como um hobby, mesmo que atraia a atenção de todos.

Mas se os governos pesquisam o Fenômeno UFO, como sabemos, e uma pesquisa científica requer dados científicos, isso não qualifica a Ufologia para receber o status de ciência? Não necessariamente. A posição de cientistas da esfera governamental tem sido bem estranha. Os órgãos científicos civis, os militares e as agências de inteligência até sabem que precisam de cientistas para investigar o fenômeno, mas de alguma forma eles não são chamados e são até ignorados — em alguns casos, são até temidos. Mas, em algumas ocasiões, certos cientistas detêm enorme poder, como foi o caso de Frederick Lindemann, assessor de Winston Churchill — que virou lorde Cherwell posteriormente. Churchill encaminhava tudo o que era relacionado a UFOs para ele, e sabemos que o ex-primeiro-ministro britânico tinha fascínio pelo assunto. Mas, infelizmente, lorde Cherwell foi uma exceção.

Falando em Winston Churchill, como se confirma que ele realmente foi entusiasta da Ufologia? Documentos agora liberados pelo Ministério da Defesa (MoD) ratificam isso. Um dos arquivos contém a carta de um cientista cujo pai foi guarda-costas de Churchill. Ele afirma que, durante a Segunda Guerra Mundial, o então primeiro-ministro tratou com o general norte-americano Dwight Eisenhower — que mais tarde seria presidente dos Estados Unidos — para que o avistamento de um UFO pela tripulação de um avião militar inglês fosse mantido em sigilo. Esse caso foi espetacular. O UFO realizou manobras impossíveis para os aviões da época, e a uma velocidade fora do comum. Winston Churchill, aparentemente, temia que se os detalhes do caso fossem levados a público poderia haver pânico.


Como os Estados Unidos tinham o Projeto Blue Book, nós tínhamos o Projeto UFO, embora com recursos muito menores, mesmo que com metodologia virtualmente idêntica (...) O que se queria era investigar objetos não identificados vindos da antiga União Soviética, não discos voadores marcianos.
Mas tamanho interesse pelos UFOs não era só de Churchill, correto? Outras autoridades britânicas também já expressaram seu entusiasmo pela presença alienígena na Terra. Correto. Muitos dos grandes personagens ingleses da geração do ex-primeiro-ministro eram fascinados pelo assunto. O cientista Henry Tizard, o diretor da Inteligência britânica R. V. Jones, Earl Mountbatten e Peter Horsley, só para citar alguns, estão entre eles.

Voltando à relação da ciência com Ufologia, você acredita que os cientistas civis, que não trabalham para governos, seriam mais abertos a aceitar o Fenômeno UFO? Ao contrário. Fora dos projetos governamentais, a posição dos cientistas tem sido muito mais difícil para nós — eles fazem duras críticas à Ufologia. De Donald Menzel a Patrick Moore, muitos foram negadores ferrenhos da realidade ufológica. A ironia é que a Ufologia dita científica não é diferente em nenhum aspecto de qualquer disciplina científica. Um excelente exemplo disso foi o Projeto Hessdalen, norueguês, que pesquisou sistematicamente a manifestação de luzes e sondas ufológicas no vale de mesmo nome [Relatório completo dele está no DVD Portal, Veja código DVD-032 da coleção Videoteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br]. Infelizmente, muito em Ufologia não é científico não por causa dos investigadores, mas dos meros apreciadores do tema que nada pesquisam e se dizem ufólogos. Eles tiram suas conclusões à frente de seus computadores, sem conhecimento apropriado e fontes de credibilidade. Isso é uma vergonha.

Podemos concluir, então, que as investigações ufológicas de projetos governamentais são conduzidas de maneira científica e as outras, não? Sim, mesmo que os militares tenham que batalhar para obter suporte científico. Ufólogos e cientistas são geralmente como água e vinho, embora já existam laços entre eles. Mas muito mais ainda pode e deve ser feito. A “boa” Ufologia, seja ela oficial ou civil, deve ser baseada em dados e metodologia científica, algo que na maioria das vezes não é. Para mim, sua definição não está tão distante do que é a ciência.

Perfeito. Como já falamos no início da entrevista, enquanto estava no MoD você pesquisou tudo o que era estranho e inusitado pelos padrões científicos. Um dos temas que mais chamou minha atenção foram suas investigações sobre visão remota. Conte-nos um pouco sobre elas. Visão remota é a tentativa de localizar pessoas e itens usando as habilidades psíquicas de certas pessoas. A técnica foi desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa de Stanford, nos Estados Unidos, na década de 70, mas os militares rapidamente reconheceram o valor desse trabalho e o encamparam — especialmente sabendo das pesquisas soviéticas na área de parapsicologia. O mais famoso foi o Project Stargate, que consistia na utilização da mediunidade para procurar reféns norte-americanos, armas, drogas, bases terroristas e submarinos soviéticos. Embora não tenha sido parte do meu trabalho formal no Projeto UFO, o assunto era freqüentemente abordado por pessoas que afirmavam ter habilidade psíquica. Conversei com vários colegas do MoD e cheguei a conduzir alguns testes com pessoas que se diziam mediúnicas, mas os resultados não me convenceram.

O que você considera o dado mais relevante na pesquisa desta área? Um fato bem estranho. Em 2007, fiz uma investigação e descobri que, em 2001, logo após os atentados de 11 de Setembro, a inteligência norte-americana tentou recrutar médiuns para procurar alvos, inclusive Osama Bin Laden e armas de destruição em massa. Não sei com quais resultados...

Chegamos ao 11 de Setembro. Você crê que houve uma conspiração governamental para perpetrar o ataque, como pensa nosso entrevistado anterior, o best seller norte-americano Jim Marrs [Veja edições UFO 171 e 172, agora disponíveis na íntegra em ufo.com.br]? Sou cético quanto a qualquer tipo de teoria da conspiração. Trabalhei no Ministério da Defesa britânico durante 21 anos e nada vi a respeito. Meu último trabalho lá era ligado à segurança e, obviamente, quando deixei o órgão, várias pessoas me procuraram querendo saber sobre as teorias que envolvem esse trágico evento.

Você chegou a fazer alguma investigação sobre os atentados? Podemos dizer que fiz uma “investigação expressa”. Assisti ao documentário Loose Change, escrito e dirigido por Dylan Avery e produzido por Korey Rowe, lançado em 2007, busquei informações em sites e assisti a palestras de Calum Douglas e Gordon Ross [Especialistas no tema]. Debati com Tim Sparke, Ian Henshall e a ex-oficial do serviço de inteligência britânico MI5, Anni Machon, grandes estudiosos dos atentados. Por fim, li do começo ao fim o relatório da Comissão 11 de Setembro, designada pelo governo norte-americano para pesquisar o caso, além de outras fontes. Tudo o que pude concluir é que são infundadas as afirmações de que aquele foi um ataque realizado pelos próprios Estados Unidos — o que ocorreu foi um ataque terrorista.

Os EUA foram de fato atacados pela Al-Qaeda? Perfeitamente. O ataque de 11 de Setembro foi uma tragédia. Se as autoridades norte-americanas pudessem prevenir o que ocorreu, teriam feito isso. E o ataque foi um sucesso porque os terroristas tiveram a combinação de um bom plano com muita sorte, além das falhas nos protocolos das agências de controle de tráfego aéreo dos Estados Unidos.

Perfeito. Então vamos falar da sua saída do Projeto UFO. Qual o motivo? Depois de três anos no projeto fui promovido e acabei sendo transferido para outro posto. Foi tudo por mérito meu e não porque, segundo alguns rumores, eu estaria chegando muito próximo da verdade. Isso não tem sentido. Chegaram a dizer que eu estaria tão perto de descobrir fatos ligados a tramas conspiratórias que tive que ser removido do comando do órgão, mas é tudo uma grande bobagem.

Agora que o Projeto UFO foi encerrado — ou não, segundo algumas fontes —, quais são as suas conclusões sobre o fenômeno? Você escreveu algum relatório final para o governo britânico a respeito? Como se sabe, o Ministério da Defesa terminou o projeto em 01 de dezembro de 2009, e eu o deixei em 2006. Portanto, não tive que fazer nenhum relatório. Mas minha conclusão pessoal sobre o Fenômeno UFO é de que, embora a maioria dos avistamentos possa ser explicada convencionalmente, uma pequena parte deles permanece sem solução. São casos muito interessantes e acredito que devam ter atraído a atenção da segurança nacional e da defesa aérea. Os avistamentos devem ser estudados de maneira científica.


Documentos agora liberados pelo Ministério da Defesa (MoD) ratificam que Winston Churchill era interessado por UFOs. Um dos arquivos contém a carta de um cientista cujo pai foi guarda-costas de Churchill. Ele afirma que, durante a Segunda Guerra Mundial, o então primeiro-ministro tratou com o general norte-americano Dwight Eisenhower — que mais tarde viria a ser o presidente dos Estados Unidos — para que o avistamento de um UFO pela tripulação de um avião militar inglês fosse mantido em sigilo.

E o que você passou a fazer no MoD após deixar o Projeto UFO? Fui trabalhar numa área político-financeira em que minha função era, entre outras coisas, analisar solicitações de empresas de TV e cinematográficas para filmar dentro de bases militares. Neste novo setor eu tinha que considerar se a exposição destas instalações traria algum benefício no sentido de nos aproximar da sociedade ou de encorajar o alistamento militar de jovens [Que na Inglaterra não é obrigatório].

Esse não foi um trabalho um pouco monótono para você, em relação ao que vinha desempenhando antes? Com certeza não tinha as mesmas emoções de antes, mas aprendi muito sobre mídia, propaganda e publicidade. Hoje isso me ajuda muito. Daí, depois daquele setor eu fui direcionado para outro trabalho ligado à segurança, no qual exercia a função de defensor do Comitê Policial do Ministério da Defesa, trabalhando com a polícia militar. Foi uma atividade fascinante e que me deu a oportunidade de viajar para países como a Alemanha, Irlanda do Norte, Kosovo e Iraque por duas vezes.

E depois você deixou o MoD. Por quê? Sente falta de seus dias lá? Eu deixei o ministério em novembro de 2006, após 21 anos de carreira. Poderia até tentar cargos superiores, mas decidi que era o momento certo de buscar novos desafios fora do MoD. Apreciei muito as mais de duas décadas que passei no órgão, onde fiz coisas interessantes. Realmente gostei de trabalhar para o meu país fazendo algo genuinamente importante. Claro que sinto saudades daquela agitação, das discussões sobre determinados assuntos. Como também sinto saudades dos meus colegas, apesar de ainda manter contato com eles. Mas, depois de tudo, tenho a consciência tranqüila que tomei a decisão correta.

Agora que está fora do governo, você tem se dedicado a outras atividades, como escrever livros e dar consultoria para séries de TV, filmes e documentários. Como essas oportunidades surgiram? Naturalmente, como decorrência das minhas participações na mídia, seja através do meu trabalho no MoD, seja de palestras que realizei. Mesmo durante o meu trabalho no ministério eu já dava essas consultorias. Como no remake de O Dia Em Que a Terra Parou [2008], difícil descrever. Nele trabalhei com a 20th Century Fox e a Freud Communications, discutindo como o governo e os militares responderiam a um evento como o descrito no filme.

Creio que uma das participações que você mais gostou foi no primeiro longa metragem de Arquivo-X, certo? Por isso você é conhecido como o “Fox Mulder da vida real”? Bem [Rindo], por tudo o que significou a série, por tudo o que ela envolveu e também por ter sido um grande fã, fiquei muito feliz. Sobre ser o “Fox Mulder da vida real”, quem começou com isso foi a mídia, nos anos 90, e depois as editoras dos meus livros compraram a idéia para promover as vendas. No início eu ficava chateado, pois achava que isso banalizaria as investigações sérias que eu fazia para o governo. Mas comecei a ver o lado bom destas histórias e achei melhor deixar para lá.

Você já escreveu quatro livros, sendo dois sobre seu trabalho de ufólogo e outros dois de ficção. Fale-nos deles.Bem, Céus Abertos, Mentes Fechadas [Editora Madras, 2007] fala profundamente sobre a fenomenologia ufológica, enquanto The Uninvited [Os Que Não Foram Convidados, Dell, 1999] trata das abduções alienígenas. Mas um dia eu resolvi escrever também sobre ficção científica, minha editora gostou e acabei lançando não apenas um, mas dois livros. São eles Operation Thunder Child [Operação Trovão Criança, Pocket Books, 2000] e Operation Lightning Strike [Operação Ataque de Raio, Simon & Schuster, 2002], que abordam a chegada de alienígenas à Terra, todos bem parecidos conosco. Eles desejam viver em nosso mundo e se prontificam a solucionar muitos dos problemas que temos, mas os líderes de várias nações não acreditam em suas intenções. Por fim, as negociações não acabam bem e começa uma guerra.


Depois de três anos no Projeto UFO do Ministério da Defesa (MoD), fui promovido e acabei sendo transferido para outro posto. Foi tudo por mérito meu e não porque eu estaria chegando muito próximo da verdade. Isso não tem sentido. Chegaram a dizer que eu estaria tão perto de descobrir fatos ligados a tramas conspiratórias que tive que ser removido do comando do órgão, mas é tudo uma grande bobagem. Fui trabalhar numa área político-financeira em que minha função era, entre outras coisas, analisar solicitações de empresas de TV e cinematográficas para filmar dentro de bases militares.
Você usou informações reais do Projeto UFO nesses livros de ficção? Sim, tanto sobre UFOs quanto sobre as abduções, assim como dados a respeito da maneira como os governos e os militares lidariam com uma crise desta envergadura. Falei sobre táticas e doutrinas militares, da capacidade de certas aeronaves, dos sistemas de radar e de armas secretas, mas mudei alguns detalhes, pois eram informações oficiais. Estes dois livros foram os únicos até hoje em que precisei de autorização oficial do governo para publicar.

Ótimo. Para finalizar nossa entrevista, gostaria de fazer uma pergunta colocando-o do outro lado da questão ufológica. Se você fosse um alienígena, qual seria a sua mensagem para os seres humanos? “Nós viemos em paz, como amigos. Queremos que vocês tomem seu verdadeiro lugar entre as civilizações do universo. Talvez, quando vocês virem a diversidade de vida existente no cosmos, irão perceber que não importa a sua nacionalidade, a sua cor, religião ou sistema político, pois o mais precioso é saber que vocês fazem parte de um todo”.

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