ENTREVISTA

O movimento global de abertura para a realidade ufológica precisa de ações firmes

Por Renato A. Azevedo | Edição 180 | Agosto de 2011

A Revista UFO tem a tradição de apresentar aos seus leitores entrevistas longas e detalhadas com grandes nomes da Ufologia Brasileira e Mundial — e o tamanho desses textos é proposital para que seja possível conhecer realmente a fundo o que pensam. Com a entrevistada dessa edição não será diferente. Ela tem credenciais que a tornam uma das figuras mais importantes do planeta, atualmente, no que se refere à tão desejada liberdade de informação ufológica. Seu trabalho é visto com tal seriedade que uma das pessoas a colaborar com seu livro UFOs: Generals, Pilots and Government Officials Go On Record [UFOs: Generais, Pilotos e Funcionários do Governo Vêm a Público, Harmony Books, 2010] é John Podesta, homem que chefiou a equipe de governo do ex-presidente Bill Clinton e foi um dos líderes da transição para a administração de Barack Obama.

“Sabemos que 95% dos avistamentos ufológicos podem ser descartados como fenômenos ordinários. No entanto, nos 5% restantes temos eventos espetaculares de UFOs bem documentados, pesquisados por agências governamentais e confirmados por militares, que não encontram explicação para eles nem com ajuda de especialistas”. Isso é o que declarou Podesta no prefácio da obra da entrevistada — o que garante, junto com as credenciais do prefaciante, a credibilidade que ela e seu trabalho têm. Mas Podesta não foi o único a avalizar o livro. O físico teórico Michio Kaku, outra importante e influente figura do meio científico, cuja fama cresce a cada dia, declarou: “Enfim, uma pérola de informação inteligente e esclarecedora sobre os UFOs, um padrão definitivo para a pesquisa do assunto”. Isso é o que se lê na capa do livro.

Ridicularização da Ufologia

Há pouco tempo seria impensável que um cientista do porte de Kaku fizesse uma afirmação tão audaciosa. Ele recentemente disse que “o conhecimento científico tem avançado tão rapidamente que em pouco tempo estaremos utilizando técnicas de vôo e materiais para construção de naves que hoje apenas povoavam insólitas obras da ficção científica”. Foi este homem, como Podesta e quase duas dúzias de ícones da Ufologia Mundial, que nossa entrevistada conseguiu fazer comprometerem-se com o assunto. Ela é Leslie Kean, que está na linha de frente na luta pela transparência no debate ufológico, insistente e energicamente cobrando do governo norte-americano nada menos do que o fim da estratégia de ridicularização da Ufologia.

Os ufólogos têm que se conscientizar de que precisamos produzir informações de qualidade sobre o Fenômeno UFO, sem alegações ou hipóteses não confirmadas, mas dados concretos - os discos voadores têm características suficientemente extraordinárias por sua própria natureza

Sua luta para atingir o fim do acobertamento ufológico é amplamente respeitada em todo o planeta, embora seu esforço ainda seja visto com certas reservas por veículos de comunicação dos Estados Unidos. “Em nossa campanha pela liberdade de informação, evitamos fazer qualquer referência a termos como ‘naves extraterrestres’ e ‘seres alienígenas’, a fim de não afastarmos políticos ou membros da comunidade científica, que podem nos dar apoio”, diz Leslie, comentando os cuidados que teve na organização da famosa Conferência de Imprensa de Washington, que aconteceu em 2007 na capital do país [Veja UFO 137, agora disponível na íntegra em ufo.com.br]. No histórico evento, com farta cobertura da imprensa, Leslie conseguiu reunir algumas das figuras mais importantes da Ufologia Mundial, como Nick Pope, ex-funcionário do Departamento de Defesa britânico (MoD), o ex-governador do Arizona Fife Symington — que ocupava o cargo quando se deu o incidente conhecido como Luzes de Phoenix —, e também importantes militares que tiveram experiências pessoais com os UFOs — com destaque para o general iraniano Parviz Jafari e o comandante peruano Oscar Santa Maria, que perseguiram discos voadores que invadiram o espaço aéreo de seus países.

Participação brasileira

O livro de Leslie Kean — que será brevemente lançado no Brasil pela Idea Editora — não pode ser comparado a qualquer outra obra ufológica recente. Especialmente pelo fato de que de sua elaboração participaram militares e agentes governamentais que tiveram experiências realmente próximas e pessoais com o Fenômeno UFO, e que redigiram seus próprios depoimentos para a publicação. E, para grande alegria de todos os ufólogos brasileiros, alguns dos participantes da obra são nossos conterrâneos, como o brigadeiro José Carlos Pereira, que atendeu aos pedidos da autora graças aos contatos disponibilizados pela Revista UFO, que entrevistou o militar em 2008 [Veja UFO 141 e 142 na íntegra em ufo.com.br].

crédito: the times
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Entre os inúmeros apoiadores de seu trabalho, Leslie conta com o físico Michio Kaku

Por isso, não pode causar surpresa que Leslie Kean considere como um dos casos ufológicos mais significativos, entre os descritos no livro, a chamada Noite Oficial dos UFOs no Brasil, de 19 de maio de 1986, que foi tão bem descrito por Pereira: “Naquela noite, um grupo de UFOs foi avistado sobre a Região Sudeste do país e o sistema de defesa aérea foi colocado em alerta. A Aeronáutica então ordenou a decolagem de caças a jato pilotados por seus mais experientes pilotos, a fim de interceptar os objetos”, descreveu o brigadeiro na obra da entrevistada, sendo a primeira manifestação militar oficial brasileira deste calibre.

Assim, prosseguindo em seu esforço para que a verdade sobre a presença alienígena na Terra seja conhecida de toda a sociedade, a Revista UFO apresenta a entrevista a seguir, em que a consultora da Revista UFO Leslie Kean descreve a luta que ela, à frente da Coalition for Freedom of Information [Coalizão para Liberdade de Informação, CFI], a instituição que fundou, trava para que a fronteira final do acobertamento, imposta pelo governo norte-americano, seja finalmente vencida. Vamos à entrevista!

NASA forçada a liberar documentos

Uma das vitórias mais significativas que a CFI teve foi a condenação da NASA em uma ação federal que você impetrou para obter informações omitidas pela agência a respeito do Caso Kecksburg, a queda de uma nave em 1965. Pode descrever os passos do processo e como chegou aos seus resultados?
Sim. Primeiro, enviamos à NASA uma solicitação formal, com base na Lei de Liberdade de Informação [Freedom of Information Act, FOIA] para que a agência se manifestasse a respeito de cinco itens específicos relacionados ao Caso Kecksburg. Mas a agência respondeu que não tinha qualquer documento que atendesse à nossa solicitação, o que sabemos que não é verdade. Então, demonstramos que a agência mentia e entramos com uma ação para pressioná-la a revelar o que escondia, ou seja, informações comprovadas no processo. Acabamos vencendo em primeira instância e também em segunda, derrotando uma apelação da NASA para que continuasse a esconder os documentos. Mas para isso foi necessário que o processo fosse ajuizado no âmbito federal, e foi o que fizemos. Infelizmente, no entanto, não conseguimos resolver o Caso Kecksburg dessa forma, apesar do enorme volume de documentos que a agência foi forçada a liberar sob a supervisão da Justiça [Veja o relatório final do processo na página da entrevistada: www.freedomfinfo.org].

crédito: washington herald
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O político John Podesta

Mas o que foi possível saber a mais sobre a queda da nave em Kecksburg, a partir do material a que vocês tiveram acesso? Lamentavelmente, não descobrimos muita coisa nova sobre o papel do governo no processo de recuperação do objeto acidentado naquela cidade, além daquilo que os ufólogos civis já tinham conhecimento. Soubemos, então, que todas as informações governamentais sobre tal evento ainda estão classificadas como secretas — o que é ilegal, segundo a lei, uma vez que já se passaram 40 anos da ocorrência — e arquivadas em outro local do aparato militar do país. Onde, ainda não sabemos e estamos pesquisando. Mas o mais importante do processo contra a NASA foi que ele mostrou como o cidadão pode agir contra as repetidas negativas oficiais, usando o instrumento legal apropriado, que é a FOIA — apesar de o processo também ter mostrado como é difícil, mesmo com este dispositivo, fazer o governo liberar documentos, que são legalmente da sociedade.

Uma das explicações convencionais para o Caso Kecksburg, defendida pelo governo, era a queda de um satélite soviético, o Cosmos 96. O que você pensa a respeito? Isso já foi esclarecido de maneira definitiva. Veja, o cientista-chefe do departamento que se responsabiliza por monitorar a reentrada na atmosfera e queda de detritos espaciais da NASA, Nicholas L. Johnson, reconhecido internacionalmente como uma autoridade em “lixo espacial”, afirmou em 2003 que o Cosmos 96 não foi o artefato que caiu naquela cidade da Pensilvânia na tarde de 09 de dezembro de 1965 — derrubando oficialmente a explicação considerada por décadas como a única possível para o Caso Kecksburg. Além disso, Johnson afirmou que nenhum outro objeto feito pelo homem, de qualquer outro país, caiu naquele dia no local. O que era então? Hoje sabemos que a queda do Cosmos 96 foi apontada como explicação devido ao fato de que ele realmente caiu naquele dia, mas bem mais cedo do que se diz e a milhares de quilômetros de Kecksburg, no Canadá. Até a própria Força Aérea Norte-Americana (USAF) afirmou na época que nenhum detrito entrara no espaço aéreo do país naquela data, e que todas as suas aeronaves e mísseis estavam a postos, sem que qualquer um estivesse faltando — ou seja, também não poderiam ter se acidentado na cidade.


É a vitória da Ufologia, o que me traz à mente um comentário do doutor Peter Sturrock, professor emérito de física aplicada na Universidade de Stanford, em seu livro The UFO Enigma: ‘Em princípio, podemos provar uma hipótese não apenas encontrando fortes evidências a seu favor, mas também encontrando fortes evidências contra todas as outras possibilidades’
Até hoje há ufólogos que insistem que foi um pedaço do satélite russo o causador do acidente... Sim, mas Johnson desfez a polêmica ao examinar os dados orbitais do Cosmos 96 e calcular até quando passou sobre a Pensilvânia, caindo bem mais à frente, no Canadá. “Posso afirmar categoricamente que não há como os restos do Cosmos 96 terem caído em qualquer lugar do estado”, disse em uma entrevista em 10 de outubro de 2003. Ainda em 1991 o Comando Espacial dos Estados Unidos informou em que o Cosmos 96 caira no Canadá, às 03h18 daquele dia. Agora, interessante foi Johnson ter dito — e demonstrado — que nenhum artefato humano poderia ser responsável pelo que ocorreu na Pensilvânia na tarde de 09 de dezembro de 1965. O que era então? Ele disse ainda que não era nada catalogado pela NASA e teria que ser muito pequeno, sem chances de sobreviver à reentrada na atmosfera. “Não se pode lançar nada no espaço sem que alguém descubra. Em 1965, tanto os Estados Unidos quanto a União Soviética estavam informando sobre seus lançamentos à sociedade, e nada como aquele objeto foi algum dia contabilizado nos registros astronáuticos”.

Mas a polêmica continuou mesmo depois disso, quando surgiu a teoria de que o artefato acidentado seria a cápsula de filmagem de um satélite de reconhecimento. É correto isso? Esta teoria surgiu porque, na época, os satélites de reconhecimento — ou espionagem — expeliam em cápsulas os filmes feitos a bordo, que desciam em pára-quedas ao solo para serem revelados. Esta possibilidade também foi mencionada, mas logo descartada porque as cápsulas eram lançadas após missões secretas sobre a União Soviética, e dados sobre essas missões foram recentemente liberados, permitindo-nos conferir as datas de lançamentos e de recuperação das cápsulas já no solo — nenhuma delas bate com as datas do Caso Kecksburg. Outra teoria aventada depois, também rejeitada, foi de que o objeto seria um meteoro. Nos anos 60, ao contrário de hoje, o governo não tinha meios técnicos de detectar corpos naturais, como meteoros, entrando na atmosfera terrestre. Os únicos registros que temos desses eventos teriam que vir de testemunhas oculares — e elas descreveram, conforme apontou outro renomado especialista que também se manifestou a respeito, Phillip S. Clark, da agência Molniya de consultoria espacial, que o objeto que caiu na Pensilvânia realizou curvas e desceu lentamente em ângulo.

crédito: arquivo ufo
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O livro de Leslie conta com a participação do brigadeiro brasileiro José Carlos Pereira

Então, a tese de que ocorreu a queda de um UFO em Kecksburg venceu pela persistência dos ufólogos e ajuda direta de cientistas? Sim, é a vitória da Ufologia, o que me traz à mente um comentário do doutor Peter Sturrock, professor emérito de física aplicada na Universidade de Stanford, em seu livro The UFO Enigma [Aspect Editors, 2000]. Ele disse que, “em princípio, podemos provar uma hipótese não apenas encontrando fortes evidências a seu favor, mas também encontrando fortes evidências contra todas as outras possibilidades”.

Acesso à informação retida

Muito interessante. Mas ainda sobre Kecksburg, diga-nos qual foi a participação de John Podesta nesse processo contra a NASA? Tendo trabalhado com Bill Clinton e Barack Obama, ele teria influência para que se liberassem os arquivos secretos sobre o incidente?
Na verdade, ao se envolver com o assunto, Podesta tinha como objetivo promover a abertura governamental e garantir o direito das pessoas de terem acesso à informação que estava sendo retida. Em 2002, quando fundei a Coalizão pela Liberdade de Informação (CFI) e comecei o que chamo de Iniciativa Kecksburg, Podesta foi um dos primeiros apoiadores desse trabalho, pois ele envolvia assuntos relacionados com a Lei de Liberdade de Informação, sua especialidade. Ele se manifestou publicamente a respeito, pois viu que era legítimo nosso esforço de usar o instrumento para pressionar o governo a liberar informações secretas. Esse era um assunto muito sério, como tudo que se refira a leis no país. Assim, quando iniciamos o processo contra a NASA, no qual eu era a figura principal, Podesta passou a acompanhar a ação.

E ele é interessado pela questão ufológica? Sim, é interessado, mas se define como um “cético curioso” pelo tema. Ele é uma pessoa de mente aberta. Observando suas ações, comecei a considerá-lo brilhante, alguém que estava disposto a tirar o assunto do ostracismo e da marginalidade. Ele tem apoiado o trabalho de abertura ufológica há anos e se dispôs a escrever o prefácio de meu livro. John Podesta acredita que o governo deve liberar tudo que tem escondido, e é da opinião de que agentes governamentais, cientistas e especialistas em aviação precisam trabalhar juntos para chegarem às respostas sobre o mistério dos discos voadores.

Isso é um grande apoio à causa da abertura, como tivemos no Brasil da parte do brigadeiro José Carlos Pereira, a partir da histórica entrevista que ele concedeu à Revista UFO [Veja UFO 141 e 142, agora disponíveis na íntegra em ufo.com.br]. E por falar nisso, como foi seu contato com ele? Você conhecia alguma coisa da Ufologia Brasileira anteriormente? Sim, ouvi muito sobre o desenvolvimento da Ufologia no Brasil através do trabalho do editor A. J. Gevaerd. Há quase 20 anos sigo seu trabalho e nos encontramos diversas vezes em congressos de Ufologia nos Estados Unidos e Europa, nos quais pude assistir suas apresentações de interessantes casos brasileiros. Foi assim que soube, em 2008, que o Governo Brasileiro começou a liberar documentos antes secretos sobre UFOs no país, afirmando ainda que iria gradualmente liberar mais papéis agrupados por décadas, uma de cada vez. Soube então que documentos, fotos e até desenhos de discos voadores, produzidos dos anos 50 aos 80, foram tornados públicos — mais de 4.000 páginas e muitas delas cobrindo a Operação Prato. Como escrevi em meu livro, Gevaerd e os demais integrantes da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), um importante grupo de pesquisadores civis de seu país, fizeram um respeitável trabalho para a liberação dos arquivos governamentais. Gevaerd me enviou os links onde esse material estava na internet e providenciou a tradução de muitos deles — considerei os documentos extremamente interessantes [Em um congresso ufológico na Calábria, Itália, em 2006, ao tomar conhecimento dos planos da entrevistada de fazer a histórica Conferência de Imprensa de Washington, no ano seguinte, Gevaerd lhe passou valiosos contatos de militares sul-americanos e europeus, que acabaram sendo responsáveis por grande parte das informações apresentadas na ocasião em seu livro].

Você teve alguma dificuldade em conquistar a contribuição do brigadeiro Pereira para a obra? Não. Gevaerd me enviou a tradução em inglês da entrevista que fez com ele para a Revista UFO, e seu conteúdo me deixou muito impressionada, especialmente pelas extraordinárias credenciais do militar. Então pedi a Gevaerd para me colocar em contato com ele, que me atendeu prontamente — disso resultando sua contribuição para o livro. Pereira aceitou que algumas partes da entrevista à UFO fossem usadas e combinadas com um novo material que ele próprio me enviou. Trocamos muitos e-mails e o capítulo que ele assina é um dos mais importantes da obra.

Esquadrilha de UFOs no Brasil

O que você pensa a respeito dos casos ufológicos que o brigadeiro José Carlos Pereira revelou no livro? Qual deles a impressionou mais? De longe, o mais impressionante episódio ufológico brasileiro que ele descreveu foi a espetacular série de avistamentos envolvendo pilotos militares e detecção por radar em 19 de maio de 1986, e que ficou conhecida como A Noite Oficial dos UFOs no Brasil. Pereira abriu seu capítulo em meu livro com dois parágrafos muito interessantes sobre esta ocorrência. Veja:

“Na noite de 19 de maio de 1986, um grupo de UFOs foi avistado sobre a Região Sudeste do Brasil e o sistema de defesa aérea foi colocado em alerta. A Força Aérea Brasileira (FAB) ordenou a decolagem de caças a jato pilotados por seus pilotos mais experimentes, a fim de interceptar esses objetos. O coronel Ozires Silva, presidente da Petrobrás, e seu piloto, comandante Alcir Pereira da Silva, voavam a bordo de um avião executivo Xingu próximo a Poços de Caldas e rumando para São José dos Campos, quando radares em diferentes locais detectaram 21 UFOs no céu, desde São Paulo até o Rio de Janeiro. Silva e seu piloto viram um deles e o perseguiram por cerca de 30 minutos. Era uma luz laranja e vermelha que se movia rapidamente, e que parecia pular de um ponto a outro. Eles não conseguiram se aproximar dela e acabaram forçados a desistir da perseguição.

crédito: stan gordon
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Hoje se sabe que o artefato acidentado em Kecksburg não era nem um pedaço de satélite, nem um meteoro, como se aventou na época

Durante a ocorrência, numerosas testemunhas altamente qualificadas viram várias coisas e os radares as detectaram. Sabemos que equipamentos como esses podem ser afetados por diversos fatores e apresentar ecos falsos — mas um eco falso aparece apenas brevemente e é fácil de se reconhecer antes de desaparecer. Além disso, quando temos mais de um radar detectando o mesmo alvo, sabemos que se trata de algo sério. E como esses equipamentos operam em diferentes freqüências, temos a correlação de leituras independentes, originadas de diferentes fontes. Esses dados não têm nada a ver com a visão humana. Mas quando, simultaneamente com os radares, vários pilotos observam a mesma coisa, então o incidente tem verdadeira credibilidade e se mantém solidamente, em termos irrefutáveis”.

Este é um registro verdadeiramente significativo, que não pode ser ignorado. Sem dúvidas! E para acrescentar dados ainda mais expressivos ao caso, a documentação sobre a Noite Oficial dos UFOs no Brasil foi liberada e tornada pública em 2009 — depois que o brigadeiro Pereira completou o capítulo para o meu livro. Um documento em particular, entre os liberados na ocasião, era tão impressionante que escrevi a seu respeito na introdução do capítulo de Pereira. Trata-se do Relatório de Ocorrência, um documento sobre o incidente de 1986, escrito pelo então comandante do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra), brigadeiro José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, ao ministro da Aeronáutica relatando tudo o que se passou naquela ocasião, inclusive com horários de cada ação militar na busca de identificação e interceptação dos UFOs [Veja UFO 160, agora disponível na íntegra em ufo.com.br]. O documento estabelece que as leituras de radar, tanto do sistema de defesa aérea como dos caças, foram gravadas simultaneamente, enquanto os pilotos observavam a partir de seus aviões.


Podesta queria promover a abertura governamental e garantir o direito das pessoas de terem acesso à informação que estava sendo retida (...) Ele foi um dos primeiros apoiadores desse trabalho, pois ele envolvia assuntos relacionados com a Lei de Liberdade de Informação, sua especialidade. E se manifestou publicamente a respeito, pois viu que era legítimo nosso esforço de usar o instrumento para pressionar o governo a liberar informações secretas. Esse era um assunto muito sério, como tudo que se refira a leis nos Estados Unidos
Este é um dos mais importantes de todos os documentos liberados como resultado da campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU). Sim. O Relatório de Ocorrência ainda lista numerosas características do fenômeno observado naquela noite, como sua aceleração e desaceleração súbita, habilidade de pairar no ar e de desenvolver velocidades supersônicas. Os objetos observados tinham luzes de cores branca, verde e amarela, e em alguns momentos se apresentavam sem qualquer tipo de luz. A impressionante conclusão do relatório é a seguinte: “Como conclusão dos fatos observados, em quase todas as apresentações, este comando é do parecer de que os fenômenos são sólidos e refletem de certa forma inteligência, pela capacidade de acompanharem e manterem distância dos observadores, como também voarem em formação, não forçosamente tripulados”.

Aspectos de segurança nacional

Perfeito. Vamos agora falar um pouco a seu respeito. Onde você estudou e o que fazia antes de se interessar pela Ufologia? Bem, eu nasci em Nova York, onde moro agora, e estudei no Bard College, na mesma cidade. Antes de me interessar pelos UFOs, eu era jornalista freelancer e trabalhava como produtora e apresentadora de um programa de notícias investigativo da rádio KPFA, da Califórnia. Até então já tinha muitos trabalhos sobre vários assuntos para jornais e revistas, tanto nos EUA quanto internacionalmente. Dediquei-me muito à Burma e à luta por redemocratizar o país, escrevendo matérias sobre ele e sua gente. Fui co-autora de um livro a respeito e viajei para lá, retornando com muitas fotos e entrevistas impactantes sobre a situação daquela nação. Uma das histórias que escrevi, em co-autoria com Dennis Bernstein, foi capa da revista The Nation sobre o comércio de heroína em Burma, que acabou sendo indicada ao Prêmio Polk daquele ano. Quando comecei a trabalhar na KPFA, minha área de atuação se ampliou para incluir outros tópicos, em particular a questão de condenações erradas cometidas pela Justiça norte-americana e a pena de morte. Foi nesta fase de minha carreira que tomei conhecimento da Ufologia e tudo mudou para mim. Eu já tinha um histórico estabelecido como jornalista, o que me ajudou a tratar jornalisticamente do tema, ainda considerado um tabu em nossa cultura.

Como ocorreu sua iniciação na Ufologia. O que exatamente a levou a ingressar na área e quando se deu isso?
Em 1999, um colega francês me enviou uma cópia do Dossiê Cometa, um estudo sobre a presença alienígena na Terra escrito por um grupo de oficiais franceses — incluindo quatro generais, um almirante e o antigo chefe da agência espacial do país — e profissionais altamente reconhecidos, entre cientistas e engenheiros. Eles passaram três anos estudando dados oficiais sobre UFOs coletados em todo o mundo. Tendo orientação militar, o grupo se interessou mais pelos aspectos envolvendo a segurança nacional da França e estudou os melhores casos que havia. Sua conclusão é espantosa: de todas as possibilidades consideradas, a chamada hipótese extraterrestre (ETH) era a melhor, mais racional e mais plausível explicação para os acontecimentos examinados. O grupo salientou que a tese ainda não foi provada, que ainda era apenas uma hipótese, mas que era a mais razoável — e reconheceu abertamente que o Fenômeno UFO necessita de mais estudos.

crédito: anthony choy
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Integrantes da Conferência de Imprensa de Washington, em 2007, e seu co-idealizador

A Revista UFO chegou a publicar, em 2008, uma tradução do Dossiê Cometa, para que os brasileiros tivessem acesso ao documento [Código LIV-021 da coleção Biblioteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br]. O ponto mais importante do Dossiê Cometa foi a discussão que o grupo fez das implicações do Fenômeno UFO, caso a hipótese extraterrestre fosse confirmada — tanto que o subtítulo do trabalho é Para o Que Devemos Estar Preparados? Quando eu recebi o informe, que ainda não havia sido divulgado nos EUA, nem enviado a outro repórter, reconheci que era uma notícia importante a ser dada. E, como jornalista, pensei: “Caramba, esta é uma grande história!” Tínhamos um grupo de oficiais do mais alto nível declarando-se favorável à ETH, afirmando que os UFOs são reais e que têm implicações militares. Então, comecei a examinar a questão profissionalmente, escrevendo meu primeiro artigo sobre o Dossiê Cometa para o The Boston Globe, que foi publicado em maio de 2000. Foi assim que tudo começou para mim. Eu queria saber mais a respeito dos casos e das afirmações do grupo francês, e isso me levou a ser absolutamente fascinada pelo Fenômeno UFO. Nunca mais parei de trabalhar nessa área — mas meu objetivo, como repórter, sempre foi aplicar altos padrões jornalísticos em meus artigos a respeito do tema, como sempre fiz com qualquer outro assunto. Ao longo do caminho, publiquei uma série de textos sérios sobre Ufologia para a imprensa em geral, cada um deles requerendo muita pesquisa de minha parte.

Foi sua decisão de tratar jornalisticamente do assunto que a fez organizar a Conferência de Imprensa de Washington, em novembro de 2007, um evento marcado pela participação de importantes figuras militares e governamentais, que revelaram muitas informações abertamente? O que mais pode falar sobre o acontecimento? Exato. O evento foi organizado por mim e pelo cineasta James Fox [Que esteve em abril realizando palestra no 7º Encontro Ufológico de Peruíbe]. Começamos a trabalhar juntos em julho de 2007 e tínhamos menos de quatro meses para planejá-lo — foi um trabalho enorme. Mas, ao final, conseguimos reunir no Clube Nacional da Imprensa, em Washington, um considerável grupo de integrantes graduados de governos, militares de altas patentes e comandantes aeronáuticos de sete países. Eles apresentaram tanto experiências pessoais quanto informações relativas a investigações oficiais envolvendo UFOs — cada um dos participantes foi testemunha de incidentes ufológicos ou tomou parte em sua investigação, com relevância para a segurança da aviação e também para a segurança nacional de suas nações. Representantes da França, Inglaterra, Bélgica, Chile, Peru, Irã e Estados Unidos convocaram o governo norte-americano para participar de um diálogo sobre a presença alienígena na Terra e reabrir as investigações que a Força Aérea paralisou há mais de 30 anos, em cooperação com outros governos que já estão estudando o fenômeno. A Conferência teve a moderação do ex-governador do Arizona, Fife Symington.

Omissão e negação oficial

Parece que houve uma razão específica para a escolha da data para a realização do evento, novembro de 2007?
A data foi definida, entre outros motivos, para comemorar o primeiro aniversário de um espetacular incidente ufológico ocorrido no Aeroporto O’Hare, de Chicago, sobre o qual vários dos participantes se referiram inúmeras vezes. O evento escancarou um exemplo gritante de como o governo norte-americano recorreu à negação dos fatos e tentou se isentar de responsabilidades para apurar o ocorrido, em flagrante contraste com o que se passa em outros países, em que a abertura ufológica está em franco desenvolvimento.

O que mais foi destaque da Conferência de Imprensa que você realizou em Washington? Bem, embora todo o evento tenha sido muito impactante, tivemos alguns momentos de grande excitação. Foi especialmente compensador ver algumas das maiores autoridades do mundo, no que diz respeito ao contato direto com UFOs e sua pesquisa, se encontrarem pela primeira vez em um mesmo local — a maioria delas não conhecia os demais. Particularmente interessante foi a conexão que se estabeleceu entre o general iraniano Parviz Jafari e o comandante peruano Oscar Santa Maria, que puderam trocar experiências sobre os episódios que viveram, de perseguição a naves. Seus casos estão registrados nos arquivos do governo norte-americano — especificamente os do Projeto Livro Azul — entre as mais espantosas, dramáticas e mais bem documentadas ocorrências ufológicas militares de todos os tempos, envolvendo caças a jato, como os pilotados pelos dois oficiais em 1976 e 1980, que incluíram até tentativas de abater os “intrusos”.

A participação do governador Fife Symington foi um destaque à parte. Ele estava no cargo quando ocorreu o caso das Luzes de Phoenix [Veja detalhes no DVD homônimo, código DVD-025 da Videoteca UFO. Confira no Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br]. Como foi sua intervenção?
Foi muito positiva e determinante para que atingíssemos ainda mais credibilidade naquele trabalho. No final do evento, Symington deu uma ótima declaração aos presentes, dizendo: “Agora sei que não estou sozinho em ter testemunhado algo extraordinário. E vejo que há muitos militares de alto escalão, aviadores e agentes governamentais com as mesmas preocupações que eu. Alguns deles estão aqui, hoje, e todos nós queremos que o governo norte-americano interrompa sua política de afirmar que os UFOs podem ser explicados em termos convencionais. Em vez disso, o país deve reabrir suas investigações oficiais do tema, canceladas em 1969. O governo não pode mais se recusar a ingressar em um diálogo internacional sobre os UFOs, e nós convidamos o presidente a trabalhar em cooperação com os países representados nesse evento”.

Toda a Ufologia Mundial acompanhou apreensiva os resultados da Conferência de Imprensa, que eram dados com destaque pela imprensa em geral. Como vocês conseguiram uma cobertura tão grande? A agência de notícias Reuters divulgou para o mundo a primeira matéria sobre a conferência na mesma manhã em que ocorria, com o título Estados Unidos Pressionados a Reabrir Investigações sobre UFOs. Com isso, todas as notícias que se seguiram repetiram o mesmo tema. No dia seguinte, o jornal Washington Times publicou uma nota interessante: “Um painel internacional de cientistas, militares e ex-funcionários graduados exigiram ontem que o governo reabrisse suas investigações sobre os UFO”. E a agência ABC News publicou a chamada Ex-Pilotos e Oficiais Pedem uma Nova Investigação Ufológica nos Estados Unidos. Enfim, a cobertura da imprensa foi grande. E ele foi destaque também em outros 16 países, incluindo Índia, África do Sul e Kuwait — a maioria devido às notícias distribuídas pela Reuters em outras línguas. Além disso, jornalistas dos EUA, Canadá e Austrália estiveram presentes cobrindo o evento.

Como escrevi em meu livro, Gevaerd e os demais integrantes da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), um importante grupo de pesquisadores civis de seu país, à frente da campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, fizeram um respeitável trabalho para a liberação dos arquivos governamentais. Ele me enviou os links onde esse material estava na internet e providenciou a tradução de muitos deles — considerei os documentos extremamente interessantes

Como você avalia a repercussão do trabalho realizado na mídia internacional? Acho que foi séria e justa, porque os participantes da Conferência não expuseram nenhuma informação duvidosa ou que poderia ser ridicularizada — eles se limitaram a apresentar fatos verificáveis. Nós também evitamos fazer qualquer referência a termos como “naves extraterrestres” e “seres alienígenas”, para não afastar políticos ou membros da comunidade científica que poderiam nos dar apoio. Aliás, na Conferência de Imprensa nós claramente definimos a sigla UFO como significando simplesmente algo inexplicável de origem desconhecida. Nossa estratégia também foi a de não fazer acusações de acobertamento contra agentes governamentais e não demandar especificamente abertura ufológica, mas salientar preocupações que existem quanto à interferência de UFOs com a segurança aérea e a segurança nacional de todos os países. Por fim, em vez de cobrarmos algo do governo, nós o convidamos a participar de um esforço internacional para pesquisa da fenomenologia ufológica. Nossas estratégias se mostraram eficientes.

Até mesmo Larry King...

Sem dúvida, tanto que até um dos mais respeitados âncoras de TV da história prestigiou e ajudou na divulgação do evento. Como você viu o apoio de uma figura tão importante quanto Larry King à Conferência de Imprensa? O apoio dele foi muito importante e imprescindível. Três dias antes do evento, em seu talkshow na rede CNN, King [Foto ao lado] promoveu o evento de tal forma que levou a um frenesi nos últimos dias antes dele. Ele entrevistou durante quase uma hora o coronel Charles Halt e o sargento James Penniston, que foram as principais testemunhas do Caso Bentwaters, de dezembro de 1980, e o co-produtor do evento, James Fox. A CNN também divulgou a conferência em todos os noticiários daquela manhã e no programa Anderson Cooper 360. A cobertura foi excelente e teve muitos pontos positivos, mas a CNN ainda tem um problema em tratar do assunto com seriedade — não Larry King, evidentemente, mas outros âncoras da rede ainda tratam dos UFOs com certo deboche. Bem, iremos sentir muita falta de King agora que seu programa saiu do ar. Ele apresentou muitos shows sobre UFOs e sempre tratou do assunto com seriedade.

crédito: cnn
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Penso que você deve ter se sentido muito orgulhosa em organizar algo do porte dessa conferência, não? Claro, ela foi um enorme sucesso e tive muita sorte em conhecer alguns dos convidados, que mais tarde deram contribuições ao meu livro UFOs: Generals, Pilots and Government Officials Go On Record [Que brevemente será lançado no Brasil pela Idea Editora, aguarde]. Meu colega James Fox também se sente da mesma forma e usou partes da conferência em seu documentário em DVD I Know What I Saw [Em fase de preparação para lançamento pela coleção Videoteca UFO].

Uma nova oportunidade

Fife Symington, na época governador do Arizona, ridicularizou o Caso das Luzes de Phoenix, mas no evento ele afirmou também ter testemunhado um UFO naquela ocasião. O que o fez mudar de atitude? Em resumo, Symington disse que, se tivesse uma nova oportunidade de testemunhar um UFO, ele faria tudo diferente de como fez no Caso das Luzes de Phoenix. Deve-se levar em consideração que ele estava em uma difícil posição na ocasião, como governador — ele diz que a população do Arizona estava em ponto de histeria por causa do sobrevôo daquele enorme objeto. Symington então convocou uma entrevista coletiva, para que o ambiente se desanuviasse, e fez um de seus assessores se fantasiar de alien na ocasião. Hoje ele diz que queria que todos o escutassem e se acalmassem, e por isso introduziu um elemento de humor ao caso. “Mas nunca achei que a situação, no todo, deveria ser ridicularizada”. Dez anos depois, livre das amarras da política, ele quis deixar tudo às claras e deu declarações para quem ficou aborrecido com a gozação da coletiva.

E quanto à sua experiência ufológica, o que o fez revelá-la na Conferência de Washington? Durante muito tempo Symington manteve seu avistamento em segredo, descrevendo-o apenas para sua esposa. Ele sabia que seria severamente ridicularizado se falasse a respeito, e isso seria um empecilho para sua carreira de governador. Então, quando Fox o contatou, no aniversário de 10 anos do Caso das Luzes de Phoenix, ele viu que era o momento de informar ao povo do Arizona que também tinha observado o UFO. E mais: disse que se arrependia de ter deixado as pessoas chateadas com a piada do ex-assessor fantasiado. Em meu livro, ele dá seu testemunho explicando porque mudou de atitude.

Você está planejando outra conferência similar a de 2007, talvez com a presença dos militares brasileiros que participaram de seu livro?
Eu adoraria, mas ainda não tenho nada planejado. Antes que isso possa acontecer, no entanto, precisamos encontrar um meio de financiar um trabalho assim.


Em 1999, um colega francês me enviou uma cópia do Dossiê Cometa, um estudo sobre a presença alienígena na Terra escrito por um grupo de oficiais franceses — incluindo quatro generais, um almirante e o antigo chefe da agência espacial do país — e profissionais altamente reconhecidos, entre cientistas e engenheiros. Eles passaram três anos estudando dados oficiais sobre UFOs coletados em todo o mundo (...) Sua conclusão é espantosa
Vamos falar um pouco mais de seu livro. Você despendeu muito tempo e um grande esforço compilando o material para ele, não? O que sente após tanto trabalho e o que espera conseguir perante a Comunidade Ufológica Mundial? Bem, lutei muito para que meu livro contivesse a melhor informação atualmente disponível sobre o Fenômeno UFO, que é absolutamente factual, corroborada e irrefutável, mas ainda assim apresentada em uma narrativa bastante acessível a todas as pessoas. A obra foi escrita para céticos inteligentes e de mente aberta, que normalmente não leriam um livro sobre discos voadores. Enfim, para pessoas que normalmente não se preocupam com UFOs. Minha vontade foi de lhes mostrar que existem informações incrivelmente sólidas, tanto em documentos governamentais liberados quanto em depoimentos de fontes graduadas, e elas estabelecem sem a menor chance de dúvida que existe algo real no fenômeno físico que chamamos de UFOs — ainda que não saibamos o que são. Para muitas pessoas essa afirmação é bem séria, pois nunca viram um trabalho tão minucioso antes. Infelizmente, muita gente ainda está confusa com tanto sensacionalismo e desinformação que circulam por aí, misturado de tal forma que chega a ser difícil separar fatos de boatos. O livro se propõe a isso.

Em breve também no Brasil

Aguardamos o lançamento da obra aqui com ansiedade. Recentemente, a importante Royal Society inglesa realizou um evento em que se sugeriu a criação de um plano para contatar extraterrestres, e a respeitada revista Phylosofical Transactions teve toda uma edição dedicada ao assunto. É interessante ver iniciativas tão positivas sendo realizadas quanto à existência de vida alienígena. Você acha que estamos no caminho certo para que a Ufologia possa ser reconhecida como um campo legítimo de estudo? Hoje há um número cada vez maior de cientistas aceitando a possibilidade de encontrarmos vida nos exoplanetas que vêm sendo descobertos. Mas, infelizmente, muitos deles ainda não vêem as evidências ufológicas como parte desse processo. Mesmo assim, acredito que estamos lentamente nos aproximando de um momento em que isso vai mudar e que a materialidade do Fenômeno UFO será uma questão consagrada.

Como você classificaria o físico Michio Kaku, que chegou a se manifestar na capa de seu livro? Acha que ele pode fazer pela Ufologia hoje o que Carl Sagan fez no passado pelo estudo científico de planetas extrassolares e vida extraterrestre? Sim, Kaku já tem sido chamado de “o novo Carl Sagan”. Ele é muito conhecido e escreveu vários livros que são bestsellers sobre assuntos de ponta, e ainda aparece na TV com freqüência dando entrevistas favoráveis ao Fenômeno UFO. Quando trabalhei em rádio, ainda antes de me envolver com Ufologia, eu o entrevistei várias vezes e o conheci bem. Ele também se apresentou em um simpósio em Washington que eu ajudei a organizar, em 2002, e conversei por um bom tempo com ele, podendo compreendê-lo melhor. Depois, com a ajuda de um colega, voltei a contatar o doutor Kaku e perguntei se ele escreveria um comentário para a capa de meu livro. Enviei a ele uma cópia da obra, alguns meses antes que a capa final fosse impressa, e ele aceitou. Disse que nunca lera um livro sobre UFOs como o meu e que era a coisa mais próxima que tínhamos até o momento de ser a prova definitiva sobre o tema.

Reforço nada desprezível

Um apoio como o de Michio Kaku é um reforço nada desprezível para qualquer autor, e ainda mais para quem escreve sobre Ufologia! É verdade. Seu endosso na forma de uma frase na capa da obra [“Enfim, uma pérola de informação inteligente e esclarecedora sobre os UFOs, um padrão definitivo para a pesquisa do assunto”] tem sido de imensa ajuda para difundi-lo e me auxiliou a atrair pessoas novas para lerem meu trabalho, gente que de outra forma não se interessaria pelo assunto. Se Kaku leva o assunto a sério, então as pessoas o aceitam. E essa é a primeira vez que ele manifesta seu apoio a um livro de Ufologia. Entretanto, ele não está ativamente envolvido com o tema, mas disposto a considerar que deve ser tratado com seriedade pelos cientistas, e também que existem casos que simplesmente não podem ser explicados por meios convencionais.

crédito: idea editora
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Você tem contatos dentro da comunidade científica norte-americana? O que eles acham de convidar o governo para reabrir as investigações sobre o Fenômeno UFO? Tenho muitos contatos com cientistas desde antes do lançamento do meu livro, e alguns escreveram endossos para a capa, como Don Donderi, Rudy Schild e Harold Puthoff, todos Ph.Ds. Eles concordam com o enfoque científico e jornalístico que eu empreguei na obra e também que a comunidade científica precisa investigar a fenomenologia ufológica, levá-la a sério. Alguns até apóiam que o governo participe desse processo, enquanto outros não estão certos de que isso vá acontecer algum dia — há alguns que pensam que pode até não valer a pena ter a participação do governo. Enfim, todos têm suas próprias opiniões, mas concordam em um ponto: os cientistas precisam trabalhar essa matéria.

Qual é o maior objetivo que você pretendeu alcançar com seu livro? Meu objetivo foi publicar somente o tipo de informação que membros de governos possam aceitar e relatar, sem alegações ou hipóteses não confirmadas. Ou seja, informações concretas e sólidas — e fui muito meticulosa neste processo. Na verdade, não temos que enfeitar os fatos ufológicos, porque eles já são suficientemente extraordinários por sua própria natureza. Mas o que é realmente incomum em meu livro é que foram as próprias fontes das informações que escreveram seus próprios textos. Quer dizer, não é somente a autora Leslie Kean afirmando o que tais pessoas dizem sobre suas experiências — são elas mesmas que as expõem. Na obra há 17 textos detalhados e exclusivos escritos, entre outros, por cinco generais e um ex-governador dos Estados Unidos — esse é o tipo de informação que você não pode contestar. Os leitores podem saber diretamente deles o que se passou e chegar às suas próprias conclusões. Minha esperança é de que os céticos leiam este trabalho do começo ao fim, e que ele possa ser uma ferramenta para mudanças em seus pensamentos, sendo usado como uma “chamada à ação”. Esse é de fato o propósito de UFOs: Generals, Pilots and Government Officials Go On Record.

Ameaçados e drogados pelo governo

Fale-nos então de alguns dos episódios mais importantes que estão descritos em seu livro, como o Caso Bentwaters, por favor. Esse foi um caso excepcional e sabemos muito sobre ele principalmente através dos testemunhos do coronel Charles Halt e do sargento James Penniston. Mas é importante que se diga que, para pesquisadores veteranos e informados, o livro provavelmente não terá muitos novos fatos além dos já conhecidos. Já para quem está entrando agora na área, ele será muito importante, especialmente por termos nele textos exclusivos de importantes testemunhas do Fenômeno UFO. Sobre o Caso Bentwaters — também conhecido como Caso Rendlesham Forest —, por exemplo, Halt e Penniston apresentam novos detalhes de sua experiência com o disco voador que observaram tão de perto. Penniston até revela que foi profundamente afetado pelo incidente, quando ele tinha apenas 25 anos. Já Halt descreve sobre como seus comandados foram ameaçados pelo governo e drogados após o incidente, para que nada revelassem.

crédito: Força aérea belga
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Um dos UFOs triangulares interceptados por caças da Força Aérea Belga e as análises de fotografias obtidas do artefato quando em vôos rasantes sobre cidades do país

Então, além das informações objetivas que o livro contém, há também nele dados pessoais relatados por quem passou pelas experiências? Sim, os autores convidados descrevem suas emoções, falam do que pensam e sentiram quanto ao que lhes aconteceu, discorrendo sobre como agiram a respeito. Eles tratam de questionamentos que muitas pessoas têm, mas que normalmente não falam a respeito. Alguns trechos contêm reflexões até mesmo filosóficas. Enfim, o livro permite que cada autor fale por si mesmo e descreva sua jornada pessoal, seja como investigador ou como testemunha de ocorrências ufológicas — a combinação dos fatos com sua visão pessoal faz com que a leitura seja instigante.

Entre os casos abordados está o que envolveu o comandante Parviz Jafari, ocorrido no Irã, em 1976. É impressionante o fato de os instrumentos do caça que Jafari pilotava terem falhado e impedido o lançamento de suas armas na direção do UFO. Por favor, fale mais a respeito. Essa é uma grande questão. O piloto iraniano escreveu sua história de maneira contundente. Por várias vezes ele chegou a ter um de seus mísseis guiados por infravermelho acionado e travado no alvo, o objeto que vinha em sua direção. Mas quando estava a ponto de apertar o gatilho que dispararia o projétil, Jafari estranhamente perdia o controle do equipamento [Veja UFO 143 na íntegra em ufo.com.br]. Realmente, não é possível que o mau funcionamento do armamento tenha sido coincidência, ainda mais porque aconteceu repetidas vezes. Certamente o UFO estava sob controle inteligente e de alguma forma seus tripulantes conseguiram inutilizar o equipamento do caça. Aliás, isso ocorreu também a outros pilotos militares.


Meu livro foi escrito para céticos inteligentes e de mente aberta, que normalmente não leriam uma obra sobre discos voadores (...) Minha vontade foi de lhes mostrar que existem informações sólidas, tanto em documentos governamentais liberados quanto em depoimentos de fontes graduadas, e elas estabelecem sem a menor chance de dúvida que existe algo real no fenômeno físico que chamamos de UFOs — ainda que não saibamos o que são
O que você poderia dizer sobre situações de quase colisões entre UFOs e aeronaves civis ou militares? Como esse tipo de ocorrência foi tratado em seu livro? O ponto principal desse tipo de acontecimento é que os discos voadores afetam diretamente as aeronaves. Em algumas situações, os pilotos precisam manobrar rapidamente para evitar colisões, muitas vezes mergulhando com seus aviões para evitá-las. Tanto ao se sentirem ameaçados e tentarem disparar seu armamento, quanto porque suas aeronaves foram colocadas fora de curso pelo UFO, sempre há um efeito físico significativo — e os pilotos são forçados a responder a ele. Isso ocorre com aeronaves militares, preparadas para se defender, assim como com aviões comerciais, nos quais os pilotos estão preocupados com a segurança dos passageiros e
precisam evitar situações de perigo.

Como você encara, em geral, estas ocorrências que combinam no mesmo cenário discos voadores e aeronaves? Penso que esses casos levam o assunto a outro nível de seriedade. Eles também conferem maior legitimidade quando pedimos que o Fenômeno UFO receba tratamento e investigação oficial — e nosso direito de ter o reconhecimento de que o assunto é sério não pode ser ignorado. Se alguma coisa está causando esse tipo de efeito a uma aeronave, temos um sério risco à segurança aérea que merece ser tratado adequadamente. Esse tipo de acontecimento transcende à Ufologia tradicional, que advoga que nossos visitantes têm apenas curiosidade sobre nós — eles realmente têm um impacto físico sobre nós que pode e já foi fisicamente documentado. O aspecto da segurança aérea é um tema recorrente ao longo de meu livro, levantado por muitos especialistas e explorado na descrição de vários casos, como o episódio iraniano há pouco mencionado. Também vale lembrar o caso do piloto peruano Oscar Santa Maria, que realmente disparou em um UFO, sem, no entanto, saber se o atingiu.

Comportamento imprevisível

Há outros perigos que você queira comentar sobre a ação na Terra de outras espécies cósmicas? Sim. Outro tipo de risco acontece quando um artefato aparece sobre um aeroporto, como ocorreu no Caso Aeroporto O’Hare, em 2006, como já tratamos. Aparentemente o UFO não foi detectado pelo radar quando ocorriam pousos e decolagens, além de seu comportamento ser imprevisível. Mesmo assim, o governo simplesmente ignorou os fatos e nenhuma das testemunhas recebeu qualquer tipo de apoio para lidar com um evento dessa magnitude. Claro, também, ninguém se apresentou devido ao medo de perder seu emprego ou de ser levado ao ridículo. Esse enfoque irracional precisa mudar pelo bem da segurança de todos os envolvidos.

Qual caso ufológico que você considera mais instigante e que pode motivar a tão pretendida reabertura do estudo científico do Fenômeno UFO por parte do governo norte-americano? Essa é uma ótima pergunta, porque há tantos episódios impressionantes que é difícil escolher apenas um. Mas eu certamente destacaria a onda ufológica belga de 1989 e 1990, apresentada em detalhes pelo general Wilfried De Brouwer no livro. Aquela foi uma situação extraordinária de um ano e meio de repetidos avistamentos sobre um pequeno e pacífico país europeu, que de repente se viu às voltas com enxurradas de relatos, levando sua Força Aérea a fazer constantes vôos de interceptação dos UFOs. Temos muitas evidências dos fatos, incluindo uma espetacular fotografia e sua análise de um dos objetos — e temos ainda um general apresentando essas provas, o homem que liderou a investigação oficial dos casos, quando ainda era coronel. De Brouwer está convencido de que os objetos não eram nenhuma forma de tecnologia secreta sendo testada por algum outro país, pois ele verificou isso cuidadosamente na época — e mesmo hoje afirma que não temos tecnologia capaz de realizar o que aqueles enormes artefatos triangulares fizeram. Já o Caso Bentwaters, de que falamos, também é muito forte.

De perseguidores a perseguidos

Em sua opinião, por que os Estados Unidos relutam tanto em abrir seus segredos sobre a questão ufológica, estando tão atrás do resto do mundo?
Questões sobre porquês são sempre difíceis de responder, por permitirem várias interpretaç

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