ENTREVISTA

O chupa-chupa não foi causado por um único grupo de extraterrestres

Por Eduardo Rado | Edição 204 | Outubro de 2013

O entrevistado desta edição é um dos homens mais bem informados no país sobre a investigação militar secreta que no final da década de 70 foi responsável por apurar as atividades do fenômeno chupa-chupa na Região Norte, notadamente na ilha de Colares, uma inusitada manifestação luminosa que atacava pessoas e causava sérios danos à saúde. Os fatos de que tem conhecimento ultrapassam o próprio período de existência da Operação Prato e se estendem por anos após o encerramento formal de suas atividades, que se acredita ter ocorrido em dezembro de 1977, devido à amizade pessoal que manteve com o comandante da missão, o então capitão Uyrangê Hollanda.

Tudo começou quando Vitório Peret era tripulante da extinta companhia aérea Varig, fazendo voos nacionais e internacionais. Em várias oportunidades ele teve a bordo o general Alfredo Moacyr de Mendonça Uchôa, um dos grandes pioneiros da Ufologia Brasileira, falecido em 1996 após lançar inúmeros livros sobre Ufologia e Parapsicologia [Aguarde entrevista inédita com ele em breve na UFO]. Em uma destas ocasiões, o tripulante e também ufólogo foi convidado pelo oficial para participar de em encontro muito peculiar que se daria em Belém. A pauta da reunião, ainda desconhecida por ele, tratava de algumas evidências recolhidas durante uma investigação militar que teria apurado que luzes misteriosas atacavam moradores na região da ilha de Colares. Peret não tinha, até então, nenhuma ideia de que o encontro seria entre integrantes da Operação Prato.

A partir de então, nosso entrevistado se tornou amigo de vários membros daquela que hoje é a bastante conhecida missão militar que revelou que seres extraterrestres atuavam na Amazônia. Entre eles estavam os oficiais à frente das atividades, como o próprio capitão Hollanda e seu braço direito, o sargento João Flávio de Freitas Costa, além de outros. Junto dessas figuras de renome, Peret passou muitos anos pesquisando manifestações ufológicas na área, geralmente acompanhado de Hollanda, compartilhando com ele e dele recebendo informações preciosas. Nesta entrevista — a primeira concedida por Peret —, ele conta aos leitores da UFO detalhes impressionantes da Operação Prato e do que se seguiu após seu suposto encerramento.

Estranhas manifestações

A referida missão militar foi uma das mais espantosas iniciativas de investigação in locu do Fenômeno UFO, e certamente a maior que se realizou de maneira oficial em todo o mundo. Sob o comando de Hollanda, que deu o nome à Operação que era formada por mais de duas dezenas de militares, o grupo investigou manifestações luminosas que começaram no litoral do Pará, próximo ao município deVigia, e se estenderam por toda a chamada Região do Salgado daquele estado. Munidos de radares portáteis, câmeras fotográficas e filmadoras de 8 e de 16mm, os militares, todos pertencentes ao quartel do I Comando Aéreo Regional (COMAR I), de Belém, observaram e registraram de todas as formas possíveis as estranhas e inexplicáveis “luzes vampiras” relatadas pelos amedrontados habitantes.

crédito: ARQUIVO UFO
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A entrevista que o editor A. J. Gevaerd e o coeditor Marco A. Petit fizeram com o Hollanda em 1997, marcada para sempre na história da Ufologia

As manifestações acabaram sendo chamadas de “fenômeno chupa-chupa”, em razão de as luzes atacarem e sugarem o sangue das vítimas — ocasionando ferimentos e levando pelo menos quatro pessoas a óbito. O posto de saúde da vila de Colares, comandado pela médica Wellaide Cecim Carvalho, realizou atendimentos a centenas de pessoas que sofreram queimaduras das estranhas luzes vindas do céu, a ponto de a história causar histeria entre os moradores. Foi para averiguar a natureza do fenômeno, e com a determinação de documentá-lo a todo custo, que a equipe de Hollanda foi destacada e conseguiu por fim restabelecer parcialmente a ordem e evitar o pânico. A operação teria durado pouco mais de quatro meses e a equipe do capitão obteve mais de 500 fotos dos aparelhos voadores e pelo menos 16 horas de filmes dos mesmos em película.

Qual é o panorama do fenômeno chupa-chupa desde seu início até hoje?
O estado do Pará tem uma das mais lindas casuísticas ufológicas do Brasil e um de seus momentos mais ricos foi registrado no final da década de 70, quando se deu o chupa-chupa. No entanto, os casos de objetos luminosos vistos pela população se mantêm até a atualidade e os moradores ribeirinhos de áreas interioranas ainda presenciam com bastante frequência as naves, porém sem elas apresentarem a mesma agressividade daquela época. As ocorrências são idênticas às do passado, mas os artefatos já não emitem mais os raios ou feixes de luz que causavam pânico e deixavam tantas sequelas nas vítimas. Hoje, os habitantes da área se acostumaram com a incidência dos eventos e já não têm mais medo, apesar de não gostarem de falar sobre o assunto. Qualquer um que se disponha a tentar filmar ou fotografar essas luzes lá certamente terá êxito, porque os acontecimentos continuam por toda a região.

Monitorando o comportamento

Existe alguma explicação sobre o objetivo daquelas luzes não identificadas que atacavam em Colares, que chegaram a ser chamadas de “vampiras”?
Não, o que existe são teorias. Imagina-se que supostas civilizações alienígenas e seus aparelhos voadores estejam de alguma forma monitorando o comportamento dos moradores daquelas áreas ou mesmo investigando o genoma humano. Os feixes de luz que feriam não eram emitidos por todas as naves que lá se manifestavam, mas por corpos específicos de forma cilíndrica, com cerca de um metro e meio a dois metros de comprimento. E eles não sugavam apenas fluídos corpóreos, mas, segundo as vítimas, também a sua energia. Algumas testemunhas diziam que o feixe de luz era sólido, como uma mangueira de jardim — em alguns casos era possível ver em seu interior três filetes de cores diferentes: verde, vermelho e azul. Isso foi o que ouvi de dois médicos, um civil e outro militar, com quem conversei naquele período.

O que estes médicos diziam sobre os raios que atingiam as pessoas?
Eles tinham a tese de que os filetes de luz continham diferentes chips a serem implantados nas vítimas. Um deles seria metaloide e serviria para acompanhar as atividades rotineiras do atingido. O segundo seria orgânico e se ligaria ao sistema nervoso central para detectar possíveis doenças do indivíduo. E o terceiro seria mineral, com a finalidade de acompanhar o comportamento da pessoa, como o seu andar, olhar e outras funções. Não tenho como comprovar nada disso, porque simplesmente ouvi o que diziam. Também não sei se eles puderam comprovar algo.

Ora, justamente quando um dos principais objetivos da Operação Prato é alcançado, ou seja, quando se estabeleceu um contato direto com um dos tripulantes dos UFOs que atuavam em 1977 na região da ilha de Colares, ela é encerrada? Qual é a lógica disso?

Por que essas luzes continuam aparecendo naquela região e agora não atacam mais a população, por quê?
Acredito que o fenômeno chupa-chupa não era causado por um único grupo extraterrestre. No início, as luzes, que primeiro surgiram no Nordeste, não eram hostis e não provocavam nenhum terror ou pânico. Apenas quando passaram a se manifestar na região de Cajapió e na Ilha dos Caranguejos, no estado do Maranhão, é que passaram a ter uma atitude agressiva. Isso significa que aquela atividade que operou no Nordeste era uma, a que atingiu o estado do Maranhão era outra e a que vitimou pessoas no Pará era uma terceira e diferente onda do fenômeno. Mas por quê? Não sei, mas o fato é que no Nordeste a situação foi calma e não assustou ninguém, e no Maranhão houve apenas dois casos de morte em um intervalo de nove anos. O próprio Uyrangê Hollanda não acreditava em um ataque deliberado por parte de seres extraterrestres — para ele, era alguma pesquisa que tais seres realizavam aqui e que eventualmente causava danos. “Eles estão aqui realizando um estudo”, dizia Hollanda, que também acreditava que tinham objetivos a alcançar. Pensava-se também que, no momento do ataque por meio dos feixes de luz, não havia apenas a retirada de sangue, mas também a implantação de chips nas vítimas.

A rota do chupa-chupa

Como você tomou conhecimento da investigação militar que foi chamada de Operação Prato pela Aeronáutica?
De forma casual. Em setembro de 1979 eu era tripulante da extinta companhia aérea Varig e realizava uma viagem rotineira de Brasília para Belém. Durante o voo, tive o privilégio de receber a bordo o general Alfredo Moacyr de Mendonça Uchôa, que eu já conhecia anteriormente. Durante o tempo em que ficamos no ar, conversamos sobre casos ufológicos ocorridos entre 1970 e 1979, pois eu alimentava interesse pela questão já há bastante tempo. Já na aproximação para a aterrissagem, ele me perguntou: “Você tem algum compromisso nas próximas horas?” Eu respondi que teria que cumprir a folga regulamentar de dois dias em Belém. E então ele disse: “O motivo principal que me traz ao Pará é uma reunião que terei com alguns amigos que estão aqui há dois ou três anos realizando estudos sobre fenômenos muito sérios e graves. Se você quiser me acompanhar, será um prazer”. Aceitei imediatamente e então ele me deu o endereço de seu hotel na capital paraense. Mais tarde, quando já estávamos juntos na recepção, dois senhores se aproximaram e o general os cumprimentou — eram o capitão Uyrangê Hollanda e o sargento Flávio Costa, pessoas centrais da Operação Prato.

Foi nessa ocasião que você conheceu o coronel Uyrangê Hollanda?
Sim, mas vou tratá-lo como major, pois quando a Operação Prato teve início ele era capitão, mas foi promovido logo em seguida, em 1979. O general Uchôa nos apresentou rapidamente e o sargento Flávio Costa então disse: “General, por favor, nos acompanhe”. Foi aí que nos dirigimos para uma sala que havia sido previamente preparada para o encontro. Mas não foi tão fácil assim participar dele. Logo ao chegar à porta o major Hollanda interrompeu o passo e perguntou ao general: “O rapaz que te acompanha, quem é?” E ele respondeu: “Um amigo. Eu tomei a liberdade de convidá-lo, se o senhor não se incomodar”. Hollanda disse: “Não se preocupe. Eu só perguntei por que não me recordava de tê-lo visto em outras ocasiões”. O questionamento do major foi pertinente, porque aquela era uma reunião sigilosa. Após o episódio, entretanto, eu passei a ter uma interação maior com os dois oficiais, embora, antes disso, aquele assunto fosse uma coisa bem restrita.

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Os ribeirinhos da Amazônia estiveram frente a frente com as luzes vampiras e foram atacados

O que foi discutido naquela reunião?
Na verdade, eu não sabia do que se tratava o encontro. Imaginei que fosse uma reunião entre amigos que abordariam assuntos ufológicos, apenas isso. Quando entramos, as pessoas que ali já estavam reconheceram o general, foram cumprimentá-lo e ficaram conversando durante algum tempo. Foi então que Hollanda solicitou que prestássemos atenção à exposição que ele faria. Ele começou dizendo que, no início da década de 70, os Estados Unidos e a União Soviética haviam decidido aprimorar o monitoramento de seus foguetes espaciais e isso acabara criando uma malha de rastreamento de corpos na atmosfera. Algum tempo depois de implantado esse sistema, os norte-americanos passaram a observar o deslocamento de objetos voadores não identificados no litoral brasileiro e comunicaram o fato às nossas autoridades. O governo, então, teria entrado em contato com a Aeronáutica, que planejou uma missão de investigação daquela estranha movimentação na referida área.

Como Uyrangê Hollanda explicou estes fatos aos presentes àquela reunião?
Em um quadro negro, ele fez o desenho do que se considerava ser a rota de deslocamento dos artefatos pelos norte-americanos — o trajeto tinha início no Ceará e seguia para o Piauí e depois para o Maranhão. Em uma região próxima de São Luís, onde está o município de Cajapió, os militares do grupo de Hollanda observaram que as manifestações começaram a aumentar — é nessa localidade que foram registrados avistamentos e ataques a pescadores, sendo que algumas testemunhas foram queimadas e outras até morreram [Veja edições UFO Especial 071 a 073, agora disponíveis na íntegra em ufo.com.br]. Depois, os casos migraram em direção à divisa do Maranhão com Pará e passaram, primeiramente, pelo município de Viseu, onde houve outra morte. Em seguida os episódios se dirigiram para a região de Sampaio Correia e Bragança, no leste do Pará, e por ali também houve uma série de ocorrências na Ilha do Meio, envolvendo discos voadores luminosos e a presença de uma enigmática mulher estrangeira [Matéria sobre o tema nesta edição].

Até que região do continente a rota dos objetos voadores não identificados iria, afinal?
Bem, a rota deles continuou seguindo para a região de Vigia e depois para Colares, passando por Mosqueiro até se fixar na Baía do Sol, aproximadamente 10 km distante de Colares. Os eventos permaneceram ali por um longo período e depois migraram para o outro lado da Baía de Marajó, indo até Salvaterra, já próximo ao Amapá. Por fim os avistamentos voltaram para a Baía e se dirigiram, então, para Santarém, Monte Alegre e Manaus. Tudo isso que descrevi era o que o major desenhava na lousa — ele ainda acreditava que o fenômeno havia migrado até Machu Picchu, no Peru.

Esquadrilha de UFOs

O que mais o major Hollanda disse sobre aquela inusitada manifestação?
Ele nos mostrou dezenas e mais dezenas de imagens muito semelhantes. A grande maioria eram fotos em preto e branco e apenas uma parte era colorida. Elas eram bastante nítidas, mas não era possível definir o contorno preciso dos objetos por serem espetacularmente luminosos. Enfim, não dava para ver uma estrutura por trás da luminosidade. Então Hollanda mostrou algumas fotografias coloridas, mas que não chamaram tanta atenção como se imaginava por estarem empalidecidas. Porém, uma cena despertou o interesse de todos — a foto tirada pelo sargento Flávio Costa e que continha cerca de 160 a 180 artefatos em uma formação que se assemelhava a um bumerangue. As luzes variavam de tamanho e de intensidade e foi a imagem mais espetacular da noite. No contraste com o céu escuro você via aqueles pequenos pontos luminosos, os médios e os grandes, todos voando misturados e no mesmo sentido. O general Uchôa passou mais de cinco minutos fazendo questões sobre a esquadrilha de UFOs.

Como essas cenas foram fotografadas pelo sargento Flávio Costa?
Foi dito que aquelas fotos foram obtidas somente depois da chegada a Colares de equipamentos de uso exclusivo das Forças Armadas dos Estados Unidos, pois naquele tempo não era possível comprar tais películas no comércio. Eram filmes que variavam de 2100 a 3200 ASA, capazes de fazer a leitura de radiação infravermelha e ultravioleta. Hoje em dia as câmeras digitais no mercado podem registrar muito além disso, mas, naquele período, só as películas militares eram capazes de tal feito. Além disso, o material enviado pelos norte-americanos à equipe de Uyrangê Hollanda continha filmadoras e máquinas fotográficas especiais, além de um sofisticado instrumento para a revelação dos filmes — pelas instruções recebidas, as fotos deveriam ser reveladas com certa brevidade, porque poderiam se deteriorar se não passassem logo pelo processo químico. Os negativos eram então passados em uma espécie de emulsão com propriedades metálicas e depois borrifados com um spray fixador. A revelação não seria possível sem o uso daquele equipamento que, pelo que sei, jamais foi retirado do I COMAR.

As fotos da Operação Prato foram obtidas somente depois da chegada a Colares de equipamentos de uso exclusivo das Forças Armadas dos Estados Unidos. Eram filmes ultrassensíveis, capazes de registrar radiação infravermelha.

Então caem mais uma vez por terra as alegações de céticos, que afirmam que as fotos da Operação Prato eram fraudadas?
Sim, o uso daquele equipamento indica claramente que não seria possível manusear as fotografias domesticamente — uma pessoa que não tivesse conhecimento da utilização da mesa reveladora não poderia fazer um trabalho adequado. Além disso, depois de revelados, os filmes ainda tinham que ser acondicionados em latas especiais, fornecidas por laboratórios da Kodak. E como se não bastasse, o major Hollanda e os outros membros da equipe haviam comprado rolos de filmes comuns no mercado com dinheiro do próprio bolso, mas infelizmente seu esforço foi em vão e o registro dos UFOs só foi possível com a chegada das películas militares norte-americanas. Isso foi discutido pelo general Uchôa durante o encontro, e até então nós não tínhamos conhecimento desses detalhes.

A reunião parece ter sido emocionante. O que mais aconteceu nela?

Depois das fotografias serem apresentadas por Hollanda e sua equipe, vimos croquis e mapas muito precisos que mostravam as rotas que os aparelhos percorriam, desde a divisa do Maranhão até a região de Colares e da Baía do Sol — tudo era desenhado, fotografado e filmado. Alguns desses materiais já foram liberados pelo governo em função da campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), e foram parar no Arquivo Nacional, em Brasília [Estão disponíveis no site da UFO no endereço ufo.com.br/documentos/operacao]. Mas acredito que outros itens importantes não foram ainda revelados. Bem, em seguida vimos vários desenhos, alguns confeccionados pelo sargento Flávio Costa, que mostravam naves dos mais variados tipos, tamanhos e cores em ação na Amazônia.

Alguma coisa peculiar lhe chamou a atenção quanto àqueles objetos?
Sim, havia também discos voadores com o dobro do tamanho de um Boeing 737, por exemplo. E foi bastante curioso ouvir que corpos daquele tamanho não produziam nenhum tipo de som ou ruído. Além disso, eles provocavam efeitos magnéticos e reações dos animais ao redor — as espécies de hábito noturno, por exemplo, se calavam e os bichos diurnos
passavam a fazer barulho...

Objetos dentro d’água

E quanto aos filmes de UFOs feitos pelos militares, o que neles mais o intrigou?
Bem, essa é a parte que considero a mais importante da reunião. O major Uyrangê Hollanda chamou especial atenção de todos para dois vídeos de curta duração que ele e seus homens haviam produzido na região da Baía do Sol e de Chapéu Virado. O primeiro registro tinha 12 minutos, mas o que realmente tínhamos que ver durava apenas 22 segundos. Na película havia um UFO extremamente luminoso se deslocando à noite pela Baía do Marajó, a baixíssima altitude — segundo o cálculo dos militares, estaria no máximo a cinco metros da água. Esse objeto se aproximou de uma pequena embarcação e o pescador dentro dela se assustou e pulou no rio. Em seguida o artefato mudou de ângulo e penetrou na massa d’água, em posição verticalizada, a mesma conhecida na aviação como “faca”.

Que impressionante. E como era o segundo vídeo que foi mostrado?
Foi ainda mais espetacular. Ele era preto e branco, noturno e dessa vez o aparelho não identificado executou uma manobra inversa — ele começou a surgir de dentro do espelho d’água, como se houvesse ali uma ebulição, e então apareceu uma luminosidade esbranquiçada que segundos depois saiu da água. A cena impressionou muito a todos os presentes e o general Uchôa comparou o bico da nave ao de um avião Concorde que, naquele tempo, tinha a aerodinâmica mais avançada da aviação comercial. Ao exibir a ponta afunilada, o corpo começou a emergir lentamente e, à medida que vencia a resistência, tornava-se cada vez mais luminoso. Depois ele se dirigiu em diagonal à linha do horizonte e sumiu rapidamente em direção ao espaço, sem emitir qualquer som. Foi espetacular!

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O radialista Hilberto Freitas, um dos vigilantes estudiosos do chupa-chupa

Posso imaginar a sensação de ver algo assim. Mas o que aconteceu depois?
Em seguida deixamos a sala para ir a um setor do hotel onde havia uma piscina e um pequeno bosque. Ficamos ali até altas horas da madrugada conversando. Foi nesse espaço de tempo que tive a oportunidade de dialogar mais com Uyrangê Hollanda e Flávio Costa, pois até aquele momento eu não sabia que havia uma investigação militar das manifestações que ocorriam no estado do Pará.

O que lhe passou pela cabeça ao ver e ouvir tudo aquilo que lhe contaram?
Foi incrível e em uma certa hora o general Uchôa me contou: “É, de fato ocorreu uma investigação militar de UFOs no Pará. Entre essas pessoas que estão aqui conosco, a grande maioria são militares, mas alguns também são civis. Espero que você guarde essa oportunidade com muito carinho, porque ela será útil por muito tempo em sua vida”. A partir daquele momento iniciou-se uma amizade entre nós, o Hollanda e o Flávio, e até por volta de 1985 ou 1986 eu realizei muitas vigílias na companhia deles. Aliás, não só deles, mas também de um pequeno grupo de amigos, porque, quando a operação terminou, o Uyrangê Hollanda e o sargento Flávio Costa continuaram pesquisando as manifestações de objetos voadores não identificados no Pará — não com a frequência de antes, é verdade, mas pelo menos uma vez por semana eles faziam os acampamentos.

Projeto Alpha e Ômega

Qual foi seu envolvimento com os militares a partir daquela noite?
Eu passei a participar das vigílias ufológicas junto com o Hollanda, isso começando lá pelo final de 1979, um ano e sete meses após o encerramento da Operação Prato. Tivemos a oportunidade de continuar fazendo algumas investigações na região e realizamos alguns avistamentos também — eu mesmo vi UFOs mergulhando nas águas da Baía de Marajó. Na companhia de Hollanda e outros militares vivi o mais belo episódio da minha vida quando um objeto veio do horizonte e executou um fantástico voo plano e rasante sobre o espelho d’água, depois parando no ar por cerca de dois minutos. De repente, aquilo fez uma manobra rápida como se subisse os degraus de uma escada e novamente parou. Então desceu verticalmente e penetrou na água em silêncio, suavemente. O artefato era lindíssimo, de cor vermelho-alaranjada, tinha forma lenticular e refletia os primeiros raios do Sol. Isso aconteceu exatamente às 05h05 de uma manhã qualquer em 1981.

Você conseguiu registrar este monumental fenômeno com imagens?
Não, e as pessoas até hoje me perguntam: “Por que não fotografou? Por que não filmou?” Mas, ora, naquele tempo, as máquinas fotográficas não tinham a capacidade tecnológica que qualquer celular tem hoje em dia. Fora das Forças Armadas eram raríssimas as pessoas que tinham acesso a equipamento de alta qualidade. Além disso, aqueles aparelhos voadores tinham uma estratégia: às vezes, você os estava fotografando e eles desapareciam na sua frente. Nossos instrumentos eram apenas um binóculo, uma bússola, uma carta celeste e o mapa da região. Por isso, infelizmente, não pudemos fazer os registros que todos gostariam de ver.

Vivi várias experiências durante as inúmeras vigílias de que participei na companhia não só de Uyrangê Hollanda e do Flávio Costa, mas também de vários amigos civis que estavam igualmente envolvidos nos casos, como o piloto Ubiratan Pinón.

É compreensível. Mas o que mais você soube sobre os UFOs que atuavam naquela área e sobre a Operação Prato?
Vivi várias experiências durante as inúmeras vigílias de que participei na companhia não só de Uyrangê Hollanda e do Flávio Costa, mas também de vários amigos civis que também estavam envolvidos nos casos, como o piloto Ubiratan Pinón [Ainda vivo e hoje residente no interior do Pará]. Naquele período existiam pessoas seriamente dispostas a realizar pesquisas ufológicas na região, de forma autônoma, independente. Então, por sugestão do general Uchôa, foi criado um pequeno grupo de estudos, não registrado oficialmente, mas que chegou a receber o nome de Projeto Alpha e Ômega, do qual fui um dos oito integrantes. Constatamos in locu, durante o dia e à noite, diversos casos de naves submersíveis e entrevistamos moradores que testemunhavam os fatos. Em muitas ocasiões, o major participava de vigílias ufológicas com seus amigos em determinado local e nós em outra região. Ao amanhecer, nos encontrávamos e trocávamos informações sobre os avistamentos que realizávamos.


Envolvimento norte-americano

Você sabe o que aconteceu após o término da Operação, que supostamente teria se dado em dezembro de 1977?
Tive algumas informações a respeito e em certa ocasião perguntei a Hollanda se ele estava decepcionado com o encerramento da missão. Ele respondeu, com certo amargor, sugerindo que havia participação norte-americana no processo: “Suspeito que o Brasil e os Estados Unidos sejamsignatários de um programa secreto denominado Projeto Uno, ao qual outras nações da América Latina também são conveniadas”. Lembre-se de que foram os Estados Unidos que avisaram o Brasil sobre os corpos não identificados em nosso espaço aéreo. E Hollanda prosseguiu com seu desabafo: “Quando informei os meus superiores sobre os contatos visuais que tivemos com os UFOs e seus ocupantes, a coisa mudou. A partir daí, como ficou constatado que os objetos eram reais, encerraram a investigação”.

Não é para menos que ele tenha se sentido frustrado, após todo o seu esforço para pesquisar e revelar a ação daqueles seres e objetos na área...
Sim. E o que parece ter deixado Hollanda particularmente chateado foi o rumo que a Operação Prato tomou. Ele confidenciou isso com estas palavras: “Fui afastado e deram continuidade à missão com o engajamento de militares de patentes superiores, não sei se do Brasil, dos Estados Unidos ou de ambos os países”. A suspeita do major era de que o acordo determinava que os norte-americanos tomassem posse de todo o material gerado pela Operação, inclusive possíveis corpos ou fragmentos. Em troca disso, financiariam outras pesquisas.

crédito: Rafael Amorim
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A uma certa altura do ano de 1977, já não havia mais limites para os ataques do chupa-chupa, que ocorriam o tempo todo

Você tomou conhecimento de alguma atividade após o encerramento formal da Operação Prato?
Soube de contatos de diferentes graus com UFOs e ETs ocorridos em residências, fazendas, matas, estradas, praias e ilhas isoladas do arquipélago de Marajó. Muitos moradores dessas regiões disseram ter visto seres com mais de dois metros de altura, cabelos lisos, loiros e com olhos oblíquos negros ou azuis. Algumas vezes eram vistos usando capacetes, em outras não — às vezes também trajavam uniformes brancos com mangas compridas e luvas. Segundo as testemunhas, suas roupas irradiavam uma luminosidade branca, porém diferente de tudo que conhecemos. As criaturas usavam botas igualmente brancas, acima dos joelhos, e portavam cintos largos com fivelas contendo botões à sua volta. Normalmente eram vistos a partir das 22h00 e caminhavam indiferentes pelas ruas de vilas e praias como se nada lhes interessasse.

E como tais figuras desapareciam?
Segundo os moradores, em dado momento a luminosidade de suas vestes se desvanecia e eles desapareciam completamente. Não era como o desligar de um interruptor — a luz se dissipava lentamente e então eles sumiam. Os habitantes, com pavor daquilo, se mantinham no interior de suas casas e observavam o comportamento dos estranhos seres por meio de frestas nas janelas e portas de madeira ou taipa. Geralmente os visitantes permaneciam poucos minutos no local, nunca conversavam entre si ou produziam qualquer som, e havia um silêncio tremendamente perturbador durante sua permanência. Também houve episódios de avistamento de entidades com menos de um metro de altura e que pareciam investigar alguns cômodos das casas.

Mensagens em sonhos

Você tomou conhecimento de algum tipo de contato mais direto dos habitantes com estes seres ou mesmo de abduções que tenham realizado?
Muitas pessoas diziam receber mensagens deles por meio de sonhos, mas quase nunca entendiam seu significado. Alguns desses sinais pareciam conter coordenadas, como se fossem o convite para um encontro. Surgiram também ocorrências na cidade em que pessoas de diferentes classes sociais fizeram anotações e, associando latitude e longitude, tiveram avistamentos bastante significativos. Conheci um médico que, após cumprir as anotações recebidas em sonhos, teve grandes
experiências em campo aberto.

Soube de contatos com UFOs e ETs ocorridos em residências, matas, fazendas, estradas, praias e ilhas isoladas do arquipélago de Marajó. Moradores dessas regiões viram seres com mais de dois metros de altura.

Há algum caso especial que você investigou e que possa relatar aos leitores?
Sim, o do senhor Francisco [Sobrenome ignorado], um senhor de 72 anos, ocorrido ainda em 1977. Em certa madrugada ele acordou com a casa de madeira toda iluminada. Imaginando já ser dia, chamou a esposa, que também se surpreendeu com a luz que imaginavam ser do Sol. Ao abrir a porta, ele se deparou com uma luz avermelhada que lhe queimava os olhos. Momentos depois insistiu em sair e percebeu que ainda era noite. Então resolveu apanhar uma rede de pesca que havia armado no rio e acabou desaparecendo. Francisco só seria visto cinco dias mais tarde, quando retornou para casa com a pesca, como se tivesse saído naquela mesma manhã para o rio. Esse fato nos foi relatado pelo próprio protagonista e sua esposa, Ana.

Obrigado. Para finalizar, por favor, conte-nos o que, depois de tantos anos de pesquisas e contatos com testemunhas, você acredita serem a origem e as intenções daqueles visitantes que atuaram no Pará naquela época?
Sua origem? Eis aí um grande mistério! É difícil até imaginar de onde venham. Entretanto, apoiado no que presenciei, não creio que sejam deste planeta. Quanto às intenções, ninguém sabe verdadeiramente quais são. Apenas imagino que entre seus planos estejam a análise do nosso perfil, o monitoramento genético de nossa espécie e o entendimento de mecanismos que temos, como nossa agressividade, emoções, sentimento de compaixão etc. Acompanhando essas visitas há décadas, suponho que a intenção desses seres não seja a de viver neste planeta — até descarto totalmente essa ideia. Digo apenas que os UFOs não são meros reflexos de luz em nosso espaço aéreo e os ETs existem tanto quanto eu e você.



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