ENTREVISTA

Nem a sociedade, nem os cientistas estão preparados para um contato com ETs

Por Thiago Luiz Ticchetti | Edição ERRO: ARRAY NÃO INICIALIZADO | ERRO: ARRAY NÃO INICIALIZADO de ERRO: ARRAY NÃO INICIALIZADO

O entrevistado deste mês é um dos prolíficos escritores sobre fenômenos insólitos do mundo, e não apenas sobre discos voadores. Ufólogo conhecidíssimo e referência em seu país, os Estados Unidos, Jerome Clark já foi editor da revista Fate e vice-presidente do J. Allen Hynek Center for UFO Studies (CUFOS), um dos mais científicos do planeta, de cujo conselho diretor ainda faz parte. Clark passou por uma cirurgia complicada no início de 2013 para tratar um câncer que já vinha se manifestando há alguns anos, mas já está em plena recuperação e na ativa. Mesmo durante sua convalescença não deixou de responder às nossas perguntas, transformando esta entrevista em uma aula de metodologia científica com suas opiniões firmes e sinceras.

Escritor obstinado

No final dos anos 90, Jerome Clark escreveu um marco da Ufologia Mundial, The UFO Encyclopedia: The Phenomenon from the Beginning [A Enciclopédia UFO: O Fenômeno Desde o Começo, Omnigraphics, 1998], em dois tomos que totalizam quase 1.500 páginas. Trata-se de um compêndio poderoso que traz absolutamente tudo o que há na Ufologia. “Tinha planos, junto com a minha editora, de fazer mais um volume, dando ênfase a casos famosos em outros países, mas pouco relatados nos Estados Unidos”, diz. Infelizmente o projeto não saiu do papel, mas Clark é um crítico da falta de informação ufológica fora dos Estados Unidos e Europa. E faz seu mea-culpa com relação à Ufologia Brasileira: “A Ufologia do seu país é conhecida internacionalmente. Eu sei de vários casos que foram pesquisados pelo casal Jim e Coral Lorenzen com a ajuda do ufólogo Olavo Fontes. Eles disseminaram a Ufologia Brasileira mundialmente. Mas hoje confesso que não tenho tido muito tempo para ler as notícias do seu país — até mesmo por estar afastado há algum tempo dos congressos”.

Além do sucesso da The UFO Encyclopedia, Clark foi autor de outras obras importantes na área, tais como Extraordinary Encounters: An Encyclopedia of Extraterrestrials and Otherworldly Beings [Clio, 2000], The UFO Book: Encyclopedia of the Extraterrestrial [Visible Ink Press, 1997], Strange Skies: Pilot Encounters with UFOs [Citadel Books, 2003], além de títulos sobre fenômenos anômalos, como Unexplained: Strange Sightings, Incredible Occurrences and Puzzling Physical Phenomena [Visible Ink Press, 2003], Cryptozoology A to Z: The Encyclopedia of Loch Monsters, Sasquatch, Chupacabras [ Simon and Schuster, 1999], estes ultimos tratando de monstros, chupacabras, pé-grandes e outras aberrações que foram parte de seu interesse pelo insólito em geral.

Jerry Clark estudou história e ciência política na South Dakota State University e Minnesota State University, porém seu interesse por Ufologia surgiu muito antes disso, quando tinha apenas 11 anos, ao ler o livro pioneiro Report on Unidentified Flying Objects [Relatório sobre objetos voadores não identificados, relançado em 2011 pela Create Space], de Edward J. Ruppelt, que influenciou grande número de ufólogos de sua mesma geração. Clark logo cedo se mostrou avesso aos casos de polêmicos contatados, tais como Billy Meier e George Adamski. “Se eu tivesse lido algum livro deles antes do Ruppelt teria desistido da Ufologia naquele momento”. Em suas respostas nesta entrevista ele disse que acha as histórias desses personagens fantasiosas e também muito chatas, cheias de influências new age — além de serem baseadas direta ou indiretamente em teosofia, com zero de objetividade.

Por outro lado, já casos de abduções alienígenas, que também foram abordados neste trabalho, tem outro tratamento pelo entrevistado. Clark mostrou que leva este assunto muito a sério mesmo que não creia em todos os episódios narrados na literatura ufológica. Para ele, os relatos dos abduzidos são de uma complexidade tão grande que fica difícil negá-los, mas faz um alerta: “Já pesquisei casos em que um abduzido tornou-se um contatado, e isso em minha opinião pode acontecer quando a pessoa perde todos aqueles holofotes que lhe dirigem quando ainda são abduzidos”. Ele está se referindo à conhecida Síndrome do Contatado, quando uma pessoa que passou por uma experiência de abdução perde a atenção temporária que recebe da comunidade ufológica e a glória que ganha da mídia, precisando criar um algo mais para voltar à cena. Acompanhe agora esta impressionante entrevista com um dos mais bem informados ufólogos da atualidade.

Pesquisa não é estudo

Quando você começou a pesquisar a fenomenologia ufológica?
“Pesquisa” é uma palavra muito ampla, pois eu considero um pesquisador aquele sujeito que vai atrás dos fatos, que faz uma investigação de campo e consegue provar que determinado fato não tem explicação. Eu diria que sou mais um estudioso do assunto, e comecei quando eu tinha 11 anos de idade, ao ler, meio que por acidente, o livro Report on Unidentified Flying Objects, de Edward J. Ruppelt, o livro mais influente dos ufólogos norte-americanos da minha geração. Isso foi em 1957. Antes disso eu nunca tinha parado para pensar sobre discos voadores. Mas o livro de Ruppelt me conquistou, o que me levou a outros autores, como Charles Fort e Donald Keyhoe. Se a minha iniciação na Ufologia tivesse sido com os livros de George Adamski, tenho certeza de que jamais leria algo relacionado a esta área novamente. Mesmo na minha adolescência eu não teria acreditado em alguém que dizia conversar com venusianos e voar em suas naves — e mais tarde aprendi que contatados também são chatos, enquanto autores sérios, como
Ruppelt, Fort e Keyhoe não.

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