ENTREVISTA

Casos de abdução revelam que há um cataclismo a caminho da Terra

Por Thiago Luiz Ticchetti | Edição 243 | Fevereiro de 2017

Um dos aspectos mais difíceis e controversos da Ufologia, o fenômeno das abduções tem se mostrado um desafio à parte para os pesquisadores que se aventuram a estudá-lo. Muitos sequer tinham ouvido falar de sequestros por extraterrestres até que o assunto chegou até eles ou, como no caso de nossa entrevistada, entrou pela porta de seu consultório 22 anos atrás e nunca mais saiu.

Difícil, dolorosa e cheia de nuances, a abdução alienígena é tratada por muitos profissionais da saúde como um aspecto de uma doença maior, seja esquizofrenia, paranoia ou outras mais. Porém, a verdade é que há casos nos quais o paciente é são, os remédios não ajudam e os fatos permanecem acontecendo. Nesse ponto, os profissionais não sabem mais o que fazer e é então que a doutora Yvonne Smith entra em ação.

Após mais de duas décadas dedicadas à pesquisa das abduções, o fenômeno ainda a surpreende. E com o decorrer dos anos ela passou a acreditar completamente no relato de seus pacientes. “Pela janela de meu consultório vejo muitos pais com seus filhos em um dia normal, e eu aqui lidando com alienígenas e abduções”, diz ela, com bom humor. Para Yvonne, o cenário relatado por um paciente é uma realidade para milhares de pessoas — mudam os lugares e o tipo de memórias, mas os extraterrestres sempre estão nelas.

Começo de carreira

Muitos céticos afirmam que os abduzidos são pessoas à procura de atenção, mas não é o que a doutora Smith tem visto em seus muitos anos de profissão. Segundo ela, “essas pessoas têm empregos, têm família, pagam seus impostos. Alguns são famosos, outros altamente reconhecidos profissionalmente. E nenhum deles precisa de atenção ou minutos de fama”. Quanto aos relatos que seus pacientes trazem, ela esclarece que, “se você ouve de novo e de novo esse tipo de história, começa a prestar atenção no que estão lhe dizendo. Mesmo que pareça loucura. É isso que me mantém neste campo bizarro. Essas pessoas acreditam que alguma coisa real está acontecendo a elas — e precisam de ajuda”.

O trabalho com hipnose regressiva é, na verdade, a segunda carreira de Yvonne Smith. Ela trabalhou anteriormente, por 10 anos, como supervisora do júri na Corte Superior de Los Angeles, emprego que deixou a fim de cuidar de sua família. No final dos anos 80, foi a um seminário de Ufologia com sua mãe, que tinha muita curiosidade sobre o trabalho do ufólogo Budd Hopkins, considerado o pioneiro na pesquisa das abduções. “Fiquei fascinada em ver como Hopkins usava a hipnoterapia para trazer de volta memórias escondidas. Foi quando nos tornamos amigos e posteriormente ele virou meu mentor”, explicou nossa entrevistada.

crédito: ARQUIVO UFO
O ufólogo Budd Hopkins, já falecido, inspirou e instruiu uma geração de pesquisadores de abduções, inclusive a entrevistada
O ufólogo Budd Hopkins, já falecido, inspirou e instruiu uma geração de pesquisadores de abduções, inclusive a entrevistada

Após graduar-se no Instituto de Motivação e Hipnose, na Califórnia, ela não foi diretamente tratar de abduzidos. Seu trabalho era voltado para atores que queriam melhorar sua memória, pessoas que queriam perder peso, pacientes com câncer abalados psicologicamente, ou seja, nada relacionado à abdução. Mas, em 1991, seu primeiro paciente abduzido apareceu. Era um engenheiro beirando os 30 anos de idade, conservador, esperto e responsável. “Ele estava nervoso com a hipnoterapia, mas consegui tranquilizá-lo e suas memórias guardadas começaram a surgir”.

O engenheiro lembrou-se de ter sido levado para bordo de uma aeronave quando era criança. Yvonne ficou chocada e emocionada com o relato, mas impressionada com a sinceridade de seu paciente. Ela então decidiu abrir a mente para o assunto. “De repente, foi como uma bola de neve. Cada vez mais pessoas me procuravam em busca de respostas. Os abduzidos são ridicularizados, então porque procurar alguém e contar suas experiências ou tentar relembrá-las?”, questiona. “Esse trabalho foi feito para mim. Terapeutas tradicionais não querem entrar nesta seara. Eles não sabem o que fazer quando se deparam com algo assim”.

Levados por gerações

Hoje, 95% dos pacientes da doutora Yvonne Smith são abduzidos. Ela afirma que não sabe como ficaram sabendo a respeito de seu trabalho. São pessoas de todas as etnias e classes sociais. Quando questionada sobre até quando uma pessoa é abduzida, Yvonne diz de maneira enfática que “a abdução não acaba. Ela continua por toda a vida da grande maioria dos abduzidos. Pode ficar adormecida por um tempo, mas quando a pessoa é escolhida, ela fará parte do que eu chamo de programa alienígena”.

A hipnoterapia, explica nossa entrevistada, é para aquelas pessoas que incorporaram as experiências de abdução em suas rotinas, um caminho para conhecer o passado e aprender a lidar com o que virá pela frente. “Quando percebi que meus pacientes falavam apenas comigo sobre suas experiências, criei um grupo de suporte para eles”. A Close Encounter Research Organization [Organização de Pesquisa de Contatos Imediatos, CERO] realiza reuniões mensais entre abduzidos para que eles possam desabafar e relatar suas experiências com pessoas que sofrem o mesmo fenômeno que elas.

Para Yvonne, se há um abduzido em uma família, isso significa que outros membros dela também já passaram pela experiência. “Estudos mostram que a abdução ocorre dentro de uma mesma família por várias gerações. Já tive um caso no qual um rapaz foi abduzido e, com o decorrer das minhas investigações, descobri que seu tataravô também havia sido, durante uma batalha na Guerra Civil dos Estados Unidos. Ou seja, meu paciente era a quinta geração de abduzidos dentro de uma mesma família”.

Estresse pós-traumático

Ela explica também que o horror que um abduzido carrega já seria o suficiente para qualquer ser humano adquirir estresse pós-traumático, mas que a situação pode piorar. “Sabe qual é o maior temor que surge quando um adulto descobre que foi abduzido?” Ela explica que é o fato de que seus filhos também estejam sendo ou que venham a ser abduzidos, e eles sabem que não poderão fazer nada quanto a isso. “Essa sensação de que diante de seus próprios olhos seus filhos sofrerão por toda a vida o que eles passaram deixa qualquer um literalmente desesperado”.

Outro aspecto incorporado pela pesquisa de abduções são as técnicas utilizadas pelos terapeutas, psicólogos e demais investigadores deste fenômeno. No caso de Yvonne Smith, ela tenta se cercar de todos os meios que considera possíveis para que não seja enganada por casos falsos. Muitas vezes as pessoas chegam ao seu consultório com a certeza de que foram abduzidas. Yvonne as ouve pacientemente e em uma entrevista preliminar já procura fazer uma triagem. “Na maioria das vezes consigo identificar se o que a pessoa teve, na verdade, foi um sonho ou sofreu a conhecida paralisia do sono. E em alguns poucos casos, que ela realmente estava tentando me enganar”. A partir de agora, leitor, prepare-se para entrar em uma realidade perturbadora e ao mesmo tempo fascinante — a abdução alienígena.

Os abduzidos são pessoas completamente normais. Eles têm empregos, têm família, pagam seus impostos. Alguns são famosos, outros altamente reconhecidos profissionalmente. E nenhum deles precisa de atenção ou minutos de fama.

A senhora pode nos falar sobre a relação que encontrou entre o distúrbio de estresse pós-traumático (DEPT) e as abduções?
O DEPT ocorre quando sofremos algum tipo de trauma, acidente, abuso sexual ou físico, guerras e, como descobri com o tempo, abduções alienígenas. Quando comecei a trabalhar com abduzidos, percebi que todos eles apresentavam sintomas similares, como, por exemplo, incapacidade de dormir com barulho, ainda que mínimo, sonhos ou pesadelos recorrentes, hipervigilância, pavor ao dirigir em certos trechos de estradas etc — os sintomas de todos eles são os mesmos e precisam ser tratados.

Qual é a relação existente entre paralisia do sono e abdução?
Nas experiências de paralisia do sono, que geralmente ocorrem no período hipnagógico, ou seja, quando a pessoa está adormecendo, ou no período hipnopômpico, quando está acordando, ela não consegue se mover ou falar. O movimento rápido dos olhos (MRO) ocorre quando a pessoa está em sono profundo e sonhando, e quando esse estado é interrompido, a pessoa acorda antes do ciclo estar completo. Os céticos sempre argumentam que as abduções são o resultado de paralisia do sono. Entretanto, milhares de abduções ocorrem quando o indivíduo está totalmente acordado, dirigindo e com outras pessoas no carro, por exemplo. Pesquisei vários casos onde a pessoa está sentada em casa lendo um livro ou vendo televisão, quando de repente não consegue se mover. Os pacientes frequentemente descrevem uma sensação de picadas e agulhadas em todo o corpo, juntamente com uma luz azul ou branca muito brilhante inundando o ambiente.

Muitos abduzidos afirmam ver luzes ou sentir a presença de mais alguém no ambiente durante a experiência. Isso pode ocorrer na paralisia do sono?
Sim, claro. Como eu disse, o MRO ocorre quando a pessoa está em estado profundo de sono, sonhando. Em minhas pesquisas verifiquei que quase 90% das pessoas que afirmaram ter sentido essa presença ou relatado uma luz estavam sofrendo de paralisia do sono, e não uma abdução alienígena. Elas estavam na fase do movimento rápido dos olhos.

Como a senhora encara e enfrenta os argumentos daqueles que desacreditam o fenômeno?
Ao longo dos anos tenho debatido a realidade dos abduzidos com céticos e debunkers [Detratores do Fenômeno UFO] em programas de TV e rádio, mas estou em um momento de minha vida que não perco mais meu tempo e energia discutindo com pessoas de mentes fechadas. Os céticos em relação ao fenômeno apresentam sempre as mesmas explicações ridículas há anos. Dizem que as abduções são produtos de uma fantasia ou então que os abduzidos têm uma vida tão vazia e desinteressante que criam seu próprio cenário no intuito de ganhar alguma atenção e notoriedade. Se os céticos ao menos se dessem ao trabalho de estudar os casos, iriam aprender que a maioria dos abduzidos tem se submetido à terapia tradicional por anos, além de terem sido analisados por psicólogos e psiquiatras — tudo isso indica que não há indicação de psicopatia.

crédito: JERRY SMITH
Não há escolha e a pessoa eleita pelos seres extraterrestres para ser abduzida não tem como impedir que isso ocorra
Não há escolha e a pessoa eleita pelos seres extraterrestres para ser abduzida não tem como impedir que isso ocorra

Há mais a se falar sobre a atitude dos céticos?
Sim, eles também ficariam surpresos ao saber que os abduzidos são pessoas que não precisam de muito mais atenção do que já têm. Durante meus quase 25 anos de estudos, trabalhei com médicos, advogados, cientistas, empresários, engenheiros, celebridades etc. Agora, vamos nos colocar no lugar dessas pessoas. O que elas ganham com essa exposição? Nada. Essas pessoas teriam tudo a perder caso suas histórias fossem inventadas. São indivíduos que têm a vida tão ocupada com suas carreiras e cuidados com suas famílias que é praticamente uma heresia dizer que vivem uma vida vazia. Mas os céticos se agarram a preconceitos e não se dão a oportunidade de olhar para outras possibilidades.

Com base no resultado de suas pesquisas, a senhora conseguiu detectar um padrão nas abduções?
Certamente. O primeiro padrão diz respeito às descrições similares dos locais onde tudo tem início. Por exemplo, a pessoa pode estar em casa, vendo televisão em sua sala ou lendo um livro em seu quarto e se recorda de ver uma luz muito forte entrando pela janela. Elas ficam paralisadas e então “apagam”. Ou a pessoa está dirigindo seu carro, avista um estranho objeto no céu voando bem baixo e seu primeiro impulso é parar o automóvel para ver melhor aquilo. Entretanto, sua próxima recordação é estar em outro local, distante muitos quilômetros de onde estava, e perceber que várias horas se passaram. Outro padrão que surge nas sessões de hipnose regressiva diz respeito às descrições do interior da nave, que são incrivelmente similares, assim como a descrição dos seres, frequentemente relatados como sendo de várias tipologias. Os relatos dos vários procedimentos médicos a que os abduzidos são submetidos também são similares, incluindo até mesmo os aparelhos utilizados — e é importante ter em mente que essas pessoas não se conhecem e nunca tiveram qualquer tipo de contato entre si, mas suas experiências são idênticas.

A senhora disse que as vítimas de abdução relatam que são vários os tipos de alienígenas que conduzem os procedimentos médicos dentro da nave. O que pode nos dizer sobre tais seres?
É isso mesmo, são vários tipos de seres relatados no interior das naves fazendo os procedimentos, orientando ou apenas observando. Um fato muito importante é o de que os seres do tipo gray [Cinzas] é que levam a pessoa até o interior do objeto. Em vários relatos, também são os grays que conduzem os procedimentos nos indivíduos, mas em outros relatos há a presença de grays maiores e de cor diferente, no mesmo local, dando instruções. Em minhas pesquisas encontrei relatos de seres reptilianos, peludos, insectoides e até mesmo de seres de aparência humana que estavam presentes durante os procedimentos.

É muito interessante essa informação. Voltando ao nosso assunto anterior, gostaria de saber se existe algum padrão físico ou psicológico na escolha dos abduzidos?
As abduções começam na infância e continuam durante toda a vida do indivíduo e de sua família — a experiência pode acontecer com qualquer um, não importando sua etnia, se a pessoa é rica ou pobre, famosa o não, vivendo em cidades grandes ou pequenas. O fenômeno é mundial.

Alguns pesquisadores afirmam que os abduzidos são, de alguma forma, escolhidos “a dedo”, pois basicamente seria um desperdício abduzir uma pessoa em um estado terminal, por exemplo. O que a senhora pensa sobre isso?
Isso é algo difícil de se concordar ou discordar. Por exemplo, eu disse que as abduções começam na infância e perduram durante toda a vida. Será que esses seres saberiam de antemão que a pessoa poderia ter alguma doença genética incurável? Ou eles saberiam de antemão se a pessoa iria morrer precocemente? Por que então eles gastariam um tempo abduzindo uma pessoa, sabendo que ela faleceria sem que o acompanhamento fosse finalizado? Há casos em que pessoas afirmam que alienígenas curaram sua doença. Eu mesma já investiguei um episódio no qual um paciente terminal de câncer, que sofria abduções desde sua infância, foi curado aos 28 anos e continuou sendo abduzido até os 53. Por que essa pessoa foi curada? Portanto, ainda não temos como afirmar qual é o critério para as abduções, mas me parece lógico que a escolha seja feita para um acompanhamento ao longo de muitos anos.

Estudos mostram que a abdução ocorre dentro de uma mesma família por várias gerações. Já tive um caso no qual um rapaz foi abduzido e descobri que seu tataravô também havia sido, durante uma batalha na Guerra Civil dos Estados Unidos.

Diante de tantos casos pesquisados, qual mais lhe impressionou?
O evento que me levou a entrar de cabeça na pesquisa das abduções alienígenas foi o Caso Jesse e John Long, uma abdução dupla de dois irmãos quando eram crianças. As suas descrições conscientes do evento, assim como a informação que veio à tona durante as regressões hipnóticas, foi o que me convenceu de que as abduções são um evento real e físico. Eu escrevi detalhadamente sobre o acontecimento em meu primeiro livro Chosen: Recollections of UFO Abductions Through Hypnotherapy [Backstage Entertainment, 2008], que, inclusive, estou revisando para uma nova edição.

A senhora poderia falar um pouco sobre este caso?
Claro. Durante a infância, no Tennessee, os irmãos Jesse e John Long sofreram com pesadelos, nos quais seres de olhos grandes e escuros, magros e de cor cinza os atormentavam com experiências. Tudo começou quando Jesse tinha apenas cinco anos de idade, em 1957. De acordo com ele, alguns dos testes aos quais foi submetido foram traumáticos, muito dolorosos e ficaram cada vez mais pavorosos com o passar do tempo. As abduções de ambos seguiam o mesmo padrão — eles eram paralisados onde quer que estivessem, levados por um logo corredor e deitados em uma mesa reta. Um dos experimentos aos quais Jesse foi submetido, o mais traumático e que lhe causou mais problemas, foi a coleta de seu esperma. Ele acredita que foi obrigado a manter relações sexuais com um ser feminino e que, após esse evento, teve um objeto estranho introduzido em seu corpo. O implante ficou em seu corpo por 34 anos e lhe causou muita dor. Quando finalmente foi retirado, na década de 80, o objeto partiu-se em dois enquanto estava sendo analisado. Algumas pessoas afirmaram que se tratava apenas de um pedaço de vidro, mas os testes indicaram que ele era muito mais misterioso do que isso.

E o outro irmão?
John Long preferiu manter o seu implante circular onde sempre esteve, atrás de sua orelha esquerda. E disse que durante uma abdução fez um acordo com seu “amigo alto”, como ele chama o alien abdutor, dizendo que não iria tirar o objeto e que em contrapartida receberia informações durante toda a sua vida. Em 1990, Jesse Long estava dirigindo da Califórnia para a cidade de New Orleans, em Louisiana, quando, próximo a Albuquerque, no Novo México, seu carro foi levantado por uma força e levado para dentro de uma espaçonave, com ele ainda dentro do veículo. A testemunha foi colocada em uma mesa e apresentado a um bebê, e os seres lhe disseram “essa é sua criança”. Havia outras nove crianças do outro lado de uma parede transparente olhando para Jesse.

Como ele se sentiu diante de tal cena?
De alguma forma ele sentia que todas elas eram suas. Uma a uma, as crianças caminharam até ele e tocaram sua mão, olhando dentro de seus olhos. Ao saírem, ele recebeu uma mensagem telepática que dizia “nós estamos bem, obrigado”. O grande questionamento de Jesse foi a razão de ele ter sido o escolhido pelos alienígenas para gerar seres híbridos. Eu fui para o Tennessee para trabalhar com John e, para minha surpresa, muitas de suas memórias conscientes, assim como informações que eu obtive por meio da hipnose de seu irmão, eram idênticas. Mais sobre o caso vocês poderão ler em meu livro [Em fase de tradução para publicação pela Biblioteca UFO].

A senhora construiu uma carreira na pesquisa sobre abduções alienígenas. Em algum momento seu trabalho foi discriminado?
Claro. Os céticos e as pessoas que desmerecem o fenômeno sempre existiram ao longo da história de Ufologia. E, infelizmente, ainda há muita gente que, mesmo com tantas evidências e documentos liberados sobre o fenômeno, não acredita nessa realidade. Eu digo que adquiri uma “casca grossa” para poder caminhar nesse difícil campo de pesquisa.

crédito: TOP STUDIO
Dentro das naves, os abduzidos são submetidos a experiências e a exames médicos, geralmente com extração de material genético
Dentro das naves, os abduzidos são submetidos a experiências e a exames médicos, geralmente com extração de material genético

Em sua opinião, o que deveria mudar ou ser tornado público para que a ciência aceitasse como real o fenômeno das abduções alienígenas?
Os cientistas dizem que precisam de evidências empíricas, mas infelizmente acho que mesmo se tivermos um alienígena gray na nossa frente eles não vão aceitar que as abduções são reais. Meu falecido colega e amigo doutor Roger Leir fez um grande trabalho neste sentido. Ele removeu dezenas de objetos desconhecidos, os implantes, de centenas de abduzidos e com isso mostrou a evidência física que tanto se pede — alguns desses implantes já foram analisados e demonstram características não terrenas. Nós precisamos de cientistas que deem um passo à frente para analisar esses artefatos, assim como precisamos de outros para retirar os implantes de seres humanos. Esses cientistas poderiam se manter anônimos, mas precisamos que nos ajudem. Eu também estou à procura de um cirurgião experiente que, repito, pode se manter anônimo, mas que esteja disposto a fazer as cirurgias para a remoção de corpos estranhos em abduzidos. Temos muito trabalho pela frente.

A senhora disse que muitos cientistas preferem ficar no anonimato quando tratam desse assunto. Mas não seria a descoberta do milênio para qualquer cientista provar a veracidade de implantes alienígenas e, consequentemente, a ação deles nos humanos?
Bem, eu penso como você. Entretanto, os cientistas afirmam que precisam de evidências práticas antes de usarem seu tempo na investigação desses casos. O doutor Leir me disse que havia enviado vários implantes para laboratórios e que os resultados foram muito intrigantes. Eu particularmente não acredito que algum desses cientistas venha a público afirmar que esses implantes sejam de origem extraterrestre.

Mas quais são esses laboratórios? E por que resultados tão intrigantes e reveladores não chamam a atenção da comunidade científica?
Assim como os cientistas, os laboratórios também preferem não ter seus nomes divulgados. Isso dificulta a aceitação dos resultados dentro da comunidade científica. Mas posso lhe garantir que todos os estabelecimentos utilizados pelo doutor Leir eram de ponta, com especialistas entre os mais capacitados em suas áreas de atuação.

Sabemos que hoje devem existir milhões de pessoas que tiveram experiências de abdução. Entretanto, poucos casos chegam até os especialistas. Como os abduzidos vão até você?
Quando comecei meu trabalho nesse campo, no início dos anos 90, a internet estava engatinhando e nós mal utilizávamos o correio eletrônico. Meus pacientes chegavam até mim por meio da indicação de psicólogos e psiquiatras que conheciam meu trabalho. Ainda hoje recebo pacientes dessa forma. Obviamente, com o advento das mídias sociais, as coisas ficaram mais rápidas e os contatos, mais fáceis. Minha página no Facebook, por exemplo, foi criada para pessoas que estão à procura de respostas, tornando fácil o contato comigo. Eu também tenho a página de meu grupo de suporte, chamado Close Encounters Research Organization [Organização de Pesquisa de Contatos Imediatos, CERO] que permite que os membros interajam entre si uma vez por mês.

A senhora deve receber centenas de relatos por mês. Como diferencia um potencial caso de abdução de um simples sonho ou até mesmo de uma fraude?
Todos os casos que recebemos são lidos por uma equipe treinada para filtrar as informações. Após tantos anos investigando o assunto, defini alguns critérios que nos ajudam a identificar um possível caso de abdução. Por exemplo, pessoas que dizem estar acordadas e de repente ficaram paralisadas e viram uma luz entrando em seu quarto. Isso é um indicativo. Outras pessoas dizem que estavam dormindo e acordaram com seres ao lado de sua cama. Um fato igualmente importante é o relato de tempo perdido ou lapso temporal, ou seja, quando a pessoa não se recorda do que fez durante certo período. Mesmo assim, ainda é muito difícil conseguir filtrar com 100% de acerto. Por isso é muito importante que tenhamos mais cientistas, médicos, psicólogos e psiquiatras atuando na pesquisa desse fenômeno.

Memórias resgatadas via hipnose regressiva são genuínas e em alguns casos são incrivelmente detalhadas. Por exemplo, já tive pacientes que estavam vendo televisão no momento da abdução e que durante a regressão lembraram até do que estavam assistindo.

A técnica que a senhora emprega em sua pesquisa é a hipnose regressiva. Essa ferramenta é muito criticada no meio acadêmico, principalmente porque seria fácil induzir um indivíduo hipnotizado. Como garantir que as memórias são verdadeiras?
Eu trabalho com abduzidos há mais de duas décadas usando a regressão hipnótica para levar mentalmente a pessoa ao ponto em que o evento crítico ocorreu. O caso pode ter acontecido na infância ou mesmo recentemente, digamos, há alguns meses ou semanas. Mas, antes de começar, eu alerto a pessoa para saber se ela está pronta para trazer aquelas memórias à tona. Eu digo que estamos tateando no escuro ou uso uma expressão muito conhecida aqui nos Estados Unidos, que é “uma vez que a pasta de dente saiu do tubo, não tem como voltar”.

E como são estas memórias resgatadas via hipnose regressiva?
Elas são genuínas e em alguns casos são incrivelmente detalhadas. Por exemplo, já tive pacientes que estavam vendo televisão no momento da abdução e que durante a regressão hipnótica lembraram até do que estavam assistindo. O mais convincente para mim é a emoção que acompanha as memórias, mesmo aquelas ruins, que as pessoas não querem acreditar que vivenciaram. Todas elas têm sintomas de DEPT, ou seja, sofrem de ansiedade, ataques de pânico, insônia, flashbacks e pesadelos recorrentes. Os abduzidos apresentam fobias inexplicáveis, como medo de água, de corujas, veados e tubarões — ninguém sob hipnose consegue fingir esse tipo de memória e adquirir esses medos.

Mas, e quanto aos hipnotizadores? É grande a desconfiança de que memórias possam ser inseridas nas mentes dos supostos abduzidos ou que eles sejam induzidos a dar certas respostas.
Sim, isso pode ocorrer. Assim como em qualquer profissão, você tem profissionais bons e ruins. Eu posso falar por mim. São mais de duas décadas de pesquisas e jamais fui acusada de alguma charlatanice. Eu procuro me prevenir, também, quanto a qualquer tentativa de ser enganada. Além da regressão hipnótica, eu busco ouvir o paciente, conhecer a sua vida, conversar com pessoas próximas a ele, enfim, fazer um levantamento de sua história. Além disso, busco ajuda de profissionais de outras áreas do conhecimento. Entre as técnicas que utilizo em minhas regressões estão aquelas nas quais minhas perguntas são quase sempre superficiais, sem direcionamento, para que o paciente fale muito mais do que eu. Por exemplo, eu pergunto “o que você está fazendo?”, ou então “onde você está agora?”, ou ainda “tem alguém com você?”. Tento ao máximo ficar fora dessa experiência. Mas não estou imune ao erro, claro.

A senhora disse em uma entrevista anterior que os abduzidos temem pelos seus filhos. Por quê?
Porque eles temem que seus filhos também sejam abduzidos e se sentem impotentes para protegê-los. As abduções, e muitas pesquisas mostram isso, ocorrem dentro das famílias. Se você é um abduzido, certamente sua mãe, pai ou avós também foram. Elas seguem a linhagem familiar. Eu já tive casos nos quais eu comecei a ajudar um abduzido e depois verificamos que seu tataravô havia sido abduzido em um campo de batalha. A abdução começa na infância. Descobri que as crianças geralmente começam a falar de suas abduções aos quatro anos de idade. Elas irão se referir aos alienígenas como “amigo fantasma”, “monstro” ou “pequenos médicos azuis”. Esta última descrição é utilizada pelo autor Whitley Strieber, pois era assim que ele chamava os seres que o visitavam quando criança.

Há algum caso específico com estas características que a senhora queira descrever?
Sim. Um dos casos mais interessantes que eu investiguei foi um episódio no qual um garotinho me contou sobre uma aranha que ficava no canto de seu quarto e conversava com ele — e quando ele desenhou a aranha, ela tinha dois grandes olhos negros. Nem sempre as crianças sentem medo quando descrevem suas abduções, porque a infância é o momento mágico da vida no qual as coisas mais fantásticas são todas possíveis.

crédito: ARQUIVO UFO
O doutor Roger Leir, falecido em 2014, foi pioneiro na extração de microchips implantados por aliens em seres humanos
O doutor Roger Leir, falecido em 2014, foi pioneiro na extração de microchips implantados por aliens em seres humanos

Outro aspecto interessante nos casos de abdução são as transformações que os abduzidos sofrem. A senhora tem casos sobre isso?
Ah, claro. As transformações são tanto psicológicas quanto fisiológicas, para o bem ou para o mal, verdade seja dita. Vou relatar dois casos que deixam isso bem evidente. O primeiro é de um homem chamado Ron Noel que me procurou quando estava com 50 anos de idade. Analisei seu caso juntamente com o doutor Roger Leir. Até aquela data, Leir havia extraído 15 implantes de origem extraterrestre de seus pacientes. Noel foi o 16º a se submeter a essa cirurgia. Ele dizia que os alienígenas o haviam implantado quando ele estava com nove anos de idade.

Como aconteceu a abdução?
Ele e alguns amigos estavam acampando em um terreno no Tennessee, onde moravam. Assim que todos foram dormir, eles foram acordados por uma luz muito brilhante. “É uma estrela”, pensaram eles. Então, uma luz azul atingiu Noel, que sentiu como se tivesse sido ferroado — ele disse que gargalhava enquanto era levitado no ar juntamente com seus amigos. A bordo do UFO, rodeado por seres cinza muito magros, eles receberam a mensagem de que não seriam feridos. Noel foi despido, examinado, teve um objeto implantado em seu corpo e depois foi devolvido ao acampamento. Assim que todos retornaram da experiência, um desejo incontrolável, como uma compulsão para comer vegetais, fez com que invadissem o terreno do vizinho e comessem todas as plantas do jardim.

Incrível. E o outro caso?
O outro acontecimento espantoso ocorreu com uma mulher chamada Jacqueline [Sobrenome mantido em sigilo], que foi abduzida repetidamente durante grande parte de sua vida. Quando ela tinha quatro anos de idade, uma espaçonave pousou em seu quintal e ela entrou no UFO de mãos dadas com um alienígena. Daquele dia em diante, sua vida tornou-se uma loucura. Segundo Jacqueline, imediatamente antes de uma abdução você “sente” alguma coisa. Como uma “viajante frequente”, expressão usada para uma pessoa que é abduzida várias vezes, ela já sabia que seria levada. Em seu caso, a abdução ocorre quando ela está entre o estado de sonolência e sono profundo. Uma lâmpada se apaga, as sombras se solidificam e viram uma presença em seu quarto. “Você fica apavorada, tem algo em seu quarto. Eu simplesmente não conseguia abrir meus olhos e me forçava a dormir o mais rápido possível”, confessou ela.

É interessante ela ter sintomas físicos antes de ser levada.
Sim. Em uma de suas mais impressionantes abduções, Jacqueline estava assistindo televisão com seu namorado, um jovem chamado Tyson, quando de repente ela ouviu uma voz distante lhe chamando — parecia que Tyson estava gritando ao longe. Ela tentou se mover, mas não conseguiu. Ele chamava: “Jackie, você está sendo abduzida”. Foi quando ela acordou e voltou. O relato de Tyson é incrível. Ele disse que de repente as costas de Jacqueline se arquearam, sua cabeça se levantou do travesseiro e metade de seu corpo começou a levitar sobre o sofá. Seus braços se abriram em posição de crucifixo. Seus olhos ficaram fechados o tempo todo. Parecia um desses truques de levitação que você vê na televisão.

E como a senhora lida com abduzidos que afirmam ter tido relação sexual com alienígenas?
Eu não gosto de falar sobre o componente sexual de uma abdução alienígena porque é algo muito íntimo, mas já tive muitos casos desse tipo. Tente imaginar, como se isso fosse possível, ser abduzido, estar em um local desconhecido e ainda assim ser obrigado ou instigado a manter relação sexual com um ser extraterrestre. Na maioria dos casos, uma imagem é colocada na mente dos homens abduzidos — a imagem de uma linda mulher, de uma alienígena ou de um híbrido humano-alienígena. O homem ejacula e os extraterrestres coletam o esperma. Em outros casos, abduzidos homens descrevem que é introduzida uma sonda em seu pênis ou que um tubo é colocado na glande do seu órgão sexual. E quando eles me relatam esse momento, fecham suas pernas.

Tratei de uma moça que foi abduzida repetidamente durante grande parte de sua vida. Quando ela tinha quatro anos de idade, uma espaçonave pousou em seu quintal e ela entrou no UFO de mãos dadas com um alienígena. Sua vida tornou-se uma loucura.

O que acontece em seguida?
Quando eles acordam, veem uma marca triangular no pênis. Um paciente só notou que havia essa marca quando foi tomar banho e a água bateu no local, causando-lhe muita dor. Há ainda os casos, como o do brasileiro Antonio Villas-Boas, que manteve relações sexuais com uma alienígena com traços humanos. O interessante no caso de Villas-Boas é que os seus abdutores usaram uma esponja com um líquido viscoso em seu corpo, como se fosse para desinfetá-lo ou até mesmo estimulá-lo sexualmente para a relação.

Por que coletar o esperma?
Para criar bebês. Essa parte é, sem dúvida alguma, o aspecto mais perturbador da narrativa contemporânea da abdução alienígena. Em uma palestra que dei durante a conferência Contato no Deserto, em Joshua Tree, na Califórnia, apresentei o caso de um operário da construção civil chamado John [Idem]. Ele é conhecido no meio das abduções alienígenas como um “criador”, um tipo especial de abduzido que acreditamos ser usado pelos alienígenas com o único intuito de ser um reprodutor.

Isso é horrível, não?
Sim, é. O primeiro evento envolvendo John ocorreu em uma noite de ano novo, quando ele estava em uma rodovia a caminho da casa de sua namorada, que vivia no norte do estado. Uma estranha aeronave apareceu à sua frente e pairou sobre seu carro. O objeto era preto e não emitia som algum. Ele não se lembrava como tinha parado o carro. Em um momento estava dirigindo e, em outro, três horas haviam se passado e sua namorada estava muito brava com ele. Enfim, um clássico cenário de tempo perdido ou “missing time”.

Como John encarou sua abdução?
Essa experiência o assombrou por quase uma década, até que tomou coragem para descobrir o que tinha acontecido. Durante a regressão hipnótica, as memórias foram sendo reveladas. Ele se lembrou de ser levado de dentro de seu carro por uma luz branca muito forte, e sua voz embargou ao se ver dentro de uma sala cheia de tanques que tinham um líquido gelatinoso — neles havia fetos com cordões umbilicais. Ele ouviu dentro de sua cabeça uma mensagem que dizia para ele ter “sentimentos” por aquele bebê que estava à sua frente. Disseram para ele amar aquele bebê. John foi abduzido várias outras vezes para rever seu filho. Ele o viu quando era um bebê, depois quando era uma criança e depois quando já era um adolescente.

O mesmo acontece com mulheres? Elas também são abduzidas e usadas como reprodutoras?
Sim, a própria Jacqueline sonhou por anos com um estranho alto, loiro e de pele pálida. Ela tinha sonhos eróticos com ele, que aconteciam em um longo corredor ou no canto da cozinha. Então, em uma noite, ela o encontrou em um jantar. “Mas como isso seria possível?”, pensou. O seu amante nos sonhos estava ali, em carne e osso. Eles conversaram e ele estava tão perplexo ao conhecê-la como ela a ele. Ambos haviam tido os mesmos sonhos eróticos. Sob hipnose, Jacqueline encontrou a explicação: os sonhos não eram sonhos, mas memórias represadas. O canto da cozinha era, na verdade, uma mesa metálica. O corredor comprido era uma espaçonave. E ela e sua alma gêmea nunca estiveram a sós, mas estavam cercados de outros casais humanos sendo observados por alienígenas. Jacqueline acredita ser uma “criadora”. Ela relatou que por várias vezes em sua vida sentiu-se grávida, tinha todos os sintomas de uma gravidez, não menstruava e suas roupas não lhe cabiam. Então ela sangrava por 10 dias seguidos. Suas idas ao médico eram constantes. Ela dizia que sentia um grande vazio no coração, como se tivesse perdido seu bebê.

crédito: ROGER LEIR
Um dos muitos implantes extraídos pelo doutor Roger Leir. Sua composição lembra algo metálico, mas também biológico
Um dos muitos implantes extraídos pelo doutor Roger Leir. Sua composição lembra algo metálico, mas também biológico

Mas conscientemente ela não tinha lembrança disso, certo?
Não, não tinha. A memória de Jacqueline emergiu sob hipnose. Os alienígenas então a apresentaram a uma jovem menina. A criança aparentava ter três meses de vida, mas já andava e falava. “Essa é sua filha”, teriam lhe dito. Em outra abdução, ela foi levada até uma sala onde conheceu seis crianças, todas suas filhas. Ela notou que as crianças tinham suas características, olhos grandes, bochechas redondas, lábios carnudos e nariz fino, mas um cabelo brilhante, como de uma fada.

Esses relatos são incríveis e também chocantes. Eu gostaria de saber qual a maior dificuldade que a senhora enfrenta com os casos de abdução?
Com certeza é a dor. Quando meus pacientes choram, eu tenho vontade de chorar também. Eu falo com eles, digo que estão seguros comigo. Faço com que ouçam a minha voz. Mesmo que seus corpos estejam deitados na minha frente, seus olhos estão fechados e suas mentes estão distantes. A bordo de um UFO, estão sendo examinados ou sofrendo algum tipo de ação invasiva por parte de seres extraterrestres. E foi para que os abduzidos conseguissem viver com toda estranheza que os cerca que criei o CERO. Muitos chegam aqui descrentes e eu tento explicar da forma mais normal possível tudo o que eles passaram. O céu é azul, a água molha e os alienígenas existem. Mas os questionamentos são sempre os mesmos: “Por que estão fazendo isso comigo?”, ou “eles sabem que isso nos machuca?”, ou também “eles sabem que estão mexendo com a nossa cabeça?”, e ainda “eles se importam conosco?” Os alienígenas não pedem a nossa permissão e não marcam dia ou hora para nos abduzir — eles simplesmente aparecem nos quartos das pessoas, pegam-nas, fazem o que querem fazer e depois as devolvem.

Esse processo, ou fenômeno, por mais individual que seja, afeta também as pessoas que estão ao redor das testemunhas. Como as famílias e amigos lidam com isso?
Muitos não reagem bem e acreditam que seu marido ou esposa, filhos, amigos ou parentes estão ficando loucos. Recentemente investiguei um caso em que dois irmãos vieram ao meu consultório. O mais velho, Hosenfeld [Idem], não era um abduzido, mas sua irmã Maren, sim. A mãe deles sofria de distúrbio bipolar e quando Maren começou a apresentar certos sintomas, o rapaz pensou que estava acontecendo tudo de novo. A irmã via móveis levitando em seu quarto e a cama tremendo.

O que eles pensavam que fosse aquilo que lhes aconteceu?
Hosenfeld acreditou que ambos estavam diante de um fenômeno de poltergeist. A moça sentia que estava sendo “entupida” de informações e que estavam lhe pedindo para fazer algo, mas o que era esse algo ela não conseguia entender. Seu psiquiatra lhe receitou remédios. Nesse meio tempo, ela rezou pedindo ajuda e, como por milagre, o download de informações em sua cabeça parou. Pouco depois, Maren ficou sabendo sobre a abdução de Stan Romanek e em uma só noite leu todo o livro sobre o caso. Foi quando ela começou a se consultar comigo. Seu irmão sempre me agradece e diz que deve haver uma razão, um propósito, para que ela seja abduzida, mas que isso só o fez amá-la cada vez mais. Esse é um bom exemplo de pessoas que dão apoio para aqueles que sofrem desse trauma. Mas nem todos os casos são assim.

Ao longo desses tantos anos de pesquisa, o que mais a surpreende?
O que mais me surpreende é o fato de eu não me surpreender mais. Eu me preparo para as coisas mais bizarras que podem sair das mentes das pessoas, e por mais estranhos que esses relatos sejam, eles têm consistência. Como a luz azul, os quartos redondos, os procedimentos cirúrgicos, os instrumentos e até mesmo os bebês nos tanques. Frequentemente me vejo diante de descrições similares vindas de diferentes pessoas, das mais diversas classes sociais. São pessoas que não se conhecem, até de países diferentes. Eu tenho casos nos quais o desenho das paredes de um UFO, feito por uma criança de cinco anos que foi abduzida durante as férias com sua família, no Missouri, é praticamente igual ao desenho feito por um adulto morador do Arkansas. E o fenômeno tem mudado constantemente. Por exemplo, quando ouvi pela primeira vez de um abduzido que alguns seres grays estavam vestindo capas pretas, vários outros abduzidos começaram a relatar o mesmo tipo de vestimenta do alienígena. E nenhum deles jamais teve contato com os outros. E há coisas piores...

crédito: PAUL YOUNG
Abduzidos estão recebendo informações de que um grande acontecimento destrutivo atingirá a Terra em pouco tempo
Abduzidos estão recebendo informações de que um grande acontecimento destrutivo atingirá a Terra em pouco tempo

Piores? Por favor, explique.
Eu lhes digo que se preparem para o que vem a seguir. Nos últimos dois anos, os abduzidos têm descrito que um cataclismo irá ocorrer. Cenas são projetadas em uma parede ou colocadas em suas mentes, mostrando explosões, bombas atômicas, tsunamis, enchentes, doenças, grandes cidades sendo submersas. Enfim, um pesadelo apocalítico. Nenhum deles sabe quando isso vai acontecer, mas será em breve.

Mas os alienígenas não dizem nada sobre isso aos abduzidos?
Eles somente são alertados para se prepararem para “alguma coisa”. São avisados de que têm um trabalho a fazer. Grande parte deles tem sonhos recorrentes sobre uma vasta esquadrilha de UFOs cobrindo o céu e com grandes grupos de pessoas em algum lugar. Eles não sabem onde ou a razão, mas quando isso for acontecer, saberão.

Em junho de 2016, a jornalista Linda McRobbie escreveu um artigo chamado Por que as abduções alienígenas estão diminuindo drasticamente? [Veja box] A senhora concorda com ela?
O artigo é bem interessante, porém eu não concordo com ela. A TV pode não estar produzindo muitos programas sobre abdução como fazia há alguns anos, mas algo está acontecendo por trás das cortinas. Eu continuo a ser contatada por novos pacientes que suspeitam que são abduzidos desde crianças. Muitas dessas pessoas passaram anos em tratamento terapêutico tradicional e não tiveram suas perguntas respondidas — é quando os terapeutas e psiquiatras entram em contato comigo. Muitos deles não sabem como lidar com o fenômeno e, francamente, preferem não saber. Muitos céticos dizem que não acreditam em alienígenas, mas que algo está acontecendo com essas pessoas e isso precisa ser estudado. Quanta arrogância de algumas pessoas que acham que só porque não acreditam em vida extraterrestre o fenômeno não existe.

Para finalizar, a senhora gostaria de deixar uma mensagem para os leitores da Revista UFO?
Sim. Eu gostaria que soubessem que a abdução é um fenômeno global, que tem sido relatado por ricos, pobres, políticos, esportistas, fazendeiros e donas de casa. A abdução é um fenômeno que nos alcança onde quer que vivamos. Estamos lidando com um dos maiores mistérios da humanidade.