ARTIGO

Virgem Maria e UFOs na arte medieval: uma estranha conexão

Por Equipe UFO | Edição 253 | 01 de Dezembro de 2017


Créditos: Gravura atribuída a Sebastiano Mainardi, Jacopo del Sellaio ou Filippo Lippi, exposta na Sala Hércul

As manifestações artísticas fazem parte do espírito humano e foram, durante muitos milênios, a única forma de registro histórico existente. Em paredes de cavernas ou em grandes rochas expostas ao Sol, nossos ancestrais registram informações sobre a fauna e a flora de suas regiões, retrataram suas atividades diárias e, também, registraram fenômenos naturais e coisas vistas no céu. O firmamento, aliás, é um dos temas mais recorrentes ao longo do tempo, e embora cada povo tenha mostrado o Sol, a Lua e as estrelas de sua maneira particular, todos eles o fizeram.

Mesmo depois da invenção da escrita o registro por imagem continuou sendo — e ainda é — uma das melhores formas de se mostrar ao mundo, e à posteridade, grandes acontecimentos, os costumes, a moda, as personalidades e também estranhos objetos que eventualmente frequentavam os céus da cada época. Hoje, quase todos temos um telefone com câmera para registrar nosso dia a dia, mas antigamente isso era feito pelos pintores. E o que eles deixaram para a posteridade fascina e impressiona.

Foi justamente para ver um desses famosos registros de estranhos objetos vistos no céu que este autor, em 14 de dezembro de 2014, foi até a Sala Hércules do Palazzo Vecchio — ou Sala dos Super-Heróis dos Médici, como prefiro chamá-la —, na belíssima cidade de Florença, na Itália. Eu não estava lá para olhar o herói grego e seus trabalhos sobre-humanos brilhantemente ilustrados no teto, como uma graphic novel renascentista, para deleite dos ricos e famosos florentinos de então. Estava lá para ver uma pequena pintura do início do século XVI intitulada de Nativitá, criada entre 1510 e 1520.

UFO, anjo ou o Espírito Santo?

Não se sabe quem a pintou, mas historiadores da arte a atribuem a Sebastiano Mainardi, Jacopo del Sellaio ou Filippo Lippi. Ela foi primeiro exposta no Convento de Sant Orsolo, no distrito de San Lorenzo, em Florença, e isso é tudo o que se sabe sobre o quadro. Mas o que interessa é que a pintura parece mostrar um UFO pairando no céu, além de um homem e seu cão parados, em pé, sobre uma colina, ambos olhando para cima — a mão do homem está protegendo seus olhos e ele está aparentemente intrigado sobre aquele objeto flutuante. Em primeiro plano, a Virgem Maria, de costas para aquela coisa no céu, sorri com reverência para os dois primos sagrados, o bebê João, que se tornaria o Batista, e o bebê Jesus, que se tornaria o Cristo.

O quadro não é uma peça de arte importante e foi preciso pedir ajuda a dois guardas do local para conseguir localizá-la no palácio, e não há uma reprodução impressa da tela Nativitá à venda na loja do museu. Uma das guardas a descreveu com um grande sorriso como a Madonna dell UFO, a Nossa Senhora do UFO ou a Madona do UFO em italiano — ela parecia encantada com o novo nome da pintura e com a perspectiva que a nova designação sinalizava. Já outro guarda do museu disse, com gentil arrogância: “Bem, é claro, você sabe que não é um UFO. É uma representação renascentista padrão do Espírito Santo”.

Poderia ter lhe perguntado o que o Espírito Santo estava fazendo em uma cena que não tinha nada a ver com a Anunciação ou por que um homem e seu cão estavam observando o objeto que pairava no céu enquanto a Virgem parecia completamente alheia ao fato. Os cães, por sinal, têm participação ativa nos encontros ufológicos contemporâneos de UFOs, já que geralmente veem coisas invisíveis aos humanos, mas reagem com o mesmo espanto e temor que eles.

Ainda assim, o guarda tinha um ponto a seu favor: é verdade que o Espírito Santo às vezes é retratado de forma semelhante em pinturas sobre a Anunciação e, mais raramente, sobre a Natividade. Também é verdade que o pastor que protege seus olhos da “Glória de Deus” pode ser encontrado em outras obras. Ainda assim, há algo sobre o Espírito Santo ou a glória de Deus retratado na pintura Nativitá que é diferente. O objeto brilhante é tão semelhante aos modernos discos voadores que a comparação religiosa soa estranha.

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