ARTIGO

Sumé: um extraterrestre ou apenas uma lenda folclórica?

Por Nelson Cadena | Edição 255 | 01 de Fevereiro de 2018

Sumé é descrito com um homem alto e branco, de feições sofisticadas, exatamente a mesma descrição dada a um famoso personagem da Ufologia, Ashtar Sheran
Créditos: ALEXANDRE JUBRAN

Sumé, também conhecido como Zumé, Pay Sumé ou Tumé, é a denominação de uma antiga entidade da mitologia dos povos tupis do Brasil, cuja descrição variava de tribo para tribo. Tal ser teria estado entre os nativos desde antes da chegada dos portugueses e se acredita que teria lhes transmitido uma série de conhecimentos, como a agricultura, o fogo e a organização social.

Nas suas Cartas do Brasil, datadas de 1549, o padre Manuel da Nóbrega descreveu algumas lendas dos silvícolas brasileiros sobre Sumé. Já vista como uma divindade, o personagem teria aparecido de forma misteriosa e era um homem branco que andava ou flutuava no ar e possuía longos cabelos e barbas brancas. A entidade concebera dois únicos filhos, Tamandaré e Ariconte, que eram de diferente complexão e natureza, e por isso um odiava mortalmente o outro.

Sumé teria começado a ensinar ao povo da selva a arte da agricultura e depois habilidades como a de transformar mandioca em farinha e alguns espinhos em anzol, além de regras de conduta moral. Diz-se que curava feridas e diversos males sem cobrar nada em troca. Tanta gentileza e poder logo despertou sobre si o ódio dos caciques das tribos, culminando com a recepção de Sumé a flechadas em uma certa manhã — armas que misteriosamente retornavam e feriram de morte os arqueiros atiradores.

Os índios também ficavam espantados com a facilidade com que tal forasteiro extraía as flechas e como de seu corpo não escorria sangue algum. Sumé ainda teria andado de costas para o mar até atingir as águas. Acredita-se que desapareceu em um voo sobre as ondas para nunca mais voltar. Quando foi embora, teria deixado uma série de rastros gravados em uma pedra em algum lugar do interior do Brasil, provavelmente a Bahia.

Sincretismo religioso

Logo a seguir os colonizadores católicos criaram o mito de que Sumé era, de fato, o apóstolo cristão São Tomé, que, segundo a lenda, teria viajado para a Índia para pregar o Cristianismo. Entretanto, também se encontram características relativamente parecidas a São Tomé na divindade Viracocha, cultuada por povos incas exatamente onde termina o Caminho de Peabiru. Tal mito existe em parte da América do Sul, especialmente no Brasil, Peru e Paraguai, e foi difundido principalmente por missionários.

Segundo a história posteriormente contada por jesuítas, Sumé teria sido expulso de Tupinambaene, a tribo dos tupinambás, ao ter proibido a poligamia e o canibalismo. A lenda conta ainda que, quando foi para o Paraguai e depois para o Peru, teria aberto a tal trilha chamada de Caminho Peabiru, que se traduz por “Caminho das Montanhas do Sol”, embora haja controvérsia quanto a esta explicação. Tal rota, que ia do litoral paulista até Assunção, no Paraguai, cruzando o atual estado do Paraná, teria futuramente servido aos colonizadores europeus em expedição organizada em 1769 pelo capitão Afonso Botelho de Sampaio e Sousa.

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Nelson Cadena

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