ARTIGO

Queda de um UFO em Dalnegorsk em 1986: O Roswell Soviético?

Por Paul Stonehill | Edição 258 | 01 de Junho de 2018

O artefato que se acidentou em Dalnegorsk, em janeiro de 1986, segue sendo um mistério para a Ufologia
Créditos: ALEXANDRE JUBRAN

Por todo o mundo existem relatos de quedas de artefatos inexplicados. Muitas vezes eles nada têm de anormais, podendo ser meteoritos ou pedaços de lixo espacial que retornam ao planeta. Mas há vezes em que a explicação pode ser outra. Como esses casos são sempre tratados com sigilo e normalmente investigados pelas forças armadas, pouco se sabe sobre o que realmente caiu e por quê. O segredo em torno desses misteriosos artefatos é ainda maior quando se tratam de casos ocorridos na antiga União Soviética, cujos relatórios oficiais de investigação desapareceram ou estão trancafiados, em silêncio, nos cofres oficiais de Moscou.

Ainda assim, alguns casos foram tão ruidosos que conseguiram furar a barreira do segredo e atravessar as antigas fronteiras soviéticas. Como o ocorrido na região de Primorsky Krai, que ocupa a extremidade sudeste da Rússia. Primorsk significa marítimo em russo, e a região é por vezes referida como Província Marítima. Primorsky Krai faz fronteira com a China, a Coreia do Norte e o Mar do Japão. A pitoresca cidade de Dalnegorsk, um antigo assentamento de mineração, está localizada ali, em um vale estreito junto ao Rio Rudnaya, cercado por todos os lados de florestas e colinas, estas repletas de cavernas profundas.

“O Caso Roswell Russo”

O fato extraordinário ocorreu em Dalnegorsk em 29 de janeiro de 1986, às 19h55, para sermos precisos, e alguns chamaram o evento ocorrido naquela noite de inverno de “O Caso Roswell Russo”. Naquele dia de janeiro, uma esfera laranja-avermelhada sobrevoou a cidade, cruzou parte de Dalnegorsk e caiu no Monte Izvestkovaya, uma área calcária também conhecida como Elevação ou Colina 611, devido ao seu tamanho. O artefato voou silenciosamente e paralelo ao chão, sua forma foi descrita como sendo quase redonda, sem projeções, asas ou janelas, e sua cor era semelhante à do aço inoxidável polido.

À época, algumas testemunhas locais assumiram que o objeto fosse um meteorito, enquanto outras achavam que fosse algo fora do comum. Yevgeny Serebrov, que na ocasião era estudante e hoje é um cientista, mencionou que o artefato não tinha rastro atrás dele — não houve explosão, apenas um impacto poderoso quando o aparelho atingiu a montanha. Segundo artigo publicado no jornal Trud [Trabalho], em 2003, os cientistas que mais tarde chegaram a Dalnegorsk, vindos das cidades de Vladivostok e Khabarovsk, determinaram que o objeto se movia a 15 m/s e disseram a Serebrov e aos outros garotos que meteoritos e fragmentos de foguetes não poderiam voar dessa maneira.

Viktor Korotko, editor do jornal local Trudovoye Slovo [Palavra Trabalhista], estava perto da montanha durante a queda do misterioso artefato. Ele afirmou que um pequeno incêndio irrompeu no local de impacto, mas que durou pouco tempo. Em 2004, Korotko descreveu o evento da seguinte forma ao jornal Lipetskaya Nedelya [Semana de Lipetsk]: “Houve um impacto indistinto, sem reverberação, mas bastante forte. O barulho do impacto durou menos de um segundo. Houve uma explosão e grandes chamas branco-avermelhadas. Parecia que algo estava envolvido em fogo poderoso. A esfera tinha aproximadamente um metro de diâmetro. O fogo rugiu. Eu observei tudo isso por cerca de cinco minutos. O fogo queimou por um a dois minutos e depois se apagou”.

O mesmo artigo continha mais informações. A Colina 611 está localizada em frente a uma estação de ônibus local. Yuri Kondakov, um mecânico da cidade, estava na estação no momento em que a esfera sobrevoou Dalnegorsk. Ele disse que ela estava voando tão baixo que parecia que iria cortar parte da chaminé da indústria Dalnopolimetall. “Era redondo, sem saliências ou buracos. Aparentemente era feito de metal e sua cor lembrava um pouco o aço inoxidável incandescente”, declarou a testemunha, que teve a impressão de que a esfera fosse um projétil. Kondakov observou como o objeto caiu no morro, mas não ouviu nenhum som de impacto. O chão no local da queda começou a queimar.

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Sobre o Autor

Paul Stonehill

O autor é considerado, junto com Philip Mantle, os maiores especialistas em Ufologia Russa da atualidade. Mora em Los Angeles, mas nasceu na extinta União Soviética. É bacharel em ciência política, autor, conferencista e pesquisador de destaque internacional, tendo especial interesse nos fenômenos ufológicos e sua relação com a exploração espacial soviética. Stonehill passou a se interessar pelo Fenômeno UFO na juventude, quando morava na Ucrânia. Coletou uma quantidade enorme de informações sobre objetos submarinos não identificados (OSNIs) em várias partes do mundo. O autor também se dedica à parapsicologia e à pesquisa de fenômenos psíquicos, além de espionagem, guerra e história da Rússia. Seus trabalhos já foram publicados em várias partes do mundo. Desde 2005, Stonehill é consultor da Revista UFO.

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