ARTIGO

Os vazamentos do Wikileaks ainda passam longe da Ufologia

Por Paulo R. Poian | Edição 175 | 01 de Março de 2011

O polêmico Assange garante que tem, mas ninguém viu seus documentos ufológicos
Créditos: Associated Press

Desde que explodiu a polêmica que envolve o site Wikileaks e seu diretor, Julian Assange, no ano passado, a Comunidade Ufológica Mundial está atenta e se perguntando se também será beneficiada com vazamentos de informações governamentais sobre a presença alienígena na Terra, a exemplo de tantos outros tipos de documentos que acabaram revelados. A espera pareceu começar a compensar em 03 de dezembro de 2010, quando a questão ufológica nos vazamentos do Wikileaks tomou alguma forma. Mas foi apenas frustrante. Nesta data, o já bastante polêmico Assange disse que havia relatórios mencionando UFOs entre os papéis que pretendia publicar. A declaração veio em uma resposta dada durante uma entrevista com internautas promovida pelo jornal britânico The Guardian.

“Senhor Assange, já foram encaminhados para o Wikileaks documentos que tratassem de discos voadores ou seres extraterrestres?”, perguntou o internauta identificado apenas como Achanth. “Sim. Muita gente nos manda e-mails questionando sobre isso. Contudo, para serem publicadas, as informações que temos devem satisfazer duas condições. Primeiro, os documentos não podem ter sido escritos pelas próprias pessoas que os pretendem revelar. E, segundo, devem ser originais”, respondeu Assange. “De qualquer forma, sim, temos entre os documentos que ainda não foram publicados referências a UFOs”, acrescentou em menção ao conjunto de mais de 250 mil documentos diplomáticos que o Wikileaks começou a publicar em 28 de novembro. A Ufologia Mundial esperava coisa mais contundente.

Na mesma entrevista Assange garantiu que, mesmo vindo a sofrer algum tipo de ataque ou atentado, há mecanismos garantindo a sobrevivência do material do qual dispõe. “Os arquivos do Wikileaks foram espalhados por todo o mundo. É material significante dos Estados Unidos e de outros países, e mais de 100 mil pessoas os têm de forma encriptada. Se alguma coisa acontecer conosco, as partes fundamentais serão publicadas automaticamente”, alertou. Assim, embora algumas pessoas tenham visto em suas afirmações uma potencial revelação maciça do que poderia ser um dos maiores produtos do acobertamento mundial, é possível que as referências a UFOs que o Wikileaks possua tenham mesmo relação com questões diplomáticas referentes a aeronaves e tecnologias secretas que vêm sendo desenvolvidas nas bases militares há anos.

Satélites espiões de alta tecnologia

Um bom exemplo disso, dentre outros que igualmente vieram à tona, tornou-se público através da Folha de S. Paulo, que tem acesso exclusivo ao material do Wikileaks, no dia 04 de janeiro. O jornal revelou que Estados Unidos e Alemanha estariam negociando secretamente, sob a fachada de uma cooperação comercial, o desenvolvimento de uma rede de satélites espiões de alta tecnologia — projeto que motiva forte oposição da França. Batizado de HiROS, o programa contaria com a construção de um número não determinado de satélites de observação de alta resolução, capazes de distinguir objetos de 50 cm no solo, para rápido envio de dados à Terra. Oficialmente, o HiROS tem finalidade civil, mas, na prática, segundo fontes, estaria sob o controle do serviço secreto e da Agência Espacial da Alemanha (DLR). Berlim negou estar desenvolvendo um programa de satélites-espiões, afirmando tratar-se de um projeto com objetivo unicamente científico e de segurança nacional, mesmo os documentos vazados demonstrando o contrário.

A estratégia do Wikileaks é conhecida: divulgar documentação baseada em relatórios, telegramas e mensagens secretas originais — por isso a polêmica é chamada de Cablegate, pois cable é telegrama em inglês — aos seus agentes de mídia, que os repassam automaticamente para que a imprensa de massa de cada país publique o que for considerado relevante. No entanto, este simples detalhe não foi o bastante para evitar especulações e divagações dentro do meio ufológico. Diversos textos circulam pela internet com informações sobre UFOs supostamente divulgadas pelo Wikileaks, mas infelizmente não trazem a prova cabal de sua originalidade, ou seja, os documentos não têm a chancela de secreto e não aparentam ter natureza governamental comprovada.

Apesar da grande expectativa da Comunidade Ufológica Mundial, que acredita que Julian Assange irá promover o vazamento de informações governamentais secretas sobre UFOs, seu site Wikileaks até agora nada ofereceu de significativo na área.

Alguns endereços da internet até tentaram divulgar relatórios e documentos alegando serem provenientes do Wikileaks, mas eles não foram confirmados. No geral, são atribuídos ao site apenas rumores absurdos e conspiracionistas, como o de uma improvável guerra entre Estados Unidos e extraterrestres na Antártida, que estaria ocorrendo desde 2004 e fora “descoberta” em relatórios do Kremlin. Outras fontes foram ainda mais além e chegaram a insinuar que Assange seria um agente da desinformação, plantado com a finalidade de distrair a atenção mundial com assuntos paralelos enquanto o tema ufológico seguiria acobertado e esquecido — da mesma forma, dizem que o Wikileaks seria uma fraude, uma arma de manipulação mental.

O que vazou, afinal?

Até o momento, de verdadeiramente sério, os já chamados ufocables nada produziram — ou não foram divulgados porque não é prioridade de Assange. Provavelmente, até o que há sobre o assunto não deve ser de tamanha relevância. Exemplo claro disso foram citações simples sobre o tema, contidas em documentos vazados sobre diferentes tópicos relativos à diplomacia internacional. Um deles baseia-se nos comentários de Yuriy Zhadobin, chefe da inteligência russa, em relatório preparado pela embaixada norte-americana em Minsk divulgado pelo jornal norueguês Aftenposten, no início de janeiro. Zhadobin declarou que, diferentemente do período da extinta URSS, seu departamento hoje não está engajado no estudo do fenômeno paranormal nem de coisas extraterrestres. “Naquela época nós tínhamos meios e oportunidades para gastar em qualquer coisa. Mas hoje a situação é diferente”, disse. O que de bombástico há nisso? Mas tal declaração foi vista com expectativa por segmentos da Ufologia Mundial.

“Apenas quando a sociedade está eufórica com alguma coisa, isso entra na nossa esfera de interesse. Mas quando isso é sobre curandeiros, UFOs e coisas do gênero, nós simplesmente não tratamos mais deles”, completou Zhadobin. Outro documento obtido pelo Wikileaks e divulgado mundialmente continha informações básicas sobre os integrantes da seita Movimento Raëliano Internacional, com sede em Montreal, descrevendo dados sobre seu líder espiritual Claude Vorilhon, ou Raël, e citando suas declarações em diversos meios de comunicação. Mas a preocupação dos diplomáticos dos Estados Unidos nesta informação enviada do Canadá a Washington são de ordem legal, quanto à clonagem humana e suas repercussões, nada diretamente ligada a seres extraterrestres — embora a seita atribua sua inspiração a aliens.

Há ainda mais alguns exemplos do mesmo tipo, ficando bem demonstrado que ainda nada de útil, relevante e novo para Ufologia veio à tona através do Wikileaks. Mas, ainda que o site venha a apresentar possíveis conteúdos de importância, talvez não sejam uma surpresa tão grande assim. Afinal, o meio ufológico está farto de denunciar o acobertamento mundial do Fenômeno UFO e apresentar documentos oficiais para comprová-lo, e qualquer novo fato apenas corroborará o envolvimento mais do que sabido da diplomacia internacional no ocultamento da presença alienígena na Terra. Ao longo de mais de seis décadas, tivemos inúmeros militares que vieram a público dizer que o governo norte-americano investe pesadamente na interceptação e pesquisa de objetos voadores não identificados, e sabe da ação em nosso planeta de outras espécies cósmicas. O que de novo o Wikileaks pode oferecer?

Seja como for, a porta sempre permanecerá aberta para a possibilidade de o site revelar, por exemplo, que a administração de Barack Obama efetivamente tem artefatos de procedência não humana em seu poder, com diferentes graus de tecnologia e condições físicas. As histórias envolvendo bases norte-americanas com restos de naves, agentes infiltrados, pessoas realizando engenharia reversa e bizarrices que desafiam o atual conhecimento da física são incontáveis. Resta-nos aguardar algum vazamento relevante, que possivelmente virá, e torcer para que seja realmente significativo. Estamos vendo a história se desenrolar à nossa frente, mas é necessário, como sempre, além de separar o joio do trigo, discernir os boatos dos fatos, principalmente na rede mundial de computadores.

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Sobre o Autor

Paulo R. Poian

Acadêmico de ciências biológicas, pesquisador de exobiologia, panspermia e divulgador científico. É consultor da UFO, com alguns artigos publicados em suas edições e diversos sites nacionais e internacionais. No Portal da Ufologia Brasileira, um dos maiores colaboradores, inserindo notícias ufológicas oriundas de todo o mundo.

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