ARTIGO

O silêncio sobre uma morte misteriosa

Por Marco Antonio Petit | Edição 175 | 01 de Março de 2011

O policial Chereze, morto durante os acontecimentos do caso
Créditos: Álbum de família

O aspecto mais delicado de todo o Caso Varginha é, sem dúvida, o da morte do policial Marco Eli Chereze, um dos dois integrantes da área de inteligência da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais que, conforme já foi divulgado, teriam participado da captura da segunda criatura, na noite de 20 de janeiro de 1996.

Durante quase um ano o laudo relacionado à sua necropsia foi mantido em sigilo, e mesmo o delegado da cidade, que presidia um inquérito aberto por solicitação da família para apurar sua morte, não conseguira ter acesso ao documento. Seus familiares, o delegado e os investigadores do Caso Varginha só conseguiram o relatório relativo ao falecimento do policial depois que o fato foi denunciado no primeiro aniversário do episódio, em janeiro de 1997, durante uma reunião em que estiveram presentes vários jornalistas.

Infecção generalizada

Insatisfatório, o referido documento revela apenas que Marco Eli Chereze morreu de infecção generalizada, mas a causa da mesma não é vislumbrada. Também não teria sido detectada a presença de qualquer vírus estranho ou uma bactéria desconhecida em seu corpo, que pudesse ter levado o jovem policial — com apenas 23 anos e esposa grávida de gêmeos na época — à morte. O próprio inquérito policial aberto pela família, por suspeita de que teria havido alguma falha médica relacionada à retirada de um furúnculo em uma de suas axilas, surgido após seu contato com a criatura, não detectou nada de anormal.

crédito: Ubirajara Rodrigues
O último médico a atendê-lo, doutor Furtado, que não sabe o que o levou à morte
O último médico a atendê-lo, doutor Furtado, que não sabe o que o levou à morte

O mesmo aconteceu em relação aos procedimentos médicos posteriores, desenvolvidos no Hospital Bom Pastor, e, em seguida, no Hospital Regional, para onde foi levado com o agravamento do seu quadro. O policial veio a falecer na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) daquela instituição. As referidas ações médicas em Chereze também foram investigadas durante o procedimento policial que apurou sua morte. Simplesmente não havia a quem culpar, e como pode ser observado na documentação do inquérito resultante, foi feito todo o possível para salvar o policial.

Com o passar do tempo, uma nova e surpreendente informação foi obtida por Ubirajara Rodrigues — um dos principais investigadores do caso, que na época era co-editor da Revista UFO — através do depoimento de um dos médicos que trataram de Chereze e acompanhou seus últimos momentos de vida, o doutor Cesário Lincoln Furtado.

Desinformação

Segundo o profissional, que é cardiologista e perito judicial, o militar da PM faleceu em função de uma perda total de seu sistema imunológico — os antibióticos nele ministrados não alcançavam qualquer efeito. Mas Chereze não tinha AIDS nem qualquer doença imunossupressora que pudesse explicar seu quadro, como atestaram os exames realizados, ainda segundo o mesmo médico. Em seu depoimento, Furtado também descartou a possibilidade de qualquer ligação entre a retirada do furúnculo e sua morte [Veja edição UFO Especial 034, agora disponível na íntegra em ufo.com.br].

Estas informações, obtidas em época posterior ao Inquérito Policial Militar (IPM) desenvolvido pela Escola de Sargento das Armas (EsSA), desmentem categoricamente as declarações do comandante da Polícia Militar de Minas Gerais, tenente-coronel Maurício Antônio Santos, prestadas em seu depoimento no referido procedimento. Em suas declarações, como pode ser lido na página 220 do IPM [Veja como obter cópia em box nestas páginas], ele afirma que Chereze morreu por conta de uma simples infecção hospitalar, que o militar relaciona à extração do furúnculo, um quisto ou caroço, segundo ele.

Na ocasião em que a história de Marco Eli Chereze veio a público, o comando da PM mineira chegou até a afirmar que o soldado não estava de serviço na noite de 20 de janeiro, quando houve a captura da segunda criatura. Mas a declaração também foi firmemente desmentida por sua família, incluindo o pai. A morte de Chereze continua a ser um dos grandes mistérios relacionados ao Caso Varginha. E não devemos esquecer que o militar participou justamente da captura da criatura que faleceu nas dependências do Hospital Humanitas. Haveria alguma ligação entre as duas mortes?

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Sobre o Autor

Marco Antonio Petit

Marco Antonio Petit de Castro nasceu em 27 de maio de 1957. Seu interesse pelos mistérios do universo começou cedo, tendo construído o primeiro de seus vários telescópios aos 13 anos, com os quais mergulhava nos mistérios celestes durante as noites. A constatação de que não estamos sós no universo foi decisiva para o autor abraçar firmemente a Ufologia em 1975, por certa “intuição” que parecia lhe revelar a existência de alguma ligação entre os UFOs vistos na atualidade e a origem e evolução da vida em nosso planeta. No início dos anos 80, Marco Antonio Petit começou a estudar contatos nos quais nossos visitantes deram a abduzidos informações sobre o passado da humanidade, assim como de sua origem extraterrestre. Um estudo comparativo das provas fósseis da trajetória humana acabou por permitir ao ufólogo lançar sua teoria sobre a origem extraterrestre da vida e do homem. Suas conclusões foram inicialmente divulgadas através de conferências que realizou e artigos que publicou, como na extinta revista Ufologia Nacional & Internacional, precursora da atual Revista UFO, da qual o autor é co-editor. Mais tarde, a partir de 1990, lançou seu primeiro livro, Os Discos Voadores e a Origem da Humanidade. São de Petit também os livros Terra: Laboratório Biológico Extraterrestre, Contato Final: O Dia do Reencontro e UFOs: Arquivo Confidencial, todos pela Biblioteca UFO. Além de OVNIs na Serra da Beleza e UFOs, Espiritualidade e Reencarnação, que marca seu mergulho definitivo na área da espiritualidade, ocorrido a partir da pesquisa de novos casos de abdução e contatos com ETs, além de algumas experiências pessoais, estes pela Editora do Conhecimento. Marco Antonio Petit também proferiu mais de 500 conferências, várias delas em congressos internacionais de Ufologia e é um dos mentores da campanha UFOs, Liberdade de Informação Já, deflagrada pela Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU).

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