ARTIGO

O enigma de Araçariguama: Ufologia e folclore se misturam

Por Pablo Villarrubia Mauso | Edição 254 | 01 de Janeiro de 2018

João Prestes Filho recebeu uma descarga de um objeto voador não identificado, tão forte que causou a carne se separar de seus ossos
Créditos: ALEXANDRE JUBRAN

No carnaval de 1946, mais precisamente no dia 05 de março, um ano antes do início da chamada Era Moderna dos Discos Voadores, um estranho incidente aconteceu na pequena cidade — à época, apenas um vilarejo — de Araçariguama, no estado de São Paulo. Anos mais tarde, o incidente seria associado a uma possível influência maligna dos extraterrestres e aos perigos involuntários que existem em relação aos avistamentos de UFOs. Enquanto a Europa continuava convulsionada e em processo de reconstrução após o fim da Segunda Guerra Mundial, e em Nuremberg se julgavam os líderes nazistas pelos crimes contra a humanidade, na tranquila Araçariguama, um humilde sitiante de 44 anos regressava ao seu lar para almoçar, após ter passado algumas horas pescando à beira do Rio Tietê, quando algo terrível ocorreu.

João Prestes Filho desceu da carroça e soltou o cavalo antes de entrar em sua casa de pau a pique para tomar banho e trocar de roupa. Quando se aproximou da janela de um dos quartos, uma intensa luz de cor amarela clareou todo o ambiente. Deslumbrado, o sitiante cobriu o rosto e foi imediatamente atingido por uma onda de calor que o obrigou a se sentar, invadido pelo pânico. Ainda descalço e seminu, João Prestes saiu de casa e, quase às cegas, começou a correr em direção à vila de Araçariguama, a mais próxima de sua residência. Desesperado após o ataque da misteriosa luz, procurou se esconder na casa de sua irmã, Maria, onde se jogou em uma cama. Quase ao mesmo tempo, começou a trovejar e a chover, algo comum para aquela época do ano. Assustada, Maria chamou a polícia e pouco tempo depois o delegado João Malaquias chegava à casa, onde o pobre João Prestes Filho agonizava.

Segundo algumas versões, partes do corpo da vítima começavam a se soltar aos pedaços, marcadamente nos braços e no rosto. Grande parte de sua pele estava queimada, exceto onde havia pelos e onde a roupa, uma camisa e uma calça curta, o cobria. Diante de seu deplorável estado físico, o sitiante foi levado até a vila próxima de Santana de Parnaíba onde, após algumas horas, foi declarado morto — o tempo passou, mas o mistério sobre sua morte se manteve. Em 1997, este autor e o historiador Claudio Tsuyoshi Suenaga, entrevistaram algumas pessoas que testemunharam os momentos finais de João Prestes Filho. Também realizamos visitas à região em 2004 e 2005. Finalmente, em 2012, voltamos à cidade junto com a equipe do programa de TV espanhol Cuarto Milênio. O que descobrimos durante essa visita será detalhado abaixo.

O ataque do Boitatá

Em 1997, este autor e Suenaga haviam localizado o túmulo de João Prestes Filho, mas em 2012 não conseguimos mais encontrá-lo, pois muitas cruzes e números de identificação das sepulturas mais antigas haviam desaparecido — também não havia livros de registros anteriores à determinada data e o novo coveiro não sabia onde poderíamos encontrar o local de sepultamento que procurávamos. Pensando no que fazer, nos sentamos sobre um dos túmulos e ligamos para o antigo coveiro, senhor Nelson Oliveira, pedindo sua ajuda. Para nossa surpresa e incredulidade, segundo as descrições dadas por Oliveira, descobrimos que estávamos sentados justamente sobre a sepultura que procurávamos. Para alguns seria apenas coincidência, e para outros, sincronismo.

Depois de fotografarmos o túmulo, decidimos olhar outras sepulturas e acabamos por descobrir, com tristeza, que Eulália Maria Jesus ou “Lilica”, como era conhecida a adorável anciã que havíamos entrevistado em 2004, falecera em 2009. A simpática senhora nos contara que estivera no velório de João Prestes Filho, que ocorrera na casa da irmã da vítima. “Ele estava com as mãos inchadas, as unhas arrebentadas e a pele estava vermelha. A pele do rosto estava solta. Era tudo muito, muito estranho. Além disso, diziam que havia sido atacado pelo Boitatá. Muita gente já tinha visto o Boitatá na zona rural onde ele morava”, contou-nos na ocasião.

O Boitatá, para esclarecimento do leitor, é uma figura do folclore tupi-guarani que foi integrada à cultura brasileira durante a época colonial. Trata-se de uma “serpente voadora de fogo” que aterroriza as pessoas e que, dependendo das condições, pode queimar e até matar as testemunhas. Após descobrir sobre o falecimento d Lilica, decidimos ir até a casa de sua irmã, Ana Maria das Dores, então com 86 anos, que nos ofereceu alguns detalhes adicionais sobre a morte de João Prestes Filho.

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Sobre o Autor

Pablo Villarrubia Mauso

Jornalista, mestre em jornalismo arqueológico, ufólogo e consultor da Revista UFO.

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