ARTIGO

Luz Andeja: Um mistério secular no interior do país

Por Pedro Salim | Edição 254 | 01 de Janeiro de 2018


Créditos: EDITORIA DE ARTE

Em todo o mundo existem lendas e histórias sobre luzes que aparecem e desaparecem magicamente, que mostram onde há ouro e tesouros enterrados. São luzes que seguem os passantes, que descem do céu ou que iluminam o local e os arredores de onde surgem com tal força que mais parecem um holofote. Muitas delas têm a forma de uma bola, mas elas também adquirem vários formatos distintos. Outro traço que parece ser comum a todos os relatos é o fato de as luzes serem mais frequentes em montanhas, corpos d’água e áreas de mata.

Muitos ufólogos veem esses casos como ocorrências paralelas ao Fenômeno UFO, enquanto outros acreditam que as luzes sejam, na verdade, sondas ou naves extraterrestres mal interpretadas pelas pessoas. E, claro, sempre há quem diga que as luzes são apenas fenômenos naturais, como o fogo fátuo, por exemplo. É inegável que algumas ocorrências realmente sejam naturais, mas fica difícil explicar como gases do pântano foram parar em uma montanha, como conseguem decolar a altíssimas velocidades ou porque perseguem as pessoas.

Para quem reside em cidades grandes e movimentadas, onde o tempo livre é algo escasso e normalmente aproveitado com amigos ou familiares em locais fechados, pode parecer que o avistamento de bolas de luz seja coisa de antigamente, mas não é bem assim — o fenômeno existe e continua a ser visto por muitas pessoas. O que ele é, a maioria das testemunhas não sabe dizer, embora as histórias para explicá-lo incluam fantasmas, maldições e até o “espírito do ouro”. Mas, de qualquer forma, como veremos a seguir, seu mistério é fascinante.


Luzes que andam

Morro da Garça é um município rural situado na região central de Minas Gerais, com população estimada em 2.600 habitantes. É uma cidade pequena do Sertão Mineiro, onde muitos afirmam ter tido contato com o fenômeno da Luz Andeja ou Luz Andarilha, alguns deles diversas vezes. Este artigo é baseado em uma pesquisa para conclusão de mestrado em Ecologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realizada entre 2013 e 2015 sobre o assunto e sua relação com a natureza local, pois, segundo os habitantes da cidade, tal luz vive no cerrado e nos morros da região.

Falando com lavradores e até políticos, recolhemos muitos depoimentos sobre tal manifestação. De forma geral, o fenômeno é descrito como uma esfera de luz ou de fogo que cresce, diminui, voa em velocidades extremas e interage com pessoas e animais — a maior parte dos relatos atesta que a luz é inofensiva e que sempre vagou pela região. Algo que chama a atenção é a forma como as pessoas reagem quando perguntamos a elas sobre “a luz”. Há um peso, um respeito, uma mistura de temor e curiosidade, interesse e medo, no semblante dos moradores. Surge um silêncio sutil, rompido apenas por aqueles que a tinham visto ou que conheciam alguém que vivera tal experiência.

A Luz Andeja pode ser considerada um personagem do folclore, pois muitas histórias são contadas há gerações, e Mãe do Ouro, Luz Andeja e Luz do Mundo são apenas alguns dos nomes dados ao fenômeno e colhidos durante as entrevistas. A versão que apareceu com mais frequência durante os estudos de campo foi a da luz que viaja de morro em morro, de sete em sete anos. Algo interessante, uma vez que não é comum tal periodicidade em outras formas do mesmo fenômeno.

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Pedro Salim

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