ARTIGO

Era apenas um truque

Por Frederick Delaere | Edição 256 | 01 de Março de 2018


Créditos: CORTESIA SOBEPS

Estamos na Bélgica no verão de 1990. A publicidade que envolveu a onda ufológica daquela década no país já havia quase esvaecido quando um repórter da estação de televisão RTL, uma das mais famosas, alertou a Société Belge d’Étude des Phénomènes Spatiaux (SOBEPS) sobre uma nova e extraordinária evidência: ao que parece, alguém da localidade de Petit Rechain, perto da cidade de Liège, conseguiu capturar um close de uma das misteriosas naves triangulares que tantos haviam visto nos céus belgas desde o final de novembro 1989, naquela que foi uma das mais intensas e duradouras ondas de avistamentos ufológicos da história.

O fotógrafo seria Patrick Maréchal, então operário de 20 anos. Maréchal informou que fez a foto a partir de sua pequena varanda no fundo da casa que ele dividia com sua noiva, Sabine. Como relatou, em uma noite de abril — presumidamente o dia 04 —, Sabine estava levando o cachorro para o jardim quando viu uma série de luzes estacionadas no céu. Ela imediatamente chamou Maréchal, que estava dentro da casa. O rapaz pegou uma câmera, que estava carregada com filme fotográfico colorido, correu para a varanda, posicionou-se contra a parede e fez duas fotos. “Imediatamente depois as luzes começaram a se mover e desapareceram atrás da casa de um vizinho”, disse Maréchal. Alguns dias mais tarde, os negativos revelados voltaram da loja de fotos local — naquela época não havia fotos digitais.

Para sua surpresa, o casal encontrou uma das fotos perfeitamente nítida, enquanto a segunda não mostrava nada além de escuridão. A foto ruim foi jogada no lixo e a boa foi mantida em uma gaveta até que o jornalista Guy Mossay, que trabalhava para uma grande agência noticiosa belga, mostrou interesse pela história. Mas é neste ponto que a história fica turva.

De acordo com Mossay, foi Maréchal quem o contatou em seu escritório tentando vender a foto e o negativo originais para juntar dinheiro para seu casamento. Rumores colocam o valor cobrado entre 250 e 500 Euros, que foram pagos ao fotógrafo. Ele, no entanto, disse que foi um de seus colegas de trabalho que contatou Mossay e insiste que nunca recebeu dinheiro algum pelo material e que somente o havia emprestado para o jornalista. Enfim, seja qual for a verdade, Mossay conseguiu a foto e o negativo e garantiu que os direitos autorais sobre o material fossem registrados na School of Fine Arts & Music (SOFAM), uma agência belga de autores de artes visuais que coleciona e redistribui royalties. Pensando que seria uma boa ideia aproveitar esta rara evidência na mídia, Mossay enviou cópias da foto para vários jornais, revistas e estações de TV, incluindo a RTL. O primeiro a publicá-la foi o jornal francês Science et Nature. Um por um, diversos veículos seguiram o jornal e não demorou para que a foto de Petit Rechain começasse a circular pelo mundo, assim como a versão de Maréchal sobre como a obteve.

Fotos e vídeos mostrando vários dos UFOs triangulares da onda ufológica belga foram apresentados à imprensa do país anteriormente, mas todas essas imagens eram pouco convincentes ou facilmente identificáveis como luzes comuns de aviões, imagens de corpos celestes fora de foco e ainda luzes de rua. Desta vez, no entanto, havia a impressão de que alguém finalmente havia capturado algo real em foto. Além disso, exames da foto de Petit Rechain feitas com superexposição revelaram haver uma estrutura triangular escura atrás das três luzes fotografadas, as quais não haviam sido notadas primeiramente.

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Frederick Delaere

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