ARTIGO

Deuses, demônios ou simplesmente seres extraterrestres?

Por Antonio Faleiro | Edição 246 | 01 de Maio de 2017

Indígenas de inúmeras etnias brasileiras também têm suas lendas baseadas na observação do que consideram deuses, muitas vezes vindos do céu
Créditos: RAFAEL AMORIM

As lendas sobre deuses indígenas estão espalhadas por todo o mundo, e todas nos falam de seres físicos que desceram do céu e viveram entre os humanos, ensinando-lhes os princípios rudimentares de uma vida melhor em sociedade. Tais mitologias estão presentes no folclore brasileiro e existem dezenas de histórias — algumas realmente fantásticas — que nos falam diretamente de extraterrestres. Essas histórias foram perpetuadas e repassadas de pais para filhos em linguagem oral. Tribos do Alto Xingu e de outras regiões ainda têm viva memória de um tempo em que seus ancestrais tinham como líderes os deuses que vieram das estrelas, do Sol e do céu, e lhes ensinaram a curar doenças e a plantar.

Abdução no século XVI


Pesquisando o nosso folclore podemos encontrar muitas pistas que nos levam aos ETs. No entanto, um documento que mais nos impressionou foi uma carta, escrita em 13 de junho de 1560, pelo irmão Antônio de Sá e publicada na obra Geografia dos Mitos Brasileiros [José Olímpio, 1947], de Luís da Câmara Cascudo. A carta narra a história de um rapaz de nome Manemuaçu, “o qual estava muito doente na aldeia da vila. Estando ele assim, em uma noite de grande tempestade o tomaram os demônios em corpo e com grande estrondo o levaram, arrastando-o e maltratando-o”.

O padre da aldeia foi consolar o pai do rapaz, dizendo que, se o moço não estivesse morto, logo reapareceria. Segundo a carta, isso se deu três dias depois e Manemuaçu, ao recobrar as forças, contou que, “depois de havê-lo posto no porto de João Ramalho, o levaram a Santo Antônio com tanto ímpeto e clamor que a si mesmo não podia ouvir e nem entender. Dali o puseram no porto de Jaravaia e, por concluir, diz que o puseram entre muitos outros onde se fizeram muito mal. Lá viu fogos mui horríveis. Finalmente, depois de todos estes martírios, o arrojaram entre uns mangues, onde se maltratara muito e ficara fora de si com tantos tormentos como passara, que por isso não conhecia aos seus quando deram sobre ele e fugia deles como se fossem demônios”.

Demônios e portugueses

Esse é um documento histórico que, sem dúvida, nos mostra um contato com ETs, ainda que terrível, como muitos que vêm ocorrendo na atualidade em vários países. O índio jamais poderia imaginar que tinha sido raptado por seres extraterrestres e somente poderia considerá-los como demônios porque deveriam se diferenciar em aspecto físico ou na maneira de vestir, tanto dele como dos portugueses. Contatos traumáticos como o citado vêm acontecendo às centenas por todo o mundo, em que as vítimas são abduzidas por seres muitas vezes diferentes fisicamente de nós.

No entanto, o mundo evoluiu e eles já não são considerados demônios e sim seres oriundos de outros locais do cosmos. O índio, todavia, narrou o ocorrido conforme sua crença e segundo o meio e a época em que vivia. Comparando sua narrativa com a casuística ufológica atual, o rapto de Manemuaçu foi um contato de 3° grau com extraterrestres. É evidente que seres de outros planetas estão há milhares de anos contatando pessoas da Terra, recolhendo-as de seu habitat para testes, experiências etc, a bordo de suas naves sofisticadas.

“Tupã, Tupã, Tupã”

Os historiadores Spix e Martius, em 1817, fizeram uma viagem pelo interior do país e escreveram a obra Viagem pelo Brasil: 1817 a 1820 [Imprensa Nacional, 1911]. Nela contam o que encontraram em lajes de pedras na Serra do Anastácio e nos rochedos de Araraquara, além de outras inscrições estranhas — eles mesmos se admiraram com aquilo, dizendo até que jamais poderiam ter sido criados por índios. Porém, às margens do Rio Japurá, seus guias indígenas, vendo algumas figuras em um rochedo, começaram a gritar: “Tupã, Tupã, Tupã”.

Eles veneraram as figuras como se fosse o próprio deus. Eram cinco figuras de cabeças humanas, sendo que quatro delas tinham uma espécie de auréola e uma tinha chifres como um animal. Figuras semelhantes já foram encontradas em muitos lugares do planeta e são consideradas pré-históricas. Na Austrália, Espanha, Estados Unidos e Peru, por exemplo, entre outros países, já foram descobertos semelhantes desenhos. Acreditamos que tais figuras representem extraterrestres usando capacetes ou outro tipo de equipamento na cabeça.

A influência cristã

No Brasil temos muitas lendas sobre deuses indígenas que eram cultuados por eles, tais como o Bacororo e Baitagogo dos índios bororos, o Karana dos kadiwéus do Mato Grosso do Sul, o Baíra dos caiuás do sul do Brasil etc. Já o Guaricana era um deus que vinha atender as aldeias, cuidando dos enfermos — era praticamente sagrado e cultuado por muitas tribos brasileiras. Os apinagés falavam do Cupendogali, uma espécie de ser que só era visto à noite, próximo às aldeias e a mananciais.

Outras tribos contavam histórias sobre o Caraibebe, ser que mediava entre os homens e deuses. Os mesmos apinagés falavam sobre o Cupidiende, com asas semelhantes aos morcegos. No Piauí e Maranhão fala-se muito no Cabeça de Cuia, um ente magro, alto e com cabelo na testa. E no Norte e Nordeste brasileiros contam-se fatos sobre o Caapora, uma figura forte, peluda e de farta cabeleira. Os índios craôs descrevem fatos sobre os misteriosos Om’Tui, que eram tidos como fantasmas.

Espírito do mal

Porém, o deus indígena mais cultuado foi Jurupari, que, antes da chegada do homem branco, era conhecido por todas as tribos brasileiras. No entanto, logo que os portugueses aportaram no Brasil, o Jurupari foi transformado em um “espírito do mal” — é claro que os jesuítas queriam catequizar os índios e, ainda mais, nenhum branco daquela época entenderia o que realmente era um extraterrestre. E assim os jesuítas passaram a ensinar aos índios uma nova religião, tentando apagar seus deuses dizendo serem espíritos do mal, que podiam atormentá-los futuramente.

É da lógica religiosa destruir a cultura local para implantar uma nova. Mas Jurupari deixou noções práticas e sábios ensinamentos para muitas tribos, e após sua missão retornou ao cosmos. É lógico que um extraterrestre dotado de uma tecnologia fantástica não iria ensinar aos índios como se constrói um computador ou uma nave e, sim, noções rudimentares de vida em sociedade, plantações, uso de plantas medicinais etc.

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Sobre o Autor

Antonio Faleiro

Antonio Pedro da Silva Faleiro nasceu em 24 de abril de 1941, na cidade de Passa Tempo (MG), e desde 1952 se dedica à pesquisa de campo. Em 1982, construiu em sua cidade um Observatório Ufológico em homenagem ao seu pai. Já publicou diversos livros, entre eles OVNIs no Folclore Brasileiro, Assombrações ou OVNIs?, Meus Contatos com OVNIs?, Discos Voadores e Extraterrestres no Folclore Brasileiro e Passa Tempo Através do Tempo – este último relatando a história de sua cidade natal. Redigiu vários artigos para revistas especializadas no assunto, do Brasil e exterior. Em 1970, foi um dos colaboradores do Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (SIOANI), órgão criado pela Força Aérea Brasileira (FAB) para investigar objetos voadores não identificados. O autor é também mágico amador e hipnotizador, profissões que lhe abriram as portas para diversas apresentações em shows, tevê, teatros e escolas. É ainda funcionário público, professor de música e maestro da Lira Nossa Senhora da Glória, de Passa Tempo, composta por 35 membros. Desde 1969, tem participado de inúmeros eventos ufológicos, entre eles o 1° Fórum Mundial de Ufologia (1997), realizado em Brasília (DF). É considerado um dos mais criativos ufólogos brasileiros, que além de manter uma pesquisa ativa do assunto também viveu inúmeras experiências com o Fenômeno UFO, através de contatos e observações.

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